sábado, 28 de março de 2015

157/B- conversa- Felipe, o Belo, Rei de França- Rei ou Monarca- Parte 8/B

157/B- conversa-  Felipe, o Belo, Rei de França- Rei ou Monarca- Parte 8/B





O Trono de São Pedro itinerante com Clemente V

A Santa Sé itinerante:
A princípio toda a Corte Papal de Bento XI passou para Poitiers (onde permaneceu por quatro anos) abandonando uma Roma ensanguentada”.

O sucessor do Beato Bento XI, eleito em 5 de Junho de 1305, foi o nobre francês Bertrand de Got, irmão de Bérard de Got, Arcebispo de Lyon e posteriormente e Cardinale Vescovo di Albano (Cardeal-Bispo de Albano) e tio de Raymond de Got, Cardinale Diacono di Santa Maria Nuova (Cardeal Diácono de Santa Maria Nova).



Bertrand de Got, Papa sob o nome de Clemente V. 
Retrato em Avignon, França

Bertrand de Got, sob o nome de Clemente V, foi Ungido e entronizado no Trono de São Pedro em 14 de novembro de 1305 e nele ficou sentado até 20 de abril de 1314, portanto quase 9 anos.
Carpentras é hoje uma comuna francesa, situada no departamento de Vaucluse, na região Provence-Alpes-Côte d'Azur, belo lugar, com clima mediterrâneo, cujos verões são quentes e secos, porem agradáveis, com invernos suaves, com uma estação de chuvas bem definida, e a caída da neve é rara nessa localidade que fica cerca de 25 km de Avignon.
Carpentras, como parte da Provence, um domínio no sudoeste do Reino de França, pertencia na Idade Média  aos Conde de Toulouse, tanto que Raymond V, Conde de Toulouse de 1148 até 1194, e Marques da Provence (Provença), mandou, em 1155, “seu chanceler Raymond Raous, Bispo de Carpentras, confirmar os privilégios que o Mercado da cidade possuía, ou seja, a realização das feiras as sextas-feiras permitindo que 200 feirantes participassem dela, o que fazia desse evento comercial uma grande feira da Idade Média”.    
Pelo Tratado de Paris de 12 de abril de 1229, ou Tratado de Meaux-Paris, ou Tratado de Meaux, concebido pelo Cardeal de Saint-Ange, Legado Papal, e pelos Conde de Champagne e Abade de Grandselve, entre o Rei de França e o Conde de Toulouse, Raymond VII de Saint-Gilles, cedeu “o Marquesado de Provença às mãos da Igreja com o nome de Condado Venaissino - em francês: Comtat Venaissin, em occitano lo Comtat Venaicin,em italiano: Il Contado Venassino-  , fato que detalharemos mais abaixo, mas que tornou esse domínio um Enclave Papal fora de Roma. .  
Clemente V mudou a Sede do Governo Pontifical para essa localidade, que como eu já disse era um verdadeiro Enclave Papal, e que não estava sujeito a autoridade de Felipe, o Belo, nem tão pouco do temido e inescrupuloso Guillaume de Nogaret.
Não podemos esquecer que Roma estava “ensanguentada “com as lutas travadas entre as facções políticas que disputavam o domínio político da Cidade Eterna.
“No início de 1306, Clemente V revogada, de facto, as Bulas de seus antecessores, e sempre agiu em estreito contato com Felipe, o Belo, marcando uma mudança radical na política papal.”.
“Clemente V apoiou Felipe, o Belo, na liquidação da Ordem do Templo, a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, "Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominici", conhecida como Cavaleiros Templários,”, fato que conversaremos mais adiante.
Felipe, o Belo, e Nogaret, não eram homens de respeitar as fronteiras imaginarias e continuavam a atormentar Bento XII com todos os tipos de exigências, que e “depois de vários desentendimentos, o Papa queria fugir”.
Em 1314, foi diagnosticado um câncer de intestino (os médicos obrigaram a ele engolir esmeraldas marteladas), e Bertrand de Got, elevado a condição de Papa com o nome de Clemente V, desejou morrer entre os seus, e viajou para a Fortaleza de Villandraut, ao sudoeste de Langon, na hoje Região administrativa da Aquitânia, no departamento Gironde.
Chegou até Roquemaure, na margem direita do Rio do Rhône, no hoje departamento de Gard, Região Languedoc-Roussillon, em 5 de Abril de 1314, e se hospedou no Castelo do senhor Guillaume de Ricavi, morrendo cinco dias, depois em 20 de Abril de 1314.
Depois de exéquias solenes em Carpentras foi sepultado na igreja colegiada de Uzeste, uma cidade no sudoeste da França, localizada no departamento de Gironde, Região da Aquitânia, onde ainda está o túmulo.
Segundo consta durante o velório em Carpentras uma grande vela caiu colocando fogo no catafalco onde estava exposto o corpo, que ficou parcialmente carbonizado.
História rápida da Borgonha e da Região do Sul da França.
“Houve um Reino de Borgonha, royaume de Bourgogne, la Burgondie, em alemão: Burgund”, criado pelos Burgúndios, a mais antiga das tribos germânicas, de origem escandinava que se estabeleceram no estuário do rio Vístula, mas os Godos o expulsaram da área em 200 d.C..
Instalaram-se na Germânia e na Gália, de lá, eles se espalharam nas bacias do Saône e do Ródano. Foram submetidos pelos francos em 532 d.C. e seu território foi reunido à Nêustria”.
Assim, esse Reino da Borgonha é a nossa Bourgogne, ou Borgonha, região administrativa da França de hoje, que nos fornece os melhores vinhos do mundo, tais como os Beaujolais, para se beber em ambiente descompromissados, como, também, o Rei dos Vinhos do Mundo, Le Romanée-Conti, o Magnifico, considerado o maior Borgonha em todos os tempos.
Em priscas eras eu tive o prazer de saboreá-lo várias vezes, hoje não tenho mais condição de comprar uma garrafa desse néctar dos deuses.



Romanée-Conti, um dos maiores vinhos do mundo originário da Borgonha, França.

No contexto dos Reinos da Borgonha existiu o Reino de Arles, ou Arelato, com capital na Cidade de Arles, que foi formado pelos Reinos da Alta e Baixa Borgonha, por Rodolfo II, Rei da Itália, Rei da Alta Borgonha e da Baixa Borgonha, da Antiga Casa de Guelfo, Dinastia de governantes europeus do século IX ao XI, com dois Ramos: o borgonhês e o suabiano, ou da Suábia.
O Território “se estendia do Alto Reno (Alpes) ao Mar Mediterrâneo, no norte corresponde aproximadamente às atuais regiões francesas de Provence-Alpes-Côte d'Azur, Rhône-Alpes e Franche-Comté, bem como o oeste da Suíça”.
Muito bem...
Com a partilha do Império de Carlos Magno, o Reino de Borgonha, ou Arelato, ficou para o Conde de Toulouse, Condado esse criado pelo Imperador falecido, logo após a Bataille de Roncevaux, Batalha de Roncevaux, na Passagem Roncesvalles, Montes Pirineus, de 15 de agosto de 778, como Marca de proteção do Império contra os Bascos, vencedores da Batalha e que avançavam sobre a Aquitânia.
O comes, “por vezes traduzido para conde”, era nomeado pelo Imperador e Rei, mas depois se tornou hereditário.
Carlos Magno nomeou um tal “Chorson”, que foi capturado pelos Bascos e jurou vassalagem ao Líder deles, sendo substituído por Guillaume de Gellone, Guilherme d'Aquitânia, cognominado de le Grand, elevado a Conde de Toulouse, Duque de Aquitânia e Marquês de Septimania, da família Guilhelmides ou Wilhelmides, uma linhagem da nobreza franca dos séculos VII ao X, aparentada dos Carolíngios, pela irmã de Pepino, o Breve, de nome Alda casada com Thierry I, Conde d’ Autun.
Portanto Guillaume de Gellone, Guilherme d'Aquitânia, cognominado de le Grand, é primo de Carlos Magno, e em 806, ele se retirou para L’abbaye de Saint-Guilhem-le-Désert ou abbaye de Gellone est une abbaye bénédictin, e acabou sendo canonizado pelo Papa Alexandre II, em 1066, sob o nome de Saint Guillaume de Gellone ou d'Aquitaine, em occitano Saint Guilhèm, e é comemorado em 28 de maio.
Guillaume de Gellone comandou bem a grande fortaleza militar carolíngia durante as disputas com a Espanha Islamita, pois as campanhas militares contra os muçulmanos foram lançadas a partir de Toulouse. Não nos esquecemos que nessa época Barcelona foi conquistada em 801, bem como uma grande parte da Catalunha, somada as áreas do norte de Aragão e Navarra ao longo dos Pirineus, que formou a Marca da Espanha.

Saint Guillaume de Gellone ou d'Aquitaine, em occitano Saint Guilhèm, 

Guillaume de Gellone abdicou e Carlos Magno nomeou Beggo, filho de Gerard I, Conde de Paris e Rotrude, filha de Carlomano, filho de Charles Martel, outro parente, para o cargo de Conde de Toulouse, mas esse seguiu o pai como Conde de Paris.
O sucessor de Beggo foi Berengário, o Sábio, elevado em 814, por Luís, o Piedoso, filho de Carlos Magno, que foi sucedido por...
...Bernardo de Septimania, filho mais velho de Guillaume de Gellone, em occitano Saint Guilhèm, que foi Conde de Barcelona, ​​Girona e Toulouse, e Duque de Septimania, mas depois de muitas peripécias acabou executado por ordem de Carlos, o Calvo.
Acfred elevado por Carlos, o Calvo, foi expulso por Pepino II, Pepino II, o jovem, Rei da Aquitânia, bisneto de Carlos Magno.
Carlos, o Calvo, nomeou Guilherme de Septimânia, filho de Bernardo de Septimania, portanto neto de Guillaume de Gellone, que só ficou à frente do governo de 844 - 849
E Pepino II, o jovem, Rei da Aquitânia, bisneto de Carlos Magno, que em 25 de junho de 864, foi deposto pelo Edictum Pistense, Edito de Pistres, promulgado por Carlos, o Calvo, Rei de Francia ocidental e Imperador do Ocidente, neto de Carlos Magno, e por esse decreto, também, preso em Senlis, onde ele finalmente morreu, havia nomeado Frédolon, da Dinastia Raymondine, o novo Conde de Toulouse.
Mais, diante da realidade, Frédolon se bateou para o lado de Carlos, o Calvo, abrindo as portas da Cidade, e como prêmio passou a acumular os Condados de Toulouse, de Rodez, de Limoges e de Pallars, isso com o Título de Marques, ‘marchio’, e ainda o Condado de Carcassonne em 850.
Frédolon morreu em 852, deixando seus títulos para seu irmão Raymond.  
Raymond I, morto em 865, acontece que em 863, ele foi forçado a abdicar de Toulouse.
Seu filho, Bernard II, dit le Veau (o Bezerro), morto em 877, leal a Carlos, o Calvo, foi Conde de Toulouse, de Rouergue, de Limoges, de Nîmes, de Carcassonne, de Razès, e Albi.
Sua sucessão é a seguinte:

Bernardo III, Eudes ou Odo, Raymond II, Raymond III, Raymond IV, Hugh, Raymond V, William III, Pons, William IV, Raymond IV, Philippa, William V, Bertrand, Philippa, William V, William VI, Alphonse I, Raymond V, Simon, Amaury, Raymond VII, Joana, Alphonse II, Philip (pai de Felipe, O Belo), Luís Alexandre, légitime de France, Grande Almirante da França, filho de Luís XIV e de Françoise-Athénaïs, Marquesa de Montespan.


Louis Alexandre de Bourbon, Conde de Toulouse (1678-1737)

Continua...