quarta-feira, 14 de março de 2018

128 conversa - Reforma Petrinas


Durante os 15 meses de estadia no estrangeiro, Pedro aprendeu muito, se educou muito, mas para levar a civilização ocidental a sua corte, ao clero, aos boiardos, aos militares, ao povo em geral, teve que tomar medidas drásticas, pois os velhos costumes tinham que ser abandonados.
O trabalho de Pedro era insano, já que tinha que incutir em uma população dispersa por um vasto território uma máxima filosófica que é “existência precede à essência”, pois, tinha que ensinar um novo mode de viver, um novo modo de vida, a um povo cuja essência estava, e está ligada à sua origem centenária, agora milenar.
Em tempos de Pedro ainda não havia na população russa espalhada pelo vasto território um sentimento de Nação, de nacionalidade, porque ela era composta de pessoas de várias etnias.
Isso sem falar do boiardos, grandes latifundiários desde priscas eras, que não queriam abrir nem mão de seus hábitos, para eles hábitos divinos, nem de seus grandes privilégios, queriam porque queriam manter o Status Quo.
Na gravura russa abaixo vemos que ela retrata boiardos do século XVI e do século XVII, ora Pedro iniciou suas Reformas em 1696 indo até 1725, portanto exatamente na época que a gravura indica.





Não creio que na Europa Ocidental a nobreza, a burguesia, ou o povo, se vestisse dessa maneira, com roupas da época do Rus' de Kiev, dos séculos IX ao XIII, com influência dos mongóis da Invasão Mongol de 1238, pois não?


Proclamação por Luis XIV, rei de França e de Navarra, de seu neto Filipe de Anjou como rei de Espanha em 16 de novembro de 1700.

As Reformas Petrinas foram assim divididas:
1.       A mudança da capital de Moscou para São Petersburgo;  
2.       Reforma da Autocracia;
3.       A Política Social: Nobreza, Servos e População Livre Urbana;
4.       Reforma da Administração Pública e o controle sobre as atividades dos funcionários públicos *;
5.       Reforma Regional;
6.       Reforma do Judiciário;
7.       Reforma militar **;
8.       Reforma da Igreja e a Reforma religiosa;
9.       Reforma Financeira;
10.   Mudanças na Indústria e Comércio;
11.   Educação e Cultura.

1-A mudança da capital de Moscou para São Petersburgo


Pedro, o Grande, em seu leito de morte.
1725
Ivan Nikitich Nikitin
Museu Russo de Arte de São Petersburgo.
A Rússia não podia deixar de ter um porto acessível para as Nações amigas, mas não tinha.
Com as marchas e démarches a Rússia conquistou um acesso ao Mar Báltico, naquela altura um local básico para seu desenvolvimento.
Pedro se apossou do território que estavam em mãos do Império Sueco, na planície de Prinevskaya, mais detalhamento no Delta da Neva, na costa da Baía de Neva adjacente à foz do rio Neva, no Golfo da Finlândia, esse que faz parte do Mar Báltico, e suas ilhas.
Elas só passaram a ser da Rússia pelo Tratado de Nystad de 10 de setembro de 1721, que pôs fim a Grande Guerra do Norte entre a Suécia e a Rússia.
Esse Pedro era mesmo marrudo.
Tomou e começou a construção de sua nova capital, fundada em 16 (27) de maio de 1703.
Mandou seu amigo Alexandre Danilovitch Menchikov, o 1º Governador-Geral de São Petersburgo, para lá e ele começou a construção da fortaleza de Pedro e Paulo, na a Ilha de Hare, o núcleo histórico da cidade.
Drenaram os pântanos e a construção da cidade se estendeu de 1704 a 1717.
Mas, o primeiro navio a chegar no local foi “um navio mercante holandês, em novembro de 1703, quando o capitão do navio recebeu como prêmio pela façanha meio quilo de ouro.
1710, os altos funcionários começaram a se mudar para São Petersburgo.
1710, os senadores.
Entretanto em 1712, Pedro a proclama como nova capital do Império Russo e as embaixadas da Grã-Bretanha, França, Holanda, Prússia e Pérsia, são instaladas.
E Pedro, o Grande, acaba morrendo nessa sua nova capital, em seu Palácio de Inverno, o Palácio de Inverno de Pedro, o Grande, no dia 28 de janeiro de [08 de fevereiro] de 1725.

2-Reforma da Autocracia:
Antes de Pedro a sucessão ao Trono não era regulamentada por Lei, e era determinada pela Tradição.
E não se pode ignorar os golpes palacianos que haviam na Rússia para que determinada criatura se sentasse no Trono.
Pedro era gato escaldado e sabia disso.
Em 5 de fevereiro (17) de 1722 Pedro assinou um decreto sobre a ordem de sucessão. O decreto estipulava que caberia ao monarca reinante nomear seu sucessor, e ninguém mais. Muito se diz que esse decreto foi consequência do golpe tentado pelo czarevich Alexei Petrovich e sua mãe Eudóxia Feodorovna Lopukhina, divorciada do Imperador des 1698, contra ele, Pedro. 
Pedro não queria Пётр Алексе́евич, Pedro Alekseevich, o filho do falecido czarevich, portanto, seu neto, subisse ao Trono, mas se pensava assim seu decreto foi em vão já que ele se tornou o imperador e o autocrata de toda a Rússia de 6 (17) maio de 1727 até 19 (30) janeiro de 1730.
Pedro não usou esse Lei, pois morreu sem especificar um sucessor e foi sucedido por sua esposa Catarina I.
O decreto de 5 de fevereiro (17) de 1722 vigorou até o reinado de Paulo I, Павел Петрович Романов, ou Pavel Petrovich Romanov, que reinou de 17 de novembro de 1796 até 23 de março de 1801.
Foi abolido, mas o filho mais velho de Paulo I, Alexandre Pavlovich Romanov, ascendeu ao Trono Imperial no dia seguinte a morte dele, Paulo I, ou seja, em 24 de março de 1801, como Alexandre I, Imperador e Autocrata de Todas as Rússias, Rei da Polônia e Grão-Duque da Finlândia, sem mais ou maiores delongas.

Reforma da Administração Pública e o controle sobre as atividades dos funcionários públicos.
 O primeiro enfoque pode ser incluído na Reforma da Política Social.

O principal objetivo de Pedro I na política social era a definição dos direitos e responsabilidades de cada categoria ou classe na Rússia, dividida em Nobreza, Servos e População Livre Urbana (cerca de 3% da população do país).
Para isso uma nova Estrutura Social precisava se idealizada e montada.
Sabendo que as resistências seriam enormes, mas Pedro e seus homens foram à luta.
Como já falei os setenta (70) boiardos eram um obstáculo.
Para eles, os boiardos, Pedro criou o imposto sobre barbas, já que pela Igreja Ortodoxa a barba era símbolo de reconciliação do Homem com o Divino, e era Tradição usa-las
Na sua Corte não podia haver barbas, pois ele considerava uma pratica arcaica, um símbolo de atraso social, tanto que chegou a cortar algumas de alguns boiardos, por isso está no item Política Social.
29 de agosto de 1698 foi emitido o famoso decreto com o seguinte título traduzido livremente: "Sobre as vestimentas estilo dos alemães, a obrigação de fazer a barba e aparar os bigodes, sobre os dissidentes que não andariam neste traje e não cumprisse a obrigatoriedade da barba iriam sofrer severas consequências”.
A Duma dos Boiardos, naquele momento com setenta (70) membros, foi substituída pelo Senado, eram nove (9) seus membros, foi estabelecido e os senadores tinha a tarefa de: " Examinar todo o estado das despesas do Estado, excluir o que fosse desnecessário ou supérfluo. Economizar o máximo de dinheiro possível, pois, o dinheiro é o sangue que passa pelas artérias das guerras. "


O corte das barbas boiardas

Com um decreto sobre a herança de 1714, Pedro enfraqueceu mais ainda a posição dos boiardos na Sociedade Russa de então, apesar desse “nada modificar em relação a situação dos servos, e que reforçou a opressão terra dos camponeses”.
E tem mais: pela " Tabela de Rangos ", Pedro deu valor a meritocracia e misturou representantes dos boiardos, os da antiga nobreza tribal, com as pessoas elevadas a nobreza pelo serviço prestado a Rússia e ao soberano.
A Tabela de Rangos, Табель о рангах, ou Tabela de Ranks, “era uma lista oficial de quatorze (14) posições hierárquicas nas forças armadas, no governo civil, nos tribunais, e que definia a posição ou status da pessoa que os ocupava.”
Nessas posições podiam ter um ou vários cargos, ou seja, em um rango, ou classificação, havia um só cargo, ou vários cargos, tanto nos militares quanto nos seus equivalentes no governo civil, e na justiça.
Exemplifico:
O Chanceler ao General-Marechal de Campo (General-Field Marshal) e ao Almirante Geral da Frota, e eram tratados com protocolarmente como “Sua Excelência”.
O Real Conselheiro Privado ao General da infantaria ou da cavalaria, ao Almirante e ao Camareiro- chefe, e eram tratados com protocolarmente como “Sua Excelência”.
E assim ia até o decimo quarto rango, que era o de Cadete da Faculdade, jovens que entrevam para a faculdade e isso num sociedade hierarquizada era muito importante, além do que não podemos esquecer os esforços de Pedro para trazer educação e cultura ao Império.
O Cadete de Faculdade se comparava nas forças armadas ao Porta-bandeira, o primeiro grau (júnior) do oficial na infantaria e cavalaria, e não havia equivalente na justiça. O tratamento protocolarmente dispensado a eles era de “Sua Honra”.
Como resultado, passou a existir uma nova estrutura social hierarquizada na qual as propriedades pouco importavam, mas sim o mérito pessoal de cada um.
Essa Tabela sobreviveu até a Revolução Russa de 1917.”
Pedro era um guerreiro, um marinheiro por excelência, gostava da vida militar, por isso beneficiou sobre maneiras autoridades militares declarando-as acima dos funcionários civis e até mesmo judiciais.
Tal benefício proporcionou aos oficiais militares facilidade para ter acesso a chamada Alta Nobreza.
Para tanto criou a Ordem de Santo André, tendo como modelo da Ordem do Espírito Santo do Reino de França, que confere nobreza automaticamente para o agraciado.
Os Quatorze Rangos regularam a nobreza russa, mas estendeu a oportunidade ao russo comum de possuir um “estofo de nobreza” desde que o conquistasse por mérito pessoal.
Muitos se destacaram, pois, em “1914, a nobreza russa era composta por quase 1.900.000 pessoas (1,1% da população), que ocupavam todos os cargos na administração, nas forças armadas e na diplomacia.”
Enfim, essa Tabela de Rangos de Pedro foi modificada através dos tempos.
Com isso o poder dos Boiardos ficou enfraquecido, mas não foram abolidos, pois pessoas de outras classes podiam ser Dignitários do Estado.

A nobreza
A nobreza hereditária poderia ser alcançada pelas seguintes maneiras:
1) por uma discrição especial da autocracia;
2) alcançando um certo grau militar ou civil enquanto estiver em serviço ativo;
3) mediante a concessão de uma certa Ordem do Império Russo;
4) poderia ser dada aos descendentes dos mais famosos nobres pessoais e cidadãos proeminentes.
Entre 1722 e 1845, a nobreza hereditária foi dada a oficiais militares que alcançaram o 14º lugar de bandeira, aos funcionários públicos que obtiveram o 8º lugar de Assessor Colegiado e a qualquer pessoa que recebeu qualquer ordem do Império Russo (desde 1831 года - exceto o Ordem polaca de Virtuti Militari).
Armorial da Nobreza
Pedro mandou organizar o Armorial da Nobreza da Câmara de Heráldica do Senado, em São Petersburgo, dividido em cinco volumes:
1-      o Livro de Príncipes do Império;
2-      o Livro de Condes do Império;
3-      o Livro de Barões do Império;
4-       o Primeiro Livro de Aristocratas sem título hereditário (antes da reforma);
5-      o Segundo Livro de Aristocratas sem título hereditário (depois da reforma).
Pedro introduziu o título de Conde e de Barão.
Títulos:
Na Tabela de Pedro .
Tratamento cerimonial: Majestade, Величество, reservado ao Imperador e Autocrata, e a sua esposa, a Imperatriz.
1-      Император – Imperador:
a.       Pela graça de Deus , a mais excelente e de grande Príncipe Soberano Pyotr Alekseevich, o governante todas as Rússias: de Moscou , de Kiev , de Vladimir , de Novgorod , Czar de Kazan , de Astrakhan e da Sibéria , Soberano de Pskov , Grande- Príncipe de Smolensk , de Tversk, de Yugorsk, de Permsky, de Vyatsky,de  Bulgarsky e de outros dominios, Príncipe -Soberano das Grande das terras Novgorod Nizovsky, de Chernigovsky, de Ryazan , de Rostov , de Yaroslavl , de Belozersky, de Udorsky, de Kondiisky , Soberano de todas as terras do norte, Soberano das Terras da Ibéria,  da Kartlian e de Kartli-Kakheti, das terras Kabardin, dos Príncipes circassianos e das montanha e muitos outros estados, de países ocidentais e orientais daqui e dali.
Tratamento cerimonial: Sua Alteza Imperial.
2-      Czarevich ou Czarevna, царевич или Царевна usado para o herdeiro ou herdeira ao Trono. Podia ser o filho/a bem como o irmão do Imperador reinante no caso desse não ter filhos.
3-      Grão-Duque ou Grã-Duquesa, великий князь или Великая Княгиня, Título de “uso exclusivo da Família Imperial. Os filhos, filhas e netos de um Imperador reinante tinham direito a esse Título, assim como os irmãos e irmãs do Imperador. Os filhos e filhas da segunda geração de Grão-duques são Príncipes ou Princesas de sangue imperial, que recebem o título de Príncipes ou Princesas da Rússia e com o tratamento de Altezas. Essa qualificação prossegue pela primogenitura masculina às gerações subsequentes. Os filhos e filhas das gerações seguintes recebem o tratamento de Alteza Sereníssima”.
Tratamento cerimonial: Ilustre.
4-      Príncipe ou Princesa, Принц или Принцесса, Título transmissível tanto ao sexo masculino, quanto ao feminino. Se crê que na Rússia havia mais de dois mil Príncipes por todo o Império. “Com o tratamento protocolar de Ilustre”.
5-      Kniaz, feminino knyazhna, княжна, e o filho, knyazhich, княжич, a filha de um knyaz é uma knyazhna, княжна. Com o tratamento protocolar de Ilustre”.
Князь continuou como um título hereditário de nobreza russa, os descendentes de Rurik, as famílias como Belozersky, Belosselsky-Belozersky, Repnin, Gorchakov, Galitzine, Troubetzkoy, que eram chamados de príncipes quando governavam pequenos principados medievais, e que na Corte de Moscou foram autorizados a continuar com seus títulos principescos.
Nota: “Raramente esse Título é traduzido como "duque", nas fontes latinas, o título é geralmente traduzido como conde (comes) ou príncipe (princeps).
6-      Príncipe Boiardo- obsoleto e pouco utilizado, mas não revogado. Com o tratamento protocolar de Ilustre”.
7-      Príncipe- criados pelo Imperador.
Com a diminuição do número de famílias dos Príncipes Boiardos a importância desses novos Príncipes Imperiais e aumentada, é reforçada, passam a ser figuras de destaque na Corte Imperial.
“Com o tratamento protocolar de Ilustre”.
Pedro o elevou a Alexander Menshikov a esse rango.
8-      Conde e Condessa– Tão numerosos quanto os Príncipes, gozam de uma boa reputação, são alto funcionários civis e militares, e outras autoridades, bem como protegidos ou protegidas especiais do Soberano.
9-      Barão e Baronesa, Барон и баронесса, “O título de Barão só se conferia na Rússia muito raramente e sobretudo a banqueiros, a grandes industriais de origem estrangeira, e a judeus de alto mérito”.


Retrato anônimo do Barão Peter Pavlovich Shafirov. Domínio público.
O primeiro barão elevado por Pedro I foi Barão Peter Pavlovich Shafirov, nascido em 1669 e falecido em São Petersburgo, num suntuosíssimo palácio, em 1 de março de 1739. Chefiou o correio russo, um cargo muito importante no esquema de Pedro, de 1701 até 1723, como o diretor-diretor geral.


No Império Russo ainda havia a Nobreza não Titulada.
Essa Tabela tirou a inércia dos servidores civis e militares, uma classe preguiçosa mais avida de bens e honras, e criou uma essa Nobreza não titulada, ou a Nobreza sem Títulos, дворянства без названия, “as velhas famílias não titulares eram praticamente inumeráveis”.
O contraponto eram os servos, a posição de servos, que forma assim divididos:
a-      servos dos latifúndios.
b-      dos mosteiros.
c-      do Estado/ governo.
Em alguns trabalhos de origem russa os servos são chamados de campesinos ou agricultores, mas na realidade a Servidão, era o sistema dominava a agricultura da Rússia, portanto o Servo de Gleba, totalmente ligados ao solo onde viviam e trabalhavam, eram parte integrante da propriedade ou latifúndio.
Significado de Servo: s.m. Classe de camponeses conhecidos como servos, ligados ao solo, que surgiu no começo da Idade Média. Socialmente um servo encontrava-se a igual distância de um cidadão livre e de um escravo.
O servo era ligado à terra, e obrigado a efetuar certos pagamentos e serviços ao seu senhor. Sob esse aspecto, não era livre.
Significado de Servidão - s.f. Estado do servo. Privação da independência ou da liberdade.
Cativeiro, sujeição, dependência. Encargo imposto a uma propriedade para proveito ou serviço de outra, como passagem, tirada de água etc.
Sinônimos de Servidão: Cativeiro, dependência.
Legislação Pedro, o Grande, tentou fazer algum abrandamento da servidão, até mesmo a possibilidade de criar uma saída.
A política de classe de Pedro I (a proibição da posse de servos) impediu a introdução do regime de servidão no Norte da Rússia.
Pedro instruiu o Senado, na elaboração de um novo Código que regulasse as formas de tráfico de servos, pois era "o costume na Rússia que os servos, ou suas famílias, fossem vendidos como gado”, porem esse Código não foi avante com a morte dele.
Os servos do Estado, ou camponeses de Estado, era uma classe composta por 19% da população, pela última estimativa de 1858 eles representavam 45% da população, o que dá para compreender bem a Revolução de 1917.
Legalmente foram considerados como "habitantes rurais livres" e por isso pagavam impostos, o que lhes dava condições de comparecer em tribunal, fazer acordos, etc...
Contudo, ao bel prazer do Estado, eles podiam ser concedidos a indivíduos como servos, pratica essa que durou até o reinado de Alexandre I em 1800.
Entretanto, as “Leis relativas aos servos, eram contraditórias”, mas o que se sabe é que sobre eles havia um imposto ou taxa, e mesmo taxas e impostos que eles deviam pagar apesar da situação vexatória, pois Pedro precisava desesperadamente de recursos.
Penso que não preciso dizer mais nada a não ser que a servidão foi abolida na Rússia em 19 de fevereiro de 1861, o imperador Alexandre II, "o Libertador”, decretou o fim do sistema de servidão. Foram libertados, ao todo, 22,5 milhões de camponeses servos, embora a propriedade dos latifúndios tenha sido preservada.
Alexandre II, Imperador e Autocrata de Todas as Rússias, Rei da Polônia e Grão-Duque da Finlândia, foi assassinado em São Petersburgo, 13 de março de 1881, por jovens organização terrorista Vontade do Povo, Nikolai Rysakov, Ignaty Grinevitsky, Ivan Emelyanov.
Por capricho do destino o imperador moribundo foi levado para a mesma sala onde “vinte anos antes, tinha assinado o documento que tinha libertado os servos.”
Libertou um povo e foi morto por membros desse mesmo povo.

População Livre Urbana ou das Cidades:

Termos que ter em mente que as ‘cidades’ russas na época de Pedro eram nada mais, nada menos, do que grandes aldeias, desprovidas de todos os confortos civilizados que nas cidades da Europa Ocidental já haviam sido concebidos e instalados, por isso a população urbana livre não passava de 3% da do Império. 
Em volta do Kremlin pastava vacas, chafurdavam porcos e galinhas eram criadas.
Com intuito de arrecadar impostos e taxas, Pedro dividiu a população citadina em duas partes:
a)       Primeira: A regular, súditos que residiam permanentemente nelas, composta por industriais/ donos de manufaturas, comerciantes, lojas de artesanato, e guildas foram criadas;
b)      Segunda parte: Os que nelas não residiam e foram tratados de maneira especial. Qual? Tenho cá duvidas, por isso não as coloco aqui.

Significado de Guilda: s.f. Durante a Idade Média, em certos países europeus, associação que agregava pessoas que possuíam interesses comuns (comerciantes, artistas, artesãos etc.) com o propósito de oferecer assistência e segurança aos seus membros; hansa.
(Etm. do francês: guilde)
Sinônimo de guilda: hansa, os súditos regulares podiam participar do governo das cidades, já que os governadores nomeados por Pedro foram pari passu substituídos por magistrados eleitos, que estavam incumbidos da cobrança de impostos e funções judiciais, o que acabou gerando os governos municipais eleitos.
O zelo do magistrado era revelado por sua boa ação em termos de recolhimento de impostos e taxas e “zé fini”...
Antes de findar esse capitulo gostaria de relembra:
“O Principado de Kiev, conforme crescia o grau de centralização, o monarca passou a ser chamado de velikiy knyaz (Великий Князь - "grão-príncipe ou grão-duque: fem.: velikaya knyaginya)”.
“Ele governava um Velikoe Knyazhestvo (Великое Княжество) (Grão-Ducado) subdividido em estados vassalos menores (udel, udelnoe kniazhestvo ou volost) governados por um udelny kniaz ou simplesmente kniaz”.
“Quando o Principado de Kiev se fragmentou no século XIII, o título de kniaz continuou a ser utilizado pelos soberanos de Moscou, Kiev, de Chernigov, de Novgorod, de Pereyaslav, de Vladimir-Suzdal, de Tver, da Galícia-Volínia e no Grão-Ducado da Lituânia”.
O Titulo de czar
Quando a monarquia moscovita, москвич монархия, dominou o Velho Estado Russo, o Rus 'de Kiev, o velikii kniaz Ivã IV, ou Ivã, o Terrível, foi coroado Czar de Toda a Rússia em 16 de janeiro de 1547, e com isso o Título Czar foi introduzido para o Monarca de Moscou que, como vemos, se tornou Soberano de Toda a Rússia. 
Czar derivado do título latino de César (César) e é uma herança do Império Bizantino, do Caesar bizantino, pois a Rússia foi convertida pela Igreja Ortodoxa de Rito Grego.
E a nobreza foi, assim, organizados hierarquicamente:
Czar / Czarina (Царь и Царина)
Czarevich / Czarevna (Царевич / Царевна), filhos de Czar.
Czarevich / Czarevna (Царевич / Царевна), parentes do Czar.
Os boiardos, herdeiros do feudalismo primitivo.

Ainda os boiardos.

Os boiardos eram divididos des maneira:
Boiardo Kniaz (Боярин Князь) o mais alto Título de Nobreza.
Boiardo servidor (Боярин и слуга - Boyarin slouga i) é a mais numerosa. Estes são os primeiros conselheiros de Moscou, todos os antigos príncipes soberanos foram incluídos nesta categoria.
Boiardo Armeiro (Боярин и оружейничий - Boyarin oroujyeynitchy i) Boiardos de segunda classe, dedicado ao comando do exército.
Boiardo Marechal (Боярин и конюший - Boyarin koniouchiy i) terceira classe dos Boiardos, dedicado a coudelarias e campos de estado.
Boiardo camareiros (Боярин и дворецкий - Boyarin Dvoretsky i): a menor classe de Boiardo, assuntos governamentais descentralizados.



terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Dedicatória da Coleção “Conversando alegremente sobre a História” 20 de fevereiro de 2108


Eu dedico a Coleção “Conversando alegremente sobre a História” a juventude brasileira tão vilipendiada pelos atuais representantes do Poder Público Nacional que ignorando a Constituição Nacional agem somente para defender os interesses de suas castas, ignorando a comunidade de pessoas, a proteção dos direitos de todos os indivíduos, a Sociedade em Geral, que formam a Nação Brasileira.
São Paulo 20 de fevereiro de 2018.

Jorge Eduardo Garcia
Um brasileiro nacionalista


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Inquisição Portuguesa


A Inquisição teve um pouco menos de Poder em Portugal e no vasto Império ultramarino português, do que nas Espanhas.
Os Reis Católicos não estavam satisfeitos de impor sua política pró-Inquisição nas Espanhas, tinham que impor em toda a Península Ibérica a perseguição dos hereges, dos judeus, e dos mouros, bem como o tratamento especial para os judeoconversos, para os marranos, para os B'nei anussim ( "filhos dos forçados" que designa os descendentes de judeus convertidos à força (anusim) ou Marrano é uma expressão hebraica genérica e conceito historiográfico que se refere aos judeus convertidos ao cristianismo dos reinos cristãos da Península Ibérica que "judaizavam", ou seja, que continuavam a observar clandestinamente seus antigos costumes e sua religião anterior), e isso foi feito através do contrato de casamento de sua filha mais velha,  a Infanta Dona Isabel de Aragão e Castela, com Dom Manuel I, o Venturoso, o soberano português na época do descobrimento do Brasil por Pedro Alvares Cabral, o grande Almirante do Mar Oceano.
No contrato do primeiro casamento de Dom Manuel I com de Dona Isabel de Aragão e Castela, seus pais, Fernando II de Aragão e de Isabel I de Castela, impuseram uma cláusula que “exigia a expulsão dos hereges (mouros e judeus) do território português”.
Consequências importantes:
1-      O Rei tentou dissuadir a rainha, pois precisava dos recursos dos financistas judeus para o desenvolvimento de seu Plano Imperial de Conquistas d'Além-Mar em África, e ao longo do Mar Oceano;
2-      A nova Rainha não cedeu;
3-      Decreto de expulsão assinado por Dom Manuel em 5 de dezembro de 1496, “concedendo-lhes prazo até 31 de outubro de 1497 para que deixassem Portugal;
4-      “Aos judeus, Dom Manuel permitiu que optassem pela conversão ou desterro, esperando assim que muitos se batizassem, ainda que apenas proforma”;
5-      Muitos não acreditaram na promessa e a maioria optou por abandonar Portugal;
6-      Diante do grande êxodo, Dom Manuel mandou fechar o Porto de Lisboa para impedir a fuga;
7-      20 mil judeus ficaram concentrados no o Porto de Lisboa esperando aos navios de transportes, na sua maioria com destino aos Países Baixos, para Amsterdam;
8-      “Em abril de 1497, Dom Manuel mandou sequestrar as crianças judias menores de 14 anos, para serem criadas por famílias cristãs, o que foi feito com grande violência”;
9-      “Em outubro de 1497, os que ainda resistiram à conversão foram arrastados à pia batismal pelo povo incitado por clérigos fanáticos e com a complacência das forças da ordem”;
10-  “Foi desses batismos em massa e à força que surgiram os marranos, ou cripto-judeus, que praticavam o judaísmo em segredo embora publicamente professassem a fé católica”;
11-  Os "cristãos novos" nunca foram realmente bem aceites pela população "cristã velha", que desconfiava da sinceridade da fé dos conversos.
Dona Isabel, Rainha Intransigente, morreu, em 28 de agosto de 1498, no Palacio Arzobispal de Zaragoza, em Zaragoza, ao dar à luz o Príncipe Infante Miguel da Paz, herdeiro conjunto das coroas de Portugal, Castela (reconhecido como Príncipe das Astúrias) e Aragão (reconhecido Príncipe de Girona), e falecido precocemente em 1500, que pôs fim ao sonho da União Ibérica na sua pessoa.
Dentro da política de viver bem com seu vizinho, Dom Manuel I casou com sua cunhada a Infanta Maria de Aragão e Castela em 30 de outubro de 1500.
Os novos contratos de casamento de Dom Manuel com a Infanta Maria de Aragão, também, haviam clausulas sobre os hereges, os judeus, os mouros, os judeoconversos, os marranos, os B'nei anussim, novamente impostas pelos Reis Católicos.
A nova Rainha se mostrou partidária “o projeto Imperial Manuelino para destruir as cidades sagradas islâmicas de Meca e Medina, anexar o Império Mameluco e conquistar os lugares santos do cristianismo, especialmente Jerusalém”, contudo, como sua irmã, e certamente influenciada pelos seu pais, era intransigente em relação aos Judeus.
E acontece, na minha visão, o maldito Pogrom de Lisboa.
Nesse Massacre de Lisboa de 1506 - de 19 a 21 de abril, na Semana Santa de 1506-  uma multidão ensandecida matou centenas de Judeus, ou seja, “homens, mulheres e crianças foram torturados, massacrados e queimados em fogueiras improvisadas no Rossio, mais precisamente junto ao largo de São Domingos”.
A multidão foi influenciada pelos malditos padres da Igreja Católica que acusavam os hebreus de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o Reino.
“Três dias de massacre se sucederam, incitados por frades dominicanos que prometiam absolvição dos pecados dos últimos 100 dias para quem matasse os hereges”.
Não podemos nos esquecer que a Inquisição ainda não havia sido estabelecida em Portugal.
Não podemos nos esquecer que haviam só passado “nove anos da conversão forçada dos judeus em Portugal, em 1497”.
Deveria haver mesmo centenas de judeus, pois “93 mil judeus refugiaram-se em Portugal nos anos que se seguiram à sua expulsão de Espanha em 1492 pelos Reis Católicos”.
Dom Manuel estava a caminho de Beja, para visitar a mãe, Dona Beatriz de Portugal, Duquesa de Viseu, e foi avisado dos acontecimentos em Lisboa
Mandou magistrados para tentar pôr fim ao banho de sangue, mas como as autoridades presentes quando do início da matança, foram obrigados a fugir.
Dois fatos acabaram com a Matança da Pascoa de 1506:
a-      O pavor que os padres tiveram porque a plebe ignara matou o Escudeiro do Rei, João Rodrigues Mascarenhas, pessoa querida do Monarca, morto por engano;
b-       A chegada das Tropas Reais.
“D. Manuel I penalizou os envolvidos, confiscando-lhes os bens, e os dominicanos instigadores foram condenados à morte por enforcamento”.
“Os representantes da cidade de Lisboa foram expulsos do Conselho da Coroa (equivalente ao atual Conselho de Estado), onde tinham assento desde 1385, quando o Rei Dom João I lhes concedeu esse privilégio pelo seu apoio à sua campanha pela conquista do Trono português”.
Entretanto, “muitas famílias judaicas fugiram ou foram expulsas do país, tendo como destino principal os Países Baixos e secundariamente, França, Turquia e Brasil, entre outros. Mesmo expulsos da Península Ibérica, os judeus só podiam deixar Portugal mediante o pagamento de "resgate" à Coroa. No processo de emigração, os judeus abandonavam suas propriedades ou as vendiam por preços irrisórios e viajavam apenas com a bagagem que conseguissem carregar”.
Como fruto do Massacre e consequente castigo dos culpados cresceu o antissemitismo em Portugal, que teve como consequência do estabelecimento do Tribunal do Santo Ofício — que entrou em funcionamento em 1540, perdurando até 1821.
E como foi?
“A 17 de dezembro de 1531 O Papa Clemente VII, (nascido Júlio de Juliano de Médici, em italiano: Giulio di Giuliano de' Medici, nascido em Florença, 26 de maio de 1478 e falecido em Roma, 25 de setembro de 1534, foi eleito o 219º Papa em 19 de novembro de 1523 e governou a Igreja Católica até a data da sua morte, pela bula Cum ad nihil magis a instituiu em Portugal, mas um ano depois anulou a decisão. E em 1533 concedeu a primeira bula de perdão aos cristãos-novos portugueses.
D. João III, filho de do Rei Manuel I, o Venturoso, e de Maria de Aragão, Infanta de Espanha, filha dos Reis Católicos, renovou o pedido e encontrou ouvidos favoráveis no novo Papa, Paulo III, nascido Alessandro Farnese , nascido em Canino, Itália, em  29 de fevereiro de 1468  e falecido em Roma, 10 de novembro de 1549, foi eleito 220º Papa de 13 de outubro de 1534 até à data da sua morte, que cedeu, em parte por pressão de Carlos V de Habsburgo**.
**Carlos V & I (Gante, 24 de fevereiro de 1500 – Cuacos de Yuste, 21 de setembro de 1558) foi o Imperador Romano-Germânico como Carlos V a partir de 1519 e Rei da Espanha como Carlos I de 1516 até sua abdicação em favor de seu irmão mais novo Fernando I no império e seu filho Filipe II na Espanha, um sobrinho da dita Rainha Dona Maria.
*  Dona Maria de Aragão e Castela (em espanhol: Maria de Aragón y Castilla; Córdova, Reino de Córdova, Coroa de Castela, 29 de junho de 1482 – Lisboa, 7 de março de 1517) foi uma infanta aragonesa, segunda esposa de Manuel I de Portugal, a qual viria a ser rainha de Portugal desde 1501 até à sua morte. Ela era filha dos Reis Católicos, Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão
Paulo III era um devasso e de “sua união com Silvia Ruffini, uma mulher de origem nobre, nasceram quatro filhos:
Constança (Costanza) (1500 - 1545);
Pedro Luís (Pier Luigi) (1503 - 1547) que veio a ser o 1.º duque de Castro e 1.º duque de Parma;
Paulo (Paolo) (1504 - 1513);
Rainúncio (Ranuccio) (1509 - 1529).

O nascimento da Inquisição Portuguesa de facto.

Em 23 de maio de 1536, pela Bula Cum ad nihil magis de autoria de Paulo III, em tudo semelhante à primeira, foi instituída a Inquisição em Portugal.
Em “ 22 de outubro de 1536, proclamava-se em Évora, no púlpito da Sé, perante a corte, a bula Cum ad Nihil Magis.”
“E assim começa, para os judeus portugueses, uma nova era de desgraças e prantos. Évora foi a zona do país onde o tribunal do Santo Ofício despertou maior pânico e exerceu mais fria e intensa atividade depuradora contra o sangue hebraico.”
“Dos três tribunais instalados em Portugal – Lisboa, Coimbra e Évora – foi o tribunal alentejano, o de maior movimento e o que levou a cabo mais esgotante tarefa de purificação. A sua jurisdição abrangia todo o Alentejo e Algarve.”
Tal como nos demais reinos ibéricos, tornou-se um tribunal ao serviço da Coroa.
 Vou transcrever o que encontrei na Wikipédia:  
A Corte em 22 de outubro de 1536 residia em Évora e toda a população foi convidada a denunciar os casos de heresia de que tivesse conhecimento. No ano seguinte, o monarca voltou para Lisboa e com ele o novo Tribunal. O primeiro livro de denúncias tomadas na Inquisição, iniciado em Évora, foi continuado em Lisboa, a partir de janeiro de 1537. Em 1539 o cardeal D. Henrique, irmão de D. João III de Portugal e depois ele próprio rei, tornou-se inquisidor geral do reino.
Até 1541, data em que foram criados os tribunais de Coimbra, Porto, Lamego, Tomar e Évora, existia apenas a Inquisição portuguesa que funcionava junto à Corte em Lisboa. As Habilitações de Familiares para o Santo Ofício eram feitas para a Inquisição de Coimbra (Entre Douro e Minho, Trás os Montes e Alto Douro e Beiras), a Inquisição de Lisboa (Estremadura, Ribatejo, Ilhas e Ocidente), a Inquisição de Évora (Alentejo e Algarve) e, mais tarde, também para a Inquisição de Goa (Oriente). Em 1543-1545 a Inquisição de Évora efetuou diversas visitações à sua área jurisdicional. Mas em 1544, o Papa mandou suspender a execução de sentenças da Inquisição portuguesa e o autos-de-fé sofreram uma interrupção.

Foram, então, redigidas as primeiras instruções para o seu funcionamento, assinadas pelo cardeal D. Henrique, e datadas de Évora, a 5 de setembro. O primeiro regimento só seria dado em 1552. Em 1613, 1640 e 1774, seriam ordenados novos regimentos por D. Pedro de Castilho, D. Francisco de Castro e pelo Cardeal da Cunha, respectivamente.
Segundo o regimento de 1552 deviam ser logo registadas em livro as nomeações, as denúncias, as confissões, as reconciliações, a receita e despesa, as visitas e as provisões enviadas "para fora". A natureza dos documentos dos tribunais de distrito é idêntica, visto que a sua produção era determinada pelos regimentos e pelas ordens recebidas do inquisidor-geral ou do Conselho e obedecia a formulários.
Ao mesmo tempo, diz o livro «D. João III» de Paulo Drumond Braga, página 136, o pontífice emanou sucessivos perdões gerais aos cristãos novos em 1546 e 1547. Em 1547 Paulo III autorizou que o Tribunal português passasse a ter características idênticas aos tribunais de Castela: sigilo no processo e inquisidores gerais designados pelo Rei. No mesmo ano saiu o primeiro rol de livros proibidos e deixaram de funcionar os Tribunais de Coimbra (restaurado em 1565), Porto, Lamego e Tomar.
Em 1552 o Santo Ofício recebeu seu primeiro Regimento, que só seria substituído em 1613. Em 1545 Damião de Góis tinha sido denunciado como luterano. Em 1548 Fernão de Pina, guarda-mor da Torre do Tombo e cronista geral do reino, sofreu idêntica acusação.
No Arquivo da Torre do Tombo encontra-se abundante documentação: D. Diogo da Silva, primeiro inquisidor-mor, nomeou um conselho para o coadjuvar, composto por quatro membros. Este Conselho do Santo Ofício de 1536 foi a pré-figuração do Conselho Geral do Santo Ofício criado pelo cardeal D. Henrique em 1569 e que teve regimento em 1570. Entre as suas competências, saliente-se: a visita aos tribunais dos distritos inquisitoriais para verificar a atuação dos inquisidores, promotores e funcionários subalternos, o cumprimento das ordens, a situação dos cárceres. Competia-lhe a apreciação e despacho às diligências dos habilitandos a ministros e familiares do Santo Ofício, julgar a apelação das sentenças proferidas pelos tribunais de distrito, a concessão de perdão e a comutação de penas, a censura literária para impedir que entrassem no país livros heréticos; a publicação de índices expurgatórios; as licenças para impressão.
A Inquisição foi extinta gradualmente ao longo do século XVIII, embora só em 1821 se dê a extinção formal em Portugal numa sessão das Cortes Gerais. Porém, para alguns estudiosos, a essência da Inquisição original, permaneceu na Igreja Católica através de uma nova congregação: A Congregação para a Doutrina da Fé.
Entre 1536 e 1821, cerca de mil e quinhentas pessoas foram queimadas e outras 25.000 foram condenadas a diversas penas. Ignora-se quantos morreram nos cárceres e daqueles que foram julgados depois de mortos, os quais, quando condenados, eram exumados e queimados nos autos-de-fé.
Auto-de-Fé:
Os autos-de-fé consistiam em cerimónias mais ou menos públicas onde eram lidas e executadas as sentenças do Tribunal do Santo Ofício (instituição criada pela Inquisição no século XVI). Inicialmente havia dois tipos de autos-de-fé:
1-     Os autos-de-fé que se realizavam no interior do Palácio da Inquisição ou num Convento, destinados exclusivamente aos “reconciliados” (aqueles que eram readmitidos no seio da Igreja e condenados a penas que iam desde penitências espirituais até à prisão e ao desterro;
2-     Os autos-de-fé que se realizavam na praça pública onde eram condenados não apenas os “reconciliados”, mas também os “relaxados” (aqueles que eram entregues à Justiça secular para execução da pena de morte.
Com o passar do tempo, os autos-de-fé passaram a constituir um grandioso espetáculo, realizado com grande pompa e segundo um cerimonial rigorosamente estabelecido. Assistiam a estas cerimónias não apenas as autoridades religiosas e civis (muitas vezes o próprio rei estava presente), mas toda a população da cidade que gritava em júbilo enquanto os condenados eram queimados vivos.
http://knoow.net/historia/historiaportug/auto-de-fe/
Auto-de-fé ou auto-da-fé refere-se a eventos de penitência realizados publicamente (ou em espaços reservados para isso) com humilhação de heréticos e apóstatas bem como punição aos cristãos-novos pelo não cumprimento ou vigilância da nova fé lhes outorgada, postos em prática pela Inquisição, principalmente em Portugal e Espanha.
As punições para os condenados pela Inquisição iam da obrigação de envergar um sambenito (espécie de capa ou tabardo penitencial), passando por ordens de prisão e, finalmente, em jeito de eufemismo, o condenado era relaxado à justiça secular, isto é, entregue aos carrascos da Coroa (poder secular, em oposição ao poder sagrado do clero). O estado secular procedia às execuções como punição a uma ofensa herética repetida, em consequência da condenação pelo tribunal religioso. Se os prisioneiros desta categoria continuassem a defender a heresia e repudiar a Igreja Católica, eram queimados vivos. Contudo, se mostrassem arrependimento e se decidissem reconciliar com o catolicismo, os carrascos procederiam ao "piedoso" acto de os estrangular antes de acenderem a pira de lenha.
Os autos de fé decorriam em praças públicas e outros locais muito frequentados, tendo como assistência regular representantes da autoridade eclesiástica e civil.
Inquisidores em Portugal por ordem alfabética:
A
Afonso de Almeida
André de Santa Maria
D
Diogo da Silva
F
Fernando Martins de Mascarenhas
Francisco de Castro, inquisidor-geral
Francisco de São Jerônimo
Frei Inácio de São Caetano
G
Gaspar Barreiros
H
Henrique I (Lisboa, 31 de janeiro de 1512 – Almeirim, 31 de janeiro de 1580), apelidado de "o Casto" e "o Cardeal-Rei", foi o Rei de Portugal e Algarves de 1578 até sua morte, além de cardeal da Igreja católica desde 1545. Era o quinto filho do rei Manuel I e sua segunda esposa Maria de Aragão e Castela, tendo servido entre 1562 e 1568 como regente de seu sobrinho neto o rei Sebastião.
J
Jorge de Almeida
Jorge de Santiago
José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho
M
Manuel de Almada
Manuel de Almeida
Manuel de Meneses, Bispo de Lamego e Coimbra
Marcos Teixeira de Mendonça
Miguel de Castro
N
Nuno da Cunha e Ataíde
P
Paulo António de Carvalho e Mendonça
Pedro de Castilho
Pedro de Lencastre, Duque de Aveiro
R
Rodrigo da Cunha
Rodrigo de Miranda Henriques
S
Sebastião de Matos de Noronha
V
Veríssimo de Lencastre