terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Cometer esse ato de racismo? EU NÃO. Autor Jorge Eduardo Fontes Garcia



Cometer esse ato de racismo?
EU NÃO.

OBRIGADO MEU POVO POR OU PELO:
"Berimbau" vem de mbirimbau.
"Bunda" vem de mbunda.
"Cachimbo" vem de kixima, palavra que também originou "cacimba".
"Caçula" vem de kasule.  
"Cacunda" vem de kakunda. "
Cafuné" vem de kifunate, "torcedura".
"Calango" vem de kalanga.
"Camundongo" vem de kamundong.
"Canjica" vem de kanjika.
"Capanga" vem de kappanga.
"Carimbo" vem de kirimbu, "marca".
"Caxinguelê" vem de kaxinjiang'elê, "rato de palmeira".
"Cochilar" vem de kukoxila.
"Curinga" vem de kuringa, "matar".
"Dendê" vem de ndénde, "palmeira".
"Farofa" vem de falofa.
"Fubá" vem de fuba.
"Ganja" (no sentido de "vaidade") vem de nganji.
"Ganzá" vem de nganza, "cabaça".
"Jiló" vem de njilu.
"Macumba" vem de ma´kumba.
 "Marimba" vem de marimba.
"Marimbondo" vem de ma (prefixo de plural) + rimbondo, "vespa".
"Maxixe" vem de maxi'xi.
"Mocambo" vem de mu´kambu, "cumeeira".
"Molambo" vem de mu´lambu, "pano".
"Moleque" vem de mu´leke, que significa "menino".
"Moqueca" vem de mu´keka.
"Muamba" vem de mu´hamba, "carga".
"Mucama" vem de mu´kama, "amásia escrava".
"Mugunzá" vem de mu´kunza, "milho cozido".
"Murundu" vem de mulun'du.
"Muxiba" vem de mu´xiba, "nervo, veia".
"Quiba" e "quibas" vêm de kiba, "pele, couro".
"Quenga" vem kienga, "tacho".
 "Quibebe" vem de kibebe.
""Quilombo" vem de kilombo, "povoação".
"Quitanda" vem de kitanda, "feira".
"Quitute" vem de kitutu, "indigestão". "Samba" vem de semba, "umbigada". "Senzala" vem de sanzala.
"Tanga" vem de tanga, "pano".
"Tungar" vem de tunga, "madeira, pancada".
"Tutu" vem de ki´tutu.
"Umbanda" vem de umbanda, "magia".
"Xingar" vem de kuxinga, "injuriar".
Muitos alimentos cultivados e consumidos pelas populações bantas se incorporaram à alimentação cotidiana da população brasileira, como o jiló, a melancia, o maxixe, a galinha d'angola, o quiabo, o azeite de dendê e o feijão-fradinho.
OBRIGADO, MUITO OBRIGADO.

Sou adepto do ‘relativismo cético’, portanto para mim não existe uma verdade absoluta.
Contudo creio que “ todo ponto de vista é válido”, o que dá base para o dilatado popular “a Verdade tem dois lados”, o que é um fato.
Creio que a verdade é relativa, já que alguns fatos podem ter sido verdade no passado, não serem mais verdade no presente, nem tão pouco verdade no futuro, isso vai depender do contexto histórico da Humanidade.
Por isso, essas Comissões da Verdade instaladas no Brasil não me são simpáticas, não me descem goela abaixo.
“A escravidão é cancro mortal que ameaça os fundamentos da nação". José Bonifácio de Andrada e Silva, e eu concordo plenamente com essa afirmação feita nos primórdios da Nação Brasileira pelo Patriarca da Independência, em época da realização da primeira Assembleia Constituinte do Brasil foi instalada em 3 de maio de 1823.
Dito isso quero comentar um ato da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, instalada na OAB de Brasília.
O relatório final “sugere que Brasil reconheça crime de escravidão, e que se faça um pedido oficial de desculpas aos negros”.
Não satisfeitos cobraram do Vaticano, do Papa Francisco, “ a possibilidade de se redimir do silêncio cúmplice, que até hoje a Santa Igreja tem ostentado em relação ao tráfico negreiro, no qual a Igreja de Roma se envolveu de corpo e alma"
Isso só pode ser obra de quem não tem o que fazer.
Isso só pode ser obra de quem quer abrir uma brecha para os afrodescendentes pedirem indenizações milionárias a Republica, como aqueles que se disseram prejudicados pelos governos militares no Brasil que vigoraram de 1964 a 1985 e foram exercidos por generais-presidentes, eleitos pelo Congresso nacional pelos então representantes do povo brasileiro escolhidos livremente nas urnas.
Isso é racismo contra os escravos que trabalharam e fizeram dessa Terra de Santa Cruz um país, uma nação, com uma civilização peculiar.
Sim racismo.
Racismo porque está ignorando um ponto fundamental da CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, que é a influência africana para sua formação.
A importância do NEGRO e de sua CULTURA MILENAR na formação de nossa Nação, de nossa cultura multirracial, de nossos hábitos, nossos costumes. 
Daí que...
Pedirmos desculpas porque se somos fruto dessa Civilização Afro-Ocidental?
Uma Civilização peculiar que não tem igual em nenhuma parte desse Mundão de meu Deus.
Apesar dos padres terem tentado boicotar sua formação de todas as maneiras possíveis.
Afinal, em nome da Santa Madre Igreja eles criaram problemas para os negros, bem como para os índios, em nome de sua fé retrógada, aproveitadora, gananciosa, impudica.
Contudo, eles contribuíram, também, para formação de nossa Civilização Afro-Ocidental, sendo responsáveis pela parte caucasiana, pela parte branca, além é claro de sua parte religiosa.
Ignorar a influência e a importância das negras na formação da Família Brasileira não é só racismo, é uma afronta, um acinte, a memória delas, as Nanãs.
E é o que esse relatório está fazendo porque as ignoram, ignoram a sua importância, pois se temos que pedir desculpas a elas, estamos as colocando na condição de uma NADA, de gente sem valor, e o que mais elas tiveram foi valor, começando pelas ‘amas de leite’.
As “ amas de leite’ influenciavam seus “ filhos de amamentação” pelo resto de sua vida e muitas delas passavam a cria-los junto com seus filhos dando a eles uma formação africana, transmitindo conceitos africanos, até religiosos, a ambos, principalmente quando eram mulheres.   
Quantas ‘sinhazinhas’ não pediram as suas negras para fazerem mandigas afim de arrumar aquele namorado?
As histórias familiares estão cheias dessas histórias secretas familiares.
E vice-versa.
Quantos senhores não apelaram para suas negras ou negros para fazerem mandigas afim de salvarem seus negócios comerciais?
As histórias familiares estão cheias dessas histórias secretas familiares.
Como a família é a base da Sociedade, e a influência negra era grande nas famílias brasileiras, mesmo depois da Lei Aurea, logo a lógica nos diz que os negros tiveram grande influência na nossa Formação como Nação, então pedir desculpas porquê? 
Quantos milhares de brasileiros nesses 483 anos de presença africana no Brasil foram a uma benzedeira?
Tomou banhos de ervas para descarrego?
Banhos de descarrego com sal grosso?
Banhos para limpeza espiritual?
Banhos para abrir caminhos?
Banhos para atrair prosperidade?
Banhos para proteção?
Banhos para obter amor?
Quem?
MILHARES DE MILHÕES, homessa...
Quantos milhares de brasileiros nesses 483 anos de presença africana no Brasil comeram comidas de origem negra, de origem africana?
Quem no Brasil não comeu:
Feijoada de feijão preto, acarajé, vatapá, caruru, mungunzá, angu, pamonha, cuscuz, a canjica, canjica, toucinho, carne-seca, farinha de mandioca, com leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, a pimenta malagueta, etc.
Quem?
MILHARES DE MILHÕES, hora essa...
Quem nunca apreciou um bom SAMBA?
Quem?
MILHARES DE MILHÕES, ora bolas...
Quem? Quem? E isso o que significa?
Significa que a cultura negra, africana, é parte de nossa Sociedade, faz parte de nossa Civilização Afro-Ocidental.
Então pedir desculpas porquê?
Não éramos nós, os brasileiros, que caçavam os negros de tribos inimigas na África.
Não éramos nós, os brasileiros, que vendíamos esses prisioneiros aos traficantes, aos negreiros, e trazíamos nos infames navios.
Não fomos nós, os brasileiros, que espalhamos os africanos nas Américas.
Não fomos nós, os brasileiros, que emitimos a Bula Dum diversas , de 18 de junho de 1452, nem tão pouco o Breve apostólico Divino amore communiti, documentos papais, ambos que autorizavam os portugueses a “ conquistar territórios não cristianizados e consignar a escravatura perpétua os sarracenos e pagãos que capturassem”, mas sim Papa Nicolau V, nascido Tommaso Parentucelli, 208º Papa e chefe da Igreja Católica Apostólica Romana.
Não fomos nós, os brasileiros, PORTANTO que provocamos o Holocausto Africano.
Nos, os brasileiros, os MILHARES DE MILHÕES que viveram, e os que hoje vivem, desde 1533 quando Pero de Góis, Capitão-Mor da Costa do Brasil, solicitou, ao Rei, a remessa de 17 negros para a sua capitania de São Tomé (Paraíba do Sul/Macaé), temos muito mais é que agradecer, dizer obrigado, a todos os africanos, e seus descendentes, que aqui aportaram, que aqui viveram, que aqui trabalharam, portanto aos NEGROS EM GERAL, por nossa Sociedade, por nossa Civilização Afro-Ocidental.
Temos que agradecer, sendo filhos de sangue, ou filhos culturais, aos NEGROS EM GERAL, por nossa Sociedade, por nossa Civilização Afro-Ocidental.
Essa é a minha verdade.
Verdade esta que pode ser até contestada.
MAIS....
Pedir desculpas?
Cometer esse ato de racismo?
EU NÃO.


Jorge Eduardo Fontes Garcia

São Paulo 2015/2016