quarta-feira, 29 de julho de 2015

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: Dona Leopoldina & Dom Pedro I&IV

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: Dona Leopoldina & Dom Pedro I&IV:

Dona Leopoldina & Dom Pedro I&IV

Dona Leopoldina & Dom Pedro I&IV

Minha intenção é mostrar que nossa Independência se deve muito mais a senhora Dona Leopoldina, do que propriamente ao senhor Dom Pedro I.
Nunca foi intenção desse “ Filho da Casa de Bragança” desmembrar o Império transcontinental Luso-Afro-Brasileiro do qual era Príncipe Herdeiro.
Segundo o Acadêmico e Magnífico Reitor da Universidade do Brasil, Pedro Calmon Muniz Bittencourt, em seu livro, O Rei do Brasil, vida de D. João VI, Livraria / Editora José Olympio, 1935, pg. 277, o então Príncipe-Regente escreveu a seu pai e soberano Senhor Dom João VI, o maior monarca que nos governou, o que segue:

“Eu ainda me lembro e me lembrarei sempre do que V.M. me disse, antes de partir dous dias, no seu quarto: se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”,
escrever-lhe-ia o príncipe em 1822.
O sábio monarca português tinha a certeza de que o Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, o Senhorio da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc..., sem o Brasil ficaria enfraquecido nessa Nova Ordem Política Europeia pós a Ordem Napoleônica que surgiu, que tomou forma, nas antessalas do Palácio de seu co-sogro, Francisco I, o Imperador da Áustria, quando do Congresso de Viena.
Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, era um chucro, já que foi criado “ao Deus dará”, sem nenhum tipo serio de tutor que lhe preparasse para as obrigações de um Soberano.
Herdara de sua mãe, a Infanta Espanhola, a Rainha Dona Carlota Joaquina, a sexualidade dos Bourbons, conhecidos por sua volúpia, que o fazia passar horas ou na senzala ou em uma Casa de Prazeres, casas essas que ficavam em uma travessa da atual Praça XV, no Rio de Janeiro, na Corte, isso sem contar as aventuras com atrizes e outras damas dadivosas.
Dedicava-se o Príncipe aos cavalos, as touradas, a viola, a música, a dança, especialmente ao “lundum” -  criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos de Angola e dos ritmos portugueses, e que era dançado “uma certa malemolência e seu aspecto lascivo, evidenciado pela umbigada, pelos rebolados e por outros gestos que imitam o ato sexual- ou seja, a galhofa, a deboche, a boa vida, era um filhinho de papai, um playboy, no início do século XIX.


O lundu praticado no século XVIII, em gravura de Rugendas.
Johann Moritz Rugendas (Augsburgo, 29 de março de 1802 — Weilheim an der Teck, 29 de maio de 1858) foi um pintor alemão que viajou por todo o Brasil durante o período de 1822 a 1825, pintando os povos e costumes que encontrou. Rugendas era o nome que usava para assinar suas obras. Cursou a Academia de Belas-Artes de Munique, especializando-se na arte do desenho.
Conta a lenda que o personagem masculino que dança é o próprio senhor Dom Pedro.


Nunca teve nenhum interesse aos Negócios de Estado, só começou na Hora H de um Golpe de Estado, pois foi aconselhado por políticos, como Dom Marcos de Noronha e Brito, oitavo Conde dos Arcos, e pelos próceres do O Grande Oriente do Brasil, a Maçonaria, tendo à frente o Grão-Mestre José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, para que o encabeçasse.
Vaidoso, intempestivo, sem noção, certo que o alertar de que os Braganças poderiam perder os Reinos na Europa, se Dom João VI não tomasse uma atitude para agradar, para demostrar boa vontade, com as Cortes, que estão salientes, em Portugal, Dom Pedro, toma a frente de uma “revolução constitucionalista”.
As Cortes, além de promulgarem uma Constituição para o Reino queriam a volta do monarca, agora como Rei Constitucional, para Lisboa.
Sua participação objetiva ocorreu em 26 de fevereiro de 1821, ao obrigar a seu pai, o Senhor Dom João VI, a entrar numa Carruagem de Estado, uma verdadeira caranguejola, ainda dos tempos da monarquia em Lisboa, e ir para o Paço da Cidade (hoje Museu na Praça XV) e da sacada jurar não só as Leis que vieram de Portugal, mas também que em breve voltaria para Lisboa.
Na verdade, o Grande Soberano tinha mesmo é que jurar uma Constituição, a Constituição Liberal Espanhola de 1812, chamada de La Pepa, apelido carinhoso de Josefa, já que ela foi promulgada em Cádiz no dia 19 de março, dia de São Jose.

Por esse juramento o senhor Dom João fazia que ela vigorasse no Brasil e se obrigava a Jurar a Constituição que estava sendo confeccionada em Portugal pela Cortes reunidas em Lisboa, assim que lá chegasse.
Jogado no fundo da caranguejola o pobre Soberano, que não desejava partir do Brasil para Lisboa, suava, choramingava, sofria, a gota o matava, mais passado o susto inicial, depois de muitas delongas, o Rei do Brasil cede as “ forças terríveis”, que estão em plena ação tanto nas Cortes de Lisboa, quanto no Rio de Janeiro, e acabou anunciando sua partida para Portugal no dia 7 de março de 1821.

Trono do senhor Dom João VI, ainda no Museu de São Cristóvão.

Senhor Dom João VI era pragmático o que deveria confundir sobre maneira a ‘cabeça’ de seu Herdeiro, que não puxou o jeito político “manhoso”, mas profundamente produtivo do pai, mas sim o jeito atabalhoado e ambicioso da mãe, Doña Carlota Joaquina Teresa Cayetana de Borbón y Borbón-Parma, Infanta de España, filha mais velha do Don Carlos IV, Rei de Espanha e sua esposa, a Rainha Doña Maria Luisa, nascida di Borbone-Parma, batizada como Luisa Maria Teresa Anna, filha de filha de Filipe I, Infante de Espanha e Duque de Parma, Paciência e Guastalla, e de Luísa Isabel de Bourbon, Fille de France, filha mais velha do Rei Luís XV de França e da sua esposa, Maria Leszczyńska, e a irmã gémea de Henriqueta Ana, essa solteira até morrer.


Retrato Equestre de D. Carlota Joaquina
Pintura de Domingos Sequeira
1817
Museu Imperial
O antigo Palácio Imperial de Verão
 na cidade de Petrópolis , Rio de Janeiro, Brasil.

A Rainha & Imperatriz Dona Carlota Joaquina sofria de Hipersexualidade, isso é, o aumento repentino da libido com a extrema necessidade de atividade sexual, ou como explicam alguns cientistas, um “vício, um impulso ou compulsão sexual. Tanto faz o termo utilizado, já que o significado é o mesmo: obsessão incontrolável por sexo”.
Essa “obsessão incontrolável por sexo” foi herdada pelo seu filho Pedro de Alcântara, apesar da Rainha & Imperatriz apreciar e confiar mais em seu outro filho, o senhor Dom Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança e Bourbon, o futuro Rei de Portugal sob o nome de Dom Miguel I, entre 1828 e 1834, período no qual se deu a Guerra Civil Portuguesa de 1831-1834.
Dona Carlota teve vários amantes (Fontes não comprovadas afirmam que Carlota Joaquina teve relações com cerca de trezentos e oitenta homens durante sua permanência no Brasil. Mas entre todos esses garanhões, apenas se apaixonou duas vezes. Os dois adorados de Carlota foram Fernando Carneiro Leão, o importante mulato presidente do Banco do Brasil, e o comendador Francisco de Aragão Damásio, a quem Carlota se entregou de corpo e alma) em Portugal como D. Pedro José Joaquim Vito de Meneses Coutinho, sexto Marquês de Marialva e oitavo de Conde de Cantanhede, “acusado ser o pai de sangue do Rei D. Miguel I de Portugal”, João dos Santos, um rapaz que trabalhava como jardineiro no palácio da Quinta do Ramalho, que “seria o pai de D. Maria da Assunção e de D. Ana de Jesus Maria”.  
Alberto Augusto de Almeida Pimentel, conhecido como Alberto Pimentel, nascido em Cedofeita, Porto, Portugal 14 de abril de 1849 e falecido em Queluz, no ano de 1925, com 76 anos, jornalista, escritor, romancista, político, folhetinista e tradutor, afirma em “A Última Corte do Absolutismo”, Lisboa: Livraria Férin, 1893, que "...passa como certo que dos nove filhos que D. Carlota Joaquina dera à luz, apenas os primeiros quatro tiveram por pai D. João VI".
Ora, se levarmos em conta a afirmação categórica de Alberto Pimentel são filhos de Dom João:
1- Dona Maria Teresa de Bragança (1793-1874), casada em primeiras núpcias com D. Pedro Carlos de Bourbon e Bragança, Infante de Portugal e de Espanha, e pela segunda vez com Carlos de Bourbon, Conde de Molina, também Infante de Espanha e seu cunhado; com descendência.
2- Dom Francisco António Pio de Bragança (1795-1801), Príncipe da Beira; sem descendência.
3- Dona Maria Isabel de Bragança (1797-1818), casou-se com Fernando VII de Espanha; uma filha natimorta.
4- Dom Pedro I do Brasil e IV de Portugal, Imperador do Brasil e Rei de Portugal (1798-1834), casado em primeiras núpcias com Maria Leopoldina de Áustria e em segundas com Amélia de Leuchtenberg; com descendência.


"Chácara Imperial Quinta do Caju".

Ufff, Dom Pedro tá nessa....mas temos que ter em mente que “ o próprio Dom João VI teria confirmado não ter tido relações sexuais com a sua esposa durante mais de dois anos e meio antes do nascimento de D. Miguel, tempo durante o qual ele e Dona Carlota terão vivido em guerrilha conjugal, com ela em permanente conspiração, e só se encontravam em raras ocasiões oficiais”, situação que perdurou até o assassinato do Soberano em 10 de março de 1826, por ter comido laranjas envenenados, com 58 anos.
É verdade que dizem que Dona Carlota, a verdadeira cabeça do partido absolutista em Portugal, estava envolvida no envenenamento do marido, pois sempre o detestou, e queria que Dom Miguel, seu queridinho, reinasse e não o filho Pedro de Alcântara.
Mais, o sábio Dom João VI no caso do seu amado Brasil, do seu querido Rio de Janeiro, de sua aprazível Quinta da Boa Vista, de sua Casa de Banhos -  "Chácara Imperial Quinta do Caju"-  no Bairro do Caju, já tinha “tratado do seu futuro”, pois em 22 de abril de 1821, havia nomeado seu querido filho Pedro como Príncipe Regente do Reino do Brasil.
Dom João, um sábio, Pela Graça de Deus, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc...,  era a única pessoa da família Real com quem Dona Leopoldina tinha dialogo, e eu desconfio que o Velho Monarca confiava mais na sua nora, uma Princesa da Casa de Habsburgo, uma Arquiduquesa da Áustria, criada para ser útil à sua Monarquia – a monarquia paterna, a monarquia por casamento, a monarquia de seus filhos – não podemos esquecer que sua irmã casou com o Imperador dos Franceses, e ela viajou para os trópicos para casar com um Príncipe português no Brasil por ordem do pai, Francisco I, e de seu ministro todo poderoso  Klemens Wenzel, Príncipe de Metternich – para solucionar os problemas políticos do que no próprio filho que ele sabia ser um intempestivo mal educado.
E dito e feito.
Dona Maria Leopoldina ante um problema imenso que era a recolonização do Brasil por Portugal, do retorno humilhante dos Príncipes Herdeiros, tomou a decisão certa, e decretou em 2 de setembro de 1922 a Independência do Brasil.
A Filha da Águia de Habsburgo (Tochter des Adlers habsburgischen) depois comunicou ao Filho dos Braganças.



Alegoria das Virtudes do senhor Dom João VI,
Pintura de Domingos Sequeira.
Domingos António de Sequeira
*Lisboa, 10 de março de 1768 — + Roma, 8 de março de 1837
Pintor português.

Embarcada a Família Real e os demais membros da Comitiva, no dia 26 de abril, pela manhã, Sua Majestade o senhor Dom João VI, El-Rey de Portugal, Brasil e Algarves, sobe na Nau – Capitania, batizada com o seu nome, para ser transportado para Lisboa aos prantos.
Não consegue o Soberano parar de chorar em uma sentida comoção.
Sabia Sua Majestade que ao subir a Nau-Capitania estava encerrando o mais frutífero e belo Ciclo Histórico de seu Reinado que durou 13 anos, pois sabia que em Lisboa seria um “rei-fantoche” a mercê dos humores dos novos donos do Poder.


Dom João e a Baia da Guanabara ao fundo.

Como Pedro Calmon escreveu:
“Não esperava da vida muito mais. As notícias da Europa eram cada vez mais alarmantes. O liberalismo alastrava-se, havia rumores de conspiração bonapartista em França, a Inglaterra hostilizava a Santa Aliança, a Espanha incendiava-se”. Em “O Rei do Brasil”.
Os Príncipes Regentes, sua Família, embarcam na famosa “Galeota”, que ainda pode ser usada e que está guardada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, para acompanhar a nau ‘Dom João VI “até a barra da Baia da Guanabara”.
O coração da Princesa do Reino Unido De Portugal, Brasil e Algarves, agora esposa do Príncipe Regente estava em frangalhos partia seu único amigo e aliado na Família Real, seu sogro, o Sua Majestade o Rei.
Em outras embarcações acotovelavam-se nobres e plebeus, para acompanhar a Família Real que está de volta a Portugal “até a barra da Baia da Guanabara”.
Debruçado na murada do tombadilho estava El-Rey, em lagrimas, aos prantos, não querendo ir, mas o senso de reponsabilidade Dinástica o obrigava a ir.
Vou citar mais uma vez a Pedro Calmon:
 “Da amurada, passeando o olhar pelo perfil das montanhas, D. João se despedia - como da porção melhor da sua existência – da cidade que o abrigará carinhosamente, dos seus festivos panoramas que encontrará, há treze anos, tão vazios, e deixava tão marcados da nova civilização, da riqueza que aí distribuirá”.
E continua: “Havia de suspirar ainda por cinco anos pelas suas arvores idílicas do Rio e pela consoladora sensação de força que lhe deram, debaixo daquele céo incomparável...”. Em O Rei do Brasil.
Ficava, pois os destinos do Brasil nas mãos do Príncipe Dom Pedro de Alcântara, um jovem de 23 anos, mimado, indisciplinado, inculto, rude, arrogante mulherengo, mas casado com uma grande mulher, e era nisso que o Soberano retirante confiava, pois sabia que ela ia lutar pela Dinastia de Bragança, pela herança de seus filhos, pelo Reino, pelo Brasil.



Pela Graça de Deus, Imperador do Brasil, e Rei do Reino Unido de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.
8º Príncipe da Beira e do Brasil, o 21º Duque de Bragança, 18º Duque de Guimarães, 16º Duque de Barcelos, 20º Marquês de Vila Viçosa, 24º Conde de Arraiolos; 22º Conde de Ourém, de Barcelos, de Faria e de Neiva; Grãoprior do Crato e Senhor da Casa do Infantado; Grão-mestre das ordens de Cristo, de Avis, de São Tiago da Espada, da Torre e Espada, de São João de Jerusalém, e Grãoprior em Portugal; Grã-cruz das ordens de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, de Carlos III, de São Fernando, de Isabel a Católica, do Espírito Santo, de São Luís, de São Miguel, da Legião de Honra, de Leopoldo, de Santo Estêvão, da Coroa de Ferro, de Santo André, de Santo Alexandre Nevsky, de Sant'Ana, do Elefante, do Leão Neerlandês, da Águia Negra; Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro e da Ordem da Jarreteira.

Nós, brasileiros, deveríamos dar a Dom João o título de “O Pai da Nacionalidade”, por tudo que ele fez por nosso País.

De nossos três Imperadores ele foi o que mais serviço prestou a causa brasileira.

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: 7 de setembro? Não, não. 2 de setembro é que foi p...

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: 7 de setembro? Não, não. 2 de setembro é que foi  proclamada a Independência do Brasil.

7 de setembro? Não, não. 2 de setembro é que foi proclamada a Independência do Brasil.

7 de setembro?
Não, não. 2 de setembro é que foi proclamada a Independência do Brasil.



Arquiduquesa, Princesa-Regente, Imperatriz-consorte, e durante oito dias, em 1826, Rainha consorte de Portugal.


A Erzherzogin Maria Leopoldine Josepha Caroline von Österreich é “a mais pura, a mais excelente das mulheres”
Ferdnand Dénis, seu conterrâneo e contemporâneo.

Citação em “A Imperatriz Leopoldina sua vida e sua época”.  
De Carlos H Oberacker Jr
Conselho Federal de Cultura, 1973.

Com a iminência de uma guerra civil que pretendia separar a Província de São Paulo do resto do Brasil, D. Pedro passou o poder a Dona Leopoldina no dia 13 de agosto de 1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com todos os poderes legais para governar o país durante a sua ausência e partiu para apaziguar São Paulo.
No dia 14, foi contornar a crise na província
Neste ínterim, a Princesa Regente recebeu notícias que Portugal estava preparando uma ação contra o Brasil e, sem tempo para aguardar a chegada de D. Pedro, D. Leopoldina, aconselhada pelo Ministro das Relações Exteriores José Bonifácio e usando de seus atributos de chefe interina do governo, reuniu-se na manhã de 2 de setembro de 1822 com o Conselho de Estado, assinando o decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal.
Bonifácio convocou o oficial de sua confiança, Paulo Bregaro, para levar a sua carta e a de Leopoldina para D. Pedro em São Paulo.
A história, a partir do momento em que Dom Pedro recebe as cartas, é bastante conhecida.
Não teve a gargalhada do quadro de Pedro Américo, pintado em 1888, uma das imagens da Independência mais divulgadas nos livros escolares.
Nem aconteceu literalmente às margens do riacho Ipiranga, como está no Hino Nacional.
O príncipe bradou o seu célebre grito de “Independência ou Morte! ”, no alto da colina próxima ao riacho, onde sua tropa esperava que ele se aliviasse de um súbito mal-estar intestinal.         
 Cláudio Fragata Lopes - “Leopoldina nos bastidores do grito”.
Galileu, 1998

Eu duvido que tenha bradado alguma coisa, até porque Dom Pedro, como o pai, o senhor Dom João VI, queria a união das duas coroas, dois reinos independentes, mas um só Monarca, ambos não concebiam Portugal sem o Brasil, e o Brasil sem Portugal, e a Historia prova essa minha afirmação.
Dom Pedro era um aventureiro, criado solto como um burrinho no pasto, tanto que:
Não houve uma preocupação por parte de seus pais a respeito de sua educação. Criado solto na Quinta da Boa Vista ou na fazenda Santa Cruz, Pedro andava sozinho na mata, brigava a pau e soco com outras crianças, bolinava as escravas. Ali se tornou um exímio, mas imprudente cavaleiro. Quanto à sua cultura intelectual, a de D. Pedro não era superior à dos mais instruídos dos seus súditos.
Andava o príncipe com roupas de algodão e chapéu de palha, tomava banho nu na praia do Flamengo, ria, debochava e zombava de quem quer que fosse. Comia com as mãos...
“Pedro não se incomoda com a sujeira, com o mau cheiro, com a estreiteza de pensamento. Ele nem se percebe de que vive num estábulo”, escreveu à irmã Maria Luísa. (Imperatriz dos Franceses, segunda esposa de Napoleão Bonaparte)
Gloria Kaiser - “Dona Leopoldina – Uma Habsburgo no Trono do Brasil”.
São Paulo: 
Editora Nova Fronteira,
1998.
A atitude de D. Leopoldina, defendendo os interesses brasileiros, acha-se eloquentemente estampada na carta que escreveu a D. Pedro, por ocasião da independência do Brasil. “É preciso que volte com a maior brevidade. Esteja persuadido de que não é só o amor que me faz desejar mais que nunca sua pronta presença, mas sim as circunstâncias em que se acha o amado Brasil. Só a sua presença, muita energia e rigor podem salvá-lo da ruína.
Leopoldo BibianoXavier- “ Revivendo o Brasil-Império”.
São Paulo
 Artpress
1991.

Esse estudo está apresentado sob o título ” Uma dama nos trópicos” no site:
De autoria de Gilmar Moreira Gonçalves
Professor e pesquisador da FAFIC, Cataguases-MG




Dona Leopoldina, então Princesa Real-Regente do Reino do Brasil, preside a reunião do Conselho de Ministros em 2 de setembro de 1822.
Georgina de Albuquerque (1885-1962)
Senado Federal- Brasília - DF


 Porque transcrevi esse site?

Para provar:
1-      Que foi Dona Leopoldina quem fez de facto e de direito a Independência do Brasil “usando de seus atributos de chefe interina do governo, [pois] reuniu-se na manhã de 2 de setembro de 1822 com o Conselho de Estado, assinando o decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal”;
2-      Que o dia de nossa independência política foi na realidade o dia do decreto assinado por Dona Leopoldina, ou seja, de 2 de setembro de 1822, e não o dia do recebimento das cartas vindas do Rio de Janeiro através de Paulo Bregaro, que eu nem sei se foi realmente 7 de setembro. Dizem que foi, pois, o Príncipe Real estava com “mal-estar intestinal”, leia-se ‘ dor de barriga’, vulgarmente conhecida como “ caganeira”, e ia toda hora no mato para se aliviar, um fato inesquecível para sua comitiva.

Isso posto, nós os brasileiros, temos que muito que agradecer a essa Filha de Reis, Mulher de Rei, Mãe de Reis, por ter se transformado na Mãe do Brasil, na Mãe da Nacionalidade Brasileira.  

Obrigado Caroline Josepha Leopoldine von Habsburg-Lothringen, por casamento de Bragança.

Jorge Eduardo Fontes Garcia

São Paulo 29/07/15




Juramento solene da Imperatriz Dona Maria Leopoldina à Constituição do Brasil, 1824.



Brasão de Dona Leopoldina
Imperatriz do Brasil.



Retrato de Sua Majestade Imperial, a Imperatriz do Brasil
A Mãe da Nacionalidade Brasileira

 por Luís Schlappriz.

terça-feira, 28 de julho de 2015

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: A origem das terras da Quinta da Boa vista e de se...

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: A origem das terras da Quinta da Boa vista e de seu casarão...: Aterrado de S. Cristóvão - Rio de Janeiro Moreau, François-René, 1807-1860 Gravura – Brasil – Séc. XIX. A origem das t...

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: Mais da Quinta da Boa Vista - Parte III

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: Mais da Quinta da Boa Vista - Parte III:

Mais da Quinta da Boa Vista - Parte III




A Quinta da Boa Vista, era o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta.
Parte III


A Quinta da Boa Vista era o Palácio Imperial do Brasil, a morada de Sua Majestade Imperial Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, mas um palácio que não demostrava a riqueza e a pujança de nosso País.
A casa apalacetada que la existia era velha, canhestra, capenga, sem condições para que a Pompa e Circunstância tão necessária a uma Corte de um Soberano por lá desse o ar de sua graça, como nos casos de Queluz, Versalhes, Hermitage, Saint-James, Buckingham, Schönbrunn, ou mesmo a republicana Casa Branca em Washington, D.C., como podemos constatar ate os dias de hoje.
Iam os íntimos, os serviçais diretos, o Gabinete Governamental quando era necessário e alguns outros poucos, além dos escravos, é claro.
Festas, recepções, isso nem pensar.
Triste Monarquia que seu Soberano não se expõe entre Pompas e Circunstâncias.
No Primeiro Impérios um palacete mais digno do que a morada imperial foi construído falo do da Marquesa de Santos.
“Palacete do Caminho Novo, a antiga residência da Marquesa de Santos, por esse motivo, é também conhecido como Solar da Marquesa de Santos”.
“É um edifício de dois pavimentos em estilo neoclássico com traços do barroco colonial, uma vez que foi uma ampliação de uma construção anterior”.
“Foi erguido próximo do Palácio da Quinta da Boa Vista, com um projeto de Pierre-Joseph Pézerat, tendo as obras supervisionadas por Pedro Alexandre Cravoé”.
“Tem um pórtico coroado por frontão clássico centralizado, ladeado por dois volumes laterais idênticos. A decoração interna é requintada e foi entregue a artistas de renome na época, como Francisco Pedro do Amaral. Na parte traseira possui um jardim com espelho d'água e estatuária decorativa, criado por Auguste François Marie Glaziou”.
“O palacete foi habitado pela Marquesa a partir de 1826, mas apenas por poucos anos, até o rompimento de sua ligação com o Imperador, o que aconteceu em 1829”.




Só no Brasil a casa de uma amante foi transformada em um museu tão importante quanto o do Primeiro Império, no Museu do Primeiro Reinado.



Basta visitarmos o hoje Museu do Primeiro Reinado ali instalado e mais adiante o Museu Nacional do Brasil, que veremos a diferença entre um e outro, pois no primeiro habitava o Luxo, a Pompa e a Circunstância.
E olha que a Republica fez obras na antiga Quinta para ali instalar o Museu e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) faz o que pode para torna-lo, vamos dizer, viável, mas por falta de recursos é uma tristeza.
Destaco que Pierre-Joseph Pézerat, que substituiu a Manuel da Costa nas obras da Quinta encomendadas por Dom Pedro I, é o responsável pelo projeto em estilo neoclássico da fachada principal da Residência Imperial.
Mais, mesmo com essa fachada neoclássica mixuruca a Quinta da Boa Vista, era o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta.



Palácio de Schönbrunn (em alemão, Schloss Schönbrunn)



Palácio Real de Queluz


 Sala dos Embaixadores com os Tronos. 

Podíamos imaginar que a exemplo da Corte de seu primo, o Imperador da Áustria, em Schönbrunn, Dom Pedro II aproveitasse os espaçosos jardins projetado pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, por volta de 1869, para proporcionar ao povo em geral belos espetáculos pirotécnicos, mas não, ledo engano, fogos de artifícios só no Campo de da Aclamação, hoje Praça da República, assim mesmo não custeado pelo bolso imperial, sim pelos comerciantes estabelecidos na Praça do Rio de Janeiro, ou pela Câmara.



A Casa de Dona Carlota Joaquina
Rainha consorte de Portugal
Imperatriz consorte do Brasil (de jure)
Infanta de Espanha


Carlota Joaquina em 1824 por,
João Baptista Ribeiro
Pintor, desenhador, gravador, lente de Desenho
Diretor da Academia Politécnica do Porto.

Os particulares, como os Marqueses de Abrantes a princípio na Gloria, depois na antiga casa reformada de Dona Carlota Joaquina na enseada de Botafogo, ou o Senador do Império José Tomás Nabuco de Araújo Filho e sua mulher, Dona Ana Benigna de Sá Barreto, pais de Joaquim Nabuco, na praia do Flamengo, davam esplendidas festas em suas residências apalacetadas, até com a presença do Imperador, da Imperatriz e membros da Família Real.
Dom Pedro II não proporcionava nada nem em São Cristóvão, muito menos em Petrópolis, a verdadeira casa da família.



Miguel Calmon du Pin e Almeida, Visconde com grandeza por decreto de 18 de julho de 1841, e Marquês de Abrantes por decreto de 3 de dezembro de 1854, (Santo Amaro da Purificação, Bahia, 23 de outubro de 1796 — Rio de Janeiro, 13 de setembro de 1865) foi político e diplomata brasileiro- Ministro Plenipotenciário junto a Corte de Viena, em 1836, e em Missão especial em Berlin, em 1844.
Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil,
Grande do Império, Veador de S. M. a Imperatriz, Dignitário da I. Ordem da Rosa, Grã-Cruz da Ordem do Cruzeiro, da de Conceição de Villa Viçosa, de Portugal, da Real Ordem Constantina das Duas Sicilias, da de S. Mauricio e S. Lazaro, e da de Leopoldo, da Bélgica.
Era sócio do Instituto Histórico e Geographico Brasileiro, comissário do Governo no Instituto dos Surdos-Mudos, Provedor da Santa Casa de Misericórdia, Presidente da Imperial Academia de Música, organizador da Caixa de Amortização.
Em 1866, por Victor Meirelles.
Casou com Dona Maria Carolina da Piedade Pereira Baía, filha do Barão de Meriti, que se tornou a melhor anfitriã do Segundo Império.
Viúva casou novamente com Joaquim Antônio de Araújo e Silva, primeiro e único Barão com grandeza de Catete e Joaquim Antônio de Araújo e Silva, primeiro e único barão com grandeza de Catete e visconde da Silva, Visconde da Silva, comendador das ordens de Cristo e de Nossa Senhora de Vila Viçosa e de oficial da Imperial Ordem da Rosa.


José Tomás Nabuco de Araújo Filho
Magistrado e político brasileiro
Deputado geral, presidente de província, ministro da Justiça e senador do Império do Brasil



Dona Ana Benigna de Sá Barreto
Filha de:
Francisco António de Sá Barreto
Maria José Felicidade Barreto
Casamentos em Recife, Pernambuco, 07.03.1840
Filhos:
Sizenando Barreto Nabuco de Araújo * 1841
 Maria Januária de Barros
Maria Barreto Nabuco de Araújo * 1843
Nestor Barreto Nabuco de Araújo * 1844
Rita de Cássia Barreto Nabuco de Araújo * 23.05.1846
 Hilário Soares de Gouvêa
Victor Barreto Nabuco de Araújo * 1848
Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo * 19.08.1849
 Evelina Torres Soares Ribeiro
Maria Carolina Barreto Nabuco de Araújo * 1854

Com isso a Quinta da Boa Vista, era o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta.

Final da Parte III



CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: A Quinta da Boa Vista, era o Palácio Imperial que ...

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: A Quinta da Boa Vista, era o Palácio Imperial . Parte II “Salões e Damas do Segundo Reinado”  

A Quinta da Boa Vista, era o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta. Parte II

A Quinta da Boa Vista, era o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta.
Parte II



“Salões e Damas do Segundo Reinado”
 de Wanderley Pinho

Vamos usar a obra “Salões e Damas do Segundo Reinado”, de Wanderley Pinho, com ilustrações de J. Wasth Rodrigues, Livraria Martins Editora –São Paulo, 2ª Edição, e “ História das ruas do Rio de Janeiro”, de Brasil Gerson, Editora Souza, Rio de Janeiro, 3 ª Edição / Revista e Aumentada, bem como outras fontes.


“ História das ruas do Rio de Janeiro”
de Brasil Gerson

Dom Pedro I e Dona Leopoldina de Habsburgo tiveram sete filhos, a quarta foi Dona Francisca Carolina Joana Leopoldina Romana Xavier de Paula Micaela Rafaela Gabriela Gonzaga de Bragança, nascida na Quinta da Boa Vista em 2 de agosto de 1824 e que veio a falecer em Paris no dia 27 de março de 1898.
Em 1° de maio de 1843 casou com Francisco Fernando de Orléans, Príncipe de Joinville, filho de Luís Filipe I, Rei dos Franceses, e de Maria Amélia de Bourbon-Sicília, nascida Princesa de Nápoles, embarcando logo a seguir para França a bordo da fragata La Belle Poule, a mesma que transportou sob seu Comando os restos mortais de Napoleão Bonaparte da Ilha de Santa Helena para serem sepultados no Hôtel National des Invalides, Paris.


Dona Francisca
Princesa do Brasil
Princesa de Joinville
Infanta de Portugal

“ Chicá” para os íntimos e "La Belle Françoise", para outros, tornou-se uma das Princesas mais populares de seu tempo não só na França, bem como na Europa, era queridíssima.
Dom Pedro II a chamava de “ Mana Chica” e a “ Mana Chica” estava preocupada com a falta de vontade de seu irmão de exercer plenamente a Liturgia que o cargo exigia, e eu não estou falando aqui do seu Direito Constitucional que era o Poder Moderador, de fiel da balança entre os poderes legislativo e executivo", mas sim das Pompas e Circunstâncias que são a essência da Monarquia, do Regime Monárquico.
Escreve a Princesa dos Franceses a Paulo Barbosa, Mordomo da Casa Imperial, portanto próximo da Casa Imperial:
“ Pobre mano Pedro, ele tem bem precisão de hum amigo ao pé dele como o Senhor. Tudo vai bem mal na Casa. As dividas comessão e dizem já serem grandes, isso por falta de ordem. O mano não dá mais bailes, nem Saraus, não viaja mais. Tudo isso he de mau feito, e, temo q. lhes faça mal ao prestigio que os nossos compatriotas ainda garantão pela monarchia. Se ele nos foge estamos perdidos sem duvida nenhum. Vá para o Rio meu querido Barbosa. Sempre foi e he homem cheio de coração e honra”.


Francisco Fernando Filipe Luís Maria d'Orleans, Príncipe de Joinville.
François-Ferdinand-Philippe-Louis-Marie d'Orléans


Escreveu Dona Francisca:
 “As dividas comessão e dizem já serem grandes” o que talvez justifique, e muito, a sovines de Dom Pedro II, mas que não lhe dava o direito de se deixar levar por ela no que tange as Pompa e Circunstância de que o Regime monárquico se nutre.
No final do livro há a seguinte nota:
 “ Essa carta da Princesa de Joinville a Paulo Barbosa existe em poder de Américo Jacobina Lacombe e foi, como outros documentos, por ele gentilmente comunicada ao autor. Traz a data : - Claremont, 24 de junho de 1875. André Victor que passou pelo Rio de janeiro em 1844 escreveu que o Príncipe de Joinville era muito estimado de Pedro II que “ se lembrava com saudades da alegria do jovem Orléans cuja exuberância e comunicatividade francesa havia enchido o tristonho palácio de São Cristóvão de alegria. Perdera-se o segredo de tal animação com sua partida”. “Salões e Damas do Segundo Reinado”, capitulo “Os paços Imperiais- São Cristóvão e Petrópolis”.
E mais:
“Para o publico a família imperial recolhera-se desde então numa espécie de retiro. A côrte parecia, e o era por certo em grande parte, estranha à vida elegante da capital do país”.  
Dom Pedro II só dava um jantar de gala por ano e assim mesmo em comemoração ao aniversario do Rei de Portugal quando o Embaixador de S.M. Fidelíssima era convidado a mesa imperial em São Cristóvão.


Prinz Albert Wilhelm Heinrich von Preußen
Príncipe da Prússia em uniforme da Marinha
Irmão mais novo do Kaiser Guilherme II da Alemanha.  
Com uma longa carreira como oficial da marinha, Henrique comandou várias missões na Marinha Imperial Alemã e, posteriormente, subiu na carreira até ao ranking de Grande Almirante.

Quando o Príncipe Henrique da Prússia (Alberto Guilherme Henrique) em 1883 passou pelo Rio de Janeiro, Dom Pedro II lhe ofereceu um jantar no qual serviu uma clássica canja e alguns pratos de sua cozinha diária.
Os chargistas deitaram e rolaram e assim foi um espanto generalizado na Corte o tal cardápio, para deleite da oposição a Monarquia.
André Rebouças, o engenheiro militar, baiano, filho de uma escrava alforriada com um alfaiate português, amigo do Conde D’Eu, insuspeito, pois conviveu com o Imperador na visita que esse fez aos campos de batalha da Guerra do Paraguai, foi convidado a verificar as condições do Paço Imperial ( na hoje Praça 15, centro do Rio de Janeiro)  e como nos conta Wanderley Pinho  conforme anotação desse leal servidor da Casa Imperial, “ examinei com o engenheiro Jardim o Paço Imperial, cujo estado de ruina e imundice fica abaixo de toda critica”.
Vejam que isso é um comentário feito por um homem que acompanhou a Família Imperial na sua viagem para o exilio, que com a morte do Imperador entrou em profunda depressão e que acabou, como todo deprimido irremediável, se suicidando no mar de frente a sua casa no Funchal, Ilha da Madeira, onde havia se abrigado depois da Proclamação da Republica.
O Visconde de Taunay (Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay) dá seu testemunho:
“São Cristóvão foi sempre um paço triste e severo: e a morada, não da alegria, mas do dever sereno e vigilante”. (1)
O Conde Eugenio de Robiano, viajante belga, que nos visitou em 1874, citado por Luís Carlos Soares em “ “O "povo de cam" na capital do Brasil: a escravidão urbana no Rio de Janeiro”, que ficou chocado com tantos negros   no Rio de Janeiro, também, se chocou com os hábitos da Família imperial afirmado “le train de maison de la famille imperiale ne répond certes pas à sa haute position”, numa tradução livre “ O trem da casa da família imperial certamente não esta de acordo com sua alta”
O ‘trem ‘ aqui é segundo o Aurélio:
Trem [Do francês/inglês. train.] Substantivo masculino
1 Conjunto de objetos que formam a bagagem de um viajante. 2. Comitiva, séquito. 3. Mobiliário duma casa. 4. Conjunto de objetos apropriados para certos serviços... 5. Carruagem, sege. 6. Vestuário, traje, trajo.
Disse sobre a carruagem de gala de Sua Majestade Imperial:
“Carrosses du siècle dernier”, tradução livre, ‘ carroças do século passado’ isso é o Século XVIII.
“ Não havia variantes nessa apreciação dos hábitos da dinastia”. ( 1)
Enquanto isso verdadeiros palácios eram construídos na Cidade do Rio de Janeiro onde festas deslumbrantes aconteciam.
E o que vamos ver mais adiante.
E A Quinta da Boa Vista, era o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta.


Fim da Parte II

Nota: Na corte francesa, D. Francisca logo se tornou uma das princesas mais populares da corte e ers chamada de "La Belle Françoise".
Em 1848 a monarquia foi extinta na França, e os Orléans seguiram para o exílio,e
D. Francisca negociou com vigor com os republicanos a fuga de sua família.
Com dificuldades financeiras, os príncipes de Joinville negociaram as terras catarinenses com a Companhia Colonizadora Alemã, do senador Christian Mathias Schroeder, rico comerciante e dono de alguns navios. Assim nasceu a Colônia Dona Francisca, mais tarde Joinville, atualmente a maior cidade do estado de Santa Catarina.
(Morreu em dificuldades financeiras)
D. Francisca defendia medidas enérgicas contra o crescimento do republicanismo no Brasil.

Em 1864, ela enviou os príncipes Gastão d'Orléans, o conde d'Eu, e Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota para o Brasil, onde se casariam com suas sobrinhas, D. Leopoldina e D. Isabel, respectivamente.

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: A Quinta da Boa Vista, o Palácio Imperial que nunc...

CONVERSANDO ALEGREMENTE SOBRE A HISTÓRIA.: A Quinta da Boa Vista, o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta...

A Quinta da Boa Vista, o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta. Parte I


Rio de Janeiro colonial
Conrad Martens,
Conrad Martens (Londres, 1801 - Sydney, 21 de agosto de 1878) foi um pintor e desenhista inglês que passou algum tempo no Brasil e, em seguida, acompanhou Charles Darwin em sua viagem no HMS Beagle.


A Quinta da Boa Vista, o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta.
Parte I


Vou me valer de outra pesquisa na Internet, já que esse é apenas um Ensaio.

O trabalho que consta em   http://www.marcillio.com/rio/hijoaoes.html - D. JOÃO VI NO RIO / O RIO DE JANEIRO JOANINO”, para descrever como era a Mui Leal e Heroica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro:

“1- O Progresso Cultural do Rio de Janeiro”:

A-     “A instalação do corpo burocrático no Rio de Janeiro atraiu para a cidade grande contingente de pessoas, e em dez anos, o número de habitantes da cidade passou de sessenta mil para cento e cinquenta mil. A cidade contava na época com 46 ruas, 4 travessas, 6 becos e 19 largos e praças, logradouros nos quais as pessoas andavam a pé ou a cavalo”.
B-       “Com a chegada da Corte os charcos foram aterrados, novas ruas foram abertas e as antigas alargadas, para circulação de novos veículos de grande porte vindos de Lisboa. A cidade, que durante dois séculos pouco se desenvolveu, na época, ampliou-se em direção a S. Cristóvão, Laranjeiras e Botafogo. Houve grande mudança na sua arquitetura que entre outras coisas passou a ostentar janelas envidraçadas, até então pouco utilizada”.
C-       “D. João gostava do Brasil e não queria voltar para Portugal, quando Napoleão foi derrotado. Os artistas que trabalhavam para Napoleão ficaram desempregados e D. João mandou para a Europa o Conde da Barca com o objetivo de trazer para o Brasil os artistas franceses. Estes artistas vieram com a Missão Artística Francesa, que chegou ao Brasil em 1816 e que era chefiada pelo pintor Joaquim Lebreton [Joachim Lebreton], que havia sido chefe de todos os museus e bibliotecas francesas e foi um dos organizadores do Museu do Louvre”.

Lebreton,
por Adelaide Labille-Guiard, 1795
chamada também de Adélaïde Labille des Vertus (Paris, 11 de abril de 1749 - Paris, 24 de abril de 1803), foi uma pintora francesa dedicada a temas históricos e a retratos .
  

“2- Urbanização e Segurança ”:

A-      “O antigo palácio dos Vice-Reis sede oficial do poder passou a ser o Paço Real da Cidade. A esposa de D. João, Dona Carlota Joaquina e a Rainha Dona Maria I se instalaram no Convento do Carmo. Os servidores mais próximos do príncipe foram instalados: no Paço da Cidade, na prisão, de onde os presos foram retirados; num teatro; no Mosteiro de São Bento e na Igreja do Rosário, na atual Rua Uruguaiana. Os fidalgos ocuparam as melhores casas da cidade, de onde os proprietários eram sumariamente expulsos e as casas recebiam uma plaqueta com as letras PR, de Príncipe Regente, mas à qual a população passou a se referir como "ponha-se na rua". Entre 1808 e 1816 foram construídos nos arredores da cidade, cerca de seiscentas casas na zona urbana e cento e cinquenta fora da cidade”.
B-      “Em 1808 a cidade chegava até o Rossio Pequeno, atual Praça Onze, a expansão inicial foi realizada em direção a São Cristóvão. Para se ligar o Paço de São Cristóvão ao centro urbano, foi feita a drenagem do Campo de Santana e seus arredores e foram aterrados o Mangal de São Diogo e a Praia Formosa, surgindo o caminho do Aterro, na região onde hoje fica a Av. Presidente Vargas. Na direção de São Cristóvão surgiram novos bairros: Mata Porcos, atual Estácio de Sá; Catumbi; Gamboa e Rio Comprido, que formavam o que se passou a conhecer como Cidade Nova, em contraste com o centro comercial que passou a ser a Cidade Velha.
Os imigrantes e o corpo diplomático preferiram construir suas residências nos novos bairros da Glória, Catete, Flamengo e Botafogo indo até Laranjeiras e Cosme Velho. Os franceses preferiam se instalar na Floresta da Tijuca, com o objetivo de cultivar café. Os ricos preferiam ocupar São Cristóvão e as encostas de Santa Teresa e as residências populares multiplicavam-se nos cortiços do Centro”.


Álbum de aquarelas sobre uniformes militares brasileiros do período colonial brasileiro, provavelmente do século XVIII, de várias regiões do Brasil.
Museu Histórico Nacional (MHN) - [1]
Autor     Foto: Rômulo Fialdini/Livro MHN/Banco Safra



Fim da Parte II


Arredores do Rio colonial.
Anônimo.