quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Histórias dos cemitérios do eixo Rio-São Paulo – II Parte

Em 25 de janeiro de 1554, a Missão Jesuíta funda a Cidade de São Paulo e dois anos depois, os padres ergueram uma igreja – a primeira edificação duradoura do povoado - no alto de uma colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, sendo o local escolhido para iniciar a catequização dos indígenas e para sepultamento dos que faleciam na localidade. Hoje é o Pátio do Colégio “ composto pelo Museu Padre Anchieta, Auditório Manoel da Nóbrega, Galeria Tenerife, praça Ilhas Canárias (Café do Pátio), Capela Beato José de Anchieta (abriga o fêmur de José de Anchieta), a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca Padre Antônio Vieira. Bairro da Sé. Ruas Afluentes: Rua Boa Vista, Rua Anchieta, Rua Roberto Simonsen, Rua Dr. Bittencourt Rodrigues, Rua General Carneiro”.
Entre 1774 e 1775 a Igreja Católica, com autorização governamental, organizou o Cemitério dos Aflitos, denominado também de Cemitério dos Enforcados, no atual Bairro da Liberdade, sendo então o primeiro cemitério da cidade de São Paulo.   Foi aberto em 1779 e demolido em 1883
                                                 http://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=277233
O Recolhimento da  Luz fundado em 02 de fevereiro de 1774 – depois Mosteiro da Luz, oficialmente Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz - “ tem suas origens na igreja em homenagem a Nossa Senhora da Luz, erguida pelo colonizador Domingos Luís, o “Carvoeiro”, sendo que a primeira vez que se registra a existência da igreja é numa carta, em 1579, do Padre Anchieta ao capitão Jeronimo Leitão Coco, Lugartenente da família Martim Afonso de Souza. Nessa época a igreja localizava-se na região Piranga (hoje bairro do Ipiranga), mas por volta de 1600, Domingos Luís transfere a sede da igreja e a imagem de Nossa Senhora da Luz para a região norte do Anhangabaú, conhecida como Guaré”.
“ A igreja passou por um longo período de abandono, e no período de 1765 a 1774 o Brigadeiro Dom Luís António de Sousa Botelho Mourão, 4.º Morgado de Mateus, Capitão-General e governador da capitania de São Paulo, Conselheiro de Sua Majestade, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Tenente-Coronel dos Dragões de Chaves, Alcaide-mor da cidade de Bragança; Senhor dos Morgados de Cumieira, de Arroios, de Sabrosa, de Moreleiros e de Fontelas, Comendador de Santa Maria de Vermiosa na Ordem de Cristo e Senhor da Honra da Ovelha, no Marão, executou pequenos reparos onde se realizava a festa de sua padroeira , Nossa Senhora dos Prazeres”.
“ Por volta de 1772, uma religiosa chamada Helena Maria do Sacramento teria tido visões de Jesus Cristo para a construção de um convento. Após ter conhecimento de suas visões e confirmando com o clérigo a veracidade das visões, o franciscano Antônio de Sant’ana Galvão - Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, OFM, mais conhecido como Frei Galvão, ou São Frei Galvão (Guaratinguetá, 1739 — São Paulo, 23 de dezembro de 1822), cuja Canonização foi realizada em11 de maio de 2007, pelo Papa Bento XVI - levou a ideia adiante, e mesmo com restrições do Marques de Pombal, que na época proibiu a abertura de novos conventos, conseguiu, em 1774, licença do governo para inaugurar o Recolhimento, nos arredores da capela sendo que as Recolhidas deveriam seguir a Regra da Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Sta. Beatriz. O próprio Frei Galvão projetou e trabalhou na construção do Recolhimento, incluindo a capela”.
São Frei Galvão “ veio a falecer naquele local em 23 de dezembro de 1822 e sepultado na igreja do Recolhimento, sendo o seu túmulo até hoje um destino de peregrinação de fiéis que teriam obtido favores devido a sua intercessão”.
Contudo em 1845 foi fundado o Cemitério do Recolhimento da Luz onde em 29 de abril de 1848, foi sepultado Frei Lucas José da Purificação que sucedeu a São Frei Galvão como pai espiritual das Irmãs concepcionistas do Recolhimento da Luz.
“ Em 1929, o recolhimento foi incorporado canonicamente à Ordem da Imaculada Conceição, sendo assim elevado à categoria de mosteiro. Foi tombado em 1943 e, desde 1970, abriga o Museu de Arte Sacra de São Paulo na ala esquerda da edificação. As internas, ditas irmãs concepcionistas, vivem até hoje em regime de clausura, na parte reservada do mosteiro, sem acesso ao público. Completam o conjunto arquitetônico a igreja da Luz, a antiga capela e o cemitério das religiosas, envoltos pelo último remanescente das chácaras conventuais urbanas do país”.
O Mosteiro da Luz foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
“ Em 1841 ocorreu um fato marcante que comprova a exclusão de pessoas não católicas dos cemitérios. O jovem alemão jurista e professor da faculdade de direito do largo São Francisco, Julios Frank, faleceu. Sua acolhida nos campos santos da cidade foi negada pelo fato de ele ser luterano. A mobilização dos estudantes culminou com o seu sepultamento em pátios internos das arcadas”.
Em 1844 o alemão Henrich Henrichsen fez um pedido à câmara da cidade de São Paulo para que fosse permitida construção de um Cemitério para os não católicos, para os protestantes.
Assim foi dividido o terreno do Cemitério do Recolhimento da Luz, o Campo da Luz foi dividido em dois terrenos, um destinado a estrangeiros católicos e outro a estrangeiros não católicos, dando origem ao "Cemitério dos Estrangeiros", ou "Cemitério dos Alemães", ou "Cemitério dos Protestantes", ou "Cemitério da Luz", sendo criada a Acempro (Associação Cemitério dos Protestantes), cuja função era cuidar dos interesses administrativos do cemitério por René Vanorden e Gustavo Knochblauch. Em 1855, o terreno foi desapropriado para a construção da Av. Tiradentes. O restante do terreno foi utilizado para a construção de um novo cemitério”.
“ Em 1856, a Assembléia Legislativa Providencial de São Paulo, aprovou o Primeiro Regulamento para os Cemitérios para a cidade paulista. Com esse ato, houve muitas revoltas por parte das pessoas praticantes do cristianismo, pois já haviam incorporada a ideia dos enterros nas igrejas”.
“ Por força do Ato Institucional do Imperador Dom Pedro II, foi determinada a construção de um cemitério público de uso geral pela população, e o escolhido para tal tarefa, a construção do cemitério, foi o engenheiro alemão Carlos Rath - Carl Friedrich Joseph Rath- nascido em Stuttgart, capital e a maior cidade do estado de Baden-Württemberg, no dia 31 de março de 1802 e falecido em São Paulo no dia 12 de junho de 1876 – considerado o primeiro grande engenheiro da cidade de São Paulo”.





“ Em 1855, o engenheiro Carlos Frederico Rath, que era o administrador do Cemitério dos Protestantes da Luz, sugeriu o Alto da Consolação como o local mais apropriado para o cemitério municipal”.
“ Em 13 de setembro de 1855, os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo, decidem sobre o melhor local para a edificação do novo cemitério a partir de uma memória apresentada por Carlos Frederico Rath, e para fortalecer sua decisão, a Câmara aprovou uma postura proibindo os “enterros dentro das Igrejas, Capelas, Sacristias, Corredores e quaisquer outros lugares no recinto das mesmas, e como ato continuo o Governo da Província de São Paulo ordenou que fosse executado o Regulamento para o cemitério público”.
“ Quando da epidemia de varíola na cidade em 1858, os cadáveres ainda estavam sendo enterrados nas igrejas. O presidente da província ordena então à Câmara Municipal de São Paulo, em 07 de julho de 1858, que novamente proibisse as práticas de enterramento nos templos”, foi um auê geral.
“ Quando da epidemia de varíola na cidade em 1858, os cadáveres ainda estavam sendo enterrados nas igrejas. O presidente da província ordena então à Câmara Municipal de São Paulo, em 07 de julho de 1858, que proibisse as práticas de enterramento nos templos. O Cemitério da Consolação passaria a receber os primeiros cadáveres das vítimas desta epidemia, antes mesmo que as obras do mesmo estivessem concluídas. Assim, no dia 15 de agosto de 1858, quando aconteceu o primeiro sepultamento no cemitério, deu-se por aberto o primeiro cemitério público de São Paulo, o Cemitério da Consolação”.
O Cemitério da Consolação está localizado no distrito da Consolação, entre as Ruas da Consolação, Sergipe, Mato Grosso e Cel. José Eusébio.
Sua entrada principal fica situada na Rua da Consolação, número 1660.



No Cemitério da Consolação estão sepultados o Barão da Bocaina - nascido Francisco de Paula Vicente de Azevedo- fazendeiro, banqueiro, comerciante, e sua esposa a Baronesa da Bocaina- nascida Rosa Bueno Lopes de Oliveira – bisavós da Doutora Thereza Christina Vicente de Azevedo Fontes Garcia, mulher desse autor.
O Dr. Francisco de Paula Vicente de Azevedo, Patrono da Cafeicultura Brasileira, advogado e banqueiro, e sua esposa Dona Cecilia Galvão Vicente de Azevedo (da família Galvão de São Frei Galvão), avós da Doutora Thereza Christina Vicente de Azevedo Fontes Garcia, mulher desse autor.
Advogado Carlos Galvão Vicente de Azevedo pai da Doutora Thereza Christina Vicente de Azevedo Fontes Garcia, mulher desse autor.
Carlos Galvão Vicente de Azevedo Filho irmão da Doutora Thereza Christina Vicente de Azevedo Fontes Garcia, mulher desse autor.

Em 11 de fevereiro de 1864 o novo Cemitério dos Protestantes é inaugurado na Rua Sergipe, número 177, no bairro da Consolação, com fundos para o Cemitério da Consolação e vizinho do Cemitério da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmo. “ Há muitas personalidades ilustres sepultadas nesse cemitério, como Charles Miller, “pai” do futebol no Brasil, o engenheiro alemão Carlos Rath - Carl Friedrich Joseph Rath - considerado o primeiro grande engenheiro da cidade de São Paulo, a celebre Anita Malfatti, pintora, desenhista, gravadora e professora brasileira, entre outros”.
Com fundos para o terreno do Cemitério da Consolação, e vizinho ao Cemitério Protestantes, está o “ Cemitério da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmo, inaugurado em 12 de novembro de 1868 em terreno cedido pela Câmara Municipal a esta irmandade para construção de seu cemitério particular”
O Cemitério da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmo tem sua entrada pela Rua Sergipe 83, no bairro da Consolação.
                                                                  Site http://www.cultura.sp.gov.br/


Com a lotação do Cemitério da Consolação e para “agradar” a Burguesia Emergente da época foi organizado o Cemitério do Araçá, na Estrada do Araçá, hoje Av. Dr. Arnaldo, 666 - Cerqueira César, São Paulo, em 1887, sua área atual é de 222.000 m². Neles estão sepultadas personalidades como o embaixador Assis Chateaubriand (Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, o Chatô) político, jornalista e empresário, membro da Academia Brasileira de Letras, Adib Jatene - médico, Ministro da Saúde, professor, inventor e cientista, Cacilda Becker, atriz e um dos maiores mitos dos palcos nacionais, Nair Bello, atriz e grande humorista brasileira, entre outros.
“ O cemitério abriga o mausoléu da Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde estão enterrados somente policiais que morreram em ação”.
Com uma epidemia de varíola que se abateu sobre a cidade foi organizado em
Santana, distrito de São Paulo, na Zona Norte, ao norte do rio Tietê e compõe com os distritos de Tucuruvi e Mandaqui, o Cemitério de Santana, também, conhecido como Chora Menino, em 1897 com uma área de 38.485 m².
Em 1920, a Prefeitura do Município de São Paulo “ autorizou a aquisição do terreno de propriedade dos Padres Passionistas, no bairro de Pinheiros, para a construção de um cemitério que foi denominado Cemitério São Paulo, ou Necrópole São Paulo.
“ A construção do cemitério ficou a cargo do mestre-de-obras Caetano Antônio Bastianetto e de operários espanhóis, italianos e portugueses, que se converteram nos primeiros moradores do nascente bairro de Vila Madalena”.
Sua inauguração se deu em 1926 e sua localização é a Rua Cardeal Arcoverde, 1250, bairro de Pinheiros.
Neles estão sepultadas personalidades como Victor Brecheret, escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país e autor do Monumento às Bandeiras, sua obra mais célebre, o cineasta Walter Hugo Khouri, o mega empresário José Ermírio de Moraes, Valentim dos Santos Diniz, fundador do Grupo Pão de Açúcar, Salim Farah Maluf, pai de Paulo Maluf, João Dória (João Agripino da Costa Doria Neto pai do prefeito eleito João Doria Junior), o jurista Miguel Reale, o jazigo do general Miguel Costa, comandante da Coluna Prestes, túmulos de combatentes mortos na Revolução Constitucionalista de 1932 e do estudante Dráusio Marcondes de Sousa, um dos símbolos do M.M.D.C. (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), que tornou-se o símbolo da Revolução Constitucionalista iniciada no dia 9 de julho de 1932, entre outros.
Nele estão os restos mortais do jovem Carlos Galvão Vicente de Azevedo Fontes Garcia, carioca, meu filho com a Doutora Thereza Christina Vicente de Azevedo Fontes Garcia.
  
Foi fundado em 20 de maio de 1949, o Cemitério da Vila Formosa, ocupando uma área de 763.175 m².
“Desde a sua inauguração, já foram realizados mais de 1,5 milhão de sepultamentos. É uma necrópole usada, sobretudo, para enterros de pessoas das classes C, D e E”.
Está localizado a Avenida Flôr de Vila Formosa, s/n - Vila Formosa- entre os distritos de Carrão e Vila Formosa, e é considerado o maior da cidade de São Paulo.

Continua...