sábado, 29 de agosto de 2015

O BRASIL DE CABRAL, O AZARADO & E AS PATIFARIAS NA VIAGEM

Nau de Pedro Álvares Cabral conforme retratada no Livro das Armadas, atualmente na Academia das Ciências de Lisboa.

Em 22 de abril de 1500, a frota de dez naus, três caravelas e uma naveta de mantimento, com 1.500 homens a bordo, comandada por Pedro Álvares Cabral, Capitão-mor de expedição portuguesa a caminho das Índias, chegou ao território onde hoje se localiza o Brasil, mas precisamente ao litoral sul da Bahia.
Isso qualquer criança sabe, mas saber quem era esse Cabral muito pouca gente sabe.




O Brasão de Armas de sua família foi elaborado com duas cabras roxas em um campo de prata. Roxo representa fidelidade e as cabras derivam do nome de família.
Segundo o http://geneall.net/pt/ Cabral era:
Não se conhecem as verdadeiras origens desta família, embora seja muito plausível que constitua um ramo da antiga linhagem dos «de Baião». Quanto ao apelido adoptado, é verosímil que seja derivado de alcunha, nascida das armas usadas.
É possível traçar-se documentalmente esta família a partir do bispo da Guarda D. Gil Cabral e de Álvaro Gil Cabral, que teve o senhorio de Azuzara e a alcaidaria-mor de Belmonte, bens e cargo herdados pela sua linha de descendência primogénita e varonil.
Foi aquele Álvaro Gil trisavô de Pedro Álvares Cabral, o navegador e descobridor do Brasil.
A um sobrinho direito de Pedro Álvares Cabral, Jorge Dias Cabral concedeu o Imperador Carlos V, em recompensa dos seus serviços militares prestados durante a guerra da Flandres, novas armas.
São suas armas: de prata, duas cabras de púrpura sotopostas. Timbre: uma das cabras do escudo.
De Jorge Dias Cabral, concedidas pelo imperador Carlos V: São suas armas: de vermelho, quatro lanças de ouro, hasteadas do mesmo e dispostas em pala, acompanhadas em chefe por uma espada de prata, posta em faixa. Bordadura cosida de verde, carregada de quatro manoplas e coxotes de parta, acantonados, e de quatro adagas de prata, guarnecidas de negro, postas no alto e nos flancos. Timbre: pescoço e cabeça de cavalo de prata, freado de vermelho, quatro vezes ferido do mesmo e cuspindo sangue pela boca.


Pedro Álvares Cabral
* Belmonte, Belmonte, c. 1468
† Santarém, Santarém, c. 1520
Pais:
Fernão Cabral, 4º senhor de Azurara * c. 1427
Isabel de Gouveia de Queirós * c. 1433
Casamentos – 1503:
Dona Isabel, de Castro * c. 1470
Filhos:
Fernando Álvares Cabral, comendador do Banho * c. 1503, que casou com Dona Margarida da Silva;
António Cabral * c. 1504;
Constança de Castro, que casou com Nuno Furtado de Mendonça, comendador de Cardiga;
Guiomar de Castro;
Isabel de Castro;
Leonor de Castro.
Notas biográficas: Descobridor do Brasil.
Cronologia:
09.03.1500: A frota comandada pelo português Pedro Álvares Cabral sai de Lisboa rumo a Calcutá, vindo a descobrir o Brasil.
22.04.1500: Foi oficialmente descoberto o Brasil por Pedro Álvares Cabral.
01.05.1500 Pero Vaz de Caminha anuncia o feito da frota de Pedro Álvares Cabral, que descobriu o Brasil em 22 de abril, ao rei D. Manuel, através de uma carta datada de 1 de maio. O documento notabiliza-se como o mais importante relativo à descoberta do Brasil, pela riqueza de detalhes.
02.05.1500 A esquadra de Cabral parte da baía de Cabrália (Brasil) continuando a sua viagem para as Índias. A nau comandada por Gaspar de Lemos regressa a Portugal trazendo a notícia do descobrimento da nova terra.
13.07.1501 A expedição marítima de Álvares Cabral regressa a Lisboa, após a descoberta do Brasil e da visita à Índia.
Fontes:
Nobiliário das Famílias de Portugal - vol. IX - pg. 37 ((Queirós)) – de Felgueiras Gayo, Carvalhos de Basto, Edição: 2, Braga 1989.
Subsídios para uma Biografia de Pedro Álvares Cabral - pg. 258 – de Luís de Mello Vaz de Sampaio, Universidade de Coimbra, Edição: 1, Coimbra 1971.




E mais:
“A família Cabral ganhou destaque durante o século XIV. Álvaro Gil Cabral (trisavô de Cabral e um comandante militar de fronteira), foi um dos poucos nobres portugueses a permanecer fiel ao Rei Dom João I durante a guerra contra o Rei de Castela. Como recompensa, Dom João I presenteou Álvaro Gil com a propriedade do feudo hereditário de Belmonte”.
Foi um dos cinco filhos e seis filhas de Fernão Cabral, Fidalgo do conselho, 1 º regedor das justiças da Beira (1464), adiantado-mor da Beira (1464), Coudel-mor do Reino, alcaide-mor de Belmonte, senhor de juro e herdade de Belmonte, de Azurara da Beira e de Manteigas, e de Dona Isabel Gouveia, filha de João, senhor de Gouveia.
Foi batizado como Pedro Álvares de Gouveia e, só anos mais tarde, após a morte de seu irmão mais velho em 1503, começou a usar o sobrenome do pai, o Cabral.
“ Sabe-se que foi criado como todo membro da nobreza portuguesa”.
“ Que em 1479, com 12 anos, foi enviado à Corte de El-Rey Dom Afonso V”.
“ Que na Corte foi educado em humanidades e treinado para lutar e pegar em armas”.
 “ Em 30 junho de 1484, com 17 anos de idade foi nomeado Moço Fidalgo, um título concedido a jovens nobres, por Dom João II, décimo-terceiro Rei de Portugal, cognominado O Príncipe Perfeito pela forma como exerceu o poder”.
“Dom Manuel I concedeu-lhe em 30 de junho de 1484 o título de Fidalgo do Conselho do Rei, em 12 de abril de 1497 o fez Cavaleiro da Ordem de Cristo, e deu-lhe mais um subsídio anual no valor de 30 mil reais”.
“Parece que essa condição de Fidalgo do Conselho do Rei lhe foi retirada, e foi por isso que ele abandonou a Corte, sendo que posteriormente a Honra de pertencer ao Conselho do Rei lhe foi devolvida por El-Rey, mas agora não mais como Fidalgo e sim como Cavaleiro do Conselho do Rei, uma posição superior à anterior”.
“ Sabe-se que depois de ter se afastado da Corte, Cabral estava presente numa cerimônia importante da Ordem de Cristo presidida por Dom Manuel I que o ignorou”.
“Não há nenhuma imagem ou descrição física detalhada de Cabral contemporâneas à sua época. Sabe-se que era forte e igualava seu pai em altura, isso é, 1metro e 90 centímetros”.
“ Quanto ao caráter, Cabral tem sido descrito como culto, cortês, prudente, generoso, tolerante com os inimigos, humilde, mas também vaidoso e muito preocupado com o respeito que sentia que sua nobreza e posição exigiam”, só esqueceram de dizer que ele era azarado, um azarado de marca maior.  
Isso posto, continuemos.
“Os marujos avistaram algas-marinhas no dia 21 de abril, o que os levou a acreditar que estavam próximos da costa. Provou-se estarem certos na tarde do dia seguinte, quarta-feira, 22 de abril de 1500, quando a frota ancorou perto do que Cabral batizou de Monte Pascoal (uma vez que aquela era a semana da Páscoa) ”.
O Monte Pascoal está localizado próximo ao município de Itamaraju, no estado da Bahia.
“ No dia 23 de abril. Cabral pisou na terra e trocou presentes com os indígenas”, os indígenas que ao miscigenar com os brancos e os negros africanos deram origem ao bravo povo da Bahia, os baianos.
“ Em 24 de abril abortaram num porto natural, que Cabral denominou de Porto Seguro”, a hoje famosíssima localidade de Porto Seguro situada no sul do estado da Bahia, lugar de veraneio tão ao gosto dos paulistas e mineiros.
“Em 26 de abril, domingo de Páscoa, Cabral ordenou aos seus homens a construção de um altar em terra, onde uma missa católica foi celebrada por Frei Henrique de Coimbra — a primeira a sê-lo no solo brasileiro”, assim logo de início a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana arribou no Brasil.
“Para solenizar a reivindicação de Portugal sobre aquelas terras, Cabral ordenou a construção de uma Cruz – dizem de 7 metros de altura-  e uma segunda missa foi celebrada em 1 de maio, para comemorar não só a posse da Terra em nome de El-Rey de Portugal, como, também, honra à Cru”.
“ E foi por isso que Cabral nomeou a terra recém-descoberta de Ilha de Vera Cruz”.
E aqui começa a patifaria, na Bahia, e no Brasil:
“ No dia seguinte, um navio de suprimentos retornou para Portugal para informar a El-Rey Dom Manoel I da descoberta, por meio da carta escrita por Pero Vaz de Caminha”, e nessa famosa carta está escrito:

"Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos. Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e lançaram-na fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo.
E, pois, que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro—o que d'Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, 1º dia de maio de 1500."
Pero Vaz de Caminha

Ora, ora, o “seu” Caminha aproveita a Carta a El-Rey Dom Manuel para introduzir na Bahia, no Brasil, o famoso “pistolão”, pois “apelou a Dom Manuel para que libertasse do cárcere o seu genro, casado com sua filha Isabel, preso por assalto e agressão”, aproveitando-se de um comunicado oficial do Capitão-mor de expedição portuguesa a caminho das Índias, Pedro Alvares Cabral.
É patifaria ou, não é?
Claro que é.
Lembremos que pistolão quer dizer “pessoa influente que intervém em favor de outra”, e naquela Frota Pero Vaz de Caminha era uma pessoa importante, pois além de contar com a afeição de El-Rey, tinha sido nomeado para “escrivão da feitoria a ser erguida em Calicute, na Índia, razão pela qual se encontrava na nau capitânia da armada de Pedro Álvares Cabral”.
Ora, ora, pois, pois.

Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel I, comunicando sobre o descobrimento da Ilha de Vera Cruz.

O nosso Cabral não era lá um homem de sorte, já que rumando para a África, em pleno Atlântico Sul, naufragaram três naus, uma caravela, e 380 homens, “os navios restantes, prejudicados pelo mau tempo e com seus aparelhos danificados, separaram-se. Uma nau navegou sozinha e o restante aportou em algum lugar no arquipélago das Ilhas Primeiras e Segundas, ao largo da África oriental e ao norte de Sofala, para depois de 10 dias zarpar rumo a Kilwa ou Quíloa em onde o Capitão-mor fez uma tentativa fracassada de negociar um tratado comercial com o soberano local”.
Mais, a coisa não para aí:
A Frota Cabralina chegou a Calicute 13 de setembro de 1500.
Calicute era uma cidade na costa ocidental da Índia, “dirigida pela dinastia dos samorins, deformação portuguesa de Samutiri, o "grande senhor do mar", e seu porto era o mais importante da costa do Malabar, onde os árabes e os chineses cambiavam suas fazendas contra a produção local”.
Cabral havia levando uma Carta de El-Rey para o Soberano de Calicute, e nela Dom Manuel I pedia a exclusão dos comerciantes árabes das relações comerciais da Cidade-Estado, o que era uma grande de uma patifaria, afinal os mulçumanos estavam ali a muito mais tempo exercendo o seu direto de comercializar livremente.
E essa patifaria não ficaria sem resposta como veremos.
A princípio o nosso Cabral teve sucesso junto ao Soberano local, “e obteve autorização para instalar uma feitoria e um armazém na cidade-estado”, mas como era um azarado sua sorte logo mudou e a feitoria sofreu um ataque de surpresa por parte dos árabes muçulmanos, revoltado com a exigência do Soberano de Portugal de exclui-los do comércio local, e seus aliados hindus.
Apesar da defesa desesperada, mais de 50 portugueses foram mortos, entre eles o escrivão Pero Vaz de Caminha.
Os restantes se refugiaram nos navios, onde Cabral esperou por “24 horas para obter uma explicação do governante de Calicute, mas nenhum pedido de desculpas foi apresentado”.
Não teve dúvida, “atacaram 10 navios mercantes dos árabes ancorados no porto matando cerca de 600 tripulantes e confiscaram o carregamento antes de incendiar os navios”.
E o mais importante, “Cabral ordenou que seus navios bombardeassem Calicute por um dia inteiro em represália à violação do acordo”, e esse feito trará serias consequências na vida de nosso Descobridor depois de sua volta para Portugal.
Entretanto, apesar do fracasso em Calicute, Cabral conseguiu as boas graças e um tratado comercial com o governante de Cochim, a "Rainha do Mar Arábico", uma cidade vassala de Calicute, mas cujos habitantes estavam doidos para se livrarem dessa condição.
Graças a essa Tratado foi estabelecida uma Feitoria.
Foi de Cochim que a Frota partiu carregada de preciosas especiais para Cananor.
Cananor era outra cidade portuária que se dedicava ao comércio com a Pérsia e Arábia.
A Frota partiu de Cananor em 16 de janeiro de 1501, agora sim com destino a Portugal.
E o azar de Cabral embarcou de volta com ele.
Um dos navios encalhou em um banco de areia, começou a afundar, a sendo incendiado, e como não havia espaço nas outras naves a carga abandonada.
“Em 22 de maio, a frota — agora reduzida a apenas dois navios — passou pelo Cabo da Boa Esperança”.
“Cabral chegou a Portugal em 21 de julho de 1501, com os outros navios que foram encontrados chegando durante os dias seguintes. Ao todo, dois navios voltaram vazios, cinco estavam completamente carregados e seis foram perdidos, contudo as cargas transportadas pela frota geraram lucros de até 800% para a Coroa Portuguesa”.
El-Rey e seus investidores não tinham do que se queixar.
Foi então organizada uma nova Frota, a "Frota da Vingança", mas Cabral não foi nomeado seu Capitão-mor por intriga de Vasco da Gama e seu parente, Vicente Sodré, um navegador e primeiro Capitão-mor do mar da Índia.
“Sabe-se, no entanto, que surgiu hostilidade entre as facções que apoiavam Vasco da Gama e Cabral, e Dom Manuel I ficou muito irritado com a briga, a tal ponto que simplesmente mencionar o assunto em sua presença poderia resultar no banimento da corte”.
“ Com da perda dos favores do Dom Manuel I, em algum momento, Cabral deixou a Corte permanentemente”.
“Afonso de Albuquerque tentou interceder a favor de Cabral e, em 2 de dezembro de 1514, pediu para D. Manuel I perdoá-lo e permitir seu retorno à corte, mas não obteve êxito”.
“Cabral, sofrendo de febre recorrente e um tremor (possivelmente resultado de malária) desde sua viagem, se retirou para Santarém em 1509, em 1518 foi elevado de Fidalgo a Cavaleiro no Conselho do Rei, tendo direito a um subsídio mensal de 2 437 reais, morrendo de causas não especificadas, provavelmente em 1520, sendo enterrado no interior da Capela de São João Evangelista na Igreja do Antigo Convento da Graça de Santarém”.


Túmulo de Pedro túmulo de Pedro Alvares Cabral.
Igreja de Nossa Senhora da Graça, concelho e distrito de Santarém, Portugal.

“Séculos depois uma turma afirma que Cabral não foi o Descobridor do Brasil e sim os espanhóis Vicente Yáñez Pinzón e Diego de Lepe, que teriam viajado ao longo da costa norte do Brasil entre janeiro e março de 1500”.
Um grande de uma patifaria dessa turma, já que “os historiadores Capistrano de Abreu, Francisco Adolfo de Varnhagen, Mário Barata e Hélio Vianna, concordam que as expedições espanholas não influenciaram em nada o desenvolvimento do que viria a ser a única nação de língua portuguesa das Américas — com história, cultura e sociedade únicas, diferenciando-a das sociedades hispano-americanas que dominam o resto do continente”.

Mais por se tratar de Pedro Alvares Cabral, um azarado de marca maior, qualquer patifaria em relação a ser ele ou não o descobridor do Brasil ainda pode aparecer.



Miniatura de Cabral encimado com Brasão de Armas de Portugal e em baixo com o Brasão da Família Cabral.


A BATALHA DE LEPANTO.




A Batalha de Lepanto foi um conflito naval travado entre uma esquadra da Liga Santa e o Império Otomano, que ocorreu no dia 7 de outubro de 1571, há 442 anos.

O Papa Pio V, nascido Antonio Ghislieri, 225 º Papa da Igreja Católica e 133 º Soberano de os Estados Papais, que fora Grande Inquisidor da Congregação da Inquisição Romana e Universal,
Ao saber que a cidade de Famagusta, na Ilha de Chipre, estava cercada pelos turcos e arduamente, heroicamente, era defendida pela guarnição local, comandada pelo senador veneziano Marco Antonio Bragadin, fez um inflamado discurso onde se comprometeu a organizar uma liga de Príncipes para combater o Império Otomano, os turcos e seus aliados, aquém considerava junto com os Judeus inimigos eternos da cristandade.
Famagusta era uma localidade na costa leste de Chipre, onde cristão provenientes da Queda de Acre, em 1291, e de diversos pontos da Palestina, conseguiram abrigo e como consequência transformaram a pequena aldeia que encontraram em uma das cidades mais ricas da cristandade, que estava sob o domínio da Republica de Veneza desde 1480.
Podia se afirmar que no contexto mais amplo é o de uma luta generalizada pelo controle do Mar Mediterrâneo, a cidade era de vital importância para a cristandade, já que era de seu porto que zarpavam os navios que faziam o intercambio de mercadoria, de pessoas de recursos, de dinheiro, entre o Leste e Oeste, ate os confins do antigo Mare Nostrum dos romanos, do Império Romano.
Para esta Nova Cruzada organizou a Liga Santa com os seguintes Príncipes seus domínios:
1-      Estados Pontifícios;
2-       Felipe II, Rex Catholicismus, cuja a divisa era " non sufficit orbis"(" O mundo não é o bastante "),  Rei de Espanha e outros domínios (pela Graça de Deus segundo do seu nome, Rei de Castela e Leão, de Navarra,,  de Aragão, de  Nápoles e da Sicília, Jerusalém , Hungria , Dalmácia, Croácia , Granada , Valencia , Toledo, da Galiza , de Maiorca, de Sevilha, da Sardenha, de Córdoba, da Córsega, de Murcia, Jaén,  Algeciras , Gibraltar, as Ilhas Canárias , das Índias Ocidentais, das terras firme do Mar Oceano, Arquiduque da Áustria, Duque de Lorraine e Brabante , Limburgo , Luxemburgo, Gelderland, Milão, Atenas e Neopatria, Conde de Flandres, Artois, Borgonha Palatine, do Tirol , de Hainaut , Holanda, Zelândia , Namur, Zutphen , Barcelona, Roussillon e Cerdanya, Príncipe da Suábia ,Margrave do Sacro Império Romano, Marquês de Oristano e Conde de Gociano ,Senhor da Biscaia e Molina , Friesland, Salins , Mechelen e cidades , vilas e terras de Utrecht, Overijssel e Groningen, Senhor Dominante na Ásia.
Felipe da Casa da Áustria (descendentes dos Habsburgo- como Casa da Áustria- dos da Casa de Valois-Borgonha, dos da Casa de Trastámara e dos da Casa de Aviz), só foi proclamado Rei de Portugal em 12 setembro de 1580 e aclamado em 15 de abril de 1581 pelas Cortes reunidas em Tomar, portanto não era ainda soberano de Portugal, do Algarves e Conquistas Ultramarinas, na época da Batalha de Lepanto em 7 de outubro de 1571, ou seja, 10 anos antes.
3-      Serenísima República de Veneza ,  República de Génova , República de Lucca;
4-      Grão-Ducado da Toscana; os Ducados de Savoia, de Ferrara , de Mântua , de Parma e Urbino;
5-       Cavaleiros de Malta.
O Sacro Império Romano, França e Portugal , apoiavam , contudo não enviaram tropas para se juntarem aos Exércitos da Liga.
As Forças da Santa Liga eram composta de:
Espanha: 90 galeras, 24 navios,50 fragatas e brigues;
Veneza: 6 galeasses ( uma grande , pesada galera e lentas) , 106 galeras, 14 navios e 20 fragatas;
Estados Pontifícios: 12 galeras, 6  fragatas.


A Força de Terra era composta de  50.000 soldados de infantaria, 4.500 membros na cavalaria e uma artilharia adequada para época.
O Comando Supremo  era de  Dom João da Áustria, Capitão General do Mar e Comandante da Frota  mediterrânea da Espanha.
Dom Juan de Áustria ou Johann von Österreich  era  filho do Imperador e Rei Carlos V com Barbara Blomberg, uma rica burguesa de 19 anos da cidade de Ratisbona, Alto Palatinado, portanto meio-irmão, Filipe II de Espanha.
Dom João da Austria foi auxilado por:
1-     Marco Antonio Colonna - Terceiro Duque de Paliano,  comandante das  galés  Pontifícia, nomeado CapitãoGeneral da Frota da Santa Liga pelo proprio Dom João da Austria;
2-     Sebastiano Venier - octagésimo sexto Doge de Veneza, governador de Candia ( hoje Creta), Capitão General de mar da frota veneziana,  auxiliado por Agostino Barbarigo, general capitão de mar da frota veneziana e o comandante da ala esquerda da frota cristã, morreu na Batlaha de Lepanto por causa de um ferimento a  flecha que lhe perfurou no olho direito; 
3-     Giovanni Andrea Doria,Almirante em comando da Frota da Republica de Genova;
4-     Dom Álvaro de Bazán y Guzmán, 1º marquês de Santa Cruz de Mudela, Grande de Espanha, responsavel pela retarguarda da Frota da Santa Liga.
Comandante das Forças Turcas ou Otomanas:
1-     Mehmet Ali Paxá, dito  Müezzinzade Ali Paxá ("filho do muezim"), Grande-Almirante(Kaptan Paşa ou Kaptan-ı Derya) da frota otomana do Mediterrâneo, “Ali Paxá morreu às mãos de um macedónio às ordens dos venezianos, ao ser atingindo na cabeça por uma bala de mosquete, o que o fez cair no convés onde foi decapitado por um zeloso soldado espanhol”;
2-     Suluc Mehmed Paxá, dito Mohammed Sirocco, “Almirante no comando da ala direita e combateu a ala esquerda cristã liderada por Agostino Barbarigo, morrendo no combate”;
3-     Uluč Alì, ( nascido Giovanni Dionigi Galeni)   almirante  no comando da ala esquerda “contornou o seu oponente direto, Giovanni Andrea Doria, a fim de salvar a sua ala da frota e voltou para Istambul” e por isso  Andrea Doria foi considerado um pessimo combatente e pessimo comandante ( alguns historiadores afrimam  que ele não combateu como deveria por causa das propriedades que sua familia tinha no Imperio Otomano) .
Na fuga Uluč Alì “capturou o  nau-capitania dos Cavaleiros de Malta com a sua grande bandeira e em Istambul a apresentou para sultão Selim II, que deu-lhe o título honorário de Kılıç ("Espada") e em 29 de outubro de 1571 o nomeou como Kapudan Pasha (Grande Almirante) e Beylerbey das ilhas. Ele foi posteriormente conhecido como Kılıç Ali Pasha;  
4-     Amurat Dragut, responsavel pela retarguada , contudo se sabe mais do seu pai, Dragut Rais, Vice-Rei de de Argel , Senhor de Tripoli e al-Mahdiyya , autointitulou-se  “ A Espada Vingadora do Islão” , sendo “um dos maiores almirantes (em turco Kapudanpaşa ) étnica turca ao serviço do Sultão, do que dele.
Vou usar o artigo de Giovan Tinelli di Olivano, in “Catolicismo” nº 250, outubro de 1971, site http://www.lepanto.com.br/historia/a-batalha-de-lepanto/ ...

Nos dias 16 e 17 de setembro, nos quais se deu a partida de Messina, o espetáculo foi deslumbrante. As naus começaram a mover-se duas a duas, encimadas por bandeiras cujas cores as distinguiam segundo a posição que assumiriam na batalha. À frente tremulavam as bandeiras verdes de Andrea Doria, o comandante dos espanhóis. Em seguida vinha a batalha ou centro, com suas bandeiras azuis, e o gonfalão de Nossa Senhora de Guadalupe sobre a nau de D. João d’Áustria.
Os estandartes do Papa e da Liga ficaram guardados para o momento do embate.
À direita da batalha vinha Marco Antonio Colonna na nau capitânia do Papa; à esquerda, o veneziano Sebastião Veniero, grande conhecedor das lides do mar, vigoroso com seus setenta anos, altivamente em pé na popa de sua nau.
A divisão de Veneza, comandada pelo nobre Barbarigo, seguia atrás, com bandeiras amarelas; as bandeiras brancas de D. Álvaro de Bazán, Marquês de Santa Cruz, fechavam aquele imponente cortejo naval.
 Uma figura toda vestida de púrpura destacava-se de entre a multidão reunida no porto.
Era o Núncio papal, que dava a bênção a cada barco que passava, com seus cruzados piedosamente ajoelhados na ponte: nobres revestidos de armaduras refulgentes, soldados de variados uniformes, marinheiros de roupas e gorros vermelhos.
Os remos compassados e as velas que se iam enfunando levavam-nos em demanda do inimigo da Fé. Na sua armadura dourada, terrível como um anjo vingador, avultava a figura de D. João d’Áustria, a quem o próprio Pio V aplicaria depois da vitória o que o Evangelho diz de São João Batista: “Fuit homo missus a Deo, cui nomen erat Ioannes” — Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João (Jo. 1,6).
Deixando o estreito de Messina, as naus da Liga costearam o litoral da Calábria e da Apúlia, e de lá seguiram para a ilha de Corfu, depois para Gomenitsa, nas costas da Albânia, onde aportaram no último dia do mês de setembro.
Ao longo desse percurso foram encontrando sinais da passagem dos turcos: restos carbonizados de igrejas e casas, objetos de culto profanados, corpos dilacerados de sacerdotes, mulheres e crianças covardemente assassinadas.
A inconformidade com o crime e o desejo de uma santa vingança faziam-se sentir no coração de todos os cruzados e revigoravam neles a vontade de lutar.
Nesse meio tempo os espias informaram que a esquadra inimiga estava ancorada em Lepanto, um porto localizado pouco mais ao sul, no estreito de igual nome, o qual liga o Golfo de Patras ao de Corinto.
Tratava-se agora de tomar a iniciativa da luta, indo ao encalço do inimigo.
Feitos todos os preparativos para a batalha, no dia 6 de outubro os navios da Liga deixaram a costa da Albânia em direção a Cefalônia, ilha do Arquipélago Jônico situada defronte ao Golfo de Patras, ao fundo do qual se achavam os navios turcos. Foi aí que os católicos receberam a notícia de que Famagusta, capital de Chipre, caíra em poder do Crescente, e que o general Mustafá cometera as piores atrocidades com o comandante da praça, Marco Antonio Bragadino, a quem mandara esfolar vivo, e cuja pele cheia de palha fizera conduzir por toda a cidade. A narração dessas crueldades acendeu o ódio da tropa cristã, que ansiava por defrontar-se com os otomanos.
O embate já então era iminente, dada a proximidade em que se encontravam os dois exércitos. O vento soprava do Levante, o céu estava encoberto e o mar era cinzento e cheio de névoa naquele sexto dia do mês. Os católicos não sabiam que o vento que os detinha era o mesmo que convidava o inimigo a deixar seu refúgio em Lepanto, e assim tornava possível a batalha. Com efeito, se os turcos não se resolvessem a sair, seria muito difícil desalojá-los de seu reduto. O estreito de Lepanto era protegido por duas fortalezas, cujos canhões fariam grande estrago à armada da Liga. A noite caiu, envolta em um silêncio misteriosamente cheio de prenúncios.
Às duas horas da madrugada do domingo, 7 de outubro, um vento fresco vindo do poente limpou completamente o céu, prometendo um dia ensolarado. Antes do amanhecer, D. João mandou levantar âncoras e soltar as velas. Quando as naus cristãs, tendo passado pelo canal que ficava entre a ilha de Oxia e o cabo Scrofa, desembocavam no golfo de Patras, uma fragata ligeira mandada em reconhecimento veio ao seu encontro, com a informação de que a esquadra turca estava a poucas milhas de distância. A bandeira que devia sinalizar a presença do inimigo tremulou no mastro da capitânia vanguarda. Depois de uma rápida deliberação com Venier, o generalíssimo ordenou que todos se dispusessem em ordem de batalha. Fez-se ouvir o troar de um canhão, enquanto era içado o estandarte da Santa Liga no mastro mais alto da galera capitânia.
“Aqui venceremos ou morreremos” — bradou D. João entusiasmado, ao acompanhar as evoluções da esquadra católica.
Seis pesadas galeras venezianas, comandadas por Francisco Duodo, rumaram lentamente para seus postos, na vanguarda. Como que no desejo de esmagar os otomanos num terrível amplexo, a esquadra católica procurou estender-se o quanto pôde, desde o litoral até o alto mar. À esquerda o veneziano Barbarigo, com 64 galeras, alargou seu flanco em direção ao litoral, para evitar um envolvimento dos inimigos pelo norte. Dom João comandava o centro, ladeado por Colonna e Veniero; o catalão Requeséns vinha um pouco mais atrás. A esquadra espanhola de Andrea Doria, com 60 naus, formava a ala direita, em direção ao mar alto. As 35 embarcações do Marquês de Santa Cruz aguardavam ordens à retaguarda, para uma eventual intervenção.
Também o almirante otomano — Kapudan-Pachá Muesinsade Ali, que passou à História como Ali-Pachá — dispôs sua esquadra para o combate. A ala direita, que devia defrontar-se com Barbarigo, compunha-se de 55 galeras e era comandada por Maomé Shaulak, governador de Alexandria; a ala esquerda, à qual cabia opor-se a Andrea Doria, era formada por 73 unidades às ordens do temível corsário Uluch Ali (Occhiali), um renegado calabrês que, segundo se dizia, fora frade; o centro, finalmente, com 96 galeras, estava sob o mando direto do próprio Ali-Pachá e constituía a elite da armada infiel. Uma divisão de reserva ficara à retaguarda.
O generalíssimo turco parecia querer investir resolutamente pelo centro, e ao mesmo tempo envolver os cristãos, aproveitando-se da sua superioridade numérica sobre estes (286 naus contra 208). O vento soprava de leste, favorável aos infiéis, enquanto os católicos tinham que se mover à força de remos. Decorreram quatro horas até que as duas armadas estivessem prontas para o confronto. O vento amainara.
A essa altura, Doria chegava à nau de D. João d’Áustria para propor um conselho de guerra, no qual se discutisse se convinha ou não dar combate a um inimigo numericamente superior. O generalíssimo limitou-se a responder-lhe: “Não é mais hora de falar, mas de lutar!” Doria voltou ao seu posto, tendo antes proposto a D. João que mandasse cortar o enorme esporão que pesava na proa das galeras. A vantagem desta medida, indicada pelo astuto genovês, revelou-se enorme: aliviou as naus, facilitando as manobras, e ademais permitiu que o canhão central, em vez de atirar por cima, visasse diretamente o alvo, com maior impacto.
D. João quis passar uma última revista a suas tropas.
Subiu a uma fragata e percorreu o corpo central e a ala direita da esquadra.
Dom Luiz de Requeséns foi incumbido de visitar a outra ala. O comandante supremo apresentou-se aos nobres e à tripulação de cada nau, levando na mão um crucifixo e conclamando com ardor para o lance iminente: “Este é o dia em que a Cristandade deve mostrar seu poder, para aniquilar esta seita maldita e obter uma vitória sem precedentes”. E mais adiante: “É pela vontade de Deus que viestes todos até aqui, para castigar o furor e a maldade destes cães bárbaros. Todos cuidem de cumprir seu dever. Ponde vossa esperança unicamente no Deus dos Exércitos, que rege e governa o universo”. A outros, dizia: “Lembrai-vos de que combateis pela Fé; nenhum poltrão ganhará o Céu”.
A resposta a essas palavras eram aclamações estrepitosas, e não havia quem não se mostrasse ao jovem general em atitude ufana e combativa. Enquanto isso, ele fazia distribuir escapulários, medalhas e rosários. O entusiasmo levou a tropa a tomar-lhe o chapéu e as luvas; por fim D. João voltou à sua capitânia, a fim de armar-se para o combate.
Ouvia-se do lado do inimigo um som fanhoso de cornetas, um crescendo de vociferações, o estrépito de címbalos e o sinistro percutir das cimitarras sobre os escudos. Os infiéis entretinham-se com danças, acompanhadas pelo crepitar de armas de fogo. Escachoam as gargalhadas, e a soldadesca escarnece da presunção dos que ousavam enfrentar o poderio imenso do sultão: “Esses cristãos vieram como um rebanho, para que os degolemos! ” A ordem dada por Ali-Pachá era não fazer prisioneiros.
Reaparece D. João. Sua armadura e seu elmo brilham ao sol, que agora está a pino, sem nenhuma nuvem a toldar o céu. O Príncipe ajoelha-se e reza. Todos os seus homens fazem o mesmo. No meio de um silêncio grandioso, os religiosos davam a última bênção e a absolvição geral aos que iam expor-se à morte pela Fé. Do lado inimigo também tudo se aquietara. Anjos e demônios pareciam fazer sentir sua presença e a transcendência do fato que ia ocorrer.
A cabeça de Ali-Pachá na ponta de uma lança
As esquadras se aproximam. No momento azado, Ali-Pachá manda dar um tiro de canhão para chamar os cristãos à luta. Dom João d’Áustria aceita o desafio, respondendo com outro tiro. O vento mudara inesperadamente. Os estandartes do Crucificado e da Virgem de Guadalupe investem contra as bandeiras vermelhas de Maomé, marcadas com a meia-lua, estrelas e o nome de Alá bordado a ouro. Nesse momento o Céu já enviara um augúrio da vitória: o primeiro tiro que partira contra os infiéis lhes afundara uma galera. Aos gritos de “Vitória! Vitória! Viva Cristo! ”, os cruzados lançaram-se com toda a energia na batalha.
Os turcos procuravam dar a maior amplitude a seu deslocamento, para envolver um dos flancos do adversário. Doria tenta impedir-lhes a manobra, mas afasta-se demais da zona que lhe havia sido designada, abrindo um perigoso vão entre a ala sob seu comando e o centro da esquadra cristã.
Os 264 canhões de Duodo, abrindo fogo, conseguem romper a linha inimiga.
Começam as abordagens.
O apóstata italiano Uluch Ali entra pelo vazio deixado por Doria.
 Com suas melhores naves, lança-se no combate em que o centro dos cristãos estava engajado, e com algumas galeras pesadas mantém Doria afastado.
Neste lance iam sendo aniquiladas as tropas de Doria, e a reserva do Marquês de Santa Cruz não podia socorrê-las, pois estava empenhada em auxiliar os venezianos da ala esquerda, junto ao litoral.
Ali-Pachá, reconhecendo pelos estandartes a galera de D. João, abalroou-a com seu próprio navio, proa contra proa, e lançou sobre ela toda uma tropa de janízaros escolhidos. Neste momento o conselho de Doria provou sua eficácia: desembaraçada do esporão, a artilharia da nau católica pôs-se a dizimar a tripulação da “Sultana”, a nave de Ali-Pachá. Em socorro desta acorreram mais sete galeras turcas, que despejaram mais janízaros sobre a ponte ensangüentada da capitânia de D. João. Duas vezes a horda turca penetrou nesta até o mastro principal, mas os bravos veteranos espanhóis obrigaram-na a recuar. Dom João contava agora com apenas dois barcos de reserva, sua tropa tinha sofrido muitas baixas, e ele mesmo fora ferido no pé. A situação ia-se tornando cada vez mais perigosa, quando o Marquês de Santa Cruz, tendo liberado os venezianos, veio em socorro do generalíssimo e este pôde repelir os janízaros.
A batalha chegara ao seu auge. As águas tingiam-se de sangue, ressoavam gritos e gemidos dos que lutavam, dos feridos, mutilados e agonizantes. O estrondo das armas de fogo entrecruzava-se com o tinir das lâminas de aço, num concerto trágico e grandioso. Sucediam-se umas às outras as proezas. O sangue nobre corria. Um após outro caíram Juan de Córdoba, Fábio Graziani, Juan Ponce de León.
 O velho Venier lutava de espada na mão, à frente de seus soldados. O general veneziano Barbarigo tombara ferido por uma flecha no olho, quando, para dar ordens a seus homens, afastara o escudo que o protegia. “É um risco menor do que o de não conseguir fazer-me entender numa hora destas!” — respondera a alguém que o advertia do perigo. O jovem Alexandre Farnese, Duque de Parma, entrou sozinho numa galera turca, e não morreu. De sua parte, o inimigo tentava toda espécie de manobras e dava inegáveis provas de valor.
O momento era crítico, e ainda deixava muitas dúvidas quanto ao desenlace da batalha, quando Ali-Pachá, defendendo a “Sultana” de mais uma investida cristã, caiu morto por uma bala de arcabuz espanhol (ou suicidou-se, segundo outra versão). Eram 4 horas da tarde.
O corpo do generalíssimo dos infiéis foi arrastado até os pés de D. João. Um soldado espanhol avançou sobre ele e cortou-lhe a cabeça.
Esta, por ordem do Príncipe, foi então erguida na ponta de uma lança, para que todos a vissem. Um clamor de alegria vitoriosa levantou-se da capitânia católica. Os turcos estavam derrotados, e o pânico espalhou-se celeremente entre suas hostes, a partir do momento em que o estandarte de Cristo começou a drapejar sobre a “Sultana”.
Uluch Ali ainda investiu sobre a ala direita comandada por Andrea Doria. Mas, atacado pelo Marquês de Santa Cruz, tratou de fugir.
O veneziano Girolamo Duodo conta que “uma grande parte dos escravos cristãos, que se encontravam nos navios inimigos, compreendeu que os turcos estavam perdidos. Apesar dos guardas, esses infelizes multiplicaram seus esforços para buscar a salvação na fuga e favorecer a vitória dos nossos. Em pouco tempo, ei-los combatendo em todos os setores onde há guerra, com uma coragem sem igual. Seu ardor é decuplicado pelos gritos que ecoam de todos os lados: “A vitória é nossa!”. Nos navios da Liga, os galés — que tinham sido armados de espada — abandonavam os remos quando havia abordagem e lutavam valentemente contra os turcos.
Uma Senhora de aspecto majestoso e ameaçador
Os restos da esquadra inimiga batem em retirada e se dispersam, enquanto as trombetas católicas proclamam a todos os ventos a vitória da Santa Liga, na maior batalha naval que a História jamais registrara.
A tarde começava a cair e prometia um mar agitado. No crepúsculo daquele santo dia, os navios da Liga se reagrupavam e mal podiam navegar através dos restos da batalha: cadáveres, remos e mastros espalhados bizarramente pela água. As embarcações apresadas vinham à retaguarda das galeras católicas, arrastadas humilhantemente pela popa.
As perdas dos infiéis tinham sido enormes: 30 a 40 mil mortos, 8 ou 10 mil prisioneiros (entre os quais dois filhos de Ali-Pachá e quarenta outros membros das famílias principais do império), 120 galeras apresadas e cinqüenta postas a pique ou incendiadas, numerosas bandeiras e grande parte da artilharia em poder dos vencedores. Doze mil cristãos escravizados alcançaram a liberdade. A Liga perdeu doze galeras e teve menos de 8 mil mortos.
 (Giovan Tinelli di Olivano, in “Catolicismo” nº 250, outubro de 1971)

Outros historiadores dão saldos diferentes a Batalha de Lepanto, como este:
1-Armada da Santa Liga
227 galeras;
6 galeazas;
76 fragatas e bergantines;
 98.000 homens;
Bajas entre os cristãos:
7.600 almas;
12 galeras.
2-Armada Otomana:
210 galeras;
87 galeotas e fustas;
120.000 homens.
Bajas entre os otomanos/turcos:
190 navios;        
30.000 homens;
3-12.000 cativos cristãos recuperados.
Outra fonte:
1-Armada da Santa Liga
212 navios;
6 galleasses;
206 galeras;
28.500 soldados;
Marinheiros e remadores;
Canhões.
Acidentes e Perdas ou Bajas:
7.500 mortos;
20.000 feridos;
17 navios perdidos;
20.000 mortos, feridos ou capturados .
2-Armada Otomana:
251 navios;
206 galeras;
45 galeotas;
31.490 soldados;
50.000 marinheiros e remadores;
741 canhões.
Acidentes e Perdas ou Bajas:
20.000 mortos, desaparecidos ou capturados- nota-se que é o mesmo numero dos cristãos;
137 navios capturados;
50 navios afundados;
3 -10.000 cativos cristãos recuperados.

Como podemos perceber há controvérsias, mas o importante é que atrasou a invasão mulçumana em 442 anos, pois hoje ela acontece diariamente na Europa e em outros países da chamada Civilização Ocidental, fora os ataques sangrentos as comunidades africanas não islamitas.


Contudo a grande Batalha de Lepanto não seria necessária se anos antes não houvesse a Queda de Constantinopla, numa terça-feira, dia 29 de maio de 1453, como veremos. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A Quinta da Boa Vista, o Palácio Imperial que nunca deixou de ser Quinta. Parte II

O antigo palácio dos Vice-Reis no Rio Colonial 

Vou me valer de outra pesquisa na Internet, já que esse é apenas um Ensaio, que é o trabalho que consta em   http://www.marcillio.com/rio/hijoaoes.html - D. JOÃO VI NO RIO / O RIO DE JANEIRO JOANINO”, para descrever como era a Mui Leal e Heroica:

“1- O Progresso Cultural do Rio de Janeiro.”
a- “A instalação do corpo burocrático no Rio de Janeiro atraiu para a cidade grande contingente de pessoas, e em dez anos, o número de habitantes da cidade passou de sessenta mil para cento e cinqüenta mil. A cidade contava na épocas com 46 ruas, 4 travessas, 6 becos e 19 largos e praças, logradouros nos quais as pessoas andavam a pé ou a cavalo”.
b- “Com a chegada da Corte os charcos foram aterrados, novas ruas foram abertas e as antigas alargadas, para circulação de novos veículos de grande porte vindos de Lisboa. A cidade, que durante dois séculos pouco se desenvolveu, na época, ampliou-se em direção a S. Cristóvão, Laranjeiras e Botafogo. Houve grande mudança na sua arquitetura que entre outras coisas passou a ostentar janelas envidraçadas, até então pouco utilizada”.
C - “D. João gostava do Brasil e não queria voltar para Portugal, quando Napoleão foi derrotado. Os artistas que trabalhavam para Napoleão ficaram desempregados e D. João mandou para a Europa o Conde da Barca com o objetivo de trazer para o Brasil os artistas franceses. Estes artistas vieram com a Missão Artística Francesa, que chegou ao Brasil em 1816 e que era chefiada pelo pintor Joaquim Lebreton, que havia sido chefe de todos os museus e bibliotecas francesas e foi um dos organizadores do Museu do Louvre”.
“2- Urbanização e Segurança.”
a- “O antigo palácio dos Vice-Reis sede oficial do poder passou a ser o Paço Real da Cidade. A esposa de D. João, Dona Carlota Joaquina e a rainha Dona Maria I se instalaram no Convento do Carmo. Os servidores mais próximos do príncipe foram instalados: no Paço da Cidade, na prisão, de onde os presos foram retirados; num teatro; no Mosteiro de São Bento e na Igreja do Rosário, na atual Rua Uruguaiana. Os fidalgos ocuparam as melhores casas da cidade, de onde os proprietários eram sumariamente expulsos e as casas recebiam uma plaqueta com as letras PR, de Príncipe Regente, mas à qual a população passou a se referir como "ponha-se na rua". Entre 1808 e 1816 foram construídos nos arredores da cidade, cerca de seiscentas casas na zona urbana e cento e cinqüenta fora da cidade”.
b- “Em 1808 a cidade chegava até o Rossio Pequeno, atual Praça Onze, a expansão inicial foi realizada em direção a São Cristóvão. Para se ligar o Paço de São Cristóvão ao centro urbano, foi feita a drenagem do Campo de Santana e seus arredores e foram aterrados o Mangal de São Diogo e a Praia Formosa, surgindo o caminho do Aterro, na região onde hoje fica a Av. Presidente Vargas. Na direção de São Cristóvão surgiram novos bairros: Mata Porcos, atual Estácio de Sá; Catumbi; Gamboa e Rio Comprido, que formavam o que se passou a conhecer como Cidade Nova, em contraste com o centro comercial que passou a ser a Cidade Velha. Os imigrantes e o corpo diplomático preferiram construir suas residências nos novos bairros da Glória, Catete, Flamengo e Botafogo indo até Laranjeiras e Cosme Velho. Os franceses preferiam se instalar na Floresta da Tijuca, com o objetivo de cultivar café. Os ricos preferiam ocupar São Cristóvão e as encostas de Santa Teresa e as residências populares multiplicavam-se nos cortiços do Centro”.


Fim da Parte II

A grandeza Histórica de João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança, Dom João VI, O Clemente, Rei de Portugal e Algarves, Imperador Titular do Brasil, o Pai da Nacionalidade Brasileira,



Introdução a Quinta.



Aqui apelo eu mais uma fez para a Providência Divina, já que eu creio nela com todo o meu coração, e para minha condição e Biblicista, um estudioso da Bíblia Sagrada dos Cristãos:
A Revolução Francesa de 1789 encerrou um Ciclo Histórico e que como toda revolução social ela foi antropofágica, basta analisarmos seus Movimentos, que vão da decapitação de Luis XVI e Maria Antonieta, passando pelo Terror implementado por Maximilien de Robespierre, até as Guerra Napoleônicas. 
Napoleão Bonaparte, por muitos cognominado “ L'enfant favori de la fortune” ( “Filho Favorito da Fortuna”), foi à consequência desse período da Historia de França com grandes reflexos, reflexos inquestionáveis, na Historia da Humanidade e seu Code Napoléon - Código Napoleônico (Code Civil des Français, ou código civil dos franceses) outorgado em 21 de março de 1804 que estabelece o casamento civil (separado do religioso), respeito à propriedade privada, direito à liberdade individual e igualdade de todos ante a lei, a educação pública como meio de formação do comportamento moral, político e social, entre outas coisas, é a prova máxima dessa afirmação.
Porem eu creio que Deus esta no controle absoluto de seu Plano de Salvação da Humanidade e por isso interveem nos acontecimentos quando se faz necessário, já que Deus é Amor e isso aconteceu durante todo esse período, todo esse Ciclo Histórico e obviamente em suas consequências.
Louis Berkhof , um dos mais importantes Teólogo reformados, organizador da Teologia Sistemática em 1932, nos explica que esse Amor é um dos Atributos Comunicáveis de Deus, portanto  ele – o Amor- é "a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação" e assim sendo “ em virtude de Sua Santidade Divina, o Senhor nosso Deus "ama as Suas criaturas racionais por amor a Si mesmo, ou, para expressá-lo doutra forma, neles Ele se ama a Si mesmo, Suas virtudes, Sua obra e Seus Dons".
Ora, como Ele ama “Sua Obra e Seus Dons” não poderia deixar de inserir-Se quando necessário na vida das criaturas por Ele criadas, nos a Humanidade, e aproveitando dos Dons que deu a cada um influenciar de maneira contundente em sua Historia.
Foi sua Vontade Permissiva que deixou acontecer a Revolução Francesa, Napoleão, suas guerras e seu Code, a loucura de Dona Maria I, a acessão de Dom João como Príncipe Regente, a ganância calvinista dos ingleses, a transmigração da Corte e do Governo, e por fim a fundação da Nação Brasileira, do Brasil como um País livre e soberano, por esse Príncipe da Casa de Bragança.
Se Dom João não viesse para o Brasil o nosso destino poderia ser tão sangrento quanto foram e ainda são de outros países colonizados pelos europeus.
Agradeço a Deus por tudo isso e é por isso que escrevo esse Ensaio na esperança de todos que o ler possam refletir na grandeza Histórica de João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança, Dom João VI, O Clemente, Rei de Portugal e Algarves, Imperador Titular do Brasil, o Pai da Nacionalidade Brasileira, o primeiro Soberano descendente de uma milenar Dinastia Europeia a ser Aclamado nos Trópicos, e o mais notável morador da Quinta da Boa Vista na Mui Leal e Heroica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
São Paulo, fevereiro de 2012


Jorge Eduardo

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão ou Déclaration des Droits de l'Homme et du Citoyen



Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Déclaration des Droits de l'Homme et du Citoyen


A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é um documento culminante da Revolução Francesa, que define os direitos individuais e coletivos dos homens (tomada a palavra na acepção de "seres humanos") como universais. Influenciada pela doutrina dos "direitos naturais", os direitos dos homens são tidos como universais: válidos e exigíveis a qualquer tempo e em qualquer lugar, pois pertencem à própria natureza humana. Na imagem da Declaração, o "Olho da Providência" brilhando no topo representa uma homologação divina às normas ali presentes, mas também alimenta teorias da conspiração no sentido de que a Revolução Francesa foi motivada por grupos ocultos.
Inspirada nos pensamentos dos iluministas, bem como na Revolução Americana (1776), a Assembleia Nacional Constituinte da França revolucionária aprovou em 26 de agosto de 1789 e votou definitivamente a 2 de outubro de 1789.


Art.1.º Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.

Art. 2.º A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.

Art. 3.º O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.

Art. 4.º A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.

Art. 5.º A lei proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.

Art. 6.º A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.

Art. 7.º Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.

Art. 8.º A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.

Art. 9.º Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.

Art. 10.º Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.

Art. 11.º A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.

Art. 12.º A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública; esta força é, pois, instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.

Art. 13.º Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.

Art. 14.º Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a colecta, a cobrança e a duração.

Art. 15.º A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.

Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.


Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização.