sexta-feira, 15 de maio de 2015

185 I – Conversa- O Principado de Orange. 1163-1713

185 I – Conversa- O Principado de Orange. 1163-1713




 Brasão d’Armas do Principado de Orange.



La ville d' Orange, a Cidade de Orange
Orange em francês, Aurenja em provençal.


Théâtre d'Orange

Os Cimbros e Teutões, povos germânicos que viviam no centro e norte da Europa, por volta de 120 a.C. migraram para a Gália, e foram no ano de 102 a.C. derrotados pelo general romano Caio Mário em Aquae Sextiae, atual Aix-en-Provence, na Batalha de Águas Sextias (em latim: Bellum Aquae Sextiae).
Na Bataille d'Orange – Batalha de Orange – de 6 de outubro de 105 a.C., os Cimbros e Teutões derrotaram as Legiões Romanas.
O confronto de deu nas proximidades de Arausio, o nome latino da Cidade de Orange, entretanto a cidade foi fundada em 35 a. C. por veteranos da II Legião da Gália (Legio II Gallica), com o nome de “Colonia Julia Secundanorum Arausio”.
Arausio se tornou tão importante que Augustus mandou construir um Teatro, hoje “Le théâtre antique d'Orange, hoje o mais bem preservado teatro romano do mundo”, e Adriano a visitou ordenando a ampliação dessa casa de espetáculos tão ao gosto dos velhos romanos.
Em 412, os visigodos saquearam a cidade.
Em 508, um exército franco-borgonhês invadiu a Provença (Provence) e obviamente “la ville de Orange”.
Orange é reconquistada por Teodorico, o Grande, Rei dos Ostrogodos, Rei da Itália, e Regente dos Visigodos.
Sua população foi remanejada para a cidade de Fiorenzuola d’Arda, na região da Emília-Romanha, província de Piacenza, Itália.
O condado é criado no século 8 e entregue a São William de Gellone, também conhecido como William da Aquitânia, segundo Conde de Toulouse a partir de 790 até a sua substituição em 811, Marquês de Septimania, primo de Carlos Magno (sua mãe Aldana era filha de Charles Martel) e filho de Thierry IV, Conde de Autun.
Logo, o Condado de Orange já nasceu no âmbito do Império, mas ligado ao Reino da Borgonha.
Depois dos Condes Carolíngios, o Condado de Orange passou para a nobre, rica, importante, Casa de Baux, "li Baou" em provençal, que significa escarpa / penhasco, e refere-se à fortaleza da família, o Château des Baux, situado em Les Baux-de-Provence, Bouches-du-Rhône, no sul da França.
Hoje ainda existem representantes dessa nobre família em Nápoles, os “del Bazo”, em Occitan “dei Bauç”, que para lá se mudaram em tempos de Carlos d’Anjou.
Em 851, um certo Leibulf é citado como o castelão de Castelo de Baux.
Pons Velho (pontius major) é um senhor de Arles a segunda metade do século 10 e um dos ancestrais mais antigos da Casa de Baux, mas não há citação como castelão.
Pons, o jovem (pontius juvenis) por um ato de doação de terras é ligado ao Castelo de Baux.
Seu filho, Hugo ou Hughes I (* 970- +1059), é o primeiro membro da Linhagem dos Senhores de Baux, já que foi reconhecido por Bula de Bento VIII como Senhor do Les Baux, Montpaon e Meyrargues.
Com a dissolução do Reino de Arles (chamado Segundo Reino da Burgonha, foi um domínio franco-borgonhês em torno de Arles, estabelecido em 933, pela união das Borgonhas) após 1033, o Condado de Orange se tornou Principado de Orange no âmbito do Sacro Império Romano Germânico (lembremos que o Sacro Império é uma unidade política diferente do Império de Carlos Magno) por decreto de Frederico Barbarossa em 1163, para com isso ganhar mais apoio em sua luta contra o Papa e contra o Rei de França.
Em 11 de abril de 1386, Marie de Baux-Orange, única filha Raimond V de Baux, Príncipe de Orange, e Jeanne de Genève, casou com Jean III de Chalon-Arlay, seigneur d'Arlay que se tornou Príncipe de Jure uxoris d'Orange
Jure uxoris é um termo latino que significa "em direito de uma mulher". É comumente utilizada para se referir a um título, funções ou propriedade, detido por um homem cuja esposa o detém em seu próprio direito.
O marido de uma herdeira torna-se o possuidor das suas terras (e títulos) jure uxoris, em direito da sua esposa.





Brasão d’ Armas da Casa de Orange-Chalon.

E nesse momento o Principado de Orange passou para a Maison de Chalon-Arlay, étaient une branche cadette de la maison régnante du comté de Bourgogne (um ramo cadete da casa reinante do Condado de Borgonha), também, conhecida como Casa de Orange-Chalon, que se tornou uma das mais importantes Casas Nobres da Europa.
Soberanos:
João, Jean III de Chalon-Arlay (1363-1418) e Senhor dos Arlay Príncipe de Jure uxoris de Orange;
Luís, Ludwig II de Chalon-Arlay (1390-1463), Senhor do Arlay e Arguel e Príncipe de Orange, filho do precedente;
Guilherme, ou William VII de Chalon -Arlay (1415-1475), Príncipe de Orange, filho do precedente;
João, Jean IV de Chalon-Arlay, Jean de Chalon (1443-1502), Príncipe de Orange, Senhor de Arlay, de Nozeroy e de Montfort, filho do precedente;
Feliberto, Philibert de Chalon-Arlay (1502-1530), Príncipe de Orange, Príncipe de Melfi (Reino de Nápoles),
Duque de Gravina (Reino de Nápoles), Conde de Charny e de Penthièvre, Visconde de Besançon, Senhor d'Arlay, de Nozeroy, de Rougemont, de Orgelet e Montfaucon, Vice-Rei e Capitão Geral de Nápoles, Capitão General do Exército Imperial, filho do precedente, sem descendência. “Ele morreu perto de Florença em 3 de agosto 1530, com a idade de 28, durante a Batalha de Gavinana. Suas cinzas foram repatriadas para Lons-le-Saunier, onde sua mãe, Philiberte de Luxemburgo, celebrou um funeral grandioso”.
Claude de Chalon- Arlay, irmã de Felipe, Philibert de Chalon-Arlay, casou com Henrique III, Conde de Nassau e Senhor de Breda, de Lek e Diest, e tiveram um filho:



René de Chalon, latinizado Renatus de Châlon

René de Chalon, latinizado Renatus de Châlon, Príncipe de Orange, Conde de Nassau, de Vianden, Stathouder da Holanda, da Zelândia, de Utrecht e de Gelderland, Visconde de Antuérpia, Barão de Breda, de Diest , de Herstal , de Warneton , de Beilstein , d’Arlay e de Nozeroy, Senhor  de Dasburg, de Mont-Sainte-Gertrude, de Hooge en Lage Zwaluwe, de Klundert, de Montfort, de  Naaldwijk, de Niervaart, de Polanen, de Steenbergen, Bütgenbach, de Sankt Vith e de Besançon.
Casou em 20 de agosto de 1540 com Anne de Lorraine (Lorena), filha de Antoine II, Duque de Lorena e Bar, e de Renée de Bourbon-Montpensier.
Não tiveram filhos e seu Herdeiro foi seu primo William (Guilherme) de Nassau-Dillenburg, que se tornou famoso sob o nome de William, o taciturno.



Brasão d’Armas de
René de Chalon, latinizado Renatus de Châlon
Príncipe de Orange-Chalon





Seus descendentes são os membros da Casa de Orange-Nassau.




Brasão d' Orange- Nassau