sexta-feira, 12 de junho de 2015

Joséphine Bonaparte Impératrice des Français.



Joséphine Bonaparte
Impératrice des Français
De 18 de maio de 1804 até 16 de dezembro de 1809
5 anos, 6 meses e 28 dias
Reine d'Italie
De 17 de março de 1805 até 16 de dezembro de 1809
4 anos, 8 meses e 29 dias
Duchesse de Navarre
De 8 de abril de 1810 até 29 de maio de 1814
4 anos, 1 mês e 21 dias

A famosa Coroação:



  
Le Sacre de Napoléon (titre complet Sacre de l'empereur Napoléon Ier et couronnement de l'impératrice Joséphine dans la cathédrale Notre-Dame de Paris, le 2 décembre 1804)

Acima o quadro pintado por Jacques-Louis David, o pintor oficial de Napoleão, que não retrata o que aconteceu realmente.
“A cena pintada tenta retratar o que se passou em 2 de dezembro de 1804, na Catedral de Notre-Dame de Paris, lembrando que a Sagração e Coroação dos Reis de França eram realizadas na Catedral de Reims”.
“ A pintura foi encomendada por Napoleão em 1 de setembro de 1804 e David começou a sua realização 21 de dezembro de 1805 na antiga capela do Colégio Cluny, perto da Sorbonne. Ajudado por seu pupilo Georges Rouget, ele coloca os últimos retoques em novembro de 1807”.
“ David foi muitas vezes orientado por Jean-Baptiste Isabey, que organizou a Cerimonia de Sagração de Napoleão”.
A Catedral de Notre Dame de Paris estava em obras por causa das profanações ocorridas durante o período revolucionário, já que ela foi transformada em “ Templo da Razão” - “ grande parte das esculturas foram martelados até a sua destruição. Eles ainda substituíram a Virgem Maria em vários altares com imagens representando a Razão e ou a Liberdade. Durante este período, a catedral acabou se tornando uma loja de alimentos” -  obras essas que não ficaram prontas para a cerimônia, e os diversos decoradores de Napoleão trabalharam colocados tapumes, metros e metros de tecidos, para esconde-las dos presentes. Poeira e mais poeira no interior.
Mais, se dentro estava implantado o caos, por fora estava pior ainda:
Outro caos, ou seja, lama e mais lama em frente do Templo.
As rodas das carruagens imperais com dificuldade de transitar na lama.
Bainhas dos vestidos e sapatos com fivelas de ouro enlameados.
Um templo, abafado pelos panos e pela poeira da obra, lotado com os membros da novíssima Corte Imperial, todos ataviados em cetim, veludos, plumas, doirados e semiconfusos 
Lembremos que a maioria era oriunda das classes menos favorecidas dos Reinados dos Luíses, e não tinha a menor noção de higiene, muitos deles nunca tinha tomado um banho completo como hoje tomamos, tapeavam esfregando paninhos, os chamados popularmente de "tissus fesse - paninhos de bunda”.
Suavam, transpiravam, fediam, tanto ou mais do que os membros da Corte de Luís XIV.
Destaco que Letizia Buonaparte obrigava seus filhos desde pequeninos a tomar banhos diárias, quando na época o máximo que se tomava banho era uma vez por semana.
Os Buonapartes eram limpinhos. 
O cheiro de muitos perfumes fortes misturados se torna um grande fedor, e foi o que aconteceu, o ambiente fedia.
Isso sem falar do fedor que vinha de fora, pois Paris ainda era uma cidade medieval.
Nem Napoleão III, nem o Barão de Haussmann, haviam sido ainda projetados.
E isso fez com que a famosa Coroação fosse na realidade um...
... verdadeiro frege.
Todavia, David conhecia o seu patrono e deu o máximo de si.  

Marie-Laetitia Ramolino Bonaparte ou Letícia Bonaparte

Letizia Buonaparte, née Maria-Letizia Ramolino, não foi:
“Altesse impériale” em 23 de março de 1805, « Madame Mère de Sa Majesté Impériale l'empereur », ou simplesmente, « Madame Mère », não compareceu à cerimônia de coroação”.
Mulher simples, austera, profundamente religiosa, sem educação formal, na mocidade politicamente engajada na independência da Córsega da França, não apreciava muito o que estava acontecendo com sua Família.
Para ela era muita honra, muita gloria muito poder, e não concordava com o luxo em que eles viviam e os gastos de sua nora Joséphine.
Vivia longe da Corte, em um castelo em Pont-sur-Seine, hoje no departamento de Aube, região de Champagne-Ardenne, destruída por tropas prussianas durante a campanha da França em 1814.
Quando ia a Paris fica no L'hôtel de Brienne, requisitado e reformado por Luciano Bonaparte para ser « le palais de Madame, mère de l'Empereur ». Localizado no 14 da Rue Saint-Dominique, no 7 º arrondissement de Paris, que abriga hoje o Ministério da Defesa.
Letizia Buonaparte, mulher prática, soube vender bem os seus castelos, bem como os bens da Família, fato ocorrido até por força dos Tratados (traités de Chaumont, Fontainebleau et Chatillon sur Seine) pós derrota napoleônica, quando Napoleão estava em Elba, e ela era chama de “La mère du souverain de l'Ile d'Elbe".
Ela era tão realista que ante as vitórias do filho, os Títulos e domínios dos outros filhos, cunhou a frase
“Tanto che dura! ”.
Em francês: « Pourvu que ça dure! »
Morreu de velhice, em Roma, sob a proteção do Papado, em companhia de seu meio-irmão, Joseph cardeal Fesch, Cardinal de l’Église catholique, Cardinal-prêtre de S. Lorenzo in Lucina, Cardinal-prêtre de S. Maria della Vittoria, Primat des Gaules de 1802 até 1839, em 2 de fevereiro de 1836, com 85 anos. Seus restos mortais serão transferidos para Ajaccio em 1851, para a Capela Imperial em 1860 sob as ordens de Napoleão III, o seu neto.
Voltando ao Quadro:
Donna Letizia teve outro motivo para não comparecer:
“Joseph Bonaparte, seu filho, não foi convidado e não compareceu por causa de uma discussão com Napoleão. Somente após a coroação, foi que ele recebeu o título de Príncipe Imperial, o que prova que ela era muito mais uma mamma italiana do que uma mère à la française ”.
Mais, o tempestuoso Napoleão obrigou o pintor a colocar Letizia em um lugar de destaque na pintura, no centro do quadro, com um foco de luz que torna impossível não notar sua presença. O próprio pintor relatou em cartas que Napoleão teria dito algo como “Como explicar para a história que o homem que colocou a Europa de joelhos não conseguiu convencer sua mãe a estar presente em sua coroação? ”. ”
A participação do Papa Pio VII na Coroação:
“Ao longo da cerimônia, muitos que estiveram presentes relataram que o Papa sequer abençoou a coroação”. “Ele teria ficado imóvel, como uma estátua a presenciar algo que sua imobilidade reprovava de forma explícita”.
“Contrariando a tradição, Napoleão não permitiu que o Papa o coroasse”.
“Pretendendo deixar claro quem era o Poder na França, Poder esse por ele conquistado pelas armas e não doando por ninguém, muito menos pela Igreja, pelo Papa tradicionalmente o “Fazedor dos Reis”, Napoleão se coroou e, após isso, coroou a Imperatriz Joséphine”.
“No quadro, o pintor Jaques-Louis David deixa evidente a insatisfação do Papa, nítida em sua expressão facial”. “Contudo, por ordem do próprio Napoleão, Jacques-Louis alterou um detalhe. Ao ver o primeiro esboço do quadro, Napoleão notou que o papa tinha suas duas mãos depositadas sobre suas pernas. Napoleão então teria pedido ao pintor que colocasse o Papa fazendo algo para que sua imagem não ficasse totalmente inútil para a história.




O esboço original de Jacque-Louis David para o Papa mantido no Louvre ”.

O que importa para nos dessa transcrição é que “...Napoleão se coroou e, após isso, coroou a Imperatriz Joséphine”.
Entretanto, eles não eram casados no religioso, como poderiam, então, se Sagrados e Coroados, apesar do Império ter vindo pelas mãos do Senado, Le Sénat conservateur?
Coroa Imperial essa que Joséphine implorou a Napoleão que não aceitasse - « Je t'en prie, Napoléon, ne te fais pas roi ! » - pois ela sabia que o Reis, os das velhas Dinastia, iam tomar como afronta essa elevação a um Trono Imperial de um membro da pequena nobreza da Córsega, um general da Revolução Francesa que havia decapitado dois deles – Luís XVI e Maria Antonieta, um Bourbon Capeto e uma Habsburgo – e não iam dar trégua a ele até vê-lo completamente derrotado, que não dariam paz as famílias dos cidadãos da Velha França, sempre inimiga, sempre perigosa, que já haviam perdido muitos de seus filhos na juventude, no tempo mais bonito da vida, na verdadeira melhor idade.
Ela estava certa, sua visão foi perfeita.
Napoleão se perdeu por orgulho.
Orgulho o pecado de Lúcifer, o motivo de uma Queda



« La chute de Lucifer »
de Gustave Doré
Ilustrador, escritor, cartunista, pintor e escultor francês
Cavaleiro da Legião de Honra (a partir de 13 de agosto de 1861)
Oficial da Legião de Honra (a partir de 15 de janeiro de 1879) século 19.

O Papa Pio VII soube, e o tio Fesch realizou a cerimônia na Capela do Palácio das Tulherias à noite, por volta da meia-noite, do dia 30 de outubro de 1804...e a Coroação foi em 2 de dezembro do mesmo ano.


Papa Pio VII &Le cardinal Fesch

Dizem que Joséphine não queria a Coroa por ser estéril, mas isso é bobagem, pois Napoléon Bonaparte Louis Charles, nascido em 10 de outubro de 1802, seu neto, filho de Luís Bonaparte e Hortênsia de Beauharnais, um irmão e uma filha adotiva de Napoleão, era considerado o Herdeiro do tio, só que faleceu em 5 de maio de 1807, a causa foi “laringotraqueobronquite,  a popular “crupe”, para as crianças uma grave doença respiratória”, e foi só depois dessa morte que a coisa complicou em termos de Herdeiro da Coroa Imperial dos Franceses e a Real da Itália.

Napoléon Bonaparte Louis Charles

Insuflado por Charles-Maurice de Talleyrand-Périgor, o famoso Príncipe de Talleyrand, que articulava uma ambiciosa política de reconciliação europeia, Napoleão começa a pesquisar com qual Princesa das Velhas Dinastia Reinantes ele poderia casar.
O Czar da Rússia negou uma irmã, e o Imperador da Áustria teve que ‘doar’ sua filha mais velha, mas isso é outra História.
Napoleão tem um filho com Eleanor Denuelle La Plaigne, de nome Charles Léon, o Conde Léon, nascido em 15 de dezembro de 1806 e falecido em Paris, no dia 14 de abril de 1881, portanto o seu primeiro filho natural. Não foi reconhecido, porem foi dotado de uma boa fortuna.

Alexandre Florian Joseph Colonna, Conde Walewski.

Ao contrário do outro filho, o que teve com sua amante polonesa, Marie Walewska, esposa jovem do velho Conde Anastazy Walewski, de nome Alexandre Florian Joseph Colonna, Conde Walewski, o Conde Léon, não fazia a mínima questão de ser reconhecido como filho do Imperador, muito pelo contrário, apesar de serem parecidíssimos fisicamente.  
Com essa filharada toda, Napoleão resolveu se divorciar de Joséphine.
Vou abrir um parêntese:
Esse foi o segundo maior erro da vida de Napoleão Bonaparte.
Ele jamais deveria ter se divorciado de Joséphine.
Time que está ganhado não se mexe, diz o jargão do futebol.
E na minha visão, certos casamentos são realizados realmente com a aprovação Divina, por Deus conhecer as necessidades dos envolvidos.
Conheci casais que se uniram em meio a aprovação total das famílias, em meio a pompas e circunstancias, que não ficaram juntos nem 1 ano.
Outros, como TC e eu, que diziam que o casamento não ia durar três meses, e já dura 35 anos.
Dizer que o casamento é loteria é a maior bobagem, pois casamento é coisa séria instituído por Deus ainda no Paraiso, antes da queda do Primeiro Casal.
Napoleão e Joséphine se uniram num período de tempo em que a Forças do Divino e as Forças Ocultas do senhor desse Mundo Tenebroso, estavam em grande disputa, em grande luta, pelos destinos da Humanidade. 
Deus salvaguardando o seu Grande Plano para Humanidade, e o senhor do mundo querendo boicotá-lo, aliás como sempre faz.
Napoleão tomado pelo pecado do Orgulho se considerou um deus, ou um semideus, o mesmo pecado que perdeu a Lúcifer, e colocou os pés pelas mãos dando um chute em Josephine, sua esposa na Lei de Deus e na dos homens.
Deu no que deu.
Acabou morrendo em Santa Helena, uma ilhota fedida em meio ao Atlântico Sul, nas costas da África.
E se não fosse pelo marqueteiro de Luís Felipe I, Rei dos Franceses, seus restos mortais ainda estaria lá.
Mais, ele quis casar com Maria Luiza para ter um filho que não viu crescer, nem tão pouco o sucedeu no Trono Imperial de França, nem na Coroa da Itália.
Fim do parêntese.




Le divorce de l'Impératrice Joséphine, 15 décembre 1809,
De Henri – Frédéric Schopin
pintor francês de origem alemã
nascido em Lübeck ( Sacro Império Romano ), em 1804
 morreu em Montigny-sur-Loing , no departamento de Seine-et-Marne na região Ile-de-France em 1880.

Depois de muito grito, choro e ranger de dentes o divórcio veio, em meio a uma cerimônia oficial, segundo certas fontes “grandiosa “, com a presença dos Altos Dignitários da Corte Imperial e do Corpo Diplomático.
“ Assinado em 15 de dezembro, com Decreto do Senado do dia seguinte, 16 de dezembro de 1809”.
 “ O casamento religioso é cancelado início em 1810, pelo Officialité de Paris ­- tribunal eclesiástico que administrar a justiça em nome da Igreja Católica Romana – para assim dar uma satisfação a Corte de Viena, a família Habsburgo, que era e é muito católica, da prometida do Imperador, a Arquiduesa Maria Luiza”.
Não é retirado de Joséphine o Título de Imperatriz, passou a ter honras protocolares prestadas a uma Imperatriz-viúva, e Napoleão afirmou:
«Il est ma volonté, elle garder le rang et le titre de l'impératrice, et surtout qu'elle ne doute jamais de mes sentiments, et elle ne manque jamais de me embrasser comme son meilleur et le plus cher ami."
T.L.:
 "É minha vontade que ela mantenha o posto e título de Imperatriz, e, especialmente, que ela nunca duvide de meus sentimentos, e que ela nunca deixe de me abraçar como seu melhor e mais caro amigo."
O doidão a visitou várias vezes no exilio do Castelo de Navarra.
 Recebe o Palácio do Elizeu, atual sede da Presidência da República Francesa, o Château de Malmaison e sua área de 800 hectares, e o Château de Navarre - Castelo de Navarra, a 2 km de Evreux, onde viveu por dois anos, por isso foi titulada como Duquesa de Navarra, por Carta Patente Imperial assinada no dia 9 de abril de 1810.
A Impératrice Joséphine, duchesse de Navarre, continuou gastando, e Napoleão pagando, aliás era o mínimo que ele podia fazer, pois não???


Château de Malmaison

Com a Queda de Bonaparte, no Château de Malmaison, a Impératrice- duchesse recebia várias cabeças Coroadas dos aliados, dos vencedores daquele que considerava que para ela só o dinheiro importava, e que cego não viu a bobagem de ter dando um chute no seu bumbum, mais ou menos “coup sur les fesses”.
Em 14 de maio de 1814, Joséphine estava muito fraca, sujeita a gripes ou resfriados, mas concordou em ir ver o Czar Alexandre de Todas as Rússias que estava hospedado com sua filha Hortênsia, no Château de Saint-Leu (demolido em 1837 e o parque loteado).
Passearam nos jardins, com a Impératrice- duchesse usando um vestido de verão, e com isso ela apanhou uma pneumonia.

Joséphine em seu passeio diário pelos jardins de Malmaison.
Anônimo

Ela havia convidado o Imperador da Rússia para conhecer Malmaison, e ele foi.
Ela conhecedora da “étiquette royale” passeou com ele.
A pneumonia piorou.
Em no meio-dia de 29 de maio de 1814, na sala principal do Château de Malmaison, morre essa extraordinária mulher.
“O funeral solene foi realizado no dia 2 de junho, com grande pompa, na modesta Igreja de Rueil (Église Saint-Pierre-Saint-Paul de Rueil-Malmaison, em Rueil-Malmaison, no hoje departamento de Hauts-de-Seine na região Île-de-France, conhecida exatamente por ser o local dos túmulos de Joséphine e Hortense de Beauharnais).



No tumulo consta o nome de Eugène - Eugène de Beauharnais, mas ele está sepultado na cripta dos Wittelsbach, na Igreja de São Miguel, Munique, Baviera, Alemanha.

Felix Markham, membro proeminente Hertford College, Oxford, escritor inglês, que escreveu a biografia do Imperador dos Franceses, intitulado “ Napoleon”, “ a obra mais aclamada e considerada a mais importante em volume único na literatura napoleônica, redigido sobre os “diários descodificados do general Bertrand, que acompanhou Napoleão para o seu exílio final em Santa Helena”, revela:
1-      “Napoleão tomou conhecimento da morte de Joséphine por uma publicação francesa quando estava em Elba e se trancou por dois dias no seu quarto não querendo ver ninguém”.
2-      Em Santa Helena revelou em uma conversa a mesa:
       "Eu realmente amei a minha Joséphine, mas eu não soube respeitá-la."
3-      Que suas últimas palavras, no leito de morte, foram:
               “ La France, l'armée, tête d'armée, Joséphine"
                T.L.: “ A França, o Exército, o cabeça do exército, Joséphine”.




Continua....