segunda-feira, 13 de abril de 2015

8 ° capitulo E o cristianismo avança

O 63 ° Imperador do Império Romano foi Flavius Claudius Iulianus Augustus, augustus imperator, etc., foi o último Imperador Romano declaradamente, convictamente, pagão.
Escreveu:
1-      “Contra os Galileus” (Contra Galilaeos ou il Contro i Galilei) na tentativa “, sem sucesso, restabelecer a religião romana depois dela ter sido abandonado em favor do cristianismo por seu tio Constantino I e seu filho Constâncio II”;
2-      "Carta aos Themistius», "Contra o Heráclio: a concepção teocrática de governo”;
3-      "Contra os cínicos ignorantes";
4-       “A unidade cultural do helenismo”;
5-      '' Hino à Mãe de Deus ";
6-      “O edital sobre o ensino e a reforma religiosa”;
7-      "Hino ao Rei Helios";
8-      “Os Césares”.
Para os cristãos, Juliano é historicamente Juliano, o apóstata, apesar que durante seu governo não aconteceu nenhum tipo de perseguição religiosa.
Governou de Fevereiro 360, sendo coroado em 3 de novembro de 361, até 26 de junho 363 e foi sucedido por Joviano.
Joviano ou Flavius ​​Iovianus Augustus, um cristão, Imperador Romano de 27 de junho de 363 a 17 de fevereiro de 364 (oito meses), fortaleceu o Cristianismo como a Religião do Estado, mantendo uma política de tolerância para com todas as religiões.

Dois Imperadores no Mundo Romano

Joviano foi sucedido por Valentiniano I, Flavius ​​Valentinianus, que governou sozinho todo o Império de 26 de Fevereiro de 364 a 28 de março de 364, em tendo feito seu irmão Valente o novo Imperador Romano do Oriente, reinou como Imperador Romano do Ocidente de 28 de março de 364 a 17 de novembro de 375, dia de sua morte.
 Valoroso e justo, era um devoto cristão e com “a ajuda do Papa Dâmaso I em 371, ele adotou uma política incomum de tolerância religiosa”.
O Papa Dâmaso I, nascido em Guimarães, Braga, no nosso querido Portugal, trigésimo sétimo Bispo de Roma, eleito em 1 de Outubro de 366, pontificando até 11 de dezembro de 384, dia de sua morte com 79 anos de idade, primeiro que usou o Anulus Piscatoris, símbolo oficial do Papa, o sucessor de São Pedro, que conseguiu que “fosse a reconhecida oficialmente a competência da Igreja em matéria de fé e de moral”, que com suas cartas pastorais conseguiu evitar cismas na Igreja Católica.
Contudo o que aqui importa é a influência de Damaso I junto ao Imperador o que faz com que a afirmação de que o cristianismo ganhou força no último quartel do século IV se torne um fato de grande relevância histórica.

A Gália

Gália era o nome romano dado, na Antiguidade, para as terras dos celtas na Europa ocidental. A Gália compreende o atual território da França, algumas partes da Bélgica e da Alemanha e o norte de Itália.
Dividia-se em duas regiões:
1-      Gália Cisalpina (aquém dos Alpes, relativamente aos romanos), que compreendia a Itália setentrional e foi por muito tempo ocupada por tribos gaulesas;
2-      Gália Transalpina (além dos Alpes), vasta região (a costa sul da atual França e seu interior), situada entre os Alpes, os Pirenéus, o Atlântico e o Rio Reno.

Júlio Cesar lutou contra as tribos da Gália, as Guerras Gaulesas, de 58 a.C. a 50 a. C., que culminou com a decisiva Batalha de Alesia em setembro de 52 a.C., vencida pelos romanos que resultou na expansão da República Romana sobre toda a Gália (principalmente atual França e Bélgica).
Na Batalha de Alesia, ocorrida em Alise-Sainte-Reine (Alise-Ste-Reine), hoje Côte-d'Or departamento na Borgonha, região do leste da França, de um lado >
a-       Júlio Cesar (Gaius Julius Caesar), 60.000 homens em 12 legiões com a cavalaria e auxiliares;
b-      Vercingetorix, chefe da tribo dos Arverni, que habitavam a localidade onde hoje é Auvergne, departamentos de Puy-de-Dôme, Cantal, noroeste do Haute-Loire, e extremo sul da Allier, região de Auvergne, proclamado Rei pelas tribos gauleses confederadas em Gergovia, uma aldeia/fortaleza situada sobre uma colina dentro da cidade de La Roche-Blanche, perto de Clermont-Ferrand, e seus 100.000 gauleses
Culminou com a vitória romana e que deu ao Império Romano 500 anos de dominação sobre a Gália.
Vercingetorix foi preso, acorrentado e arrastado pelas ruas de Roma, o que em faz duvidar da grandeza de Júlio Cesar, pois não se humilha um vencido, e depois estrangulado por ordem do General Vencedor.
A cidadania romana foi estendida à Gália Transalpina por César em 49 a.C. e toda a Gália Cisalpina foi incorporada à Itália por Augusto, deixando com isto de ser província (a Gália Cisalpina havia recebido a cidadania romana em 90 a.C.).

                                                             As Gálias

Augusto, em 27 a.C., dividiu a Gália a norte dos Alpes em Gália Narbonense, que ficou sob o controle do Senado, e Gália Lugdunense ou Lionense (Lyon), Gália Aquitânia e Gália Belga, que ficou sob sua própria administração. Lyon era a jurisdição da assembleia provincial das "Três Gálias".
Sob o Império, a Gália desfrutou de uma prosperidade efetiva; contudo, no século I d.C., houve algumas agitações nacionalistas.
Os romanos protegeram a região contra as invasões germânicas, desenvolveram aí trabalhos públicos, e grandes cidades foram fundadas: Lyon, Arles, Tolosa, Bordéus, Lutécia (Paris).
Por outro lado, a Gália foi cristianizada.
O território da Gália fracionou-se quando, no século V, foi invadida pelos visigodos, pelos burgúndios e pelos francos.
Só voltou a unir-se sob o reinado do rei franco Clóvis, por volta do ano 500.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

“Por outro lado, a Gália foi cristianizada” e é isso que importa nessa ‘conversa’.

São Martinho de Tours - Martin le Miséricordieux-
o Apóstolo da Gália ou Pai das Gálias.

No ano de 316 ou 317 na província romana de Panônia , na cidade de Sabaria, a atual cidade de Szombathely , Hungria, nasceu Martinius, filho de um Tribuno Militar que deu esse nome em homenagem ao deus Marte, criado em Pavia, convocado para servir o Exército por ser filho de um Veterano ( agora fazendeiro por conta de Roma que lhe deu terras), foi enviado a Gália, onde passou a maior parte de sua vida militar perto da cidade de Amiens, département de la Somme, na Picardia.
Reza a lenda que:
No inverno frio de 335 Martinho se deparou com um mendigo nu tilintando de frio e com pena dele cortou sua capa militar em duas partes dando-lhe uma delas. Era fatal grave cortar o manto branco da Guarda Imperial, o "cape”, mas o soldado não se importou com o fato, não teve medo das consequências.   
À noite, durante um sonho, viu Jesus vestindo sua capa cortada, chamado atenção dos anjos da corte celestial para ele, que dormia, dizendo:
“Esse é Martinho, o soldado romano que não é batizado, ele me vestiu."
Assustado acordou e viu ao pé do leito sua capa intacta.
O manto foi considerado como alvo de um milagre, portanto milagroso e foi preservado como relíquia, tornando-se parte da coleção de relíquias dos Reis da Dinastia Merovíngia dos Francos.
Exposto “a veneração dos fiéis, em uma sala cujo nome está na origem da palavra CAPELA, e capelão,  ( cappella em italiano capela em Inglês, Kapelle em alemão).
O sonho e a capa intacta mudaram a vida de Martinho e ele foi Batizado na Pascoa daquele ano e deixa o exército, mas antes provou que não era covarde por se recusar a lutar, a derramar sangue humano.
“Na campanha sobre o Reno contra a Alemanni em Civitas Vangionum, para provar que não é um covarde se oferece para servir como escudo humano, pois já acreditava na Providência Divina, e em um das janelas foi exposto acorrentado ao inimigo, sobre o ataque avassalador, lá ficando, em oração, até os ‘bárbaros’ pedirem a paz”.
Foi para Poitiers, onde se tornou exorcista.
 Novamente “em um sonho, Jesus aparece e manda que ele vá para a Ilíria, a fim de converter seus pais. Ele conseguiu converter sua mãe, mas não a seu pai fiel as tradições romanas’,  lá lutou contra o Arianismo, foi torturado, se tornou um ermitão para melhor ‘conversar’ com o Senhor “ilha deserta Gallinara, na costa da Ligúria,  Itália, se alimentando de raízes silvestres e ervas”,  iluminado foi para Poitiers, hoje departamento de Vienne e o capital da região de Poitou-Charentes, onde funda uma pequena congregação, que hoje é Saint Martin Abbey Ligugé, mosteiro de monges beneditinos , localizada no município de Ligugé , ( departamento de Vienne , França ), em 361, e que se torna a primeira comunidade de monges da Gália, da França de nossos dias.
A pequena comunidade de Ligugé, onde “Saint Martinho e seus discípulos vivem separadamente em cavernas e cabanas (Locaciacum "pequenas cabanas", daí o nome de Ligugé), torna-se um centro de Evangelização para toda a Gália”.
Os comuns, os desesperados, os pobres e oprimidos, vão rezar ao pé de São Martinho, cuja fama de homem santo ganha o mundo.
Junto com alguns discípulos se retirava, agora já Bispo de Tours, mas simples, de vestes rudes, diferente dos demais prelados romanos com seu luxo e ostentação, para um local onde hoje está a Abadia de Marmoutier (L' abbaye de Marmoutier), Marmoutier ( majus monasterium = grande mosteiro) , mosteiro beneditino, era tão importante que Alcuíno (730-804), um dos principais amigos e os assessores de Carlos Magno e grande arquiteto do Renascimento Carolíngio , foi seu Abade.
Martinho vivia em uma cabana de madeira em muita oração onde “conversava com os anjos e os santos e se impunha as forças diabólicas”.
Viaja pela Galiza cercado de seus discípulos para abater a idolatria pagã, substitui os santuários pagãos por igrejas e capelas.
A Igreja começa a ter Poder Espiritual na Gália, onde, também, o Poder dos Príncipes, da Nobreza, com o dela se mistura.
Martinho não d´bola para esse fato e continua sendo o Martinho pescador de almas, fosse ela de agricultor ou de um aristocrático senhor.
Em Candes-Saint-Martin, hoje departamento de Indre-et-Loire, Região Central, classificada entre as mais belas aldeias da França, Martinho usa de sua força espiritual para acalmar uma procela entre os monges do local. Exausto, mas vitorioso, Martinho morreu no dia seguinte ao seu feito, isso é, no dia 8 de novembro de 397, na época do tempo mais bonita do ano em França, pois era o final do outono.
Foi sepultado em Tours no dia 11 de novembro de 397.
Seu Tumulo virou local de peregrinação para os doentes e aflitos, incluso São Gregório de Tours.
Padroeiro da Dinastia Merovíngia, escolhido por Clovis I, o primeiro Rei Cristão de todos os Francos.
A famosa ‘capa’ foi enviada para Carlos Magno que a colocou na sua capela privada, a Capela Palatina de Aachen (La chapelle palatine d'Aix-la-Chapelle), que faz parte do Palácio de Aachen, onde estão os restos mortais de Carlos Magno, local de coroação para cerca de 600 anos do Imperadores do sacro Império Romano Germânico.
Mais, a Importância de São Martinho está que foi ele o primeiro a organizar um local de ensino para missionários, evangelistas, em território galo, ou franco, ou francês, daí não é espanto nenhum ser ele o padroeiro das localidades/cidades de Tours, Mainz, Utrecht, Riviere-au-Renard, Lucca, Martina Franca, de ser chamado de Martin le Miséricordieux, Martinho, o Clemente, em francês, Saint Martin de Tours.
Não podemos esquecer que Martinho, no início, teve a confiança de Hilário de Poitiers ou Hilarius Pictaviensis, Bispo em Pictavium, atual Poitiers, um dos Doutores da Igreja, chamado de "Martelo dos Arianos" ou Malleus Arianorum, considerado o maior entre os escritores latinos antes de Santo Ambrósio, que não era homem de campo, um evangelista, e sim um douto versado em estudos teológicos.
Em sendo assim vale afirmação de que Martinho de Tours realente foi o cristão que mais colaborou definitivamente para a divulgação do cristianismo entre o povo da Gália, até então pagã.

Consequência do avanço do Cristianismo e da Igreja Católica na Gália, pós São Martinho.

Georgius Florentius Gregorius ou Gregorius Turonensis ou São Gregório de Tours, nasceu em Augustonemetum ou Civitas Arvernorum, a moderna Clermont-Ferrand, no hoje département du Puy-de-Dôme, Auvergne, região central da Gália Romana, em qualquer dia do ano de 538 d. C. e faleceu em Tours (Caesarodunum durante o período romano), as margens dos rios Loire e Cher, hoje département d'Indre-et-Loire, Centre-Val de Loire, em 17 de novembro de 594 d. C., com 56 anos.
Filho de Florentius,  senador de Clermont,  e de Armentaria II, sobrinha de Nicetius, Bispo de Lyons e  neta de Florentinus, senador de Genebra, portanto de uma família de senadores, nobres gauleses romanizados que ocuparam os Bispados de Tours, Lyons e Langres, demostrando assim que estavam totalmente integrados a nova realidade europeia, e um grande exemplo dessa realidade foi seu avô, Gregório de Langres, também, historicamente citado como Gregório de Autun,  que foi Conde, Governador de Autun de 465 a 505 d. C., Bispo de Langres depois de viúvo, construtor de uma cripta para depositar os restos mortais de São Benignus de Dijon (Saint Bénigne), missionário, martirizado nos tempos do Imperador Aureliano, local onde hoje está construída a  Catedral de Dijon - La cathédrale Saint-Bénigne de Dijon, isso sem falar de Leocádia, sua avó paterna, descendente de Vettius Epagatus, o mártir ilustre de Lyons.
Viúvo, Florentius, deixou Gregório de Tours com seu tio Gal I, Bispo de Clermont (Saint Gallus, São Galo, cuja sepultura está Catedral de Notre-Dame du Port, em Clermont-Ferrand), um filho do senador Georgins e de Leocádia, para ser educado.
Quem realmente educou a Gregório de Tours foi Avito (Saint Avit ou Saint Avitus), decimo oitavo Bispo de Clermont, construtor de Notre-Dame-du-Port em de Clermont-Ferrand, que sob a ameaça de expulsão da cidade conseguiu converter centenas de judeus em 576 d.C..
Gregório de Tours era um homem de grande fé, ficou curado de uma doença grave depois de visitar o tumulo de São Martinho de Tours - Martin le Miséricordieux-  dito o Apóstolo da Gália ou Pai das Gálias, que passou a dedicar sua vida ao cristianismo, sendo tonsurado por seu tio Gallus, e ordenado diácono por Avitus, passando a residir em Basílica de Saint-Julien em Brioude, hoje département de la Haute-Loire, Região Auvergne.
Saint Euphrône, Bispo de Tours, morre em 573 d.C., e Gregório, contra a sua vontade, é eleito para substitui-lo, sendo consagrado por Giles, Bispo de Reims, no dia 22 de agosto de 573, com a idade de 34 anos.
Segundo uns o povo admirava Gregório por sua fé e humildade por isso o elegeram, seguindo outros ele foi eleito por influência direta da Rainha Brunichildis (Brunilda uma princesa dos visigodos) casada com Sigeberto I, Rei da Austrásia ou Rei dos Francos em Reims, da Dinastia Merovíngia, que lhe valeu a inimizade de uma outra Rainha dos Francos e inimiga da ‘visigoda’ de nome Fredegonde, casada com Chilperico I, Rei da Nêustria ou Rei dos Francos em Soissons.
Gregório de Tours sobreviveu a essas procelas e escreveu 10 livros com o título Libri Decem Historiarum, ou Historia Francorum, ou Gesta Francorum, ou simplesmente Chronica, uma "história nacional" dos francos, o que lhe tornou o principal historiador da Dinastia Merovíngia e importante fonte sobre seus reinados.
Georgius Florentius Gregorius ou Gregorius Turonensis ou São Gregório de Tour, é considerado o “Pai da História da França” ou “Pai da Historia Francesa”, não importa o epiteto, mas sim a sua notável contribuição para a História da Humanidade, pois, pela minha ótica ninguém deixou uma obra tão importante sobre a evolução das Tribos Bárbaras em direção a Civilização Judaico-Cristã, da evolução do Cristianismo na Europa, da evolução da Realeza e da Nobreza na Europa, da simbiose entre Igreja e Monarquia, como ele.
Por causa dos Merovíngios, de Pepino, o Breve, da “Doação de Pepino” ao Papa que criou o “Patrimônio de São Pedro”, de Carlos Magno e seu Império, do Sacro Império Romano Germânico, dos Reinos, dos Feudos, da Realeza, da Nobreza, do Clero, enfim a simbiose que se criou entre eles e a Igreja Católica, única representante do Cristianismo, em seu território vastíssimo é que a História da Gália tem grande importância histórica, muito mais do que na Roma dos Papas, como veremos.