sexta-feira, 13 de março de 2015

138 – CONVERSA- CATARINA, A GRANDE, IMPERATRIZ AUTOCRATA DE TODAS AS RÚSSIAS.

138 – CONVERSA- CATARINA, A GRANDE, IMPERATRIZ AUTOCRATA DE TODAS AS RÚSSIAS.
                                 Екатерина II Великая, transl. Yekaterina II Vielikaya,
Nascida Sophie  Auguste Friederike von Anhalt-Zerbst, ou  Sofia Augusta Frederica de Anhalt-Zerbst.



Catarina com o traje nacional russo.

Li meu primeiro livro sobre essa mulher quando ainda tinha meus 10 anos, e foi seguido de um sobre outra Catarina, Catarina de Médici, Rainha Consorte e Rainha-Mae de França, fiquei fã das duas, pois ambas eram estrangeiras nos países sobre o quais reinaram, mas ambas dedicaram as suas vidas a suas Pátrias de Adoção.
Duas grandes Soberanas.

Despotismo:
“Despotismo é uma forma de governo na qual uma única entidade – Imperador, Rei, Regente, Caudilho, Ditador, Presidente Vitalício, Líder Supremo, Grande Sacerdote, Pontífice, ou outro nome qualquer criado para ocasião-  governa com poder absoluto. No caso em questão uma entidade individual, como numa autocracia, pois em seu Título já está bem definida a regra através da palavra Autocrata.
Autocracia:
“Autocracia é uma forma de governo na qual há um único detentor do poder político-estatal, isto é o poder está concentrado em um único governante”.
“No Império Bizantino o Imperador se denominava, ou era denominado, de ‘autocrator’, o que significava que o seu Poder era supremo, absoluto, ilimitado, irrestrito, e que nenhuma instituição terrestre poderia lhe imputar ‘algo’, pois ele - o poder- lhe fora dado diretamente por Deus”.
“O Poder Absoluto em Bizâncio gerou o Cesaropapismo, ou seja, cabia ao Imperador não só o Poder secular, mas, também,’ a competência de regular a doutrina, a disciplina e a organização da sociedade cristã, exercendo poderes tradicionalmente reservados à suprema autoridade religiosa, unificando tendencialmente as funções imperiais e pontifícias em sua pessoa’.”. 
“O Absolutismo Bizantino, consequentemente o Cesaropapismo e a Teologia Cristã da Igreja Ortodoxa, foram adotados na Rússia. Além de adotarem o Título de Царь, Czar (ou Tzar), uma variante do Título Cesar Romano e Bizantino, Cæsar, em latim, Καίσαρας, em grego, pois acreditavam que eram a ‘Terceira Roma, Третий Рим, sucessores de Roma antiga, a Primeira Roma, através da conexão espiritual com o Império Bizantino, a Segunda Roma’, e com isso adotaram a substância da autocracia”.
“As monarquias nem sempre são autocratas”.
“A monarquia constitucional é um Estado democrático de Direito”.
Déspotas esclarecidos:
“Déspotas esclarecidos são soberanos europeus que tentaram colocar em prática as ideias dos pensadores iluministas”.
“O iluminismo, ou Século das Luzes, foi um movimento cultural da elite intelectual europeia do século XVIII que procurou mobilizar o poder da razão, a fim de reformar a sociedade e o conhecimento herdado da tradição medieval. Abarcou inúmeras tendências e, entre elas, buscava-se um conhecimento apurado da natureza, com o objetivo de torná-la útil ao homem moderno e progressista. Promoveu o intercâmbio intelectual e foi contra a intolerância da Igreja e do Estado”.
“O Iluminismo foi despertado pelos filósofos Baruch Spinoza (1632-1677), John Locke (1632-1704), Pierre Bayle (1647-1706) e pelo matemático Isaac Newton (1643-1727), e floresceu até cerca de 1790-1800, após o qual a ênfase na razão deu lugar à ênfase do romantismo na emoção e um movimento contra- iluminista ganhou força”.
Lista dos Déspotas esclarecidos, amigos dos Enciclopedistas, amigos ou correspondentes de Voltaire, de Diderot e de D'Alembert, e dos Fisiocratas *:
1-      Catarina II, Imperatriz Autocrata de Todas as Rússias;
2-      Marquês de Pombal, Dom Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro Conde de Oeiras e Marquês de Pombal, “nobre, diplomata e estadista português. Foi secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I (1750-1777), sendo considerado, ainda hoje o é, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa”.
3-      José II, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Rei da Boémia e da Hungria e de Arquiduque da Áustria. Filho mais velho de Francisco I e de Maria Teresa, a Grande.
4-      Frederico II, o Grande, ou Friedrich der Große , ou der Alte Frit ( velho Frit), Rei da Prússia e Eleitor de Brandemburgo, autointitulado “primeiro servidor do Estado", ou “ Ersten Diener des Staates”.
5-      Felipe V, neto de Luís XIV, Rei de França e de Navarra, com o Título de Duque de Anjou, depois “Rey de España, Nápoles, Sicilia y Cerdeña, Duque de Milán y soberano de los Países Bajos”.
“* Fisiocracia (do grego "Governo da Natureza") é uma teoria econômica desenvolvida por um grupo de economistas franceses do século XVIII, que acreditavam que a riqueza das nações era derivada unicamente do valor de "terras agrícolas" ou do "desenvolvimento da terra" e que produtos agrícolas deveriam ter preços elevados”.
 Portanto, perante a História, Catarina II foi uma das Déspotas esclarecidas.
Genealogia:
O Príncipe Christian August, Fürst von Anhalt-Zerbst, ou Cristiano Augusto, Príncipe de Anhalt-Zerbst, Generalfeldmarschall, Marechal do Exército Prussiano, depois da morte de seu primo, Príncipe Johann August von Anhalt-Zerbst, Príncipe Soberano de Anhalt-Zerbst, em 7 de Novembro de 1742, juntamente com seu irmão, Príncipe Johann Ludwig II, assumiu o governo do Principado de Anhalt-Zerbst.
Em 5 de novembro de 1746, Johann Ludwig II morreu solteiro quatro anos depois dessa ascenção e Christian August assumiu o governo sozinho, porem só ficou à frente dele por quatro meses até a sua própria morte, em 16 de março de 1747, em Zerbst**, capital do Principado.
Eram da Die Askanier, Casa da Ascania, nobres germânicos desde o século XI, também conhecida como Casa Anhalt.
Zerbst, uma cidade da Alemanha, hoje no Estado Saxônia -Anhalt, distrito de Anhalt-Bitterfeld.
Em 8 de novembro 1727, Príncipe Christian August casou com a Princesa Johanna Elisabeth de Holstein-Gottorp, filha de Christian August von Schleswig-Holstein-Gottorf, ou Christiano Augusto de Schleswig-Holstein-Gottorp, um protestante, Príncipe-bispo do Bispado de Lübeck, Principe d'Eutin (hoje no Estado alemã de Schleswig-Holstein), esse neto do Rei Frederick III da Dinamarca, e de Albertine Friederike von Baden-Durlach, ou Albertine Frederica de Baden-Durlach.
Tiveram os seguintes filhos:
A-      Sophie Auguste Friederike, Catarina, Imperatriz- consorte de Todas as Rússias, depois Catarina II, Imperatriz de facto de Todas as Rússias, que casou com Pedro III, Imperador da Rússia;
B-      Christian Friedrich Wilhelm, faleceu com 12 anos;
C-      Friedrich August, Príncipe Soberano de Anhalt-Zerbst, que casou com:
1-      Princesa Caroline de Hesse-Kassel;
2-       Princesa Friederike de Anhalt-Bernburg.
D-     Auguste Christine Charlotte, viveu 14 dias em novembro de 1736;
E-      Elisabeth Ulrike, faleceu com 3 anos em 5 de março de 1745.

Catarina depois de sua chegada na Rússia,
retrato por Louis Caravaca,
pintor francês nascido em Marselha
radicado na Rússia. 

 Sophie Auguste Friederike:
Екатерина II Алексеевна Великая (урождённая София Августа Фредерика Ангальт-Цербстская, нем. Sophie Auguste Friederike von Anhalt-Zerbst-Dornburg, в православии Екатерина Алексе́евна; 21 апреля (2 мая) 1729, Штеттин, Пруссия — 6 (17) ноября 1796, Зимний дворец, Петербург) — императрица всероссийская с 1762 по 1796 годы.
Tradução Livre:
Catarina II, a Grande, Alekseyevna (nascida Sophia Augusta Frederica de Anhalt-Zerbst, ou Sophie Auguste Friederike von Anhalt-Zerbst-Dornburg), na Igreja Ortodoxa Russa [recebeu o nome de] Ekaterina Alekseyevna, nascida em Stettin, Prússia, no dia 21 de abril (2 de maio), e [falecida] em 6 (17) de Novembro de 1796, no Palácio de Inverno, São Petersburgo – Imperatriz de Todas as Rússias [de 28 de junho de 1762 até 17 de novembro 1796, dia mês e ano de sua morte, portanto reinou 34 anos, 4 meses e 20 dias].
Settin (Szczecin) era Prússia, e foi a capital da Pomerânia alemã até 1945 quando foi incorporada em território polaco. Hoje é a capital da Pomerânia Ocidental, um dos maiores portos marítimos da região do Mar Báltico e a sétima maior cidade da República da Polónia. Localizada na foz do Rio Oder à Lagoa Szczecin.



Monograma imperial da imperatriz Catarina II (Ekatharina II Imperatrix) da Rússia

A Princesa Catarina Augusta Frederica era letrada, estudou Inglês, francês e italiano, a dança, a música, as noções básicas de história, geografia, teologia, e “após sua chegada a Rússia começou a estudar a língua, a História, a Ortodoxia Religiosa, a Tradição, ou seja, procurou ficar totalmente familiarizada com a Rússia, leu livros sobre história, filosofia, direito, obras de Voltaire, Montesquieu, Tácito, Bayle, Grimm, um grande número de outras literaturas”.
Desde menina era valente, destemida, brincalhona, e extremamente curiosa. 
Por seu comportamento foi chamada pela mãe de o “Pequeno Frederico”, ou “Klein Frederick”, no masculino mesmo.
Ela foi escolhida para casar com Grão- Duque Pedro Fedorovych, o futuro Imperador russo Pedro II, nomeado herdeiro oficial do trono em 7 (18) de Novembro de 1742, nascido Duque Karl Peter Ulrich de Holstein-Gottorp, por ser filho de Anna Petrovna, Filha de Pedro, o Grande, e o Duque de Holstein-Gottorp Charles Frederick.
Quem escolheu foi a tia de Pedro e Imperatriz Autocrata de facto de Todas as Rússias, Елизавета Петровна, Elizabeth I Petrovana, a filha mais nova de Pedro, o Grande.
Ekaterina Alekseyevna, em 21 agosto 1745, com 16 anos, casou com Pedro Fedorovych, de 17 anos, e que era seu primo em segundo grau. Os primeiros anos de vida em comum, Pedro não estava interessado em sua esposa, e não existindo nem relações sexuais entre eles.
Ekaterina Alekseyevna escreveu:
“Eu vi muito bem que o Grão-duque não me amava; Duas semanas depois do casamento, ele me confessou seu amor pela donzela Kapp, dama de honra da Imperatriz... eu disse a mim mesmo que com esse homem certamente seria muito infeliz ... Então, eu tentei me forçar por orgulho não ter ciúmes de um homem que não gosta de mim, mas não para ter ciúmes dele, não havia escolha, ...”.
Não deu certo realmente.
Pedro era um pulha.
“O principal entretenimento de Ekaterina Alekseyevna era a caça, passeios a cavalo, dança e mascaradas, e a falta de relações sexuais com o marido promoveu o aparecimento de amantes. “E a, Елизавета Петровна, Elizabeth I Petrovana, não escondia sua insatisfação com a falta de Herdeiros para seu Trono imperial”.
Mais, Ekaterina Alekseyevna, teve filhos a saber:
1-      Paulo I Petrovich, Imperador Autocrata de Todas as Rússias, Grande Mestre da Ordem de Malta, nasceu em 1 de outubro de 1754 e foi assassinado (estrangulado e pisoteado até a morte) no mesmo lugar onde nasceu - o Castelo Mikhailovsk – em 23 de marco de 1801, oficialmente ele era o único filho oficial de Pedro III e Catarina, a Grande, embora ela tenha afirmado mais tarde que o pai verdadeiro era seu primeiro amante, o Conde e Camareiro Imperial Sergei Vasilievich Saltykov. Paulo I que casou com:
a-      Princesa Wilhelmina Louisa de Hesse-Darmstadt;
b-      Princesa Sophie Dorothea de Württemberg, e com essa foi pai do futuro Alexandre I da Rússia e Nicolau I da Rússia.
2-      Anna Petrovana, Grã-Duquesa da Rússia. Nasceu em 9 de dezembro de 1757 e faleceu em 8 de março de 1759, com apenas 1 ano e três meses de idade. Possivelmente, uma filha de Ekaterina Alekseyevna e Stanisław Poniatowski, futuro Rei da Polônia. Ekaterina não falava dela nunca.
3-      Alexei Bobrinsky Grigorievich, Conde de Bobrinsky. Nasceu em 11 de abril de 1762 e faleceu em 20 de junho de 1813, com 51 anos. Filho de Ekateina e do Príncipe Grigory Grigoryevich Orlov. Ele se casou com a Baronesa Anna Dorothea von Ungern-Sternberg.
Existe outros filhos, mas que não há tantos esclarecimentos sobre eles, num total de sete crianças, incluído essas acima.
O caso é que Pedro não era bobo, além do que tinha sempre um áulico a dedurar o comportamento de Ekaterina Alekseyevna, tanto que ao saber da gravidez que gerou Anna Petrovana, ele exclamou:
"Deus sabe como minha mulher está grávida de novo! Eu não tenho certeza se esse bebê é meu, ou se eu deveria considera-lo às suas próprias custas “- leia- se ‘como obra de Deus’.
O certo é que Pedro, sua amante e seus áulicos queriam eliminar Ekaterina Alekseyevna, e que Ekaterina Alekseyevna, seus amantes, seus partidários, e amigos, queriam eliminar a Pedro.
A guerra era feroz.
Que vencesse o melhor.
Com a morte de Elizaveta Petrovna, Imperatriz e Autocrata de Todas as Rússias, em 5 de janeiro de 1762, depois de reinar por 20 anos e 30 dias, e seu sucessor designado Grão-Duque Pedro Fedorovych, de nascimento Karl Peter Ulrich de Holstein-Gottorp, foi reconhecido como o setimo Imperador e Autocrata de Todas as Rússias, sendo Ekaterina Alekseyevna a nova Imperatriz-consorte.
Contudo a posição de Ekaterina Alekseyevna era instável, já que Pedro III havia dito abertamente que ia se divorciar dela para casar com sua amante, Elizaveta Romanovna Vorontsova, Елизавета Романовна Воронцова, da família Vorontsov, Воронцов, filha do General Roman Illarionovich (Larionovich)Vorontsov, que governou as províncias de Vladimir, Penza, Tambov, e Kostroma, onde seu nome se tornou sinônimo de corrupção e ineficiência, mas que que alcançou o auge com o tio da amante imperial, Conde Mikhail Kutuzov Vorontsov, Михаи́л Илларио́нович Воронцо́в, que ocupou o cargo de  Chancelar do Império Russo.
O Império Russo havia derrotado Frederico II, o Grande, Rei da Prússia, mas Pedro, germanófilo, assinou um Tratado desfavorável para a Rússia, que até estipulava a retirada do exército russo dos territórios conquistado, rejeitando assim todas as conquistas russas na Guerra dos Sete Anos, o que desagradou os oficiais, e para piorar decretou que eles tinham que usar uniformes a lá prussiana.
Quando da celebração dessa ‘paz’, durante o jantar, houve uma séria desavença entre os dois e Pedro ordenou sua prisão, pois Ekaterina Alekseyevna mão queria brindar a esse feito que considerava uma verdadeira derrota.
Ekaterina Alekseyevna foi salva da prisão graças à intervenção do Marechal de Campo George de Holstein-Gottorp, o tio do Imperador.
Pedro era “ignorante, idiota, e cada dia mais acentuava sua aversão a Rússia, enquanto Ekaterina Alekseyevna, era totalmente russa, uma Princesa russa de corpo, alma e espirito”.
A Dinamarca era aliada tradicional da Rússia e Pedro declarou guerra a ela afim de conquistar Schleswig, que segundo ele havia sido “tirado de seus antepassados”, alardeando que ele próprio pretendiam marchar à frente dos Guarda Imperiais.
Não existe uma situação ruim que não fique pior, e Pedro se superou ao “anunciar o sequestro dos bens da Igreja Russa, a abolição da propriedade da terra monástica e a reforma dos ritos religiosos e a proibição dos Ícones. O fim da barba para os padres. A obrigação de se vestirem como pastores luteranos”.
Quando
Foi o caos.
E ai aconteceu o Golpe de Estado em 28 de junho (09 de julho) em 1762, um verdadeiro Golpe Palaciano, que teve como consequência a deposição de Pedro II, Imperador nunca Coroado em vida, e a ascenção de sua esposa, Catarina, ao Trono Imperial Russo.
Pedro III foi preso e colocado sob casa Ropcha, Ропша, um Palácio remodelado por Francesco Bartolomeo Rastrelli, arquiteto italiano que viveu na Rússia, para a Imperatriz Elizaveta Petrovna, onde ele foi forçado a assinar sua abdicação. Em 17 de Julho de 1762, ele foi assassinado em circunstâncias pouco claras pelo Conde Alexei Orlov Grigoryevich-Chesmensky e seus guardas.
Alexei Orlov era irmão de Sua Alteza Sereníssima Príncipe Grigory Grigoryevich Orlov, amante de Catarina II, e pai de sua única filha, Anna Petrovana, Grã-Duquesa da Rússia.
Grigory Grigoryevich Orlov foi:
1-      Conde do Império Russo;
2-      Sua Alteza Sereníssima o príncipe do Império Romano;
3-      General-em-chefe, Diretor-Geral das Fortificações imperiais;
4-      Ajudante Geral de Sua Majestade Imperial;
5-      Chefe do Corpo de Cavalaria;
6-      Senador;
7-      Camareiro Imperial;
8-      Tenente-coronel do Corpo da Guarda Imperial
Membro das Ordens russas de Santo André, de São Alexander Nevsky, entre outras....
O que interessa é que:
Após a abdicação de seu marido Ekaterina Alekseyevna chegou ao trono como a Imperatriz reinante.
E já como Catarina II, lançou um manifesto, em que explicava os motivos para a remoção de Pedro III - tentativa de mudar a religião do Estado, a paz com a Prússia, a guerra desnecessária contra a aliada tradicional, a Dinamarca, a insatisfação dos oficias do exército que viam seu sentimento anti-Russia – e para justificar que sua proclamação como Imperatriz Autocrata de facto de Todas as Rússias explicou que era “o desejo de todos os nossos leais súditos, sem nenhum tipo de hipocrisia”.
22 de setembro (03 de outubro), de 1762, ela foi coroada em Moscou.


A Coroa Imperial Russa.

A Coroação de Catarina II marca a introdução na Cerimônia de Sagração Imperial de um dos principais tesouros da Rússia, a Coroa Imperial, projetada pelo joalheiro suíço-francês Jérémie Pauzié, inspirada nas Coroas dos Imperadores Bizantinos, com folhas de louro e carvalho em ouro (os símbolos de poder e força), 75 pérolas e 4.936 diamantes, encimada por um rubi espinélio de 398,62 quilates que antes pertencia a Imperatriz Elizabeth Petrovana, e uma cruz de diamante, num total de apenas 2 quilos e 300 gramas.
A partir de Catarina II, essa joia da Dinastia Romanov, serviu para Coroar todos os Imperadores até a abolição da Monarquia, o último a usa-la foi Nicolau II, e ela está agora em exibição no Museu do Kremlin em Moscou.  
A Coroação de Catarina

Catarina guerreou, Catarina fez a Paz, Catarina se relacionou com as Nações Ocidentais e com o Japão, Catarina repartiu a Polônia coma Prússia e com a Áustria, fez Rei, príncipes e nobres, atuou nas Finanças e criou Banco para emitir papel moeda, foi patronesse das artes, da cultura, da literatura, da educação, o Museu Hermitage, que agora ocupa todo o Palácio de Inverno, começou como sua coleção pessoal, foi tolerante com os Velhos Crentes da  Igreja Russa, com os jesuítas expulsos de outros países, com os Islamitas, declarou que os judeus eram  oficialmente estrangeiros, com os direitos dos estrangeiro, começou a secularização do funcionamento do dia-a-dia da Rússia, exerceu uma política muito controvertida em relação a maçonaria, estendeu as fronteiras do Império Russo para absorver norte do Mar Negro, Mar de Azov, Nova Rússia , Crimeia , Norte do Cáucaso , parte da Ucrânia , Bielorrússia, Lituânia e Curlândia, com, acrescentou cerca de 200.000 quilômetros quadrados (520 mil km 2 )  ao território russo e mais 7 milhões de almas, publicou  "Carta dos direitos, liberdades e vantagens de nobreza" e "Carta sobre os direitos e vantagens das cidades do Império Russo”, não foi boa com as pessoas do campo e com os servos, viajou pelo seu Império, etc...e etc...
 A Corte de Catarina 

Catarina II fisicamente: 
Era morena de estatura mediana
Catarina II na intimidade:


Casamento Morganático de Catarina II e Potemkin
8 de junho de 1774 (de acordo com uma versão do VS Lopatin, que cita 28 cartas de Catarina para Potemkin o chamado de "marido" e dele para ela a chamado de "esposa"30 vezes.
Outras com as palavras "querido marido", mas há combinações como "meu querido marido", "querido marido", "homem gentil”, “dono da casa ", etc....
Catarina II e Potemkin, segundo alguns
 Historiadores, praticavam a “arte erótica”, tanto que existia no Palácio de Tsarskoye Selo um quarto com várias peças e objetos eróticos.

Muito inteligente, muito culta, dotada de um notável senso político, criada para ter sabedoria e recato frente a Corte e ao Povo em geral, na intimidade foi uma percursora do “conceito” do Amor Livre, que só veio realmente a público no final do século XIX, “conceito” esse que permitia aos seus defensores o direito ao prazer ou múltiplas relações sexuais.
Praticante ativa teve os seguintes amantes:
 1-      Conde Sergei Vasilyevich Saltykov, amante secreto,
2-      Stanislaw August Poniatowsk, amante secreto, elevado por ela a Rei da Polônia,
3-      Príncipe Grigory Grigoryevich Orlov, amante secreto, depois favorito oficial,
4-      Alexander Semyonovich Vasilchikov, favorito oficial,
5-      Grigory Alexandrovich Potemkin, favorito oficial, mas segundo alguns houve um casamento morganático. “Aparentemente, Catarina e Potemkin permaneceram juntos até o fim da vida, apesar das relações com outros favoritos. Algumas fontes relatam que ele tinha quarto dentro do apartamento imperial, e era chamado de o "Favorito- em-Chefe ", como a Maîtresse-en-titre dos Reis de França.
6-      Pedro V Zavadovsky, favorito oficial,
7-      Simon Gavrilovic Zorich, favorito oficial,
8-      Ivan Nikolaevich Rimsky-Korsakov, favorito oficial,
9-      Ivan Fears Varfolomeyevich,” amor de verão”,
10-   Vasily Ivanovich Levashov,” amor de verão”,
11-   Nikolai Petrovich Vygotsky, amor de verão”,
12-   Alexander Dmitrievich Lansky, favorito oficial,
13-   Nikolai Semenovich Mordvinians,” amor de verão”,
14-   Aleksandr Petrovich Yermolov, favorito oficial,
15-   Alexander Matveyevich              Dmitriev-Mamonov, favorito oficial
16-   Mikhail Andreyevich Miloradovich,” amor de verão”,
17-   Mikhail Pavlovich Miklashevskii,” amor de verão”,
18-   Platon Alexandrovich Dentes, favorito oficial e o relacionamento terminou só com a morte dela.
Isso mais um ou dois “amores de verão” que não se sabe ao certo o nome.
Catarina II tinha uma “sensualidade desenfreada", conforme todas as referências sobre esse assunto, e eu acredito que ela sofria de “Furor Uterino”, que é:
Apetite sexual excessivo, hipersexualidade, Desejo Sexual Hiperativo (DSH), ou Ninfomania (em mulheres) e Satiríase (em homens) é um transtorno sexual caracterizado por um nível elevado de desejo e atividade sexual a ponto de causar prejuízos na vida da pessoa. Trata-se de um tipo de vício com sintomas compulsivos, obsessivos e impulsivos, e seu tratamento é similar ao de outros tipos de dependências. A prevalência está em torno de 5%, sendo mais comum em homens, porém a dificuldade dos participantes em assumirem o problema por questões morais e sociais indicam que a frequência deve ser maior.

O Sátiro e a Ninfa.
Gravura do século XVIII.

Luís XIV e Luís XV, Reis de França e de Navarra, sofriam de Satiríase, como veremos:
Luís XIV, Le Roi-Soleil:
Quinze amantes antes de seu casamento com Madame de Maintenon, que se tornou amante dele quando ainda era governanta dos filhos de Madame de Montespan, depois casaram em sigilo, um casamento morganático, após a morte da Rainha Maria Teresa d’Áustria, uma Infanta de Espanha:
a-      Maria Mancini, sobrinha do Cardeal Mazarin, que se tornou Madame la Connétable de Colonna;
b-      Olympe Mancini, Condessa de Soissons, irmã do anterior;
c-       Lucia La Motte-Argencourt
d-      Henriette Anne Stuart da Inglaterra, Madame, sua cunhada, mulher de Monsieur, Philippe I, Duque d'Orléans, Le frère du Roi;
e-      Louise Françoise Le Blanc de La Baume, Duquesa de La Vallière e Vaujours, com quem teve filhos;
f-       Catherine Charlotte de Gramont, Princesa de Mônaco, esposa do Príncipe de Mônaco;
g-      Francoise-Athenais Rochechouart Mortemart, Marquesa de Montespan, com quem teve filhos;
h-      Bonne de Pons, Marquesa d'Heudicourt;
i-        Anne-Julie de Rohan-Chabot, Princesa de Soubise;
j-        Marie-Elisabeth Ludres (1676-1677);
k-      Lydia Rochefort-Théobon;
l-        Marie Angélique de Scoraille de Roussillon, Marquesa depois elevada a Duquesa de Fontanges, chamada de « Mademoiselle de Fontanges»;
m-    Claude Wine Carnation, chamada de « mademoiselle des Œillets », com quem teve filho;
n-      Anne-Lucie de La Mothe-Houdancourt;
o-      Françoise d'Aubigné, Marquisa de Maintenon, viúva do poeta Scarron chamado de « la belle indienne ».



Na mitologia grega ninfas e sátiros eram descritos e pintados frequentemente em orgias feitas em homenagem a Dionísio (Baco).
Luís XV, le « Bien-Aimé »:
Fogoso de mais, teve um caso homossexual com a idade aproximada de 15 anos patrocinado por Louis IV Henri de Bourbon-Condé, sétimo Príncipe de Conde, Duque de Bourbon, Duque d'Enghien, Duque de Bellegard, Par de França, Conde de Sancerre, chamado de « Monsieur le Duc », Primeiro-ministro do Rei, e sua amante Jeanne-Agnès Berthelot de Pléneuf, Marquesa de Prie.
Segundo contas o Rei-adolescente já estava ficando viciado no tal “chevalier pour tout le servisse” e para acabar com o caso o sobrinho-neto do Cardeal-Duque de Richelieu, Louis-François-Armand du Plessis Vignerot, Duque de Richelieu e de Fonsac, Príncipe de Mortagne, Marques de Pont-Courlay, Conde de Cosnac, Barão de Barbezieux, de Saujon, de Cozes, Marechal e Par de França, colocou o ‘gajo pra correr’.
Logo arranjaram uma esposa para o Rei que foi Maria Karolina Zofia Felicja Leszczyńska, Maria Leszczyńska, filha do Rei da Polônia, Grão-Duque da Lituânia, depois Duque de Lorraine e Bar, Stanislas Leszczynski, com quem teve 10 filhos, a saber:
1-      Isabel (1727 – 1759), Madame ou Madame Première (depois Madame Infante). Mais tarde conhecida como Duquesa de Parma. Casou-se com Dom Filipe de Bourbon, Infante de Espanha, mais tarde Duque de Parma.
2-      Henriqueta (1727 – 1752), Madame Seconde (depois Madame Henriette e Madame) gêmea da anterior.
3-      Maria Luísa (1728-1733), Madame Troisième
4-      Luís Fernando (1729 – 1765) Delfim de França. Casou-se com a Infanta Maria Teresa Raffaela de Espanha, e depois com Maria Josefa de Saxônia.
5-      Filipe (1730-1733), Duque de Anjou
6-      Adelaide (1732 – 1800), Madame Quatrième (depois Madame Troisième, Madame Adélaïde e Madame)
7-      Vitória (1733 – 1799), Madame Quatrième (depois Madame Victoire)
8-      Sofia (1734 – 1782), Madame Cinquième (depois Madame Sophie)
9-      Teresa (1736-1744), Madame Sixième (depois Madame Thérèse)
10-   Luísa (1737 – 1787), Madame Septième (depois Madame Louise). Tornou-se freira.
As amantes:
1-      Louise Julie de Mailly-Nesle, Condessa de Mailly;
2-      Pauline Félicité de Mailly-Nesle, Condessa d de Vintimille;
3-      Diane Adélaïde de Mailly-Nesle, Duquesa de Lauraguais;
4-      Marie-Anne de Mailly-Nesle, Marquesa de la Tournelle, Duquesa de Châteauroux;
5-      Jeanne-Antoinette Poisson, mariée Le Normand d'Etioles, Marquesa de Pompadour;
6-      Jeanne Bécu de Cantigny, Condessa du Barry;
7-      Marie-Louise O'Murphy dite La belle Morphyse ou Mademoiselle de Morphyse;
8-      Françoise de Châlus, Duquesa de Narbonne-Lara;
9-      Marguerite-Catherine Haynault, Marquesa de Montmélas;
10-   Lucie Madeleine d'Estaing, filha natural de Charles François d'Estaing, Visconde de Ravel, Marquês de Sailhant e Magdeleine Erny de Mirfond, e meia-irmã de Almirante d'Estaing;
11-   Anne Couppier de Romans, Baronesa de Meilly-Coulonge;
12-   Louise-Jeanne Tiercelin de La Colleterie, Madame de Bonneval;
13-   Irène du Buisson de Longpré, filha de Jacques du Buisson, Senhor do Longpré;
14-   Catherine Éléonore Bénard, filha de Pierre Bénard, Escudeiro de la bouche du Roi;
15-   Marie Thérèse Françoise Boisselet, só se sabe que casou com o farmacêutico Louis-Claude Cadet de Gassicourt;
16-   Marie Anne de Mailly-Rubempré, Marquesa de Coislin.



Marie-Louise O'Murphy dite La belle Morphyse ou Mademoiselle de Morphyse- 1752
François Boucher
Pintor francês do estilo rococó.

Com algumas delas Luís XV teve filhos, mas não cabe aqui nessa conversa, pois só o citei por causa da Satiríase, o furor uterino masculino.
Catarina II causa escândalo aos Monarcas estrangeiros, mas não estava nem ai pra cor da chita.
Embora a vida e reinado de Catarina incluído notáveis ​​sucessos pessoais, eles acabaram com dois fracassos.
O primeiro:
Gustavo IV Adolfo, Rei da Suécia, visitou-a em setembro de 1796, pois era intenção da Imperatriz casa-lo com sua neta a Grã-duquesa Alexandra Pavlovna, Александра Павловна, filha do futuro Imperador Paulo I da Rússia e Sophie Dorothea de Württemberg.
Todavia a Grã-duquesa Alexandra Pavlovna se recusou a se converter ao Luteranismo, e o projeto não foi a frente.
Com isso, apesar de ter ficado encantado com a moça, Gustavo IV Adolfo partiu de volta para Estocolmo absolutamente solteiro.
Catarina II ficou irritadíssima com a situação e teve um problema de saúde.
O segundo:
Nessa conversa esta publicada uma cópia de um quadro de Paulo I que dá para ver que ele era um mandrião, um menino doentio, seu nariz arrebitado é atribuído a um ataque de tifo, odiava a mãe, mas foi admitido no Conselho para aprender, e um dos conselheiros o descrevo como um parlapatão, "sempre com pressa, agindo e falando sem reflexão”.
Catarina queria substitui-lo como Herdeiro do Trono e elevar seu neto, filho dele, Aleksandr Pavlovich, Александр Павлович, futuro Alexandre I, a essa Condição.
Não teve tempo, morreu antes de um acidente vascular cerebral antes que pudesse fazer o anúncio, em 17 de novembro [6 de novembro] 1796.
“De acordo com Elisabeth Vigée Le Brun {pintora francesa}:
"O corpo da Imperatriz ficou exposto durante seis semanas em um quarto grande e magnificamente decorado no castelo, que foi mantido aceso dia e noite. Catarina II estava estendido numa cama cerimonial rodeada pelos Brasões de todas as cidades da Rússia. Seu rosto estava descoberto, e suas mãos descansavam na cama. Muitas mulheres, algumas voltavam várias vezes, iam beijar a mão {da Morta}, ou pelo menos parecia. "
Essa descrição do funeral da Imperatriz está escrita nas memórias de Louise-Élisabeth Vigée, de casada Madame Vigée-Lebrun, nascida e falecida em Paris, * 16 de abril de 1755 e + 30 de Março de 1842, considera a maior retratista de seu tempo.
Catarina foi sepultada na Catedral de Pedro e Paulo, em São Petersburgo.



  Catarina II
Por Fyodor Stepanovich Rugidos
Pintor Russo
Retratista, que trabalhou durante o Iluminismo russo


  Екатерина II Великая, transl. Yekaterina II Vielikaya, convertida a Igreja Ortodoxa com o nome de Ekaterina Alekseyevna, uma Princesa protestante nascida Sophie Auguste Friederike von Anhalt-Zerbst, ou Sofia Augusta Frederica de Anhalt-Zerbst, reinou absoluta como Imperatriz Autocrata de Todas as Russias, Императрица самодержец всея Руси, de 28 de junho de 1762 até 17 de novembro de 1796, portanto 34 anos, 4 meses e 20 dias.
Foi um excelente governante para o Império Russo, apesar de sua doença, o apetite sexual excessivo, hipersexualidade, Desejo Sexual Hiperativo (DSH), ou Ninfomania (em mulheres).
Eu a admiro muito e...
ВИВА ЕКАТЕРИНА
VIVE CATHERINE
VIVA CATARINA



  
Retrato de Paulo I com o Habito de Grão-Mestre da Ordem de Malta.
De
Nikolai Tonci, nascido em Roma
Pintor, artista gráfico, músico, poeta e cantor, que trabalhou na Rússia.