segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Dona Isabel uma princesa sem estofo dinástico


Isabel a burguesa esposa, mãe, sogra e avó. 



Significado de Estofo - s.m. [Figurado] Disposições favoráveis, valor pessoal, caráter: pode-se confiar, é gente de bom estofo.

Eu costumo afirmar que a Princesa Imperial Dona Isabel não tinha estofo para ser Imperatriz do Brasil, um pais de dimensões continentais e sempre complexo economicamente- socialmente- politicamente.
Não possuía ela, como seu pai , o Imperador Dom Pedro II,  também não o tinha, o Senso de Dinastia que norteou a seu bisavô, Dom João VI, que migrou para o Brasil para salva-la, nem de seu avô, Dom Pedro I&IV, que deixou no Império recém independente um filho aqui nascido, e voltou para Portugal para recuperar o Trono de uma filha que por ele foi elevada, graças a sua abdicação, à condição de Rainha de Portugal e Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc....
Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon nasceu para ter a condição na qual morreu, ou seja, mulher de um Conde, mãe e avó no mais pleno estilo burguês do século XIX.
Nada mais, nada menos.
Além do que é carola, muito assídua à igreja. (Sin.: papa-hóstias, papa-missas, papa-santos, misseiro.).
Lendo sobre Gaspar da Silveira Martins, nascido no Departamento de Cerro Largo, 5 de agosto de 1835 e falecido em Montevidéu, 23 de julho de 1901, que foi deputado provincial, deputado geral, Presidente da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, ministro da Fazenda e senador do Império do Brasil de 1880 a 1889, descobri essa perola sobre Sua Alteza Imperial, a Princesa Imperial e Condessa d’Eu.
“ Com a deposição de D. Pedro II Silveira Martins parte para um exílio na Europa. Por ser declaradamente monarquista, participou de reuniões com outros brasileiros que tinham por objetivo restaurar a monarquia parlamentarista no Brasil. Numa delas, insistiu em vão para que D. Pedro II retornasse ao país, após o marechal Deodoro ter fechado o Congresso Nacional. Em seguida, propôs à princesa Isabel que permitisse aos militares ligados à Revolta da Armada levarem seu filho mais velho, D. Pedro, príncipe do Grão-Pará, para ser aclamado D. Pedro III. Ouviu da princesa que "antes de tudo era católica, e, como tal, não poderia deixar aos brasileiros a educação do filho, cuja alma tinha de salvar" (CARVALHO, José Murilo de. D. Pedro II. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. Pg. 236). Indignado, Silveira Martins respondeu: "então, senhora, seu destino é o convento”. ”
Destaco: "então, senhora, seu destino é o convento", não foi, mas foi quase isso.  
Um “ indignado Silveira Martins” foi quem respondeu aquela que jamais em tempo algum demostrou ter o Senso de Dinastia que caracterizava as Dinastias as quais pertencia por nascimento, JAMAIS.
Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon foi sem sombra de dúvida uma vergonha para as Casas de Bourbon, de Bragança, de Habsburgo, uma vergonha para seus avoengos Reais e Imperiais da Dinastia Capeto.
Sabendo que o Brasil estava em polvorosa agiu como um simples burguesa francesa e ao contrário de seu avô Pedro I negou seu filho mais velho a Nação Brasileira.
Inadmissível o que "antes de tudo era católica, e, como tal, não poderia deixar aos brasileiros a educação do filho, cuja alma tinha de salvar" e só por isso deveria ser colocada a margem da História da Nação que sua avó, Dona Leopoldina de Habsburgo, ajudou a fundar.
Dona Isabel morreu no Château d'Eu, em Eu, uma comuna francesa situada no departamento do Sena Marítimo, na região da Alta Normandia, e vila da qual o Título condal de seu marido derivava, em 14 de novembro de 1921 sem nunca ter retornado ao Brasil natal.
Não fez falta.
Apesar dessa verdade histórica o Presidente Getúlio Vargas repatriou seus restos mortais em 1953, restos mortais esses que estão sepultados na Catedral de São Pedro de Alcântara em Petrópolis ao lado do marido, Gaston, Conde d’Eu, do Imperador Dom Pedro II e de Dona Teresa Cristina, essa sim uma napolitana que amou de verdade o Brasil.
E tenho dito.
Jorge Eduardo Garcia

São Paulo 05 de setembro de 2016