sexta-feira, 22 de maio de 2015

Datas importantes da vida de Guilherme de Orange. I Parte

1533 - No   Castelo   de   Dillenburg, Alemanha, nasce   Guilherme   de   Nassau, filho mais velho de   Guilherme VIII, Conde de   Nassau-Dillenburg.
1544 - Morte de Rene de Chalon. Guilherme herda domínios e Títulos   de nobreza, entre os quais o de Príncipe soberano de Orange.
1545 - Na primavera desse ano, Guilherme e enviado a Corte de Carlos V&I, Imperador e Rei, nos Países-Baixos, onde será educado na religião católica.
1551- 8 de julho de 1551, Guilherme casou com Anna van Egmont, Condessa de Buren. Através deste casamento que ele recebeu interesses maiores nos Países Baixos. Anna faleceu em 24 de março de 1558.
Anna van Egmont era filha de Maximiliano de Egmont, Conde de Van Buren e Leerdam, e Françoise de Lannoy.
Guilherme e Anna foram pais de:
1-      Maria (22 de novembro de 1553 - 07 de dezembro de 1555)
2-      Filipe Guilherme (19 de dezembro de 1554 - 20 de fevereiro de 1618), Príncipe de Orange, casou com Eleonora de Bourbon-Condé, filha de Henrique I de Bourbon, Príncipe de Condé, e de Charlotte de La Tremoille. Prima de Henrique IV, Rei de França.
3-      Maria (07 de fevereiro de 1556 - 10 de outubro de 1616), que se casou com Felipe Ernesto de Hohenlohe-Neuenstein, Conde de Hohenlohe e Langenburg, comandante militar holandês.
1552- 29 de março de 1552, elevado a Barão de Breda.
1552 até 1555 -  Serve como pajem, capitão, e comandante de batalhão no exército do Imperador Carlos V & I, Imperador e Rei, que o apreciava muito.
1555 (25 de setembro) - A assinatura da Paz de Augsburg, entre Carlos V&I e as forças da Liga de Esmalcalda (Fundada por Filipe I de Hesse e João Frederico, Eleitor da Saxônia, com os soberanos de Anhalt, Bremen, Brunswick-Lüneburg, Magdeburgo, Mansfeld, Estrasburgo, Ulm, Konstanz, Reutlingen, Memmingen, Lindau, Biberach an der Riß, Isny im Allgäu e Lübeck, com alianças na França e na Dinamarca), que estabeleceu o princípio do cuius regio, eius religio, segundo o qual os súditos seguem a religião do governante, consagra a vitória dos protestantes (aqui luteranos) na Alemanha.
Em 22 de outubro de 1555, Carlos V & I, derrotado, divide em dois os seus Poderes, uma parte para seu filho mais velho, Felipe de Espanha, e outra para seu irmão Fernando da Áustria.
1556 - Em 16 de janeiro de 1556, Felipe, um fanático católico-romano, se torna Rei de Espanha, com as Coroas de Castela, Aragão, Nápoles e Sicília, e dos Países Baixos, Grão-Mestre da Ordem do Tosão de Ouro, e outros Títulos, em cerimônia grandiosa, sendo Guilherme de Orange nomeado Governador.
Em 10 de junho de 1556 abdica em Felipe os Domínios da Borgonha.
Fernando I da Áustria, dos Habsburgo, irmão de Carlos V&I, por nascimento Arquiduque da Áustria e Infante de Espanha, já era Rei da Alemanha, formalmente Rei dos Romanos, desde 1535, com a abdicação torna-se Imperador do Sacro Império Romano, eleito em 12 de março de 1558, e Sagrado e Coroado, dois dias depois e Frankfurt. Fernando, também, foi Rei da Hungria, da Bohemia, da Croácia e da Eslavônia, Duque de Styria, Carniola e Caríntia, Conde do Tirol, entre outros Títulos.
1558-1559: relação extraconjugal com Eva Elincx, casada com Abraham Arondeaux, filha do Burgomestre de Emmerich (no Reno), hoje no Estado de Renânia do Norte-Vestefália, Alemanha, e tiveram um filho, Justinus van Nassau, reconhecido oficialmente e educado sob a orientação paterna.
1-      Justino de Nassau foi tenente-coronel, tenente-almirante (lutou contra a Armada Espanhola e capturou dois galeões), governador de Breda, com os direitos feudais do Baronato de Breda. Ele morreu em 1631.
1559 - Nomeado por Felipe II stadhouder (governador) do Condado de Holland, Zelândia e Utrecht.
1561- Em 25 de agosto 1561, Guilherme de Orange casou com a riquíssima Anna da Saxônia, herdeira de Maurice, Príncipe-eleitor da Saxônia, e Agnes, filha mais velha de Filipe I, der Großmütige (o " magnânimo "), Landgrave de Hesse, um dos Príncipes alemães mais fervorosos da Reforma Protestante, e com isso ganhou mais influência na Saxônia, Hesse e do Palatinado. O casal teve cinco filhos, a saber:
1-      Ana de Nassau (31 de outubro de 1562, nasceu e morreu);
2-      Ana de Nassau (*5 de novembro de 1563 - + 13 de junho de 1588), casou-se com William Louis, Us Heit, (Guilherme Luís) Conde de Nassau-Dillenburg, Capitão- general do exército da Friesland, governador de Friesland, de Groningen, de Drenthe
3-      Maurício de Nassau (* 18 de dezembro de 1564 -  + 8 de dezembro de 1566)
4-      Maurício de Nassau, (Dillenburg , 14 de Novembro de 1567 - Haia , 23 de Abril de 1625), Príncipe de Orange (herdado pela morte de seu meio-irmão Filipe Guilherme) e Conde de Orange –Nassau, de Katzenelnbogen , de Vianden , de  Dietz , de Lingen ,de Meurs , de Buren e de Leerdam , Margrave de Veere e Vlissingen , Visconde de Antuérpia e Besançon, Barão de Breda , de Grave, da Terra de Cuijk , de Diest , de Grimbergen , de Herstal , de  Cranendonck , de Warneton ,de  Arlay ,de Nozeroy, de St. Vith, de  Daasburg , de Lek , de Niervaart , de St. Maartensdijk , Capitão-general dos exércitos, Governador da Holanda, da Zelândia, de Utrecht, de Gelderland, de Overijssel, de Groningen e Drenthe.
5-      Emília de Nassau – ou Emília de Portugal (Colónia, 10 de abril de 1569 - Genebra, 16 de março de 1629). Casou em 17 de novembro de 1597, em Haia, com Manuel de Portugal, Emanuel van Portugal, bisneto de Dom Manuel I, o Venturoso, filho de Dom António de Portugal, Prior do Crato, e de sua amante, Ana Barbosa. Tanto o pai, quanto o filho, tiveram pretensões ao Trono de Portugal, mas foram derrotados pelas tropas de Felipe II na Batalha de Alcântara, de 25 de agosto de 1580, sob o comando do Duque de Alba. Guilherme não apoiou esse casamento e os dois viveram no exilio.
1563 – Em 11 de março de 1563, se manifesta contra a política antiprotestante implementada pelo Rei por carta ao Soberano.
1563 / 1564 - agosto 1563 - março 1564, participa das reuniões do Conselho de Estado e continua a protestar contra a política religiosa cruel do Cardeal de Granvelle.
Em 31 de dezembro de 1564, afirma no Conselho que não podia aprovar “ regras de consciência”  -  Ik    kan niet goedkeuren dat vorsten over de gewetens heersen – T.L.: Eu não posso aprovar as regras dos príncipes para dominar as consciências ( uma tradução muito interpretativa).
Datadas de 17 e20 de outubro de 1565, chegam a Holanda as Brieven uit het bos van Segovia, as Cartas da floresta de Segóvia, enviadas por Filipe II de Espanha para Margarida de Parma, rejeitando qualquer apelo da nobreza em favor da liberdade religiosas, e determinando a condenação delas como Heresia - Doutrina contrária aos preceitos estabelecidos pela Igreja, no caso a Católica Apostólica Romana. Com isso “Filipe II, um católico fanático, confrontava a ascensão da Reforma na Holanda, que segundo ele ameaça à integridade do Reino de Espanha. Estas decisões contribuíram para a eclosão da Guerra dos Oitenta Anos”.
1565 –Como reação, um grande grupo de nobres, incluindo Luís de Nassau, irmão mais novo de Guilherme, formaram a Confederação dos Nobres.
Em 23 de janeiro de 1566, Guilherme defendeu, por carta, frente a Margarida de Parma, uma forma de tolerância religiosa, afirmando que os protestantes deviriam ter a liberdade de religiosa. O Príncipe de Orange tenta evitar um mal maior, mas não é compreendido pelas autoridades espanholas e holandesas pró-espanhóis.
Em 5 de abril de 1566: Confederação dos Nobres a apresentaram uma petição a Margarida de Parma, pedindo o fim à perseguição dos protestantes. Nesse momento “ o Conselheiro de Berlaymont tipifica os nobres como gueux (mendigos), o que gerou o nome Beggars”.
Geuzen, em francês: Les Gueux, inglês: the Beggars, T.L.: Os Mendigos, um nome assumido pela confederação de nobres holandeses protestantes e outros descontentes, que a partir de 1566 se opuseram ao governo espanhol nos Países Baixos.
Eles tiraram esse apelido de uma declaração infeliz feita por  Karel van Berlaymont, ou Carlos de Berlaymont, um proeminente nobre do sul da Holanda que era fanaticamente pró- espanhol, senhor de Floyon e Haultpenne, Barão de Hierges, stadtholder de Namu,  cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro , mestre sênior de caça de Brabant, Flandres e Namur, membro do Conselho de Estado, camareiro hereditária das finanças e oficial de justiça do condado de Namur, além de membro efetivo do Conselho de Sangue, oficialmente Raad van Beroerten, Tribunal de los Tumultos, “instituído em 9 de setembro de 1567 pelo Duque de Alba ,  para castigar os líderes políticos e religiosos  que traziam "problemas" na Holanda”.
A declaração ‘puxasaquisita juramentada’ feita diante de Margarida de Parma foi:

"Ce ne sont que des gueux" (het zijn slechts bedelaars), T.L.: "Estes são apenas mendigos".
“ O grupo mais bem-sucedido deles operava no mar, e, portanto, era chamado de Watergeuzen (francês: Gueux de mer, inglês: Sea Beggars) ”.
Na Guerra dos Oitenta Anos, a captura de Brielle pelos Watergeuzen em 1572 concedeu a primeira base de apoio em terra para os rebeldes, que conquistariam o norte dos Países Baixos e estabeleceriam uma república holandesa.
Em 13 de julho de 1566, Guilherme visita uma Antuérpia conturbada, numa tentativa de restaurar a calma, e tem aqui os primeiros encontros com os calvinistas. (Ele havia sido educado no Luteranismo, e abjurara a pedido de Carlos V& I para se tornar Católico-romano)
Em 10 de agosto de 1566, no Flandres começa iconoclastia. Os Países Baixos assistem de agosto a outubro de 1566, uma onda de iconoclastia (conhecido como o Beeldenstorm) varreu os Países Baixos. Calvinistas, a maior denominação protestante, anabatistas e menonitas, irritados com a repressão católica e teologicamente opositores do uso das imagens de santos na Igreja Católica, um conflito com o Segundo Mandamento, destruíram as estátuas em centenas de igrejas e mosteiros toda a Holanda.

Significado de Iconoclasta - s.m. e s.f. Pessoa que destrói as imagens religiosas, símbolos ou monumentos.
Figurado. Quem não acredita no culto ou na idolatria de qualquer coisa ou pessoa.
adj. Diz-se da pessoa que estraga ou destrói imagens religiosas, símbolos, monumentos artísticos etc.
Religião. Adepto do iconoclasmo que, durante o Império Bizantino, era a doutrina caracterizada por destruir quaisquer idolatrias, imagens etc.
Figurado. Diz-se da pessoa que se opõe às convenções, tradições, regras e/ou normas.
(Etm. do grego: eikonoklástes)

Felipe II endurece e envia o Duque de Alba, conhecido como Duque de Ferro, para acabar com os protestantes e seus atos rebeldes, segundo ele.
Muitos protestantes fogem para os Estados alemães.
1567 - Guilherme de Orange nunca se opôs diretamente o Rei espanhol, mas era muito religioso e ficou descontente com a perseguição aos protestantes, com isso deu apoio ao “Compromis van Breda”, o Compromisso de Breda, de 8 fevereiro 1567, uma terceira petição a Margarida de Parma, Regente dos Países Baixos em nome do irmão, Felipe II de Espanha, “solicitando a liberdade religiosa e a abolição da Santa Inquisição. Sua rejeição pelas autoridades espanholas resultou na Batalha de Oosterweel, norte de Antuérpia, entre os espanhóis comandados por Philippe de Lannoy, Senhor de Beauvoir, Capitão da Guarda de Margarida de Parma, e um exército de radicais calvinistas rebeldes, Les Gueux, sob Jan de Marnix, ou Jan van Marnix, Senhor do Toulouse, que acabou morto”.
Foi uma estrondosa vitória dos Católicos/espanhóis, que massacram os “rebeldes”.
Batalha de Oosterweel de 13 de março de 1567 é considera a primeira travada no Ciclo da Guerra dos Oitenta Anos.
“ Guilherme, o Taciturno, Burgrave de Antuérpia, não permitiu que os protestantes da cidade fossem auxílio das tropas de Jan van Marnix, Senhor do Toulouse, por motivos controversos, uns dizem que como ele estava sob juramento ao Rei Felipe II não podia trair sua palavra, outros por jogada política com os Príncipes Luteranos Alemães de quem necessitava auxilio contra os espanhóis”.
Em 5 de abril de 1567, Guilherme deixa Breda e vai para o castelo de Dillenburg, na Alemanha.
Em 22 de agosto de 1567, o Duque de Alba em Bruxelas.
Ele é o novo governador e cria o terrível Raad van Beroerten, Consejo de los Trastornos, também, conhecido em português como Conselho das Dificuldades.

Em 16 de dezembro de 1567, por decisão do Conselho de Problemas é iniciado um processo contra Guilherme, Príncipe de Orange, Conde de Orange- Nassau, e outros Títulos.