domingo, 10 de janeiro de 2016

Carlota Joaquina - Quarta Parte

Carlota Joaquina, A Megera de Queluz
Uma portadora do “ Sinal da Maldade”
Quarta Parte




Uma explicação que se faz necessária:

Os historiadores afirmam que o senhor Dom João VI conscientemente legitimou como seus alguns dos filhos de Dona Carlota Joaquina, um ato que mais uma vez dá a conhecer ao publico a Grandeza de Caráter, a Grandeza em pleno, da qual era imbuído esse extraordinário Monarca Luso-afro-brasileiro.    
Alguns historiadores brasileiros gostam de chicanar do senhor Dom João VI, passando assim auto atestados de mediocridade e burrice, pois basta ver as Obras que ele fez durante sua permanecia no Rio de Janeiro, tais como:
Imprensa Régia, do Jardim Botânico, do Arsenal de Marinha, da Fábrica de Pólvora, do Corpo de Bombeiros, da Marinha Mercante, da Casa dos Expostos da Junta Vacínica, da Real Sociedade Bahiense dos Homens de Letras, do Instituto Acadêmico das Ciências e das Belas-Artes, da Academia Fluminense das Ciências e Artes, da Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro, da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, da Academia dos Guardas-Marinhas, da Academia Militar, da magnífica Real Biblioteca, do Museu Real, do Teatro Real de São João, além de recrutar solistas de canto de fama internacional e patrocinar os músicos da Capela Real, onde se incluía o padre José Maurício.
Também criou diversas aulas avulsas no Rio, Pernambuco, Bahia e outros lugares, tais como teologia, dogmática e moral; cálculo integral, mecânica, hidrodinâmica, química, aritmética, geometria; francês e inglês; botânica e agricultura, e várias mais.
Patrocinou a vinda da Missão Artística Francesa, que resultou na criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, antecessora da Academia Imperial de Belas Artes, de fundamental importância para a renovação do ensino e produção de arte no Brasil.
Querem mais, ou é pouco.
Seu neto, o decantado Dom Pedro II não nos legou absolutamente nada, nenhuma Instituição de peso para a Nação Brasileira.
Mais é idolatrado por esses historiadores parvenus.
Mais, voltemos a Dona Carlota Joaquina.

Questão da paternidade:

Inúmeras fontes bibliográficas e testemunhos da época sugerem que D. Miguel teria sido fruto de alegadas ligações adúlteras de sua mãe, D. Carlota Joaquina de Bourbon. Segundo estas, o próprio rei D. João VI teria confirmado não ter tido relações sexuais com a sua esposa durante mais de dois anos e meio antes do nascimento de D. Miguel[18] [19] , tempo durante o qual o rei e a rainha terão vivido em guerrilha conjugal, permanente conspiração, e só se encontravam em raras ocasiões oficiais.[20]
Segundo esta teoria, D. Miguel poderia ter sido filho do marquês de Marialva (com quem se assemelhava fisicamente), ou do jardineiro do palácio da rainha, ou de um outro serviçal do Ramalhão (o palácio localizado perto de Sintra, onde D. Carlota Joaquina vivia separada do seu real esposo).[21] [22] Para Raul Brandão, por exemplo, João dos Santos, o cocheiro e jardineiro da Quinta do Ramalhão, seria o pai de D. Maria da Assunção e de D. Ana de Jesus Maria, enquanto o D. Miguel seria o filho do marquês de Marialva.[23] Por seu lado, Alberto Pimentel assegura que "...passa como certo que dos nove filhos que D. Carlota Joaquina dera à luz, apenas os primeiros quatro tiveram por pai D. João VI".[24]
Os defensores desta teoria não conseguem, contudo, explicar o porquê de D. João, se tinha de facto dúvidas quanto à paternidade de D. Miguel, ter reconhecido este último como seu filho. Repudiando D. Miguel, o monarca teria a mais soberana das oportunidades de anular o seu casamento com D. Carlota Joaquina. Se não o fez, é lícito afirmar que não tinha quaisquer dúvidas quanto à paternidade de D. Miguel e que essas dúvidas são fruto de meros mexericos sem base sólida e muito explorados por alguma propaganda pró-liberal e por alguns monárquicos da actualidade que pretendem privar os descendentes de D. Miguel da condição de pretendentes ao trono de Portugal.
Por outro lado, dado que as dúvidas sobre a paternidade de D. Miguel acima referidas têm como base fundamental as memórias de Laura Permon, a mulher do General Junot, onde sobressai uma profunda antipatia pela Corte Portuguesa e por D. Carlota Joaquina, a sua veracidade torna-se mais duvidosa ainda.[25] A duquesa de Abrantes, no entanto, não deixou de sublinhar nas suas "Memórias" a própria "diversidade cómica" da descendência do rei D. João VI: "O que é notável nesta família de Portugal é não haver um único filho parecido com a irmã ou o irmão...". A mulher do General Junot escreveu ainda que o rei Absoluto teve por pai "um moço de estrebaria".[26]
É um facto que, ao longo da História, são inúmeros os casos em que a fidelidade conjugal de reis e rainhas é posta em causa, mas, neste caso específico, esta veracidade torna-se ainda mais remota se atendermos também ao facto de que nenhum dos historiadores liberais de referência do período pós-miguelista (Luz Soriano e Alexandre Herculano) coloca em dúvida a paternidade de D. Miguel, mesmo apesar de terem sido seus inimigos confessos e de inclusivamente terem combatido contra ele durante a Guerra Civil.
Notas e referências:
Ver EDMUNDO, Luiz, A corte de D. João no Rio de Janeiro (1808-1821), volume 1 (de 3), página 239.
Ir para cima ↑ Ver página 211 de DOMINGUES, Mário; Junot em Portugal. Lisboa : Romano Torres, 1972. Declarações de Laura Permon, a mulher do embaixador Junot em Portugal: "Mas o indubitável é que D. Miguel não é filho de D. João VI". "O erário público pagava a um apontador para apontar as datas do acasalamento real, mas ele tinha pouco trabalho. Isso não impedia D. Carlota Joaquina de ter filhos com regularidade e, ao mesmo tempo advogar inocência e dizer que era fiel a D. João VI, gerando assim filhos da Imaculada Conceição. No caso de D. Miguel, havia cerca de 2 anos que D. João VI não acasalava com a sua mãe. Mas uma coisa é saber-se que não era o pai, outra é dizer quem era o pai, porque D. Carlota Joaquina, não era fiel nem ao marido nem aos amantes".
Ir para cima ↑ PEREIRA, Sara Marques (1999), D. Carlota Joaquina e os Espelhos de Clio - Actuação Política e Figurações Historiográficas, Livros Horizonte, Lisboa, 1999, página 53.
Ir para cima ↑ Ver WILCKEN, Patrick, Empire Adrift, páginas 61 e 62.
Ir para cima ↑ Ver Dom Miguel, ses aventures scandaleuses, ses crimes, et son usurpation.... HardPress Publishing (reedição de 2013).
Ir para cima ↑ BRANDÃO, Raul; El-Rei Junot. Lisboa: Livraria Brasileira, 1912. pp 66.
Ir para cima ↑ PIMENTEL, Alberto; A Última Corte do Absolutismo. Lisboa: Livraria Férin, 1893. Pág. 143
Ir para cima ↑ Ver Souvenirs d'une ambassade et d'un séjour en Espagne et en Portugal de 1808 a 1811. - Bruxelas: Société Belge de Librairie, 1838 - 2 v.
Ir para cima ↑ ABRANTES, Duquesa de; Recordações de uma estada em Portugal. Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal, 2008. pp 78.
Ir para cima ↑ Ver Luz Soriano, História da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal, comprehendendo a história diplomática militar e política d'este reino desde 1777 até 1834. - Lisboa: Imprensa Nacional, 1866-1890. - 19 V.

Para sermos práticos e rápidos lancei mão do verbete Miguel I de Portugal, da
Wikipédia, a enciclopédia livre, pois o assunto merece um estudo profundo, uma grande pesquisa de DNA, que não me cabe fazer.

Destaco que não há nenhuma pintura da Família Nuclear de Dom João VI au grand complet, como a família de Carlos IV pintado por Goya,  mas para mim, os filhos de Dona Carlota são filhos de Dom João, e ponto final.


FIM DA QUARTA PARTE