terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Kananga do Japão na nossa Praça 11 tão querida na masemba, virou lundum, que virou maxixe, donde nasceu o SAMBA - 4

https://youtu.be/dcVpL-aBR0g podemos encontrar o chorinho KANANGA DO JAPÃO de autoria de Sinhô (José Barbosa da Silva), que foi pianista da Casa, que o pia – não consigo saber o nome- sei que era pintor, ajudou a fundar. Postado por Luciano Hortencio

Segundo consta: A primeira gafieira brasileira, segundo o pesquisador Agostinho Sei-xas, surgiu no séc. XIX e foi instalada à rua da Alfândega, 327, centro do Rio de Janeiro, por D. Francisca Pacheco da Silva. Chamada de “Sala de Danças”, tinha entrada paga à porta e funcionou de 1847 a 1878.
De Elton Medeiros , no Rio de Janeiro, verão de 2005.

No mesmo artigo:
“Como aquela, outras “salas de danças” permaneceram até mesmo depois do aparecimento do maior recreativista de todos os tempos, o criativo Júlio Simões – fundador e proprietário do Kananga do Japão, em 1914 e do Elite Clube em 1930, este ainda hoje existente na Praça da República.
Mas se Júlio Simões imprimiu àqueles bailes de entrada paga – mais tarde chamados de gafieira pelo jornalista Romeu Areda – características como comportamento, trajes, tipo de conjunto musical etc, foi o músico Raul de Barros o responsável pela reformulação desses redutos, fazendo com que surgissem as médias e grandes orquestras e, com elas, um salto de qualidade nos arranjos musicais e uma imensa variedade de gêneros no repertório”.


Esse senhor acima citado escreveu em 1 de outubro de 2010, no INTERLIGEO - http://aiml.blogspot.com.br/2010/10/do-elite-do-julio.html, o seguinte artigo intitulado “ Do Elite do Júlio” que versava
sobre os clubes de danças do Rio de Janeiro, vamos a ele:

Do Elite do Júlio
Há alguns anos minha avó dizia que a novela de Tzuka Yamazaki na TV Manchete, Kananga do Japão, tinha muita coisa errada conforme o testemunho da época que ela dava. No começo da novela parecia mesmo que a coisa ia para uma direção do tipo "Malandros, Perus e Bacanaços" de João Antônio, mas com o tempo os personagens se humanizaram e, então, minha avó já quase no fim da novela dizia com satisfação: "esses personagens existiram mesmo!"
“ Talvez esse testemunho não tivesse valia se minha avó, Zulmira Simões Ciconha, não fosse filha de Julio Simões. Sim, o célebre Julio Simões que fundou a Kananga do Japão e depois o Elite Club”.
“ [ seu Julio] Nascido em Buenos Aires e registrado no Brasil, filho de imigrantes italianos, trajava-se de maneira impecável com ternos brancos de puro linho e suas gravatas de pura seda”.
“A Sociedade Familiar Dançante e Carnavalesca Kananga do Japão fora criada a partir de um rancho carnavalesco, em 1911, na Praça Onze”.
"A Kananga acolheu em suas festas músicos populares muito conhecidos na época, como Sinhô (José Barbosa da Silva), também chamado de Rei do Samba, J. Bulhões, Manuel da Harmonia, Pixinguinha e João da Baiana, que fora o seu diretor de harmonia na fase de rancho”.
“Foi lá que Júlio Simões se inspirou para criar, em 1930, a primeira gafieira do Brasil, a Elite, no Campo de Santana”.
“Conhecimento não lhe faltava, pois, durante muitos anos, Júlio desempenhara a função de fiscal de salão da Kananga”.
“ Como todas as instituições populares do gênero, a Kananga do Japão tinha o seu padroeiro: São Jorge, o santo predileto das camadas mais baixas da população carioca. O seu dia, 23 de abril, era comemorado pela casa desde as primeiras horas da manhã, quando a imagem do santo era retirada do salão e conduzida para a igreja de São Jorge, a cerca de um quilômetro de distância”.
“ Em 1926, a madrinha foi Elisete Cardoso, que teve de contar com a ajuda de outras pessoas, pois a imagem tinha quase o dobro de seu peso. Após a missa, todos voltaram para a sede da Kananga, onde almoçaram e lá permaneceram toda a tarde em clima de festa." Assim Sérgio Cabral descreve no livro "No Tempo da Tia Ciata", essa época de inícios”.
Na época da novela da TV Manchete se falou muito no pai do grande historiador do carnaval, critico, ator, escritor, produtor, sambista da Velha Guarda, o sempre jovial Haroldo Costa (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1930), em relação a Kananga do Japão, mas agora não consigo descobrir o porquê, de que se tratava.
Mas, fica aqui o registro de uma Agremiação na nossa Praça 11 tão querida, a
Kananga do Japão

Jorge Eduardo Fontes Garcia

São Paulo, 27/01/2016