terça-feira, 21 de abril de 2015

165/ C- conversa- “Étiquette à la cour de France”.

165/ C- conversa- “Étiquette à la cour de France”.

Continuação...
Então vamos falar desse ‘protocolo’ dessa “Étiquette à la cour de France”.

“O Duque de Saint-Simon, memorialista de Versailles, escreveu sobre o dia a dia de Luis XIV: "Com um almanaque e um relógio, eu poderia a trezentas léguas dizer o que ele estava fazendo." O dia do Rei é precisamente cronometrado de modo que os oficiais do serviço do monarca pudessem planejar o seu trabalho com grande precisão. Do levantar ao deitar, ele segue um cronograma rigoroso assim como todos que vivem na Corte, e tudo funciona como um relógio”.”
Com Luís XV e Luís XVI esse Cerimonial foi atenuado, porém não abandonado.

As manhãs de Luís XIV.

Pela manhã, de 7h30 as 8h, a vida entorno de Luís XIV assim se desenrolava:  
" Sire, voilà l'heure", le Premier valet de chambre éveille le Roi.
T.L.: “Senhor, está na hora”, dizia o Primeiro valet de chambre ao despertar o Rei.
E começa o chamado “Le Petit Lever”, o pequeno levantar.
Os médicos, a antiga babá (até ela falecer), familiares próximos, um ou outro favorito que tenha entrada garantida, entram pôr ordem no quarto do Rei, saudando-o com as reverencias de costume, as quais ele responde. A forma dessa resposta serve como termômetro de seu humor.
Na frente deles o Rei era lavado (são passados vários paninhos brancos pelo corpo, principalmente nos sovacos, gotas de vinho são respingadas em seu rosto para lava-lo), era penteado, e era feita sua barba, isso de dois em dois dias.
Entravam Les officiers de la Chambre et de la Garde-robe, os oficiais da Câmara e do Guarda-Roupa. O preparavam para o Grand Lever, o Grande Levantar. Nesse momento o Rei é vestido e toma um caldo como desjejum.
Nessa parte do Cerimonial estão habitualmente os 100 homens mais importantes do Reino, as mulheres não são convidadas para assisti-la.
Conforme a vontade do Rei, sua chaise percée, a retrete, a privada portátil, uma cadeira com pinico, lhe era apresentada.
As 10 horas:
O Rei saia dos Apartamentos em direção a Capela Real, os presentes ao Grand Lever formam um cortejo atrás de Sua Majestade Muito Cristã, e adentrava na Galerie des Glaces, onde já estavam posicionados os cortesãos que tinham autorização para nela estarem, que reverenciam ao Soberano e por ele eram saudados.
O Rei trocava palavras com um ou outro cortesão. Nesse momento havia um protocolo de troca de bilhetes que eu não consegui saber seu ritual.
O Rei se instalava em seu lugar na Capela e uma missa era celebrada. Essa missa não podia durar mais que 30 minutos.  
O coro da Capela era famoso em toda a Europa, e diariamente uma nova música era apresentada.
11 horas:
Em meio a toda pompa e circunstância o Rei voltava para seu Apartamento.
Li que os cortesãos já eram outros, para assim poder dar a mais nobres e grandes burgueses o direito de ver o Soberano. Não podemos esquecer que a classe era grande.
O Rei tomava lugar em seu Gabinete de Trabalho e as reuniões são assim distribuídas pelos dias da semana:
1-      Domingos e quartas-feiras eram realizadas as reuniões com o Conselho de Estado, para os grandes assuntos do Reino;
2-      Terças-feiras e sábados eram realizadas as reuniões com o Conselho Real de Finanças;
3-      Segundas, quintas e sextas-feiras reuniões para tratar dos “assuntos interiores’ - Conseil des dépêches, “assuntos religiosos’ - Conseil de conscience. Nesses dias, o Rei também pode decidir estudar a evolução dos programas de trabalho.
Cinco ou seis ministros trabalhavam sempre com o Rei que falava pouco, ouvia muito e sempre tomava a decisão final.
13 horas:
Em seu quarto, o Rei comia sozinho, sentado em uma mesa de frente para as janelas. Essa refeição era no princípio privada, mas o Soberano passou a convidar as pessoas que estavam presentes ao Levantar para participarem como espectadores, só  Monsieur, frère unique du Roi,tomava lugar a mesa do Rei.
As tardes de Luís XIV.
14 horas:
Pela manhã os Oficiais já eram informados pelo próprio Rei sobre o que ele queria fazer a tarde, que podia ser:
1-      Passeio pelos jardins a pé ou de charrete com as senhoras;
2-      Caçadas nas florestas ao redor do palácio;
3-      Caça a tiros de aves no parque.
Nota: A caça, esporte favorito de todos os Bourbons.  
18 horas:
O Rei se distraia, ou se divertia, ou conversava, ou jogava cartas, mais descontraidamente com os convidados especialíssimos dessas reuniões. Muitas vezes o Rei aproveitava para assinar cartas que lhe eram apresentadas pelos secretários. Como, também, deixava essas reuniões ou por conta de Monsieur le frère de Roi, ou por conta do Delfin, para ir aos apartamentos da Favorita de ocasião.
Les soirées – as noites:
22 horas:
Os cortesãos tinham acesso a antecâmara do Apartamento do Rei para assistirem o Jantar do Rei (Souper du Grand couvert).  
O Rei no centro da mesa, com membros da Família Real aos lados.
Todos comem, menos a plateia é claro.
Terminada a refeição real, o Rei passava a sala ao lado (e foi por causa dessa cerimonia que surgiu a blague “passe au salon”) para cumprimentar as pessoas, principalmente as senhoras presentes a essa parte do Cerimonial de Corte.
Em seguida, ele se retirava para seu gabinete, onde já estavam não só a família, mas, também, alguns escolhidos, para uma conversa descontraída.
23horas e 30 minutos:
O Deitar do Rei (Le Coucher) é uma versão abreviada da Cerimônia do Levantar.
E assim passava o dia, as horas, os minutos, os segundos, Luís Dieudonné,
Louis XIV, par la grâce de Dieu, Roi de France et de Navarre.


Chamo atenção que a Corte vivia em função de Luís XIV, portanto toda a Etiqueta, todo o Protocolo, dependia única e exclusivamente desse ritual acima.

Sem o Rei não haveria vida de corte.