sexta-feira, 27 de março de 2015

157 - conversa- Felipe, o Belo, Rei de França- Rei ou Monarca- Parte 8/A

157 - conversa-  Felipe, o Belo, Rei de França- Rei ou Monarca- Parte 8/A.


Philippe de France
Ficha Técnica:
Nome: Philippe de France.
Cognominado: le « Roi de Marbre » ou « Roi de Fer », O Rei de Mármore, ou Rei de Ferro, por sua personalidade austera e suas ações rígidas.
Data de nascimento, local: entre abril / junho de 1268, o primeiro rei da França a nascer no Castelo real de Fontainebleau, Le château royal de Fontainebleau.
Data de morte, local:  29 de novembro de 1314, no Castelo real de Fontainebleau, Le château royal de Fontainebleau, com 46 anos. Sepultado Nécropole royale de la basilique de Saint-Denis.
Dinastia: Capetos Diretos. Décimo primeiro Rei dessa linhagem dinástica.
Filiação:
Pai: Felipe III, Rei de França, esse filho de Luís IX, Rei de França, canonizado como São Luís, e de Margarida de Provença, filha de Ramon Berenguer IV (ou Raimond Berenger V de Provence), Conde de Provence e Forcalquier, e de Beatrice de Savoia, filha de Tommaso I, Conte di Savoia, e de Beatrice di Ginevra (Beatriz de Genebra)
Mãe: Isabel de Aragão, essa filha do Rei Jaime I de Aragón el Conquistador, Rey de Aragón, Mallorca, Valencia, Conde de Barcelona y Señor de Montpelier, e de Violante de Hungria, filha do rei André II da Hungria e sua segunda esposa Yolanda de Courtenay, filha de Pedro II de Courtenay, Imperador do Império Latino de Constantinopla desde 1216 a 1217.
Cargo:
1-      Rei da França por Direito próprio de 5 de Outubro de 1285 -29 de Novembro de 1314, portanto 29 anos, 1 mês e 24 dias;
2-      Rei- Consorte de Navarra, por casamento com Joana I, Rainha de Navarra, Condessa de Champagne, de 16 de agosto de 1284 - 04 de abril de 1305, portanto 20 anos, 7 meses e 19 dias;
3-      Conde – Consorte de Champagne, por casamento com Joana I, Rainha de Navarra, Condessa de Champagne, de 16 de agosto de 1284 - 04 de abril de 1305, portanto 20 anos, 7 meses e 19 dias.
Unção e Coroação:
a-      6 de janeiro de 1286, na Catedral de Reims, como Rei de França, ungido e coroado pelo Arcebispo Pierre Barbet.
b-      Ao casar com Joana I de Navarra em 14 de agosto de 1284 se torna Rei-Consorte de Navarra e Conde-Consorte de Champagne.
Esposa:
Joana, da Casa de Champagne, que nasceu em 14 de Janeiro de 1273, em Bar-sur-Seine , Champagne , e morreu no dia 2 de Abril de 1305, no Castelo Real de Vincennes , França.
Filiação de Joana:
Pai:  Henrique, o Gordo, ou Henrique I, Rei de Navarra e Conde de Champagne, falecido afogado na sua gordura em 22 de julho de 1274;
Mãe: Blanche d’Artois, a Rainha-viúva-Regente, filha de Roberto, o Bom, ou Robert I, Conde de Artois, filho de Luís VIII de França e Branca de Castela, e de Matilda, filha de Henry II, Duque de Brabante e de Marie de Suábia ou Hohenstaufen, essa uma neta de Frederico Barba-roxa, ou Frederico Barbarossa, portuguesado de Frederico Barba-Ruiva, Imperador Sacro.
Viveu Joana ainda menina sobre a proteção do Rei de França, em Vincennes, junto com sua mãe nomeada Regente do Reino de Navarra, e foi criada na Corte de França para casar com Felipe, o Belo.
Casamento e data:
14 de agosto de 1284.
Ele com 16 anos.
Ela com 11 anos.
O primeiro filho veio em 1289, portanto 5 anos depois do enlace, quando a nova já tinha 16 anos e o noivo 21 anos.
São esses os filhos:
1-      Louis de France, Luís X, Rei de Navarra e da França de 1314 a 1316;
2-      Marguerite de France, prometida ao nascer a Fernando IV, Rei de Castela, contudo nasceu em 1290 e faleceu em 1294, com 4 anos de idade;
3-      Philippe de France, ou Filipe V, Rei da França de 1316 a 1322;
4-      Isabelle de France, Rainha-Consorte da Inglaterra ao se casar com Eduardo II, Rei da Inglaterra, mãe de Eduardo III, Rei de Inglaterra;
5-      Blanche de France, nascida em 1293 e falecida em 1294;
6-      Charles de France, o Carlos IV, Rei da França de 1322 a 1328;
7-      Robert de France, falecido com 12 anos, pois nasceu em 1296 e faleceu em 1308, sem problema.

Embora ainda jovem e por seu casamento ter sido por amor, Felipe IV, viúvo não mais se casou, preferido manter viva a memória de Joana, sua falecida esposa.
Ao contrário de seu pai, Felipe, o Belo, era culto, gostava de estudar, inclusive latim, não dando trabalho a seu Tutor Guillaume d'Ercuis, que alem das funções junto aos filhos do Rei era notário real, cônego de Laon, de Noyon, de Senlis, de Marchais e de Reims, Arquidiácono de Laon e Thiérache, capelão de Filipe III, Rei de França, o pai do “Belo”.
Tinha uma personalidade tão forte, era tão duro, levava as coisas tão a sério, que Bernard Saisset, Bispo da Igreja Católica e Abade de cânones Saint-Antonin de Pamiers, no hoje departamento de Ariege, região Midi-Pyrénées, seu inimigo figadal, disse sobre ele:
 “Il ne est ni homme ni bête. Ce est une statue”.
T.L.: “Não é nem homem nem animal. É uma estátua”.
Por causa desse Bernard Saisset, Bispo da Igreja Católica, as relações de Felipe, o Belo, com o Bonifacio VIII, nato Benedetto Caetani, 193º Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, azedaram e foi, sem dúvida nenhuma, um dos motivos que gerou o celebre Schiaffo di Anagni, Atentado de Anagni, ou Bofetada de Anagni, ocorrido na Cidade de Anagni, città dei Papi, pois o Soberano Pontífice nela havia nascido e local de sua casa de descanso, hoje região do Lácio, província de Frosinone, em 7 de setembro de 1303.
Explicação:
A monarquia absolutista de Felipe, o Belo, não admitia qualquer poder fora de seu controle, o que chocava com a doutrina teocrática do Papa Bonifácio VIII, que alegava o direito papal sobre todos os homens, mesmo os soberanos.
Além do que a Igreja não queria de jeito nenhum pagar taxas, impostos, etc. sobre suas propriedades, várias e várias, centenas delas, ao Rei de França.
Por isto, o Papa promulgou a Bula "Unam Sanctam" de 1302 – quando Bonifácio VIII reafirmou a superioridade do poder espiritual sobre o poder temporal-  que provocou uma tempestade entre as duas forças.
No início de 1303, Felipe IV sabia que estava sob ameaça de excomunhão, além do que o Papa tinha ameaçado de lançar um “interdicto” sobre o Reino de França, isso é “uma censura eclesiástica pela qual as autoridades religiosas eram proibidas de ministrar, já que era proibido a presença dos fieis em serviços divinos, recepção de certos sacramentos e enterro cristão” e “ela difere da excomunhão, pois os afetados não são expulsos da sociedade cristã, como a pessoa excomungada”.
Marrudo, Felipe, o Belo, responde com a convocação de um conselho dos Bispos da França para condenar o Papa.
Convoca, também, as assembleias de nobres e de burgueses de Paris (precursores do Estados Gerais, que aparecem pela primeira vez durante o seu reinado), para pedir a ambos o apoio de todos os seus súditos para legitimar a sua luta contra o Papa.
Com o apoio do povo e do clero, o Rei envia seu conselheiro (e futuro Ministro da Justiça), o Guillaume de Nogaret, com uma pequena escolta armada para a Itália, a fim de prender o Papa e leva-lo para m concílio ecumênico em Lyon, cujo objetivo é julgar o Pontífice Romano, já que muitos descrevem como "indigno", e depô-lo.


Statua di Bonifacio VIII, Museo civico medievale di Bologna

Bonifácio VIII, ante a embaixada de Nogaret compreendeu as intenções de Felipe IV, e preparou a Bula “Solio Super Petri” para excomunga-lo oficialmente, mas não teve tempo de promulga-la.
Acompanhado de Sciarra Colonna e Rinaldo de Supino, na noite de 7 para 8 de setembro de 1303, encontram o Sumo Pontífice, um ancião de 68 anos, sozinho no grande salão do Palácio Episcopal Caetani abandonado por seus apoiadores, paramentado e sentado numa Cadeira Alta – uma espécie de Trono Episcopal.
Bonifácio não reage a entrada dos homens em armas, mas percebendo que Nogaret e Sciarra Colonna estavam se aproximado dele, exclama:
“Questa è la mia testa, questo è il mio collo, almeno morirò Papa”
T.L.: "Esta é a minha cabeça, esse é o meu pescoço, pelo menos eu vou morrer Papa”.

Em resposta, Colonna, cuja família era arquirrival da família do Pontífice em exercício, os “Caetani, ou Gaetani ou Cajetani, uma antiga família nobre, que desempenhou um papel importante na antiga República Marítima de Pisa, em Roma, no Estados Papais e futuramente no Reino das Duas Sicílias”, esbofeteou Bonifácio, com a mão coberta pela luva de ferro da armadura.


Colonna dá um tapa Bonifácio VIII
Ilustração da história da França de François Guizot
1883

O Golpe foi tão violento que o Papa caiu da Cadeira Episcopal para o chão (Na gravura do século XIX acima o Papa está de pé ao levar o bofete, mas não foi assim).
Bonifácio foi privado de comida e água, espancado, quase executado, e bastante humilhado durante três dias. Pouco depois, a população de Anagni, envergonhada de ter abandonado o Papa se revoltou, expulsou os ‘conspiradores’, e libertaram o Papa que voltou para Roma sob a proteção dos membros da Família Principesca Orsini, “uma das mais antiga, ilustre, e importantes famílias nobres na Itália, não só durante a Idade Média e o Renascimento, mas, também, durante os séculos posteriores, o que a tornou a mais poderosa família da nobreza italiana”.
“Na luta política entre o Papado e o Sacro Império Romano Germânico, os Orsini assumiram a causa pró-papal dos Guelfos- Fazioni Guelfi contra a família Colonna, que se opunham ao poder do Papa, membros da facção dos Gibelinos-  Fazioni Ghibellini - afirmando a supremacia do Sacro Império Romano Germânico e de seu Imperador, Rei da Alemanha, formalmente Rei dos Romanos, das instituições imperiais, numa brutal rivalidade de parte a parte, que ensanguentou as cidades da Itália, e as ruas e vielas da Cidade Eterna, com seus terríveis conflitos armados”
Portanto, não era de estranhar essa postura dos Orsini em relação a Bonifácio VIII.
Debilitado, humilhado, sofrendo de gota e com cólicas renais, Bonifácio VII morre em Roma no dia 11 de outubro de 1303, sendo sepultado na Basílica de São Pedro, na capela construída especialmente para ele por Arnolfo di Cambio, coberto com vestes suntuosas, com uma maravilhosa mitra e um anel precioso.  
Essa capela foi destruída por quando da construção da nova (atual) Basílica de São Pedro, mas os restos mortais de Bonifácio foram colocados em Le Grotte Vaticane, onde eles ainda estão, num belo sarcófago, obra, também, de Arnolfo di Cambio.
Seu sucessor, Bento XI, nato Nicola di Boccassio, Soberano Pontífice de 22 de outubro de 1303 até 7 de julho de 1304, portanto quase nove meses de pontificado,revoga as Bulas de seu antecessor, mas os responsáveis pelo ataque em Anagni, il  Schiaffo di Anagni, ou seja, Sciarra Colonna e Guillaume de Nogaret, são intimados a comparecer perante o tribunal papal, onde são condenados e excomungados.
Nem Felipe, o Belo, nem os poderosos Colonnas (entre eles o Príncipe da Igreja Pietro Colonna,
Cardeal diácono de Santo Eustáquio, Arcipreste da Basílica de São João de Latrão, Arcipreste da Basílica da Libéria) gostaram da sentença e o Santo Padre, com medo, temendo pela sua vida, abandona Roma indo morar em Perugia, cidade na região italiana de Úmbria.
Sua morte repentina foi causada por envenenamento por agentes de Nogaret em 7 de julho de 1304.


Papa Beato Bento XI
Casa do Capítulo
Treviso, Itália.

Em 1736, o Papa Clemente XII declarou Bento XI um “Beato”, posição que antecede a declaração de santidade, de Santo, pela Igreja Católica, com festa litúrgica no dia 7 de julho.
As atitudes de Felipe, o Belo, enfraqueceu o poder temporal do Papado e colaborou para diminuir a noção teocêntrica de governo papal, característica da Idade Média e, também, e que era melhor ninguém se opor ao esse taciturno Rei de França.
Fonte: diversas.


Continua...