terça-feira, 24 de março de 2015

155 - conversa- Maurice Druon, - Rei ou Monarca- Parte 6.

155 - conversa- Maurice Druon, - Rei ou Monarca- Parte 6.
Alguns Reis de França:

Pedro Paulo Vicente de Azevedo Kurbhi era um menininho de 3 anos quando eu o conheci, pois casei com sua ‘madinha’ Thereza Christina ,e ele era fã de “colchinhas de galinha”.
Antes dos 15 anos, não sei a idade certa, foi com os pais e a irmã - Celina, a Lindinha - ao Rio de Janeiro. Empolgadão me perguntou se eu havia lido a coleção “Os Reis Malditos”, de Maurice Druon, porque ele estava lendo, e gostando muito.
Eu disse que sim, e começamos a falar dos assuntos tratados nos livros de Druon.
Penso que foi por causa dessa leitura que ele passou a apreciar muito a História Universal.


 Maurice Druon

Maurice Druon, nascido Maurice Samuel Roger Charles Druon, nasceu em Paris no dia 23 de abril de1918, no 13 º arrondissement, e faleceu na mesma “Ville Lumière” em 14 de abril de 2009, com 90 anos, é um escritor e político francês.
Biografia rápida:
Maurice Druon se junta à Resistência [movimento clandestino e de guerrilha contra os nazistas que invadiram a França na II Guerra Mundial] e vai para Londres em janeiro de 1943.  Cria o programa radiofônico na BBC denominado à « Honneur et Patrie », ou "Honra e Pátria", programa da BBC, se torna ajudante de ordens do Général de corps aérien François d'Astier de La Vigerie (leia-se Marechal do Ar), e depois, em 1944, é agregado ao Exército Francês como correspondente de guerra, ficando com essa missão até o fim das hostilidades. Ele escreveu e com seu tio Joseph Kessel as palavras da “Canção dos Partisans “, com música Anna Marly.
Depois da guerra, ele se tornou um escritor e historiador de sucesso, tanto que o “Les Grandes Familles”, As Grandes Famílias, recebeu o Prix Goncourt 1948, e ele finalmente atinge a fama mundial com o sucesso de sua saga histórica literária, “Reis Malditos”, publicados a partir de 1955 e adaptado em 1973 para televisão.

Na Academia.
Ele foi eleito para a Academia Francesa, em 1966, aos 48 anos, e tornou-se seu secretário permanente, de 1985 a 1999, e com a morte de Henri Troyat (nascido Lev Tarasov Aslanovitch, um escritor francês de origem armênia) em 2 de março de 2007, ele se tornou o “ancien membre (doyen d'élection)” - membro mais velho (Decano que cuidava da eleição), em bom português o Decano da l’Académie.


Na porta do  Palais de l'Élysée - residencia oficial do Presidente de França. 

Gaullista – partidário do General De Gaulle-  e engajado na ação política, Maurice Druon, em 5 de abril de 1973, foi nomeado Ministro de Assuntos Culturais pelo Presidente Georges Pompidou. Foi o único Ministro, o único membro do governo, que não foi eleito pelo voto popular à Assembleia Nacional, mas sua condição de Gaullista Histórico e de escritor de sucesso internacional, “acalma” os ânimos dos membros do Legislativo Francês.

Com Vladimir Putin 

Comprou em 1972 as ruínas o Abbaye Notre-Dame de la Faise, ou L’abbaye de la Faise, uma antiga abadia cisterciense fundada em 1137, século XII, localizada no território da atual cidade de Artigues-de-Lussac, na Gironda, Le département de la Gironde, região do sudoeste da Aquitânia, e de 1972 a 2009, Maurice Druon a restaura, onde recebe muitas personalidades e pede para ser nela sepultado.
L' hôtel des Invalides, o Hotel dos Inválidos, é um complexo palaciano construído em Paris por ordem expressa de Luís XIV, o Rei-Sol - Carta Régia de 24 de Fevereiro de 1670 - para abrigar os militares inválidos de seu Exército.
Nesse complexo tem la Cathédrale Saint-Louis des Invalide, a Catedral de São Luís dos Inválidos, e sua “cúpula dourada constitui um dos pontos de referência da paisagem parisiense”, sendo que abaixo delas estão sepultados os restos mortais de Napoleão I, Napoleão II, dois dos irmãos do primeiro Imperador, Joseph e Jérome Bonaparte.
Muito bem...
O serviço fúnebre de Maurice Druon foi celebrado em 20 de Abril de 2009 nessa Catedral de São Luís dos Inválidos, com a presença de Nicolau Sarkozy, então Presidente da República Francesa,
E muitas outras autoridades francesas e estrangeiras.
O serviço fúnebre foi oficiado por Claude Dagens (nascido Jean Pierre Claude Dagens) Bispo de Angoulême e membro da Academia Francesa, e com Honras Militares prestadas no pátio do Inválidos, ao som da Canção dos Partisans.


Honras Militares.

Recebeu as seguintes honrarias:
Grã-Cruz da Legião de Honra
Comandantes das Artes e Letras
Medalha da França Livre
Cavaleiro Comandante da Ordem do Império Britânico honorário 24 (KBE)
Grande Oficial de Mérito da Soberana Ordem de Malta
Dignitário ou detentor das seguintes ordens desses países: Argentina, Bélgica, Brasil, Grécia, Itália, Líbano, Marrocos, México, Mônaco, Portugal, Rússia, Senegal, e Tunísia
Ordem da Amizade dos Povos, de 1993 (Rússia) – Vladimir Putin, o novo grande czar de todas as Rússias, o visitou na L’abbaye de la Faise.
Doutor honoris causa pela Universidade de York (Toronto), a Universidade de Boston (EUA) e da Universidade de Tirana (Albânia)
Prix ​​Goncourt (as Grandes Famílias, 1948)
Prêmio Literário do Príncipe Pierre da Monaco Foundation (por todo o seu trabalho de 1966)
Prêmio Saint-Simon (Circunstâncias, 1998)
Prêmio Agripa d'Aubigné (Le Bon francês, de 2000)
1979: Presidente Honorário do Histórico e Arqueológico da Sociedade de Libourne.
Escreveu várias peças de Teatro, Livros, Ensaios, e sua bibliografia é essa:
Mégarée, pièce en trois actes, créée au Grand Théâtre de Monte-Carlo (1942)
Le Sonneur aller de bien (1943 - novela)
Prefácio d'un chameau en pyjame (1943)
Le Chant des Partisans (com Joseph Kessel, 1943)
Lettres d'un Européen, essai (1944)
La Dernière Brigade, roman (1946)
Délivrée ITHAQUE, poème dramatique traduit de l'anglais; d'après The Rescue d'Edward Sackville-West (1947)
Les Grandes Familles (1948)
La Chute des corps (Les Grandes Familles, II, 1950)
Enfers aux Rendez-vous (Les Grandes Familles, III, 1951)
Remarques (1952)
Un Voyageur, Comédie en un acte, au répertoire de la Comédie Française (1953)
Le Coup de Grace, mélodrame en trois actes (com Joseph Kessel, 1953)
La Volupté d'être, roman (1954)
La Reine étranglée (Les Rois maudits, II, 1955)
Le Roi de fer (Les Rois maudits, I, 1955)
Les Venenos de la Couronne (Les Rois maudits, III, 1956)
L'Hôtel de Mondez, nouvelle (1956)
La Loi des mâles (Les Rois maudits, IV, 1957)
Tistou les verts pouces (1957)
Alexandre le Grand (1958)
La Louve de França (Les Rois maudits, V, 1959)
Le Lis et le Lion (Les Rois maudits, VI, 1960)
Des Seigneurs de La Plaine à l'hôtel de Mondez (1962 - coletânea de contos)
Théâtre - Mégarée , Un Voyageur , La Contessa (1962)
Les Mémoires de Zeus (1963)
Bernard Buffet, essai (1964 - Ensaio)
Paris, de César à Saint Louis (1964 - Ensaio histórico)
Le Pouvoir, observa et maximes (1965)
Les Tambours de la mémoire (1965)
Les Rois maudits, romano historique (6 volumes, 1966)
Les Mémoires de Zeus, II, historique roman (1967)
Le Bonheur des uns, nouvelles (1967)
Vézelay, éternelle Colline (1968)
L'Avenir en désarroi, essai (1968)
Grandeur et significação de Leningrado (1968)
Lettres d'un Européen et Lettres Nouvelles d'un Européen, 1943-1970 (1970 - ensaio)
Splendeur provençale (1970)
Une Église qui se trompe de siècle (1972)
La Parole et le Pouvoir (1974)
Oeuvres completes (25 volumes com material inédito, 1977)
Quand un Roi Perd la France (Les Rois maudits, VII, 1977)
Atenção la France! (1981)
Reformador la démocratie (1982)
La Culture et l'État (1985)
Vézelay, Colline éternelle, édition nouvelle (1987)
Lettre aux Français sur leur langue et leur âme (1994)
Circonstances (1997)
Circonstances politiques, 1954-1974 (1998)
Le bon français (1999)
Circonstances politiques II, 1974-1998 (1999)
La France aux ordres d'cadavre un (2000)
Ordonnances pour un État malade (2002)
Le Franc-parler (2003)
Mémoires. L'Aurore vient du fond du ciel (2006)
Les Mémoires de Zeus (2007)
Em especial destaco os  livros dos “Os Reis Malditos” que são:
I. Le Roi de fer (O Rei de Ferro), 1955
II. La Reine étranglée (A Rainha Estrangulada), 1955
III. Les Poisons de la couronne (Os Venenos da Coroa), 1956
IV. La Loi des mâles (A Lei dos Varões), 1957
V. La Louve de France (A Loba de França), 1959
VI. Le Lis et le Lion (O Lis e o Leão), 1960
VII. Quand un Roi perd la France (Um Rei Perde a França), 1977

                                                                                 

Druon 

São romances que abarcam a época dos últimos cinco reis da Dinastia Capetiana Direta e os dois primeiros da Casa de Valois. A história tem como tramas principais:
1-       Os esforços de Roberto III de Artois em recuperar o condado de Artois de sua tia Mafalda de Artois;
2-      As intrigas das cortes;
3-      Adultérios reais;
4-      A História dos Reis da Inglaterra, suas esposas, filhos, Lordes, favoritos;
5-      A famosa Lei Sálica dos franceses;
6-      A Ruina da Ordem dos Templários e a maldição lançada sobre os Capetos por Jacques de Molay, o ultimo Grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, quando estava sendo queimado vivo numa fogueira na Ilha dos Judeus, em Paris.

A figura de Felipe, o Belo, o Rei de Ferra, Rei da França e Navarra, Conde de Champagne, tem grande destaque na Coleção do Reis Malditos de Maurice Druon, por isso esse celebre escritor foi citado com tanto carinho, já que é desse Monarca Frances que vamos conversar agora...

Continua...