sábado, 28 de março de 2015

157/C- conversa- Felipe, o Belo, Rei de França- Rei ou Monarca- Parte 8/C Avignon

157/C- conversa- Felipe, o Belo, Rei de França- Rei ou Monarca- Parte 8/C


Armas de Avignon 

Uma historinha abreviada de Avignon:
O primeiro Bispo de Avignon foi Ebulus por volta de 202 d. C., com vários outros evangelistas até chegar a Nectarius, primeiro Bispo histórico de Avignon, citado em 29 novembro 439, durante o conselho regional na Catedral de Riez, ou Riez-la-Romaine, hoje no département des Alpes-de-Haute-Provence, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur.
Em 472, Avignon é saqueada pelos burgúndios.
Em 500, Clovis sitia Avignon.
Vitiges, Rei dos ostrogodos na Itália, toma Avignon, em 536.
Os filhos de Clovis I, Clotário, Childeberto I, a Dinastia Merovíngia, anexam Avignon, Orange, Carpentras, Gap (hoje localizada na região Provence-Alpes-Côte d’Azur, o capital do departamento de Hautes-Alpes) Arles e Marselha, e o neto de Clovis, Thibert I, anexa Aix, Apt (hoje sub-prefeitura do departamento de Vaucluse, na região Provence-Alpes-Côte d'Azur), Digne e Glandevès.
O Imperador Justiniano I reconhece essas conquistas internacionais dos Merovingios.



Cerco de Avignon em 1226 (à esquerda), a morte de Louis VIII, o Leão e a coroação de São Luís IX (à direita).

A partir do século VII a história de Avignon é terrível, mas no século IX o clérigo Ratfred é eleito Bispo de Avignon, a ponte sobre Le Rhône, o rio Ródano, é reconstruída.
Em 932 com a formação do Reino de Arles, ou Arelato, com capital na Cidade de Arles, Avignon, se torna uma das maiores cidades.
Já citei acima que com a partilha do Império de Carlos Magno, o Reino de Borgonha, ou Arelato, ou Reino de Arles, ficou para o Conde de Toulouse, portanto Avignon estava incluída nessa ação.
Em 1209 tem lugar o Conselho de Avignon e a segunda excomunhão de Raymond VI de Toulouse, de Saint-Gilles, de Rouergue, Duque de Narbonne, Marquês de Gothia e Provence, filho de Raymond V, Conde de Toulouse, etc., e de Constance de France, essa filha de Luís VI, Rei de França e Adèle de Savoia.
Raymond VI foi acusado de colabora com a heresia dos cátaros.
Seu filho, Raymond VII de Toulouse, a defendeu do cerco imposto por Luís VIII, Rei de França, mas acabou derrotado.
Poucos dias após a rendição da cidade às tropas do rei Luís VIII, Avignon sofreu com uma terrível inundação.
Em 1249, os nativos estabeleceram uma república, aniquilada pelos dois irmãos de São Luís, Alphonse de Poitiers e Carlos de Anjou, herdeiros por casamento daquela região, que incluía a cidade de Avignon.  
Após, a morte de Alphonse de Poitiers, seu sobrinho Felipe III, o Audaz, filho de São Luís, herdou Avignon, que em 1285 doou-a a seu filho Felipe, o Belo, que a vendeu em 1290 a seu primo, Carlos II, o Coxo, Rei de Nápoles, Sicília Titular de Jerusalém, Conde de Provença, Forcalquier, de Anjou e do Maine, Duque da Apúlia, Príncipe de Salerno, Cápua, Tarento, filho de Carlos I de Anjou, irmão de São Luís.

Joana de Nápoles e Anjou- Sicilia.

Depois do Papado instalado na cidade e Giovanna I di Napoli, ou la Reine Jeanne I, ou rainha Joana I, Regina di Napoli in carica 1343 – 1382, ou Rainha de Nápoles de facto e Condessa por direito próprio de Provence, de 20 de janeiro de 1343 – 12 de maio de 1382, portanto 39 anos, 3 meses e 22 dias, Princesse d'Achaïe, ou Principado da Acaia, situado na Península do Peloponeso (então conhecido como Moreia), bastante rico, exportador de vinho, uvas passas, cera, mel, azeite e seda, da Maison capétienne d'Anjou-Sicile, visitou o Papa Clemente VI ,nascido Pierre Roger, O.S.B, o quarto do Papado de Avinhão) e teve o seu pontificado de 7 de Maio de 1342 até a data da sua morte, em 6 de Dezembro de 1352 , com 61 anos, e para ele vendeu Avignon por 80.000 florins em 9 de junho de 1348.


Papa Clemente VI, o comprador de Avignon.

O Papa Inocêncio VI, nascido Étienne Aubert, francês do Limousin, construiu solidas muralhas, atraiu muitos comerciantes, pintores, escultores e músicos. O seu palácio, é o edifício mais notável no estilo gótico do mundo, foi o resultado do trabalho dos arquitetos franceses, Pierre e Jean Peysson du Louvre (chamado Loubières) e os afrescos foram pintados por Simone Martini e Matteo Giovanetti da Escola de Siena.
“A biblioteca papal em Avignon foi o maior da Europa no século quatorze (14) com 2.000 volumes”.
Nela estudou Petrarca.

Barcos em Avignon
Desenho T. Allom, gravura de E. Brandard.

O Antipapa Bento XIII, nascido Pedro Martínez de Luna y Pérez de Gotor, el Papa Luna, em espanhol, um aragonês nobre, é oficialmente considerado pela Igreja Católica como Antipapa, mas na época foi reconhecido como Papa pela França, Escócia, Sicília, Castela, Aragão, Navarra e Portugal, foi o último a pontificar em Avignon do dia de sua eleição 8 de setembro de 1394 até
12 de março 1403, quando fugiu da cidade e se asilou nos domínios do Luís II, Rei de Nápoles e Duque de Anjou, um membro da Casa de Valois-Anjou.
No entanto, em 1398 o Reino da França retirou seu reconhecimento do Papado de Avignon e Bento foi abandonado por 17 de seus Cardeais, com apenas cinco permanecendo fiel a ele.
A autoridade papal de Bento não era mais reconhecida na França, Portugal, ou Navarra, mas ele foi reconhecido como o Papa, na Escócia, na Sicília, Aragão e Castela.
“Em 1406, o Papa romano recém-eleito, Gregório XII, nascido Angelo Corraro, iniciou negociações com Bento, sugerindo que ambos renunciassem para que um novo papa fosse eleito. As negociações chegaram a um impasse e o Rei francês, Carlos VI, ajudou a organizar o Conselho de Pisa de 1409, donde saiu eleito o Papa Alexandre V, que, também, foi considerado um Antipapa”.
Todas essas marchas e contra marchas estão no ciclo histórico denominado Grande Cisma do Ocidente, Cisma Papal ou simplesmente Grande Cisma foi uma crise religiosa que ocorreu na Igreja Católica de 1378 a 1417.
“Entre 1309 e 1377, a Sede do papado foi para Avignon, na França, pois o Papa Clemente V foi residir em Avignon. Em 1378, o Papa Gregório XI voltaria para Roma, onde faleceria. A população italiana desejava que o papado fosse restabelecido em Roma. Foi então eleito o Urbano VI, de origem italiana. No entanto, ele demonstrou ser um papa muito autoritário, de modo que uma quantidade considerável do Colégio dos Cardeais, anularam a sua eleição. Um novo conclave, é o eleito Clemente VII, que passou a residir em Avignon. Iniciara-se assim o Cisma, em que o Papa residia em Roma e o Antipapa residia em Avignon, reclamando ambos para si o poder sobre a Igreja Católica. Posteriormente, surgiria outro Antipapa em Pisa. A cisma terminou no Concílio de Constança em 1417, quando o papado foi estabelecido definitivamente em Roma”.

  Papa Bento, Papa Luna.

Bento recusou-se a se demitir, e foi declarado um cismático e excomungado da Igreja Católica no Concílio de Constança em 27 de Julho 1417, mas ele se considerava o verdadeiro Papa, pelo o fato de que ser o único Cardeal nomeado antes da cisma. Reconhecido somente no reino de Aragão, onde foi dada proteção pelo Rei Alfonso V. Bento manteve-se em Peñíscola de 1417 até sua morte lá em 23 de maio de 1423.
Durante o pontificado de Clemente V, já citado, a Sede foi Itinerante até se fixar em Carpentras, próxima a Avignon, porém Cúria foi se estabelecer nessa última cidade, Avignon, em 9 de março de 1309.
Foram seis os Papas e dois Antipapas que residiram em Avignon:
1-      João XXII: 1316-1334
2-      Bento XII: 1334-1342
3-      Clemente VI: 1342-1352
4-      Inocêncio VI: 1352-1362
5-      Urbano V: 1362-1370 (em Roma 1367-1370; retornou a Avignon 1370)
6-      Gregório XI: 1370-1378 (em Avignon para retornar à Roma, em 13 de setembro de 1376)
Antipapas
1-      Clemente VII (1378-1394)
2-      Bento XIII (1394-1403)

A Obra que ficou mais espetacular em Avignon depois da saída dos Papas e Antipapas, foi sem dúvida le Palais des Papes, ou Palácio dos Papas, fortaleza e palácio, residência pontifícia durante o século XIV, portanto a sede da Cristandade do Ocidente, que a partir de 1995, juntamente com o Centro Histórico de Avinhão, passou a estar classificado na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Palais des Papes, ou Palácio dos Papas



Continua...