quarta-feira, 10 de junho de 2015

MARIE JOSÈPHE ROSE, UNE BELLE CRÉOLE DE MARTINIQUE.

MARIE JOSÈPHE ROSE, UNE BELLE CRÉOLE DE MARTINIQUE.




D'argent, à trois fasces d'azur, chacune chargée de trois flanchis du champ, surmontées de deux soleils de gueules
Honori fidelis
(Fidèle à l’honneur)

La famille des Tascher est une famille de la noblesse française.
Elle apparaît au Moyen Âge, sous le règne de Louis VII le Jeune,
Roi des Francs de 1137 à 1180.
T.L.:
A família de Tascher é uma família de nobreza francesa.
Ela apareceu na Idade Média, durante o reinado de Luís VII, o Jovem,
Rei dos Francos 1137-1180.

Charles de Tascher, écuyer, seigneur de Malassise, um pequeno domínio em Auteuil, no departamento de Oise, Região Picardia, casou com Isabeau des Loges, falecida em 1571, e são considerados os fundadores do Ramo denominado de « La Pagerie ».
E são esses “les Tascher de La Pagerie, já com certo prestigio na França continental (na antiga província do Perche, em Thymerais, em Blaisois, na província de Orleans) vão migrar para a Martinica, no início do século XVIII, para se dedicarem as ricas plantações”.  
Deles nasce Marie Josèphe Rose.


Marie Josèphe Rose

Marie Josèphe Rose de Tascher de la Pagerie, nobre de quatro costados, nasceu em Les Trois-Îlets, com vista para a baía de Fort-de-France, a sudoeste da ilha de Martinica, na península de Diamant, hoje uma comuna francesa, localizada no departamento de Martinica, Região da Martinica, na França insular, em 23 de junho de 1763.
Filha de Joseph-Gaspard de Tascher de La Pagerie, Senhor de La Pagerie, Capitão dos Dragões, Tenente de Les troupes de marine, em sua artilharia, cavaleiro da Ordem de São Luís, um nobre de verdade no Reino de França.
A mãe, Rose Claire des Vergers de Sannois, de uma família antiga e nobre de Brie, que migraram para as colônias no final do reinado de Luís XIV, nasceu em « Petite Guinée », uma vastíssima propriedade com trezentos escravos para a produção de cacau, algodão e cana-de-açúcar, portanto de uma rica e nobre família de plantadores de cacau, de algodão, de cana, senhores de engenho e de escravos.
Dominique des Vergers de Sannois, foi governador de Saint-Christophe em 1644.
A « Petite Guinée » foi destruída por furacões, e a família ficou em dificuldades financeiras.
François de Beauharnais de Beaumont, Chefe do esquadrão das Forças Navais e Governador e Tenente-general do Rei para a Martinica, era amante de Marie Désirée Euphemia (Edmée), a irmã de Joseph-Gaspard Taschers La Pagerie.
Marie Désirée Euphemia (Edmée) se apercebeu que a saúde do amante estava por um fio e resolveu aplicar um golpe, ou seja, propôs o casamento de sua sobrinha, Catherine-Désirée, com o terceiro e mais novo filho do amante moribundo de nome Alexandre François Marie, DITO Visconde de Beauharnais, mas a moçoila morreu antes de sair de Martinica para a França, sendo, então, substituída por sua irmã mais velha, Marie Josèphe Rose.
Saíram da ensolarada e tropical Martinica em outubro de 1779, e o enlace ocorreu em 13 de dezembro de 1779, em Noisy-le-Grand, hoje no departamento de Seine-Saint-Denis, na região Île-de-France.
Alexandre François Marie, DITO Visconde de Beauharnais, era um biltre de marca maior, um marau, um estroina que rapidamente delapidou toda a sua fortuna.
Voltemos um pouquinho no tempo:
Em uma França ainda descentralizada, o Rei, a encarnação do Poder, não possuía um arquivo que funcionasse como um Quem é Quem, o famoso Who is Who (uma publicação onde consta uma biografia sintetizada de uma pessoa, formando um grupo de pessoas notáveis), e com isso falsos nobres pululavam pelo Reino de Luís XIV, o enigmático Rei Sol.
Eu já li sobre o assunto em outros trabalhos, mas como está tão bem escrito no artigo de Monique de Saint Martin - A NOBREZA EM FRANÇA: A tradição como crença – resolvi lança mão de um trecho dele para melhor esclarecer ao meu leitor:

Desde o fim do século XVI, foram instituídos peritos especializados em genealogia e encarregados de estabelecer as provas da nobreza. Luís XIV, assistido por Colbert, mandou que se procedesse às primeiras "grandes pesquisas da nobreza". Ordenou que fosse feito "um catálogo contendo nomes, apelidos, armas, e mansões dos verdadeiros fidalgos" (portaria de 22 de março de 1666). Esse catálogo nunca apareceu sob uma forma centralizada, mas durante mais de três anos foi realizado um imenso trabalho investigativo em diversas regiões pelos intendentes, que passaram por um crivo os títulos de nobreza daqueles que gozavam de privilégios à época reservados aos nobres.
Assim, em Versalhes, foi criado um Gabinete que analisava as provas de nobreza de todos aqueles que além de se dizerem nobres, queriam participar das atividades múltiplas da Corte dos Luíses.


François Marie Alexandre, mais conhecido como Alexandre de Beauharnais

Ora, o primeiro Beauharnais de quem se tem notícias é Guilherme (Guillaume Ier Beauharnais) um comerciante de Orleans, chamado de Senhor de Miramion e de Causeway, que vive como “quase nobre” (C'est un marchand d’Orléans, qualifié de seigneur de Miramion et de la Chaussée, qui vit « presque noblement »).
Bem quem vive “quase nobre” não é nobre.
Segundo consta eram ricos pequenos burgueses, cujo nome mudou de nomenclatura no decorrer dos séculos.
Eles eram originários do Ducado da Bretanha, o Beauharnais (ou Beauharnois) que se estabeleceram no final do século XIV em Orleans.
E por aí vai até chegar em Claude de Beauharnais, Senhor Beaumont e de Villechauve, senhor de Roches-Baritaud, nascido em 1680 e falecido em 1738, é um oficial naval, que terminou sua carreira com o posto de capitão.
Lembro que a grande maioria desses senhorios não passam de uma pequena fazenda com uma Solar de proporções modestas, mas são senhores de terra, afinal, o que lhe dá estofo (ou mesmo só aparência) de pequena nobreza rural. 
Em 11 de maio de 1713, Claude de Beauharnais casa com Renée Hardouineau, filha de Pierre Hardouineau ,  um administrador beneficiário dos campos e bosques do distrito de La Rochelle, e Renée , natural de Le Pays de Beauvillee, com ela têm duas crianças, ambos no futuro, também, vão servir na Marinha Real:
1-      François de Beauharnais;
2-      Claude-Joseph de Beauharnais.

François de Beauharnais é o citado acima, que em 20 de abril de 1752, adquiriu o castelo medieval de La Ferté-Avrain, e o remodelou.
Em 7 de julho de 1764, Luís XV eleva o domínio do Castelo à Marquesado, e autoriza a mudar o nome da localidade para La Ferté-Beauharnais, com isso François de Beauharnais passa a ser o Marques de La Ferté-Beauharnais, além de ostentar o Título de Barão de Beauville.
Em 13 de setembro de 1751, François de Beauharnais casa com Henriette Pyvart de Chastullé, e são pais de 3 filhos, porem o que nos interessa é François Marie Alexandre, mais conhecido como Alexandre de Beauharnais, que, também havia nascido na Martinica, Fort Royal, 28 de maio de 1760, portanto, também, “ un créole martiniquais”, e morreu guilhotinado em Paris em23 de julho de 1794, o marido de Marie Josèphe Rose de Tascher de la Pagerie.
Juntarei mais predicados a Alexandre, ele era invejoso, rancoroso, logo medíocre e incompetente no que fazia.
Não tinha como provar a sua Velha Linhagem de Nobreza – seu pai foi Marques em 1764 – os senhorios apresentados eram insuficientes “ para lhe garantir acesso a Corte de Versalhes, a outra cerimonia que o Rei estava presente, como a caça ao veado, nem tão pouco usar as carruagens reais para ir de Paris a Versalhes, ou vice-versa, um grande privilegio a época”.
Mais, Marie Josèphe Rose de Tascher de la Pagerie, sua esposa, podia, graças a sua Linhagem antiga e provada.
Lembremos que de 1779, ano do casamento, à 1764, ano da Titularidade, só tinham passados 15 anos.
Ele se mordia de ódio por isso.
Alexandre e Marie Josèphe Rose tiveram dois filhos:

1-      Eugène de Beauharnais;

2-      Hortense de Beauharnais.


As brigas e baixarias eram frequentes, as amantes, também, e é claro a falta de dinheiro para o sustento da família, bem com as dívidas volumosas que fazia com que sempre a porta estivesse cheia de credores, pois como sabemos Alexandre era um estroina.
A Abbey Pentemont, da rue de Grenelle, Paris, recebe Marie Josèphe Rose de Beauharnais, enquanto ela implorava a separação de Alexandre de Beauharnais.
Nessa elegante casa de recolhimento Madame de Beauharnais completara sua educação, e entra “em contato com muitas mulheres jovens de alta nobreza, colocadas nessa Abadia por suas famílias”.
Seu sogro, o Marques de La Ferté-Beauharnais em Fontainebleau, onde ela, por direto de nascença, seguirá as caçadas do Rei Luís XVI, e conhece outros membros da Nobreza de Corte que cercavam o Soberano.
Diante de sua premente crise financeira ela retorna a Martinica, com Hortênsia, para ver se tirava leite de pedra.
Em 1789 a Revolução estoura, e ela volta da Martinica para se juntar a Alexandre, que de Deputado da Nobreza pelo Bailiado de Blois, passou a ser Deputado Revolucionário, tanto que “era o Presidente da Assembleia Constituinte durante o Voo do Rei, Le Fuite de Varennes, a fuga de Luís XVI, em 18 de junho de 1791”.
Sem ser reeleito Alexandre voltou ao Exército, ele era militar sem vocação,
Mais, ele que queria tanto ser um nobre, mas não conseguiu provar sua velha linhagem, agora era olhado pelos revolucionários, com quem havia se aliado claramente por despeito e oportunismo, com muita desconfiança por ser um « ci-devant », um termo para um ex-aristocrata, já que a nobreza havia sido abolida por decreto, como se isso fosse possível.
Em 23 de maio de 1793, ele se tornou comandante do Exército do Reno.
Em 23 de julho de 1793, por sua total incompetência a Cidade de Mayence, ou Mainz, depois de ter sido sitiada de 10 de abril até 23 de julho 1793, foi perdida para os exércitos aliados da Primeira Coalizão, composto de prussianos e austríacos.
Le citoyen Beauharnais volta para casa e se torna Prefeito de La Ferté-Beauharnais por seis meses.
Durante o Reinado do Terror, o do Comité de salut public, de Maximiliano de Robespierre, o Incorruptível, e do lunático Saint-Just, foi finalmente preso em janeiro de 1794, e em 2 de março de 1794 foi levado as barras do Tribunal révolutionnaire, o terrível e temível Tribunal Revolucionário de quem ninguém escapava, acusado por ser um « ci-devant » de alta traição, conspiração e cumplicidade com os inimigos do Povo.
“Tava frito”.
Preso na famosa Prison des Carmes, a Prisão dos Carmelitas, instalada durante a Revolução no antigo mosteiro carmelita em Paris, vivia nos braços da última de suas amantes, Delphine de Custine, aquém ele conheceu na prisão, entre arrochos e cenas tórridas, isso bem diante de sua ex-esposa, Marie Josèphe Rose, que havia sido presa, junto com sua amiga Thérésa Cabarrus ( nascida Juana María Teresa de Ignazia Cabarrús y Galabert, em Madrid), na Grande Historia Madame Tallien, “consideradas muito próximas dos círculos financeiros contrarrevolucionário”.
“Em 22 de julho, ele foi condenado à morte, guilhotinado em Paris em 5 de Thermidor Ano II , isso é 23 de julho de 1794, na Place de la Révolution (de hoje Place de la Concorde ) em Paris, apenas cinco dias antes da deposição e execução de Robespierre.
A justiça divina tarda, mas não falha.
Marie Josèphe Rose foi libertada em 6 de agosto de 1794 (19 Thermidor Ano II), através da intervenção de Theresa Cabarrus, apelidada de “ Nossa Senhora de Thermidor “, por sua participação na queda de Robespierre.  
Thérésa Cabarrus, nascida Juana María Teresa de Ignazia Cabarrús y Galabert, em 31 de julho de 1773 em San Pedro Palace em Carabanchel Alto, Madrid, na vibrante Espanha.
Faleceu no dia 15 de janeiro de 1835, aos 62 anos de idade, no Château de Chimay, edifício medieval cuja origem não pôde ser determinada com precisão, localizado no Hainaut, Bélgica, em um promontório rochoso com vista para o vale do rio Eau Blanche.
Filha de François Cabarrus, Conde de Cabarrus e Visconde de Rambouillet, conselheiro do Rei Charles III de Espanha, um financista francês fundador de El Banco Nacional de San Carlos, hoje Banco de España.
Joseph Bonaparte é criado Rei de Espanha por seu irmão, Napoleão, no dia 6 de junho de 1808, e convida François Cabarrus para seu Ministro das Finanças, mas o financista “está sofrendo terrivelmente com frequentes ataques de gota, e acabou morrendo em Sevilha, no dia 27 de abril 1810. José Bonaparte deixou de ser Rei de Espanha em 11 de dezembro de 1813, portanto mais ou menos 3 anos após a morte de Cabarrus.
A mãe de Theresa foi María Antonia Galabert, a filha de negociante francês radicado na Espanha.
Theresa, em 21 de fevereiro de 1788, casou com Jean Jacques Devin de Fontenay, Conde e Marquês de Fontenay, e se divorciaram em 5 de abril de 1793.
Mais, a vida continuou....
Jean-Lambert Tallien, filho de um mordomo do Marquês de Bercy, obteve através da proteção deste último uma educação completa, e se tornou jornalista, depois revolucionário, deputado do Seine-et-Oise à Convenção Nacional, seu Presidente, Membro Comité de salut public, que morreu de lepra, em meio ao desprezo geral, no dia 16 de novembro de 1820, sendo sepultado no Père-Lachaise (divisão 14 e divisão 10).
Estando ele em Bordeaux em missão foi acusado de ser antirrevolucionário, ou o termo que valha, por Jullien de Paris, o que significaria sua “guilhotinação” por ordem do Comité de salut public, de Robespierre.
Nota-se que esse ardoroso “chargeur de la sainte guillotine- alimentador da santa guilhotina” estava em Bordeaux com Thereza Cabarrus.
Volta correndo e se defende com sucesso, mas Robespierre o espreita, e o repreende com mais o menos essas palavras “ Tallien é um daqueles que falam constantemente com horror e publicamente contra a guilhotina, que na ótica deles degrada e prejudica a Convenção Nacional”.
Tallien chama Thereza para o pé de sí, e ela é presa.
Ele sabe que sua cabeça está em risco.
Thereza da prisão o insufla a tomar posição contra Robespierre e seus apoiantes, mandando o seguinte recado « Je meurs d'appartenir à un lâche”, ele endoida.
“A 8 Thermidor na Convenção onde, depois de ter brandido uma adaga em um gesto teatral, ele interrompeu o discurso de Saint-Just e impede a Robespierre de falar. É, portanto, o sinal para o ataque contra os aliados do o Incorruptível”.
8 de Thermidor Ano II (26 de julho de 1794), as vezes 9 Thermidor, corresponde as ações tomadas pelos inimigos do Terror, La Terreur, um período nefasto da Révolution française), implantado por Robespierre, que durou de agosto de 1792 (queda dos girondinos) e 27 de julho de 1794, o dia da prisão de Robespierre e Saint-Just, o mais fanático de seus apoiadores, e mais de uma centena de jacobinos, e que depois foram executados na guilhotina.
Thereza casou com o Tallien em 26 de dezembro de 1794 e teve grande influência durante a Convenção Thermidorian, período da história da Convenção Nacional que vai de27 de julho de 1794 até 26 de outubro de 1795, mas logo o abandonou, se divorciando em 8 de abril de 1802.
Tallien e Teresa têm uma filha, Rose Thermidor Tallien, nascida em Paris, no dia 17 de maio de 1795, e falecida em Nice, Alpes-Maritimes, no dia 25 de abril de 1862, com 66 anos de idade, casada em 8 de abril de 1815 com Claude-Michel-Gaspard-Félix-Jean-Raymond de Narbonne-Pelete, Conde de Narbonne, e que deixou descendência.
Marie Josèphe Rose, viúva de Beauharnais, foi convidada e aceitou para ser madrinha de Rose Thermidor Tallien, e aceitou.
Thereza Cabarrus e Marie Josèphe Rose, livres, leves e soltas, vivem o dia a dia de Paris tão freneticamente como se fosse o ultimo de suas vidas.
Thereza Cabarrus torna-se amante de Paul Barras - Paul François Jean Nicolas, Visconde de Barras, um dos Diretores derrubados por Napoleão em seu golpe de 18 Brumário- de Gabriel-Julien Ouvrard, riquíssimo financista, de quem tem filhos, casou com François Joseph de Riquet de Caraman, conde de Caramam, o decimo sexto Príncipe de Chimay e do Sacro Império sob o nome de Philippe VIII, em 22 de agosto de 1805.
Os Príncipes de Chimay tiveram 4 filhos. Essa Linhagem é representada em nossos dias por Philippe Joseph Marie Jean, vigésimo primeiro e Príncipe de Chimay e do Sacro Império, nascido em 1948.
Os Príncipes de Chimay estão sepultados na cripta da família na Igreja Colegiada de Chimay.
Mais, nem tudo foram flores na vida de Thereza Cabarrus:
Thereza ajuda Napoleão Bonaparte em sua má fase, inclusive lhe fornecendo um uniforme novo, dizendo:
« Eh bien, mon ami, vous les avez eu vos culottes !”, T.L.: “"Bem, meu amigo, você tem sua calcinha!”, um chiste de dublo sentido, se aproveitando da baixa estatura do raquítico general. Ela e os que riram, esqueceram que Napoleone era corso, de uma família de origem italiana, e que jamais esquecia uma ofensa, ou o que ele achava ser uma ofensa. Todos se tornaram seus inimigos, como veremos no caso dela.  
A viúva Beauharnais, estava pobre de Jó, mas “no verão de 1795 ela aluga uma pequena casa na Rue Chantereine, em Paris, que lhe permitirá viver melhor ‘de acordo com sua posição’, e assim ela se torna uma das « reines » du Directoire, período político esse que se caracterizou por sua extravagância e dissipação, em resposta a melancolia generalizada teve o Terror. ”.
A bem da verdade era o Império das “Merveilleuses ("mulheres maravilhosas", equivalente a "divas fabulosas") e dos Incroyables ("Incríveis"), os homens que, também, seguiam estritamente a moda de ocasião, e “eram " novos ricos ", agora membros das novas classes dominantes, mas que influenciavam a política, as roupas, as artes, enfim todos os setores da sociedade naquele período”.
“Eles começaram a usar roupas de um superexagero cômico, mas tão luxuosas como as que tinham sido usada pela Nobreza antes da Revolução de 1789”.


Incroyables ("Incríveis")

As Merveilleuses, exagerando o estilo grego, se vestiam com batas soltas – uma espécie de chiton-, diáfanas, feitas de gaze, ou de outro tecido finíssimo, flottant, ou « air tissu », transparentes, e o mais possível colado ao corpo pelado, "naked" totalmente sem disfarce.  A vezes usava, um "himation", colocado por cima dos ombros como um xale.
Nos pés, les cothurnes, que nada mais são do que botas formadas de tiras de couro ou de outro material entrelaçadas, que podiam ser enfeitas por perolas ou outros bijus.
Muitas andavam descalças, como Theresa Tallien, mas essa adornava seus dedos dos pés com anéis de pedras de grande valor, e aros de ouro nas pernas.
A belíssima Madame Récamier, retratada por Jacques-Louis David, em 1800, um quadro que hoje está no Musée du Louvre, está vestida com uma túnica branca como era usada pelas mulheres na Antiguidade, cabelo curto, encaracolado está cingido com uma fita larga, é com os pés descalços. Ela está reclinada em um banco, sem encosto, que tem duas extremidades da mesma altura, e que passou para a História do Mobiliário como Récamier ou Récamière.
Na cabeça adornos com fitas e plumas de penas de avestruz, mas “as vezes, grandes perucas loiras, chapéus enormes, ou simplesmente cabelos encrespados e curtos”.
L’ Incroyables usavam “calças colantes, coletes extremamente curtos, feitos de tecido floridos, um fraque cujas abas traseiras atingiam as panturrilhas, ou paravam nas dobras dos joelhos, mangas longas que escondiam as mãos, lapelas grandes, um enorme lenço ao redor do pescoço que cobria o queixo e boca. Dois relógios. Os cabelos eram cortados para ficarem sempre desgrenhados.  Um horror, pois não???


"Senhoras parisienses em seu vestido completo para o inverno 1800",
Caricatura exagerada satírica de Isaac Cruikshank,
Pintor escocês e cartunista
Ela revela os excessos do final dos anos 1790, o famoso olhar grego em Paris, e os estilos demasiadamente diáfanos, não usado nada por baixo.

Marie Josèphe Rose se torna adepta dessa moda como podemos ver na cópia da gravura abaixo, onde estão ela, Napoleão ( na moda) e Thereza Tallien: 


 Ela se torna amante de Barras, que para se livrar dela apresenta ao General Bonaparte, em um jantar na sua residência, no dia 15 de outubro de 1795.
As forças do destino interferem e Marie Josèphe Rose vê naquele semblante atormentado a Chama da Gloria.
Napoleone é um tosco.
Destituído de qualquer tipo de educação social, truculento, ciumento, mas se mostra carinhoso com ela e com os filhos.
Muda seu nome para Joséphine, e é com ele que essa notável mulher vai entrar para Grande História da Humanidade.