terça-feira, 28 de abril de 2015

NOVA CONVERSA - 172- Ainda Ricardo Plantageneta de York- conversa – “A GUERRA DAS ROSAS” - C

172- Ainda Ricardo Plantageneta de York- conversa – “A GUERRA DAS ROSAS” - C

Daí que....
Ricardo Plantageneta de York, que por herança além de 3º Duque de York, Conde de Rutland, de March, d'Ulster e de Cambridge, tornou-se, por herança do tio materno, Edmundo, 5 º Conde da March, e 7 º Conde de Ulster, o Herdeiro Presuntivo do Trono da Inglaterra...
A ambição lhe dominou, a cobiça se fez presente....
Continua....

Homem rico de berço, herdou as terras do Ducado de York, mais terras em Lincolnshire, Northamptonshire , Yorkshire, Wiltshire e Gloucestershire, as maiores propriedades do Condado da Marca, Earldom of the March,” derivado das " marchas "ou limites entre Inglaterra e  Gales (Welsh Marches) ou Escócia (Scottish Marches)”, um Pariato da Inglaterra, do Condado de Cambridge, casas senhoriais no País de Gales, e importantíssimas terras na chamada Welsh Borders, fronteira Inglaterra-País de Gales, em torno de Ludlow, o que fez dele o mais rico e mais poderoso nobre na Inglaterra, perdendo apenas para o próprio Rei.
Órfão e menor suas propriedades, por ordem da Coroa, foram administradas por Ralph Neville, primeiro conde de Westmorland, já falado e re-falado em outras conversas, e ele tutoreado por Robert Waterton, um servidor de confiança da Casa de Lancaster, Condestável do Pontefract Castle, e carcereiro do Rei Ricardo II.
Ralph Neville, primeiro Conde de Westmorland, outro ambicioso, outro cobiçoso, casou uma de suas filhas, Cecilia, ou Cecily Neville, com Ricardo Plantageneta de York, em outubro de 1429.
O casamento parece que deu certo, alguns historiadores dizem que não, que Cecily foi amante de seu primo Edmund Beaufort, segundo Duque de Somerset, que o filho Eduardo (Eduardo IV, Rei de Inglaterra), não era do marido Ricardo, hipótese levantada na época por seu primo, Richard Neville, 16 º Conde de Warwick, esse o ambicioso dos ambiciosos.
Só sei que tiveram os seguintes filhos:
1-      Joana de York (fevereiro 1438 - morreu jovem).
2-      Anne ode York (10 de agosto de 1439 - 14 de janeiro de 1476), casou com Henry Holland, terceiro Duque de Exeter, e em segundas núpcias com Sir Thomas St. Leger.
3-      Henry de York (10 de Fevereiro 1441-14 de fevereiro de 1441), morreu logo após o nascimento.
4-      Rei Eduardo IV, Edward IV, da Inglaterra (28 de abril de 1442 - 09 de abril de 1483).
5-      Edmundo, Conde de Rutland (17 de maio de 1443 - 30 de dezembro de 1460).
6-      Elizabeth de York (22 de abril de 1444 - possivelmente após janeiro 1503), casou com John de la Pole, segundo Duque de Suffolk.
7-      Margaret de York (03 de maio de 1446 - 23 de novembro de 1503), casou com Charles I, Duque de Borgonha.
8-      William de York (07 de julho de 1447 - morreu jovem).
9-      John de York (b 07 de novembro de 1448 -. Morreram jovens).
10-   O ambiciosíssimo George Plantageneta, primeiro Duque de Clarence (21 de outubro de 1449 -  executado por alta traição na Torre de Londres em 18 de Fevereiro 1478), o povo dizia que ele morreu afogado em seu vinho favorito, feito com uvas da casta Malvasia.
11-   Thomas de York (1450/1451 - morreu jovem).
12-   Outro ambicioso demais, Rei Ricardo III, Richard III, Rei da Inglaterra (02 de outubro de 1452 - 22 de agosto de 1485), morto em batalha.
13-   Úrsula de York (22 de julho de 1455 - morreu jovem).

Se todos eram filho dele, Ricardo Plantageneta de York, eu nãos sei, não estava lá, não fui, nem sou, cama, nem tão pouco lençóis, mas sei que todos por ele foram reconhecidos.

A favor da Duquesa Cecilia, ou Cecily, tenho a dizer que de sua casa, Ludlow Castle, mesmo quando Richard fugiu para não ser sentenciado, ela trabalhou com afinco para a causa da Casa de York.
Quando o Parlamento debateu o destino do marido em novembro de 1459, Cecily viajou para Londres para suplicar por ele.
Devo chama-la de a Leoa de Ludlow, pois nessa ocasião os domínios do marido foram confiscados, mas ela lutou, esbravejou, falou com os nobres, com os membros do Parlamento e da nobreza, com o Rei, com Deus e o mundo, e saiu com uma renda de £ 600 para sustentar seus filhos.
Tinha mérito a senhora.
Tinha mérito a Leoa de Ludlow.
Pro seu gáudio, depois de tantas desgraças e graças, ela assistiu o casamento de sua neta Elizabeth de York, filha mais velha de Eduardo IV, com Henrique VII, Rei da Inglaterra, e com isso se tornou a avó, a ancestral de vários e vários Soberanos da Inglaterra, do UK, da França, da Espanha, da Europa, enfim....
Virou piedosa e morreu em 31 de maio de 1495, sendo sepultada no túmulo com seu marido Ricardo Plantageneta de York, seu filho Edmund, Conde de Rutland, na church of St Mary and All Saints, Igreja de Santa Maria e de Todos os Santos, em Fotheringhay, Northamptonshire, condado no East Midlands, Inglaterra.

Mais, voltemos ao maridão...

Em 19 de maio de 1426 ele foi nomeado cavaleiro em Leicester por João de Lancaster, primeiro Duque de Bedford, o irmão mais novo de Henrique V, Rei da Inglaterra.
Em 6 de novembro de 1429, ele estava presente na Sagração e Coroação Henrique VI como Rei da Inglaterra, na Abadia de Westminster.
Em 16 de Dezembro 1431, ele estava presente na Sagração e Coroação Henrique VI como Rei da França, em Notre Dame de Paris, reinou de 1 de outubro de 1422 - 19 de outubro de 1453, através de Regentes.
Em 12 de maio de 1432, ele entrou na posse total de sua herança e lhe foi concedido o controle total de suas propriedades.
Com a morte no dia 14 de setembro de 1435, de João de Lancaster, primeiro Duque de Bedford, (Título de segunda criação em 1433, o atual Título de Duque de Bedford é a sexta criação em 1694), Regente de França, durante as démarches para o Tratado de Arras de 1435, em sua morada na cidade de Rouen (ele foi sepultado na Cathédrale Notre-Dame de Rouen, o seu túmulo de mármore preto foi destruído em 1562 pelos calvinistas/huguenotes durante as guerras religiosas. Foi fundador da l’Université de Caen, em 1432), Ricardo Plantageneta de York foi nomeado Lieutenant of France, leia-se Regente da França, em maio de 1436.
Ele teve algum sucesso em seu novo cargo, mas como era ambicioso se sentia lesado, insatisfeito com os termos em que ele foi nomeado, reclamava – como era costume- de ter que pagar suas tropas.
“Por fim seu mandato foi além dos originais 12 meses, e ele voltou para a Inglaterra em novembro de 1439, quando ficou mais furioso ainda, pois não teve lugar no Conselho de Henrique VI”.
Ora, ora, já dizia dona Mariquinha, e o gajo revoltando, nos bastidores, deu vazão a sua ambição como Herdeiro Presuntivo do Trono da Inglaterra, afinal Rei Henrique VI além de lelé era sexualmente impotente.
Os negócios na França não andavam bem, e o Conselho de Henrique VI o mandou de volta, mas “com os mesmos poderes”, isso para quem é cobiçoso é mortal.
Inábeis, os Conselheiros de Henrique VI, nomearam o recém elevado Duque de Somerset, John Beaufort, para o comado de um exército de 8.000 homens para irem para a Gasconha, enquanto ele pedia reforços afim de garantira as fronteiras da Normandia e não era atendido. 
Esse fato gerou um terrível sentimento de antagonismo com a família Beaufort, partidária dos Lancaster, que os historiadores apontam como uma das causas do “ressentimento entre a Casa de York e os restantes membros da família de Beaufort”.
O primeiro Duque morreu em França, alguns afirmam por doença, outros por suicídio, em 27 de maio de 1444, com 40 anos.
Ele furioso percebeu que sua função na França havia sido reduzida, pois só tratava de assuntos burocráticos do dia a dia, e com isso somou mais um ponto negativo contra os Lancaster a sua revolta.
Sua esposa, Cecily, estava com ele e em Rouen nasceram os filhos Eduardo, Edmund, e Elisabeth.
Em 20 de Outubro de 1445, findo o período para o qual havia sido nomeado, voltou para a Inglaterra.
Outra decepção, não entrou para o Conselho, nem para o círculo real, pois sua política para a França não estava condicente com os favoritos donos do Poder.
Assim, estavam formados na Corte da Inglaterra dois partidos:
Uma facção pro-paz com a França a qualquer custo, cujos membros mais destacados eram:
a-      Henrique de Beaufort, Bispo de Winchester, um Plantageneta;
b-      William de la Pole, Conde de Suffolk.
Uma outra pela continuação da Guerra dos Cem Anos, que foram ignorados, chefiados por:
I-                    O tio do Rei, Humphrey, Duque de Gloucester e Conde de Pembroke, filho de Henrique IV, Rei da Inglaterra e de Mary de Bohun;
II-                  Ricardo Plantageneta, 3 º Duque de York.

Para piorar seu posto na França, foi entregue a Edmund Beaufort, segundo Duque de Somerset, o primo da Duquesa, aquele com quem o gajo já tinha uma pinimbá, e irmão do falecido John, um de seus desafetos. Foi demais para ele.
Ressentido ia ao Parlamento, e administrava suas propriedades, o que para um ambicioso, que tinha pretensões a ser o Herdeiro Presuntivo do Trono da Inglaterra era pouco, pouquíssimo.
O casamento do Rei com Margarida d’Anjou, uma pobretona sobrinha do Rei de França, a trégua, com a França, etc. e tal, a entrega de domínios ingleses no Continente ao Rei de França, não foram do agrado de Ricardo Plantageneta de York, daí o Conselho do Rei o nomeou para ser o Lieutenant of Ireland, o Regente da Irlanda, naquela política do quanto mais longe melhor, durante dez anos.
Uma das desculpas oficias foi de que “ele era Conde de Ulster e tinha propriedades consideráveis ​​na Irlanda, com isso ele podia administra-las mais à vontade”. Durma-se com um barulho desse.
Nomeado, ficou mosqueando na Inglaterra tratando de seus assuntos particulares, mas não teve jeito e lá foi ele, com a mulher, a mobília e uma guarda fiel de 600 homens em armas.
A situação financeira na Irlanda estava péssima, a situação do Tesouro na Inglaterra –saqueado pelos favoritos e áulicos- estava péssima, e para piorar a situação financeira dele estava péssima, tinha até dívida para com a Coroa no valor de £ 38.666, um prato cheio para seus inimigos.
Nessa situação era melhor ficar quieto onde estava, mas não, e como não devia ser muito letrado, Ricardo Plantageneta de York, certamente desconhecia essa frase do grande Júlio Cesar, general romano “conquistador da Gália, partes da Germânia e que fez uma incursão às ilhas Britânicas”, a Ilha sobre a qual o Duque de York queria reinar:
“É preferível ser o primeiro numa aldeia a ser o segundo em Roma.”

Largou tudo e começou, com um grupo de fieis, a sua viagem de volta para a Corte do Rei Henrique VI, um ninho de cobras sibilando contra ele.
Uma viagem turbulenta, com os inimigos tentado bloquear sua chegada a Londres, o que se deu em 27 de setembro de 1450.
Constatou o que já sabia, que estava implantado o caos na terra da Rainha, ou melhor do Rei, Rei esse que não dava conta de nada do que estava acontecendo.
Quando povão e nobreza se uniam a coisa ficava preta para o Monarca em gestão e para os seus favoritos de ocasião.
Não deu outra.
A nova Rainha Margarida de Anjou não queria perder a boquinha, tanto que foi a luta por ela e pelo marido bobão.
A nova Rainha “não tinha tolerância para qualquer sinal de deslealdade para com o marido, nem com a política adotada no reino, e por isso as manifestações contrarias eram levadas imediatamente a seu conhecimento, sob pena do sigilo ser considerado alta traição”.
Convenceu ao Rei de imputar o crime de alta traição ao tio Humphrey, Duque de Gloucester, citado acima, frente ao Parlamento, e o nobre homem acabou morrendo em Bury St Edmunds, condado de Suffolk, onde estava aprisionado, não se sabe se de ataque cardíaco, ou envenenado, em 23 de fevereiro de 1447, com 56 anos.
Do lado dela, os favoritos do Rei, ou seriam da Rainha, Duque de Somerset, inimigo figadal do Duque de York, e o Duque de Suffolk, estavam rolando e deitado nas moribundas finanças da Inglaterra.  
Como reação o povão foi pra cima de Adam Moleyns, Bispo de Chichester, Lord Privy Seal, ou Lord do Selo Privado, responsável pelas finanças do Soberano, Protonotário da Santa Sé, partidário do Duque de Suffolk, que foi linchado pela malta ensandecida em 09 de janeiro de 1450, na cidade de Portsmouth.
A coisa ‘tava’ feia...
As posturas de Somerset e de Suffolk, dois favoritos, fizeram com que os últimos anos do reinado de Henrique VI fosse um fracasso total.
Em pleno século XV, eles introduziram o habito da safadeza política na Corte inglesa, bem como criaram um bando de adeptos da nova Ordem imposta por eles, baseada em duas leis que nós brasileiros conhecemos muito, que são:

a-       Lei de Muricy cada um por si;
b-      Lei de Gerson, temos que tirar vantagens em tudo.

Não podia, como não pode, dar certo.
Com a Coroa se tornando impopular, devido ao desrespeito à lei e a ordem, tão sagrada para os ingleses de todos os tempos, a corrupção, a distribuição de terras aos favoritos, sem respeitar os agricultores que nelas trabalhavam, a ruina total das finanças do reino saqueada pelos favoritos, e a perda constante de territórios históricos do outro lado da Canal da Mancha para o Rei de França, só ficou ou só sobrou Calais como domínio do Rei da Inglaterra no Continente Europeu, diante dessa realidade só Deus podia salvar a Inglaterra.
E “a voz do povo que é a voz de Deus”, se manifestou numa reação que precisava acontecer -  " o latido de sangue de Suffolk [por] uma multidão de Londres "-  se voltou contra o Duque de Suffolk, que era o mais impopular de todos.
Ele foi julgado pelo Parlamento e enviado para o exilio, mas o navio de Suffolk foi interceptado no Canal da Mancha, sendo seu corpo encontrado com sinais de violência na praia de Dover.
E ai...Aconteceu uma rebelião em Kent comandada por Jack Cade contra o Rei Henrique VI, que “marcharam para Londres, a fim de forçar o governo a acabar com a corrupção e remover os traidores que cercam a pessoa do Rei, e aconteceu uma batalha sangrenta em London Bridge, cujo final foi um pedido de clemência ao Soberano. Cade foi preso, mas depois assassinado.  Entretanto a Rebelião de Jack Cade foi a maior revolta popular na Inglaterra durante o século XV. Um fato precursor da Guerra das Rosas, e que acelerou o declínio dos de Lancaster e a ascensão dos de York”.
A Normandia caiu e os naturais, que estavam habituados a serem vassalos do Rei da Inglaterra, vieram para essa tão sonhada Inglaterra e perturbaram a pouca paz que havia no reino (hoje são os islamitas que buscam refúgio na Terra da Rainha e agem da mesma maneira).
Um grande número de pessoas atravessando o English Channel, ou Canal da Mancha, semelhante a famosíssima Retirada de Dunquerque, ocorrida entre 26 de maio a 4 de junho de 1940, desde a praia da cidade francesa de Dunquerque até a costa da cidade inglesa de Dover, motivada pela invasão nazista a França, em 10 de maio do mesmo ano, quando 300.000 homens foram evacuados.
Uma derrota que se tornou um símbolo de vitória.
Continuemos...
Duque de Somerset, inimigo figadal do Duque de York, foi feito prisioneiro na Torre de Londres, para sua própria segurança, pois o povão de Londres queria a cabeça dele.
A Câmara dos Comuns exigiu que o Rei anulasse as doações de terras, honras e mercês, bem como dinheiro, que ele tinha feito para seus favoritos.
Acredito que o tolo nem sabia delas, as doações, mas sua mulher essa sabia e como sabia.
Como forma “salvadora”, essas formas nunca dão certo, o Parlamento elegeu Ricardo Plantageneta de York como Chamberlain, encarregado das finanças, e ele se mostrou um reformador, mas não contava com apoios significativos.
Thomas Young, membro da Câmara dos Comuns, MP, por Bristol, propôs que Ricardo Plantageneta de York, fosse reconhecido formalmente como Herdeiro do Trono, sendo enviado preso para a Torre de Londres, e o Parlamento dissolvido, talvez porque muitos membros estivessem de acordo com a ideia, pelas tropas fieis a Margaret d’Anjou, em nome do Rei.
Ricardo Plantageneta de York entrou numa fria e...

Continua.....