segunda-feira, 20 de abril de 2015

165/ A- conversa- Louis XIV, né Louis-Dieudonné, Premier fils de France, un « miracle ».

165/ A- conversa- Louis XIV, né Louis-Dieudonné, Premier fils de France, un « miracle ».



O símbolo do Rei Luís XIV, o Rei Sol
Em um dos
dos portões de entrada
do
Château de Versailles, Palácio de Versalhes


Na 57 - CONVERSA- Armand Jean du Plessis, Cardeal-Duque de Richelieu e de Fronsac, homem a serviço da Monarquia absoluta e pela França. Parte III, escrevi:
Cardeal-duque de Richelieu, homem astuto, tirou de seu relacionamento com a Rainha Maria de Médici, e da postura de Jean Louis de Nogaret de La Valette, seigneur de La Valette e de Caumont, Duque d'Épernon, um dos favoritos de Henrique III, um dos “mignons du Roi Henri III”, apelidado de « le demi Roi », um dos principais personagens da nobreza francesa, no caso da Fuga de Angoulême e outras ‘cositas’ mais, uma grande lição.
“O Duque d'Épernon, refletia em suas ações a sua mentalidade aristocrática tradicional, a mentalidade da nobreza em geral, fato que era um perigo para o Rei de França, para aquele que era a ‘cabeça ‘da nova Monarquia Absoluta, do novo Estado Frances, que estava sendo moldado pelo Cardeal-Duque, por isso, ele chegou à conclusão que se fazia necessário, era urgente, o fortalecimento de um Estado imparcial acima dos indivíduos e outros grupos organizados, como a Nobreza e o Clero”...E pôs as mãos à Obra.
Seu programa inicial:
1-       Destruir o Poder dos huguenotes, os protestantes franceses, que criaram um Estado dentro do Estado, com capital na cidade de La Rochelle, cidade no sudoeste da França, as margens do Oceano Atlântico, ao largo da eclusa de Antioquia, portanto um porto estratégico;
2-       Neutralizar a Nobreza, abatendo seu orgulho, desarticulando seu espirito de classe ou facção, o famoso l'esprit de corps de la noblesse;
3-       Reduzir o Poder da Casa d’Áustria, os Habsburgos espanhóis.
Luís XIII concordou com as propostas.
No frigir dos ovos, Luís XIII queria mesmo era caçar em seu Pavilhão de Caça em Versalhes, núcleo central do fabuloso Palácio de Versalhes, com seus amigos e levando para cama seus favoritos.
La Rochelle e os Huguenotes.
De 1620 a 1628, o Cardeal em nome do Rei Luís XIII, visando acabar com privilégios políticos de protestantes, implementa uma política de recuperação autoridade militar do Estado, leia-se do Rei.
A rendição da cidade em 1628, marcou o fim das políticas autônomas e militares dos Huguenotes, os protestantes franceses, é o fim do Estado dentro do Estado, com capital na cidade de La Rochelle.
Entretanto, Luís XIII permite a liberdade de culto pela Paix d'Alès, a Paz de Alais, ou Édito da Graça, Édito de Alais, que leva o nome da cidade onde foi acordado, a cidade de Ales, de 28 de junho de 1629, que foi assinado após a rendição de La Rochelle, e registrado no Parlamento de Toulouse em 18 de agosto de 1629.
Luís XIII saiu vitorioso, mas sem dúvida nenhuma o grande vencedor foi Richelieu por suas artimanhas durante o Cerco o Bloquei de La Rochelle.

Na 58 - CONVERSA- Armand Jean du Plessis, Cardeal-Duque de Richelieu e de Fronsac, homem a serviço da Monarquia absoluta e pela França. Parte IV, escrevi para finalizar:
E a vida continuou, mas Armand Jean du Plessis, Cardeal de Richelieu, Duque de Richelieu e de Fronsac, conseguiu realizar mais uma de suas propostas, a de colocar a Nobreza na linha, em torno de seu Rei.
Isso bem perto da morte.


Armand Jean du Plessis, Cardeal-Duque de Richelieu e de Fronsac.


Hoje escrevo:
A grande obra de Luís Dieudonné foi transformar a Nobreza de Espada, os senhores feudais grandes, médios e pequenos, o Clero, e até membros da Nobreza de Toga, em Nobres Cortezões, reduzindo assim os seus poderes e fazendo com que eles vivessem, como andorinhas, ou como aves de rapina, ao seu derredor na luxuosa Corte de Versalhes.
Essa atitude do Rei Sol completou a obra de um dos maiores estadistas franceses de todos os tempos, o já citado - Armand Jean du Plessis, Cardeal-Duque de Richelieu e de Fronsac.



Interrupção dos Cultos e detenção de Huguenotes/ protestantes
em Paris após a revogação do Édito de Nantes.


Hoje escrevo:
Que a pior obra de Luís Dieudonné foi a revogação, por influência de Madame de Maintenon, nascida Françoise d'Aubigné, uma huguenote, neta do famoso líder huguenote, Agrippa d'Aubigné, homem de fortes convicções calvinistas, um homem de guerra, um escritor e polemista, poeta barroco, e grande amigo do Rei Henrique IV, do Édito de Nantes, o "Édito de Pacificação", assinado na cidade de Nantes, em 13 de abril de 1598, por seu avô. Henrique IV, Rei de França e de Navarra, que concedeu aos huguenotes/protestantes a garantia de tolerância religiosa após 36 anos de perseguição e massacres por todo o país, com destaque para o Massacre da noite de São Bartolomeu de 1572, mantendo o Catolicismo como religião oficial do Estado, até porque o Poder do Rei advinha de sua Sagração em Rito Católico com os Santos Óleos.
O Édito de Fontainebleau, de 23 de outubro de 1685, que revogou o Édito de Nantes - contrariando a vontade do Papa Inocêncio XI e da Cúria Romana, mas que era vontade do amor de ocaso do velho Rei, uma bruxa velha e feia, mas que devia ter lá seus segredos de cama aprendidos quando era esposa de Paul Scarron, um poeta e grande libertinoprovocou o êxodo dos huguenotes/protestantes da França, e como eles é que eram a força do trabalho, os investidores em vários setores da economia, causou graves e sérios problemas econômicos ao país.
Paul Scarron, que mantinha com Françoise d'Aubigné, um salão literário em Paris, foi o autor de
“Le Virgile travesti est une parodie de l'Énéide de Virgile, consacrée comme le chef-d’œuvre de la littérature burlesque du xviie siècle, numa T.L.: Virgil travesti é uma paródia da Eneida de Virgílio, consagrada como a obra-prima da literatura burlesca do século XVII.
Imagine se essa bruxa velha e feia era realmente pura e casta como se fazia passar.
Eu não acredito.
Mais, o pior feitor é aquele que já foi escravo, pois não???




 A Cruz Huguenote é um símbolo protestante, com significado político e espiritual, que foi criada em torno 1688, após a revogação do Édito de Nantes, por um ourives de Nîmes, de nome Maystre.


Costumes na época de Luís XIV.

O resto do reinado foi uma festa com muito luxo, mulheres, fogos de artifícios e muita dança...




  

Sa Majesté Très Chrétienne
Louis XIV
Par la grâce de Dieu, Roi de France et de Navarre
Louis le Grand
Le Roi-Soleil

O mais poderoso e esplendoroso dos Reis Bourbons sem dúvida nenhuma foi o filho do Rei Luiz XIII e de Ana da Áustria, uma Infanta de Espanha da Dinastia dos Habsburgo Espanhóis, a Casa d’Áustria, Louis-Dieudonné, Le Grand, Le Roi-Soleil, e o decimo quarto do mesmo nome, considerado um milagre, pois seus pais já estavam casados há vinte e três anos, e nada tinha acontecido em termos de nascimento de um Herdeiro para a Coroa de França.
“Por isso alguns historiadores acreditam que ele não era filho biológico de Luís XIII, mas sim de seu padrinho o Cardeal Mazarino”.
Foi batizado Louis-Dieudonné ("Luís, o presente de Deus") e recebeu além do tradicional título de Delfim o de Premier Fils de France ("Primogênito da França").
Sua Majestade Cristianíssima Luiz XIV, pela Graça de Deus Rei de França e de Navarra, nasceu a 5 de setembro de 1638, em Le château de Saint-Germain-en-Laye, no Real Castelo de Saint- Germain em Laye, e faleceu no suntuosíssimo Château de Versailles, Palácio de Versalhes, no dia 1 de setembro de 1715.
Rei de França e de Navarra, de 14 de maio de 1643, sagrado e coroado na Catedral Real de Reims em 7 de junho de 1654, até o dia de sua morte em 1 de setembro de 1715, portanto reinou 72 anos, 3 meses, e 18 dias.


Luís XIV com seus pais, Luís XIII e Ana da Áustria,
e atrás do Rei pai,
a figura do Cardeal Mazarino.
Anônimo.



Jules Mazarin, Cardinal de l’Église catholique, octogésimo oitavo Príncipe -arcebispo de Metz, Par de França, Duque de Mayenne, de Rethélois, de Nivernais e de Donziois
Retrato de Pierre Mignard
pintor francês .


Esse peculiar monarca que ao saber que seu padrinho de Batismo, mentor e primeiro-ministro Giulio Raimondo Mazzarini, um napolitano de Pescina – com o nome afrancesado de Jules Mazarin, Cardinal de l’Église catholique, octogésimo oitavo Príncipe -arcebispo de Metz, Par de França, Duque de Mayenne, de Rethélois, de Nivernais e de Donziois - havia falecido e ante a pergunta dos cortesãos sobre quem seria o novo ministro respondeu: O Estado Sou Eu (L’État c’est Moi) e ponto final.
 A grande maioria dos historiadores de hoje dizem que Luiz nunca pronunciou essa frase, mas eu mantenho a Tradição, pois Sa Majesté Très Chrétienne confiou a Jean-Baptiste Colbert, um burguês, ficando assim com a última palavra em termos de negócios do Reino de França.
Não haveria mais Primeiros Ministros.
O Poder tinha sido dado a Ele por Deus e por Ele será exercido.
“Viva o Direito Divino.”
Era Rei desde a morte do pai, em 14 de maio de 1643, mas como era jovem e para decidir todos os assuntos de Estado, participava duas horas por dia das reuniões de Mazarino com o Conselho Real, agora era a sua vez e assim será pelos próximos anos.
Rei absoluto por Direito Divino e em sendo assim foi estabelecido simultaneamente o que hoje chamamos de “culto à personalidade”, com detalhes que seriam levados ao extremo.
Naquela época não havia “marqueteiros” como hoje, não havia os Dudas Mendonças, nem tão pouco os Joãos Santanas, e assim, Louis-Dieudonné foi o seu próprio.
Sua primeira peça publicitária foi:
“Ser Rei de França não é tarefa para amador.”
Vamos nos lembrar da frase já pronunciada:
“O Estado Sou Eu.”
Para completar:
“Exercendo uma tarefa totalmente divina aqui na terra, precisamos parecer incapazes de perturbações que possam compromete-la.”
E dito isso escolheu o SOL como seu emblema.
Como divisa:
Nec Pluribus Impar
« supérieur à tous »
T.L.: Superior a todos.

Como um deus no Olimpo, ele Luiz, o Sol, dançou em 23 de fevereiro de 1653, diante da Corte de França composta da Rainha, da Rainha-mãe Ana d’Áustria, de Gaston, fils de France, le « Grand Monsieur », de  Philippe d’Orléans, Dauphin de France, après Monsieur, frère unique du Roi, de Anne Marie Louise d’Orléans — dite « La Grande Mademoiselle », dos Príncipes de Sangues, dos Duques, dos Prelados, dos Embaixadores, da Nobreza, da altíssima Burguesia de seu Conselho, o “Ballet de la Nuit”, para comemorar a sua vitória total sobre os presentes.
Celebrava assim a Vitoria da Monarquia Absoluta por Direito Divino

Le costume de Louis XIV pour danser le Ballet de la Nuit


E ele dançou vestido assim...

                                   
Luiz gostava de dançar e balé.
Para a elaboração dos bales Luís Dieudonné convidava todos os envolvidos, do Maître en Scène a mais simples costureirinha, para discutirem com ele os detalhes das apresentações
Havia um detalhe muito peculiar não era permitido palmas na presença do Soberano.
Assim, nessas apresentações artísticas tão ao gosto do Soberano, também, eram introduzidos escritores como Molière e Racine e artistas como a Duparc (Marquesa Teresa de Gorla, viuva de Duparc).
Musicos como o grande Jean-Baptista Lully, violinista e compositor francês nascido em Florença em 1632 e falecido em Paris em 1687, que foi criador da Opera Francesa, de música para as obras de Molière e bailados para o próprio Soberano.
Luiz dança, Luiz canta, Luiz assisti a muitas peças.
Mas tudo tem que ser muito equilibrado pois essas danças, essas canções e essas peças devem ser escritas para Gloria do Rei.
A Corte de Versalhes é um grande espetáculo teatral tendo o Rei como o principal ator.
“O valor [de Versalhes] é de cenário, enquanto [o desenrolar dos movimentos] da corte é a tática do palco”, afirma Georges Vigarello.
Será assim até a tragédia acontecida na noite de 5 para 6 de outubro de 1789, quando o povo de Paris invadiu o Palácio e arrancou de seus aposentos Luís XVI, a Rainha Maria Antonieta, e os filhos, e os levaram para a Cidade Luz, que na época era muito escura e insalubre.
Luiz Dieudonné era glutão, gostava de comer e a comida tinha que ser bem temperada.
Cozinheiros se matavam “literalmente” para conseguir uma nova receita para agradar ao paladar de Sua Majestade.
Quanto tal acontecia o cozinheiro ficava rico e importante.
Vejam o filme “Vatel”.
Em português: Vatel, um banquete para o Rei
 “Um filme sobre os últimos dias do chef François Vatel, o mordomo do príncipe Louis II de Bourbon-Condé no Castelo de Chantilly .

Higiene do Rei-Soleil.
Luiz tinha tanto horror ao banho completo de agua e sabão, quanto do populacho de Paris.

A conselho medico tomou um banho morno certa vez e seu médico, Fagon, anotou o resultado:
“O paciente passou por tremores, ataques de fúria, movimentos convulsivos...seguidos de erupções; manchas vermelhas e roxas no peito.”

O fato é tão absurdo que vou revelar a fonte: “journal de la sante du Roi Louis XIV (1647-1711)” de A.d’Aquin, G.C.Fagon, a. Vallot. Paris, 1862.

De outra feita, os médicos aconselharam novo banho, mas dias antes Sua Majestade foi oito vezes sangrado, sofreu duas lavagens intestinais, ou seja ficou pra lá de fraco.
Quem toma purga e sai rindo ou é louco, ou bebeu...
Depois do banho, foi visto “abatido por uma vaga dor na cabeça, que nunca o acontecera...o tratamento foi suspenso, reiniciaram um ano depois. Sua Majestade novamente se sentiu tão mal que nunca mais tentaram lhe dar banho completo de agua numa tina”.
Ora, ora, pois, pois sangrado oito vezes só podia estar “abatido por uma vaga dor na cabeça”, mas os luminares da medicina gostavam mesmo era de sangrar, além das purgas é claro, e para justifica-los pelo eterno erro, por jamais curarem o Rei, culpavam o bom banho de agua morna, pois não?
Luís Dieudonné, a França personificada em toda sua Grandeza, la Grandeur de la France, morreu sofrendo terrivelmente dos intestinos, de constipação - associada com a síndrome do intestino irritável, de fezes duras, por causa do excesso de purga sua flora intestinal foi destruída, o que levou a ter cólon irritado e hemorroidas, que segundo consta saiam muito do ânus e sangravam muito.
O coitado era submetido diariamente a purgas por causa da prisão de ventre crônica, motivada pelos excessos cometidos na mesa, com as comidas muito condimentadas, e é óbvio com esse tratamento bárbaro. 
Chamo atenção que as purgas eram aplicadas em frente aos cortezões presentes no Quarto do Rei, que levava lá, no dito cujo, o cristal sem a menor cerimônia diante de todos.
Luís fez duas cirurgias de hemorroidas.
Nota:
Todo o Clero recebeu ordem para rezar pelas operações do Rei.
Segundo historiados, o Clero ficou de vigília enquanto as operações eram realizadas.
Madame de Maintenon, esposa morganática do Rei, escreveu agradecendo para os conventos, fazendo o seguinte comentário:
 “{...}, mas o Rei se portou muito bem, muito corajosamente {..}”
Há séculos já se sabia que as doenças vinham de fora para dentro do corpo, o que é bem verdade, mas o modo para não ficar doente na época de Luís XIV é que era hilário, veremos:
Elas podiam “ser barradas com o uso de roupas fechadas, com tecidos pesados, meias ¾, botas de cano alto, chapéu na cabeça em público, capas, para proteger a pessoa”. 
Com a evolução da moda, mais do que com fins terapêuticos, os tecidos passaram a ser mais leves e os costumes, as roupas, dando destaque roupa branca de baixo.
Uma pessoa limpa trocava de roupa de baixo, se possível, várias vezes ao dia.
Era a famosa “Roupa Branca que Limpa”.
Era essa “roupa branca, alva, sem mancha” que fazia a higiene corporal, nada de banho com agua e sabão.
Devia ser uma fedencia danada.
Luís XIV suava muito, também pudera com aquela roupa toda, peruca, sem ar-condicionado, sem banho, sem ver nem de longe agua e sabão.
Deveria ser um horror, mas ele era considerado “limpinho”, pois trocava várias e várias roupas por dia. 
Um certo senhor de Bellegarde ditava a moda na Corte, foi o senhor da moda por 20 anos, mas foi substituído por Monsieur de Montauron, que criou um estilo, le style Montauron, adotado por Luís Dieudonné.




O elegante cavalheiro veste um casaco, colete e calças.

 “Uma característica de le style Montauron foi a maneira como o gibão se tornou tão curto que se via a roupa interior na cintura. Pela mesma razão deixava-se as mangas abertas para exibirem a camisa interior.” 



Le style Le beau Candale



Mais, sabemos que a moda é volúvel, e Le beau Candale, Louis-Charles Gaston de Nogaret de la Valette de Foix, Duque de Valletta e Candale, um libertino, lança moda, e Luís, que adora estar na moda, passa a usar.
Eis a moda de Le beau Candale: “O gibão é exageradamente curto e o cinto foi descido, por isso podem se ver as roupas interiores pendendo acima das meias.”
Conta-se que um nobre foi a Paris assim vestido e passando por aquelas apertadas ruas medievais ouviu:
 “Cuidado, senhor, tens as calças a cair.”



Entrevue de Louis XIV et Philippe IV
dans l'île des Faisans en 1659
María Teresa de Austria y Borbón, Marie-Thérèse d'Autriche, 
la fille de Philippe IV, future reine de France, derrière lui.
Le style Le beau Candale

Penso, não tenho provas mais acho que essa moda durou pouco.
“1664 – marcou a introdução da “casaca real” como instituição. Em 1666, com Charles II na Inglaterra, Escócia e Irlanda. Eu afirmo que na realidade era o Justacorps ou justaucorps, uma espécie de casaco longo, cobrindo um colete de comprimento igual e calças por baixo. Eram abertos na frente, no centro, normalmente com muitos botões e botoeiras que revestem toda a extensão da abertura. As mangas com grandes punhos de onde saia os punhos rendados da roupa branca de baixo – camisa. Alguns tinham pregas atrás. Bolsos decorativos, mas que podiam ser funcionais. Os justacorps eram ornamentados com bordados de seda, prata e ouro, e feitos de tecidos luxuosos, tais como Tafetá, que é um tecido de seda trançado, de seda mesmo mais colorida, de cetim, de brocado, de damasco, e no inverno de lã.
 Justacorps, muitas vezes, tinham apliques de tecidos de diferentes cores, padrões, para fazer um contrastante, que podiam ser faixas usadas nos ombros ou em volta punhos.
No início do século XVIII, a silhueta dos justacorps se tornaram mais amplos, mais rodada, mas aberta, mais larga e confortável, e lançou as bases para a moda masculina em todo o resto do século  
Veem-se que o objetivo era não dispensar o luxo, mais torna-lo um sinal de privilégio.
O Justacorps, ou “casaca real”, só podia ser usada por aqueles que tinham recebido “um alvará real” assinado pelo próprio punho do Rei-Sol”.
Era uma espécie de símbolo de status.


Luis Francisco de la Cerda
Duque de Medinacelli
Em um justacorps vermelho, com bolsos horizontais, e decoração de luxo


Réparation faite à Louis XIV par le doge de Gênes
Francesco Maria Lercari Imperiale, 15 mai 1685
Musée de Marseille
T.L.:
Reparação feita a Luís XIV, pelo Doge de Gênova
Francesco Maria Lercari Imperiale, 15 de maio de 1685
Luís Dieudonné esta trajando Justacorps parecidíssimo com o do
Duque de Medinacelli
Pintura de Claude Guy Hallé
Pintor francês da l’Académie royale de peinture




Segunda Embaixada enviada pelo Rei Narai le Grand,
Rei do Reino d'Ayutthaya, atual Tailândia,
 a Louis XIV em 1686.
liderada por Kosa Pan
Chao Phraya Kosathibodi, isso é
"Senhor Ministro de Assuntos Mundiais"
Pintura por Nicolas Larmessin.

Chamo atenção de que esta vestimenta não é como a nossa casaca preta atual, com colete e gravata branca, que só foram introduzidas nos salões no comecinho do século XIX por George Bryan "Beau" Brummell, favorito do Príncipe Regente da Inglaterra, o futuro Rei George IV.
"Beau" Brummell, era um homem requintadamente elegante, nasceu em Londres 07 de junho de 1778, e morreu na mais absoluta miséria, insano por causa da sífilis, em Le Bon Sauveur Asylum, nos arredores de Caen, França, em 30 de março 1840. Caen, cidade no noroeste da França, capital da região de Basse-Normandie, no departamento de Calvados.
Chamou a atenção do Príncipe Regente, futuro George IV, o tardo filho do louco, por sua elegância, bom gosto, e distinção, tanto que passou a ser o Arbitro de Elegância da Corte Inglesa, um novo Petronius.
Contudo, ele criticou em público o Príncipe pelo que foi afastado da Corte. Nunca se retratou e com os credores no calcanhar, fugiu para França
Sempre fui aconselhado que não se deve ter intimidades com os poderosos de ocasião.
Um exemplo antigo, da Roma Imperial.
Gaius Petronius Arbiter, um aristocrata romano, um homem de luxo refinado, filosofo, escritor, mestre na prosa da literatura latina, satirista notável, autor de Satíricon, árbitro elegantiae / Elegantiarum, árbitro da elegância, na Corte do Imperador Nero, para ciúmes e raiva de Tigellino, o prefeito pretoriano da Nero
Tigellino afirmou a Nero, conhecendo sua crueldade, que Petronius era muito amigo de Flavius Cevinus, um dos participantes da Congiura di Pisone, “A conspiração de Pisão, ocorrida em 65 d.C., que visava derrubar Nero”, o Doidão Incendiário ficou mais doidão ainda de raiva e ciúmes (Nero era bissexual), e mais comprou um escravo do Arbítrio da Elegância para falar horrores dele ao Imperador. 
Só restou a Petronius se suicidar para não cair nas mãos de Nero, que maluco poderia mata-lo de forma mais cruel possível, como a arena do Circus Maximus.
Concordo que era melhor a cicuta do que as feras, mais elegante.
De 1648 até a morte, Luís Dieudonné, será o único lançador de moda, “e estas consistiam em pequenas modificações que tendiam para o efeminado”, mas toda Corte as copiava, como já disse a moda era um assunto de Estado. (Enciclopédia Histórica do Traje, Lisboa) 
Mais, voltemos a Roupa Branca que Limpa...
...O bom-tom mandava que toda roupa branca deveria ser usada somente por um dia. Para alguns semanalmente era viável, principalmente se fosse burguês, mas não deveria nunca ser trocada nas sextas-feiras, na noite de sexta – feira para sábado nem pensar, pois esse era um costume judeu milenar, e naquela época de grandes perseguições ninguém queria ser nem judeu, nem protestantes, em França.
“A limpeza é, antes de tudo, o respeito ao cânone.” dizia Madame de Maintenon, governantas dos bastardos legitimados do Rei, e depois sua esposa morganática, que segundo o Duque de Saint-Simon, Par de França e Grande na Espanha, “tinha uma maneira de se vestir nobre e limpa”, mas, até agora não consegui entender essa frase da segunda mulher de Luiz XIV, a bruxa velha e feiosa, nem como encarou a sujeira dele?!?!.
Ela, também, devia ser uma porca.

Luís Dieudonné morreu muito mau.
Fedia, seu quarto fedia mais ainda.
Morreu depois de reinar 72 anos, 3 meses, e 18 dias.
Morreu depois de guerrear, de gastar dinheiro, de pôr seu neto o Trono de Espanha, de fazer e desfazer acordo diplomáticos, de considerar os negócios da Europa como negócios de família, de tratar o Reino de França como sua grande fazenda.
Morreu muito deprimido, enfraquecido, em meio a grandes dores, a perna esquerda estava putrefata, a gangrena tomou conta do joelho e toda a coxa, em seu monumental Palácio de Versalhes.
Palácio de Versalhes, que de simples pavilhão de caça de seu pai, passou a ser um palácio de mármore, ouro e luxo, o centro da França, o centro da Europa, o centro do mundo conhecido.
As 8 horas d’amanhã, do dia 1 de Setembro de 1715, quatro dias antes de fazer setenta e sete anos, Luís Dieudonné entregou sua alma, sem qualquer esforço, como uma vela que se apagou".
Virou carola no final da vida, de grande pecador ao mais sério dos santos, por influência da Maintenon, a bruxa velha e feiosa, que nasceu protestante e fez a vida como católica.
Dizem que estava recitando o Domine, ad adjuvandum me Festina (Ó Senhor, apressa-te em ajudar-me), mas eu não acredito. Acho que é marketing da turma que lá estava.
Seus restos mortais foram expostos durante oito dias no Salon d'Hercule, no Grande Apartamento do Rei no Palácio de Versalhes, mas ele foi transportado por noite, como um malfeitor, “pour éviter que la population ne fasse la fête sur le passage du cortège funèbre”, numa tradução livre, “para evitar que a população fazer festa na passagem da procissão funeral”, para a nécropole de la Basilique Saint-Denis, onde os Ritos da Igreja Católica foram cumpridos em relação a morte de Sa Majesté Très Chrétienne Louis XIV Par la grâce de Dieu, Roi de France et de Navarre.
Nem assim Louis le Grand, Le Roi-Soleil, teve sossego, pois “sa tombeau détruit sous la Révolution français”, numa T.L., “Sua Tumba foi destruída durante a Revolução Francesa”.






Salon d‘Hercule, Chateau de Versailles