sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A JAPONA - Reminiscências e series frívolas. By Jota


A JAPONA- Reminiscências e series frívolas.
By
Jota

De muito li “Reflexões e Reminiscências” de Mauricio Nabuco, e esse livro sempre me inspirou a escrever o que vivi, o que li, o que vi, o que ouvi, por isso aí vai mais uma das minhas “Reminiscências e series frívolas”.
  


Alfred Guillaume Gabriel Grimod, Conde d'Orsay, de família bonapartista, mas que se tornou membro da Guarda de Corpo de Luís XVIII, na Restauração, foi um Dandy, um perfeccionista na moda (mudava suas luvas oito vezes por dia), cognominado pelo poeta Alphonse de Lamartine, outro impecável na moda, de « l'archange du dandysme », "o arcanjo da dandismo".
Significado de Dandismo:
 s.m. Característica da pessoa que se veste com elegância e requinte.
Pej. Janotismo; pretensão à elegância;
Afetação na maneira de se vestir.
(Etm. Do inglês: dandyism)

Em 19 de julho de 1821, durante a Coroação de George IV, o Conde d'Orsay conheceu os Condes de Blessington e Visconde de Mountjoy – os irlandeses Charles John Gardiner e Marguerite de Blessington, essa nascida Margaret Power.
Depois de algum tempo eles viajaram pela Europa, quando surgiu um verdadeiro triângulo amoroso.
Após a morte por AVC de Lord Blessington, em 25 de maio de 1829, na Cidade de Paris, a Condessa viúva voltou para a Inglaterra, acompanhada de d'Orsay.
O casal se estabeleceu primeiro em Seamore Place in Mayfair, depois em Gore House, onde viveram de 1836 até 1849.
Gore House logo se tornou um Salão a moda antiga, para onde convergia o mundo literário, o mundo artístico, e o mundo da moda, de Londres, isso sem falar dos visitantes estrangeiros, que eram recebidos de forma charmosa, brilhante, refinada, elegantíssima, pela Condessa de Blessington e pelo Conde d'Orsay.
Como não eram casados as senhoras da boa sociedade inglesa não frequentavam o Salão, alegando que os anfitriões tinham uma ‘moral muito benevolente’, e foi exatamente por essa ‘benevolência’ que o casal se “tornou querido para todos os seus frequentadores”.
Durante o seu exilio em Londres Napoleão III frequentou o Salão da Gore House e por amizade, subindo ao Trono Imperial graças a um plebiscito, nomeou o Conde d’Orsay como Directeur de l'administration des beaux-arts (responsável pela L’École nationale supérieure des beaux-arts de Paris (ENSBA), communément dénommée « les Beaux-Arts de Paris », ano de Fundação 1682), mas “le grand dandy” não desfrutou desse cargo.
Como todos os estroinas, eles faliram, e fugiram para Paris em 1849.
Enquanto os bens do casal eram vendidos em hasta pública, o coração Marguerite de Blessington explodiu em Paris, e ela morreu no dia 4 de junho de 1849.
D’Orsay ficou inconsolável.
Acontece que ele estava sofrendo com uma infecção na coluna vertebral, e com isso abandonou Paris para se refugiar na casa da irmã, a Princesa Anna-Quintina-Albertine Grimod, nascida comtesse d'Orsay, Duquesa consorte de Gramont e outros Títulos, por seu casamento frutífero com Antoine-Geneviève-Héraclius-Agénor de Gramont, nono Duque de Gramont, Duque de Guiche, Príncipe de Bidache, etc., em Chambourcy, região administrativa da Île-de-France, no departamento de Yvelines, onde veio a falecer no dia 4 de agosto de 1852.
Alfred Guillaume Gabriel Grimod, Conde d'Orsay, projetou e construiu uma tumba piramidal para sua amada Marguerite de Blessington, nascida Margaret Power, e ele na Cidade de Chambourcy, e ambos estão nela sepultados.
No enterro do Conde d’Orsay seu amigo Napoleão III se fez presente.



O piramidal túmulo em Chambourcy
Yvelines, França

Essa chorumela toda para falar da JAPONA, ou the pea coat, or pea jacket, or pilot jacket, is an outer coat, generally of a navy-coloured heavy wool, ou caban, vestimenta de marinheiros europeus e posteriores americanos, ou seja, um jaquetão (paletó trespassado na frente) com grandes lapelas, de pano grosso, a princípio de lã, hoje de matérias sintéticos o que ao meu ver a descaracteriza, grandes botões de madeira, metal (hoje plástico), e bolsos verticais.
Essa indumentária era usada para proteger do frio, ou da umidade.
“ As referências à japona aparecem em jornais americanos, pelo menos, tão cedo quanto década de 1720”.
“As interpretações modernas ainda tentam manter a concepção e composição original”.
Como Caban, as japonas entraram a serviço da Marinha Francesa durante o Segundo Império”.
Eu quando moço as usava muito para ir ao colégio. (Foto abaixo):
Eu, Jota.

Muito bem.
Conta a lenda que a aristocracia inglesa passou a usa-la quando o Conde d’Orsay apareceu montado a cavalo envergado uma japona no Hyde Park, explicando que havia ido tratar de negócios junto as docas quando caiu uma grande tempestade e ele ficou todo ensopado.
O vendo naquele estado, um marinheiro ofereceu sua japona para ele se proteger do frio, ato que ele gratificou regiamente com libras ouro, mas essa “gratificação” é segundo ele próprio, pois não???
E assim a moda não só da japona, mas como, também, do paletó mais curto pegou nessa Londres tão avant-garde.



Dona Carolina Nabuco e seus irmãos: Joaquim Nabuco¸ Monsenhor e Protonotário Papal, e Embaixador Maurício Nabuco***, no Rio de Janeiro.
Foto retirada do livro “Oito Décadas” de autoria dela.


***Maurício Hilário Barreto Nabuco de Araújo - * Grande Londres, Londres, 10.05.1891
† Rua Marques de Olinda, Rio de Janeiro, Brasil, 1979.
Filiação: Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo e Dona Evelina Torres Soares Ribeiro, essa filha de José António Soares Ribeiro, 1º e único Barão de Inoã, e de Dona Maria Carolina Soares Torres, Baronesa de Inoã, e filha dos Barãos de Itambi.


Maurício Nabuco por Luiz Cláudio D'Álamo Louzada:

O Embaixador Nabuco era de uma personalidade marcante para sua geração. Considerado um homem de alta estatura, cerca de um metro e oitenta, chamativo, de uma elegância despreocupada. Porém, sempre envergando seu colete branco, impecável, confeccionado em Londres por seu alfaiate de preferência. Homem de educação britânica, nascido em Londres em 10 de maio de 1891 e formado em Norwick. Jantava sempre de "smoking", mesmo quando só. Era do seu raciocínio que não ficava de acordo exigir da sua criadagem a uniformização correta, quando ele, dono da casa, não estivesse adequadamente vestido.
O casarão da Piabanha, em Petrópolis, não era tido a recepções ou jantares, porém o Embaixador gostava de receber seus amigos mais íntimos para um chá "en famille", como ele mesmo intitulava, ou um whisky, nunca antes das seis da tarde, visto que não era de "bom tom".
Foi um profissional exemplar, estruturou o sistema administrativo do Itamaraty, modernizando-o, o qual resistiu aos tempos até a implantação dos computadores.
Pela sua sólida formação acadêmica, teve na sua carreira uma ascensão rápida.
Ingressou no Itamaraty em 1913 na Secretaria de Estado. Percorreu os escalões intermediários e chegou a Ministro Plenipotenciário de 2ª classe (ministro) em 17 de janeiro de 1931. Já em 12 de fevereiro de 1934, era nomeado Ministro de 1ª classe (embaixador), contando, portanto, 43 anos.
Foi embaixador em Santiago (Chile) em 1937, Santa Fé (Vaticano) em 1944 e Washington (Estados Unidos) em 1949.
No decorrer de sua carreira, acompanhou o Ministro de Estado Lauro Müller em sua viagem oficial aos Estados Unidos em 16 de maio de 1913. Participou da Delegação Brasileira ao Congresso de Paz, em Versalhes, em 23 de dezembro de 1918. Acompanhou o Presidente eleito, Epitácio Pessoa, em sua visita oficial a Inglaterra, Portugal e Estados Unidos da América em 1919. Foi Auxiliar de Gabinete do Ministro Azevedo Marques em 30 de julho de 1918. Esteve como Oficial de Gabinete do ilustre Ministro de Estado das Relações Exteriores, Otávio Mangabeira, 1926-1930. Representou o Ministro de Estado junto ao Presidente eleito dos Estados Unidos, Herbert Hoover, durante sua visita ao Brasil, em 1928. Chefiou a Comissão de Recepção a S.S.A.A.R.R. o Príncipe de Gales e o Príncipe George, em 1931. Foi interinamente Secretário Geral em 1933, 1934 e 1939, bem como Ministro de Estado do Exterior em 1940. Membro do Conselho Consultivo de Petrópolis e do Distrito Federal (Rio de Janeiro) em 1933-1935. E, na qualidade de Embaixador do Brasil em Washington, recepcionou o Senhor Presidente do Brasil, Marechal Eurico Dutra, em sua visita aos Estados Unidos em 1949. No governo de Getúlio Vargas, em 1952, foi dispensado - a pedido - do cargo de Embaixador e removido a Secretaria de Estado, para logo após ser aposentado.
Possuía várias importantes condecorações, dentre elas, a Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco.
Influenciou na carreira de diversos diplomatas mais jovens como seu seguidor em postura, posicionamento político e cultural, tais como: Embaixador Vasco Leitão da Cunha, D'Alamo Lousada, Antonio Castelo Branco e outros.



João Guimarães Rosa e o Presidente JK.

O bordado do Fardão da Academia Brasileira de Letras, é diferente do Fardão antigo dos Embaixadores Brasileiros, foto abaixo.