terça-feira, 16 de junho de 2015

A Guerra da Sucessão Espanhola - 1702 - 1714

A Guerra da Sucessão Espanhola
15 de maio de 1702 - 6 de março de 1714

 Carlos II

Carlos II de España, Rey de España, Nápoles, Sicilia y Cerdeña, Duque de Milán, soberano de los Países Bajos y conde de Borgoña, último dos Habsburgos espanhóis, a Casa da Austria, morreu no dia 1 de novembro de 1700, em Madrid, com 38 anos, e sem herdeiros.
Casou duas vezes, com Maria Luísa d'Orleans e Maria Ana de Neuburgo, apesar de nascer “raquítico, quase louco, impotente e com outras doenças como epilepsia - além de possuir o célebre maxilar proeminente dos Habsburgos - uma afecção chamada de prognatismo mandibular - característica da consanguinidade familiar, bem visível nos retratos do Rei, sendo conhecido pelo cognome «el Hechizado» ou “ O enfeitiçado”. Devido a este conjunto de afecções, foi incapaz de gerar qualquer herdeiro”.
Carlos II foi o único filho de Filipe IV, & III, Rei de Espanha e Portugal, com a Arquiduquesa Mariana de Áustria, sua sobrinha, filha de sua irmã Maria Ana d’Austria, e do Imperador Fernando III do Sacro Império Romano Germânico, da Casa de Habsburgo.
Filipe IV & III, Rei de Espanha e Portugal, casou em primeiras núpcias com Isabel de Bourbon, filha mais velha de Henrique IV de França e Maria de Médici, e com ela teve filhos, só sobrevivendo até a idade adulta a Infanta Doña Maria Teresa de Austria, que casou no dia 9 de junho de 1660, na igreja de Saint-Jean-Baptiste de Saint-Jean-de-Luz (cidade fronteira entre Espanha e França), em conformidade com o Tratado dos Pirineus, com Luís XIV, Roi de France et de Navarre, le Roi-Soleil.
Mais, uma vez a consanguinidade familiar atrapalhou a gestação de filhos saudáveis, e dos 6 rebentos, só um chegou à idade adulta, que foi Louis de France, fils de France, Monseigneur, ou le Grand Dauphin – Luís de França, Filho de França, Monsenhor, ou o Grande Delfim.
Grande Delfim nasceu no dia 1 de novembro de 1661, no Château de Fontainebleau, e faleceu em 14 de abril de 1711, com 49 anos, em seu Château de Meudon, localizado em Meudon no departamento de Hauts-de-Seine, bem longe de Versalhes, da Corte e de seu pai, Luís XIV.  
O Grande Delfim, em 7 de março de 1680, casou com Marie Anne Christine Victoire Josèphe Bénédicte Rosalie Pétronille de Bavière, filha de Ferdinand Marie de Wittelsbach, Príncipe - eleitor palatino da Baviera, e de Henrietta Adelaide de Savóia, essa filha de Victor Amadeus I, Duque de Savóia e Príncipe de Piemonte e Christine de France- Cristina di Borbone-Francia, filha de Henrique IV de França e Maria de Medici.
Tiveram quando crianças:
1-      Luís (06 de agosto de 1682 † 18 de fevereiro de 1712), Duque de Borgonha, casado em 1696 Marie-Adelaide de Savóia (1685-1712).
2-      Felipe ou Philippe (19 de dezembro de 1683 † 09 de julho de 1746), Duque de Anjou, que se tornou Rei da Espanha sob o nome de Felipe V e Soberano titular da Holanda espanhola em 1700, casa em 1701 com Marie-Louise Gabriella de Savóia.
3-      Carlos ou Charles (31 de julho de 1686 † 05 de maio de 1714) Duque de Berry, casado em 1710 Louise-Elisabeth d'Orléans (1695-1719).

Nessa nossa “ Conversa” só nos interessa Felipe ou Philippe (19 de dezembro de 1683 † 09 de julho de 1746), Duque de Anjou, que se tornou Rei da Espanha sob o nome de Felipe V e Soberano titular da Holanda espanhola em 1700.
 O Fundador da Casa de Borbón em Espanha.
Carlos II, «el Hechizado» ou “ O enfeitiçado”, aramou uma confusão dos diabos ao escrever em seu Testamento em 3 de outubro de 1700:
La Cláusula 13:
Reconociendo, conforme a diversas consultas de ministro de Estado y Justicia, que la razón en que se funda la renuncia de las señoras doña Ana y doña María Teresa, reinas de Francia, mi tía y mi hermana, a la sucesión de estos reinos, fue evitar el perjuicio de unirse a la Corona de Francia; y reconociendo que, viniendo a cesar este motivo fundamental, subsiste el derecho de la sucesión en el pariente más inmediato, conforme a las leyes de estos Reinos, y que hoy se verifica este caso en el hijo segundo del Delfín de Francia: por tanto, arreglándome a dichas leyes, declaro ser mi sucesor, en caso de que Dios me lleve sin dejar hijos, al Duque de Anjou, hijo segundo del Delfín, y como tal le llamo a la sucesión de todos mis Reinos y dominios, sin excepción de ninguna parte de ellos. Y mando y ordeno a todos mis súbditos y vasallos de todos mis Reinos y señoríos que en el caso referido de que Dios me lleve sin sucesión legítima le tengan y reconozcan por su rey y señor natural, y se le dé luego, y sin la menor dilación, la posesión actual, precediendo el juramento que debe hacer de observar las leyes, fueros y costumbres de dichos mis Reinos y señorío

Tradução Livre da Cláusula 13:
Reconhecendo, de acordo com várias consultas ao Ministro de Estado e Justiça, que a razão na qual se baseou a renúncia das senhoras Dona Ana e Dona Maria Teresa, rainhas da França, minha tia e minha irmã, a sucessão destes reinos, foi evitar o prejuízo deles se unirem a Coroa de França; e reconhecendo que, vindo cessar tal motivo fundamental, subsiste o direito da sucessão no parente mais próximo conforme as Leis destes reinos, e que hoje é o segundo filho do Delfin de França, lançando mão destas dita Leis, eu declaro ser meu sucessor, em caso de que Deus me leve sem deixar filhos, o Duque de Anjou, filho segundo do Delfin, e como tal eu chamo a sucessão de todos os meus reinos e domínios, sem exceção de qualquer parte deles.  E mando e ordeno a todos os meus súditos e vassalos de todos os meus reinos e domínios, no caso do referido de que Deus me leve sem sucessão legitima o tenham e reconheçam por seu rei e senhor natural, e lhe deem logo, sem delongas, a posse atual, procedendo o juramento que se deve fazer de observar as leis, os privilégios e costumes dos meus reinos e domínio.
Tocado em miúdos:
O Rei Carlos II fez um testamento em favor de Filipe de Anjou, neto de Luís XIV de França e de sua irmã, a Infanta Maria Teresa de Áustria, a filha mais velha de Felipe IV. Essa indicação foi apoiada pelo Cardeal Portocarrero.
Carlos II morreu em 1 de novembro de 1700, e a notícia chegou ao Palácio de Versalhes no dia 6 de novembro.
No dia 16 de novembro um alegre Luís XIV aceitou e anunciou os termos do testamento de seu falecido cunhado, o Rei de Espanha.
A partir deste momento os erros se sucedem.




Proclamación de Felipe V como Rey de España en el Palacio de Versalles el 16 de noviembre de 1700.

Mesmo assim, Felipe V da Espanha partiu para Madrid, onde chegou em 22 de janeiro de 1701.


Retrato de Felipe V en 1739.
Rey de España, Nápoles, Sicilia y Cerdeña, duque de Milán y soberano de los Países Bajos
Por Louis-Michel van Loo, pintor francés
Museo del Prado.

Há tensões entre a França e a Espanha, mas grave ainda entre outras potências europeias, que se sentiram, e com razão, ameaçadas com o Grande Poder acumulado nas mãos do Bourbons, de Luís XIV que tratava os negócios da França como um fazendeiro tratava os de sua fazenda, bem como queria tratar os negócios da Europa como negócios de sua família, ignorando os desejos dinásticos de outras Casas Soberanas.  
“ O Sacro Império não reconheceu Felipe d’ Anjou como Rei, e enviou um exército para os territórios espanhóis na Itália, sem uma declaração de guerra”.
“ Em Haia, no 7 de setembro de 1701, a Inglaterra, o Sacro Império Romano e as Províncias Unidas dos Países Baixos, assinaram o Tratado de Haia, no qual “os três países signatários se comprometeram a manter uma política conjunta para impedir a união de França e Espanha sob um único governo, inicialmente por via diplomática e, em caso de guerra, pela força militar, e dar assistência mútua contra possíveis ataques franceses no território de qualquer um dos países signatários”.
“Com o avanço dos acontecimentos, os países da aliança declararam guerra à França e Espanha, em 15 de maio de 1702, e em abril teve início a Guerra de Sucessão Espanhola, que durou até a assinatura do Tratado de Rastatt, assinado em 6 de março de 1714, ponto fim ao Etat belligérant entre as maiores Nações da Europa. ”




Retrato de la Familia de Felipe V
Por Louis-Michel van Loo, pintor francés
en el retrato se observa al Infante Fernando de España (futuro Fernando VI), a su esposa, Bárbara de Braganza, a los reyes Felipe V e Isabel de Farnesio, al Infante Felipe (futuro duque de Parma) con su esposa Luisa Isabel de Borbón, a la Infanta Mariana Victoria de España, al Infante Don Carlos (futuro Carlos III), con su esposa, María Amalia de Sajonia, y a las Infantas María Antonia, María Teresa Rafaela e Isabel.
Museo del Prado, Madrid