domingo, 27 de setembro de 2015

Os Judeus, os cristãos-novos, vieram para o Brasil.

Marranos. Pintura de Moshe Maimon (1893) retrata o Sêder de Pessach realizado secretamente em Espanha, à época da Inquisição.

Por essas práticas o Tribunal do Santo Ofício enviado ao Brasil processou, julgou e condenou centenas deles ao confisco dos bens, à hábito perpétuo, cárcere privado, à prisão e por vezes à morte, ainda que diversos deles tiveram a sorte de ser queimados “em estátua”, mediante uma representação, castigo bem menos cruel do que os que foram sentenciados a “queimar em carne”.

Estes cristãos novos foram mais abundantes na Bahia, no Rio de Janeiro, em Pernambuco e Minas Gerais onde se dedicaram à mineração. Seria exaustivo documentar todos os casos a fim de que se pudesse justificar a enorme lista de nomes usados por sefarditas que publicamos nessa edição, e isso fugiria ao escopo desse trabalho.
No entanto, para aqueles que não tiveram oportunidade de conhecer a história dos formadores dessa nação incluímos aqui um trecho de uma dissertação de Anita Novinsky, no momento a mais renomada pesquisadora sobre o passado judaico do Brasil que menciona a condenação de 57 cristãos novos.
“Apesar do estágio inicial em que se encontram as investigações sobre a população cristã-nova em Minas Gerais, podemos dizer que seu número foi relativamente alto, uma vez que incluía também os "assistentes" que residiam no Rio de Janeiro e na Bahia, mas que passavam longos períodos em Minas Gerais. No "Livro dos Culpados", que é a principal fonte para o conhecimento da população cristã-nova no Brasil, encontramos anotados os nomes de todos os cristãos-novos suspeitos, denunciados ou que foram presos.
Nele estão registrados 150 cristãos-novos residentes ou assistentes em Minas Gerais.
O número de cristãos-novos em algumas cidades do Brasil ultrapassou o número de judeus que viviam em Amsterdã no período de sua maior efervescência econômica e cultural.
Mas devemos ter em mente, que somente é possível obter dados demográficos sobre cristãos-novos em determinadas regiões do Brasil, através da contagem daqueles que foram presos pela Inquisição ou a ela denunciados como judaizantes.
O número total será, portanto sempre impreciso, pois a maior parte dos cristãos-novos que vieram para o Brasil não foram presos, e diluíram-se em meio a população brasileira.
Em Minas Gerais arrolamos, até o presente, aproximadamente 500 cristãos-novos entre denunciados e presos.

Lista de Sobrenomes Judaico Sefarditas de Luso-brasileiros:

Analisando apenas 57 condenados de Minas Gerais temos o seguinte quadro: Os maiores números de prisões de cristãos-novos foram feitas nos anos de grande produção aurífera 1728, 1729, 1730, 1732 e 1734, sendo seu número mais alto em 1728 e 1729, com 8 prisioneiros cada ano.
No Brasil foram queimados 21cristãos-novos (2 em estátua e 19 em carne). Entre os queimados em carne, 8 residiam ou "assistiam" em Minas Gerais, isto é aproximadamente 42%.
Dos prisioneiros do Brasil somente os acusados de judaísmo receberam como sentença a pena de morte.
Foram queimados "em carne" em Minas Gerais:
1) Miguel Mendonça Valadolid 1731,
 2) Diogo Corrêa do Valle 1732,
3) Luís Miguel Corrêa 1732,
4) Domingos Nunes 1732,
5) Manoel da Costa Ribeiro 1737,
6) Luís Mendes de Sá 1739,
7) Martinho da Cunha Oliveira 1747,
8) João Henriques 1748”
(Ser marrano em Minas Colonial, Anita Novinsky Universidade de São Paulo, Revista Brasileira de História)
Nota-se nessa pequena lista, só pelos nomes dos oito condenados que Mendonça, Valadolid, Corrêa, Valle, Miguel, Nunes, Costa, Ribeiro, Mendes, Sá, Cunha, Oliveira e Henriques figuram entre os “cristãos novos” judeus condenados à morte por judaísmo e evidenciam que a presença de um desses nomes numa família pode indicar um passado judaico nas gerações anteriores.
No entanto, noutro de seus livros fartamente documentado:
“Os Cristãos Novos na Bahia, ” (Editora Perspectiva, 1972) Anita Novinsky publica num apêndice de 9 páginas uma lista que inclui dezenas de outros sobrenomes que incluímos aqui apenas para que o leitor se dê por conta da plausibilidade da presente lista já que os sobrenomes usados por judeus sefarditas é ainda muito mais vasto do que aqueles citados em documentos de terra, anais da inquisição, atas de batismo ou sepultamento em cemitérios paroquiais.
Os judeus se misturaram de tal forma na sociedade luso-brasileira que como dizia um rabino, a grande pergunta num país como o Brasil e em seus vizinhos sul americanos não é quem descende de judeu, mas quem não descende.

Apesar disso ai vai nossa lista publicada pela investigadora do passado judaico brasileiro Anita Novinsky cujas obras recomendo efusivamente: Abrantes, Afonseca, Aguiar, Aguirre, Aires, Albuquerque, Almeida, Alvarez, Antunes, Araújo Azevedo, Balão, Barbosa, Batista, Bayão, Bitencor, Botelho, Bragança, Brandão, Bravo, Burgos, Brito, Cação, Caldeira, Campos, Castro, Cordeira, Cardoso, Carvalho, Castanho, Chaves, Cirne, Correa, Correia, Costa, Diamante, Dias, Dinis, Duarte, Evora, Faria, Faya, Fernandes, Ferreira, Floriano, Fonseca, Fontes, Francisco, Franco, Freire, Freitas, Gama, Garcia, Girão, Gois, Gonçalves, Gomes, Gusmão, Henriques, Homem, Leão, Lemos, Lobão, Lopes, Machado, Manso, Marques, Martins, Matos, Maya, Medeiros, Mendes, Menezes, Mentola, Mesa, Miplata, Miranda, Moniz, Moraes, Morão, Moreno, Muacho, Navarro, Nunes, Oliveira, Pacheca, Pais, Paiva, Pantaleão, Paredes, Pereira, Peres, Pessoa, Pimentel, Pinheira, Pinto, Pires, Quaresma, Rego, Ribeira, Ribeiro, Rodrigues, Roseiro, Sabona, Sanches, Saraiva, Sarzedo, Serra, Serrão, Silva, Simões, Soares, Teles, Teixeira, Thomas, Tinoco, Ulhoa, Vasconcelos, Vaz, Veigas, Velho, Vicente, Velloso.
Claro que toda essa lista é só o começo.
Se existe um país no mundo onde imperam nomes usados comprovadamente por judeus, esse país é o Brasil.
Isso pode ser facilmente constatável tomando-se os sobrenomes sefarditas mais conhecidos e confrontando-a com uma lista telefônica de qualquer estado ou região do Brasil.
Alertamos para o fato de que possuir um nome usado por judeus sefarditas ou por marranos (cristãos novos) não significa automaticamente que haja um passado judaico na família, mas isso é uma evidência que não pode ser descartada e que deve ser usada por aqueles que amam a restauração.
A lista que inclui centenas de nomes muito mais que comuns no Brasil deve ser vista como um instrumento que se junta na pesquisa a sua ancestralidade a outros dados como costumes, traços culturais, tradições e evidência de cripto-judaísmo conservadas no passado.

Só para ter uma ideia de quantos luso-brasileiros são descendentes de Israel é bom que se saiba que em 1492, entre 120 e 150 mil judeus espanhóis expulsos pelos reis católicos foram para Portugal e se juntaram aos mais de 100 mil judeus portugueses numa época em que Portugal tinha 1 milhão de habitantes. Sob pressão da Espanha o Rei de Portugal ordenou a conversão em massa dos judeus que não tendo para onde ir se resignaram ao catolicismo. Eles passaram a ser os “cristãos novos”.
 Convertidos à força de um decreto eles passaram a viver o judaísmo escondido, que no Brasil nem foi tão escondido assim, pelo menos até à chegada das visitações do Tribunal do Santo Ofício que servia à mais abominável das práticas, o de caçar bruxas, feiticeiros e hereges, mas sobretudo e principalmente judeus, os “assassinos de deus”.

Edições Comunidade de Israel www.comunidadedeisrael.com.br