quinta-feira, 30 de abril de 2015

179- HENRIQUE VIII - A

179- HENRIQUE VIII - A

Continuação...
Esse sucessor é Henrique que nasceu no The Palace of Placentia, em Greenwich, em 28 de junho de 1491, e faleceu no The Palace of Whitehall (or Palace of White Hall), Londres, em 28 de janeiro de 1547, com 55 anos de idade.

 

Henrique VIII era um gigante louro que tinha um enorme prazer de viver.
Como tinha uma mente de “homem de estado” soube tirar excelente proveito da obra iniciada por seu Real Pai.




Catarina de Aragão
Lucas Hornebolte (1495-1544)
Século 16
(Reproduzido da coleção de Richard Walter John Montagu Douglas Scott, His Grace the Duke of Buccleuch and Queensberry KBE DL FSA FRSE, Page of Honour to The Queen Mother )


Resolveu o “grande e grave problema dinástico” da seguinte maneira:
Com as dispensas e bênçãos do Papa casou com a viúva de seu irmão, Catarina de Aragão, que, também, era tia do mais poderoso Soberano à época, Carlos de Habsburgo, Príncipe Natural dos Países Baixos, Rei de Espanha sob o nome de Carlos I e Imperador do vastíssimo e poderoso Sacro Império Romano Germânico sob o nome de Carlos V, etc. etc. etc., de quem até o Papa, o Líder Máximo Espiritual da Cristandade, tinha medo.
O casamento dos Soberanos durou 18 anos e dessa união nasceu a Princesa Mary, que mais tarde será a Rainha Mary I, conhecida como “The Bloody Mary”, traduzindo Maria, a Sanguinária.
O Casal Real teve mais dois filhos homens que receberam o nome de Henrique e mais duas filhas mulheres que morreram ou ao nascer ou viveram menos de um ano.
Em defesa das Doutrinas Católicas Apostólicas Romanas contra a Reforma Luterana, Henrique escreve um livro e recebe do Papa Leão X, nato Giovanni di Lorenzo de' Medici, 217º papa della Chiesa cattolica, muito agradecido pelo apoio, o Título de “Fidei Defensor”, Defender of the Faith, ou Defensor da Fé.
Esse Título ainda é usado pela Rainha Elizabeth II como “Supreme Governor of the Church of England”, a mais importante autoridade da Igreja Anglicana, superior até ao Arcebispo de Canterbury.
Henrique & Catarina Reis Católicos em uma Europa em plena revolução ou evolução religiosa.
A Rainha Catarina, que nasceu em Alcalá de Henares, Madrid, Espanha, no dia 16 de dezembro de 1485, é mais velha do que o Rei seis anos, já que esse nasceu em 1491, e não consegue lhe dar mais filhos, principalmente um filho homem que o Soberano tanto queria.
Supersticioso o Henrique acredita que isso acontecia porque ela tinha sido esposa de seu irmão e apesar das Dispensas Papal viviam em pecado aos Olhos de Deus.
Exila a Rainha da Corte e a pobre coitada começa então sua peregrinação por vários castelos e solares, sem nenhum tipo de conforto, sem poder sequer ver a filha, acaba morrendo no Castelo de Kimbolton, Kimbolton Castle, Cambridgeshire, no dia sete de janeiro de 1536, depois de fazer 50 anos.
Quando Henrique baniu Catarina de Aragão da Corte, ele havia começado um movimento junto ao Papa pedindo a anulação de seu matrimonio usando aquele argumento, que tinha como base a Bíblia Sagrada, no Livro de Levítico, capitulo XX, versículo 21:
“Se o homem tomar a mulher de seu irmão, imundícia é; descobriu a nudez de seu irmão; ficarão sem filhos”.
Como já afirmei não era o caso do Rei da Inglaterra que já tinha com a Rainha, tem quem queria ficar livre, sob as bênçãos do Papa, uma filha e dois filhos que não viverão.
 O Romano Pontífice fez-se de surdo ao apelo do Rei da Inglaterra aquém havia dado o Título de “Defensor da Fé”, não só pela Doutrina da Igreja, mais, também, como já dize, tinha medo do sobrinho da Rainha, Carlos V, o Soberano mais poderoso do mundo à época.


His Eminence the Right Honourable
Thomas Wolsey
Cardinale presbitero di Santa Cecilia
Arcebispo de York
Príncipe-Bispo de Durham
Bispo de Lincoln
Bispo de Bath e Wells
Bispo de Winchester
Lord High Chancellor


Thomas Wolsey's coat of arms

O homem aquém o Soberano havia dado poderes absolutos para governar seu reino, o Chanceler – Cardeal Thomas Wolsey, Arcebispo de York, Membro do Conselho Privado, fez o que pode e o que não pode para realizar o desejo de seu Rei, mas a Rainha havia feito uma declaração em frente aos juízes ingleses que o deixava de mãos atadas e que tinha sido respeitada, até então, pelos Soberanos, Cardeais, Arcebispos e Bispos, em qualquer julgamento desde São Paulo, como consta da Bíblia, Catarina, já sabendo que estava em total desgraça junto ao Rei, “apelara para Roma”, isso é, a espanhola, filha de Reis, irmã de Reis, tia de Imperadores, mãe de uma futura Rainha, queria que seu caso ficasse sob a jurisdição do Papa, que além de Chefe da Cristandade é, também, o Bispo de Roma.
O Rei de França, Francisco I, que sucedeu o marido de sua irmã Mary, Luiz XII, inimigo mortal do Soberano do Sacro Império Romano Germânico, Príncipe Natural dos Países Baixos e Rei de Espanha, pois a França era cercada por essas potencias, apoiou Henrique tanto que solicitou aos Sábios da Sorbonne – Universidade de Paris - e de outras Universidades pareceres que, como não podia deixar de ser, manifestaram a favor do divórcio.
O Papa Clemente VII ficou irredutível já que apoiava a nova política anti- inglesa do Imperador Carlos V.
Por não ter conseguido o impossível, ou seja, a anulação pelo Romano Pontífice do Matrimonio Real, o Cardeal Wolsey, agora um multimilionário político tanto que ao morrer deixou como legado para o Rei seu Palácio de Hampton Court, foi demitido pelo Rei em 1529.
Irritado por essa batalha de seis anos, Henrique nomeou em 1533 um novo Chanceler e Arcebispo de Cantebury, o Pusilânime, ambicioso, arrivista de carteirinha, Thomas Cranmer, que imediatamente proclama que o Papa, o Romano Pontífice, não tinha autoridade sobre o pedido de anulação do Casamento Real e o anula com o apoio do Parlamento.
A Princesa Maria, filha do casal, neta dos Reis Católicos de Espanha, Fernão de Aragão e Izabel de Castela, prima de Carlos V e de Fernando, Imperadores do Sacro Império Romano Germânico, de Margarida, Governadora – Regente dos Países Baixos, é declarada BASTARDA.


Henry with Charles V (right) and Pope Leo X (centre), c. 1520
16th century painter, anonymous
Na realidade a figura a esquerda que se parece com o Soberano inglês
é  Sir Thomas Bolena, ver abaixo. 

Com a anulação surge uma nova Igreja no cenário mundial, a Igreja da Inglaterra, que tem como Chefes os Soberanos desse país, com o Título de “Defensor da Fé”, conforme já citei acima.
O Papa havia retirado de Henrique VIII esse Título, mais o Parlamento inglês o restituiu.
Todo esse movimento histórico é chamado de “ATO DE SUPREMACIA de 1534”
De “Rei Apostólico”, defensor do Papado contra a Reforma Protestante, especialmente “anti-Lutero”, o temperamental Henrique, voltou-se contra a Igreja Católica Apostólica Romana e seu Líder Máximo, o Papa.
Querendo ou não foi um duro golpe nas finanças da Igreja de Roma já que deixou de entrar no Tesouro Pontifício o dinheiro oriundo das propriedades da Igreja na Inglaterra, bem como de seus fies membros ingleses.
Desafia a mais poderosa Dinastia da Europa, mas da metade dos governantes dos países europeus, à época, se posicionam contra ele.
Mas a guerra é cara e eles tem problemas de mais em seus domínios.
A Infanta e a Princesa, uma sem direito de ver a outra, peregrinam pelos Castelos da Inglaterra.
Mais tarde a “filha da espanhola, agora Rainha da Inglaterra por Direito, se vingará de todos”.
Só um exemplo: Thomas Cranmer, o ex Chanceler que anulou o casamento de seus pais e fez sua mãe sofrer, por ordem dela, queimará na fogueira como herege, sua vingança será maligna.
A Rainha Maria I foi a pior Soberana de todos os tempos que governou a Inglaterra.




Mary I, "Bloody Mary".
Com o marido Felipe II, Rei de Espanha, etc...
By the Grace of God, King and Queen of England, Spain, France, Jerusalem, both the Sicilies and Ireland, Defenders of the Faith, Archduke and Archduchess of Austria, Duke and Duchess of Burgundy, Milan and Brabant, Count and Countess of Habsburg, Flanders and Tyrol


 O Henrique VIII tinha pressa em obter o divórcio porque estava enamorado da jovem Anna Bolena (Anne Boleyn), aquém elevou a condição de Marquesa de Pembroke em 1532, um Título restaurado por Henrique VII.
Ana Bolena era filha de Sir Thomas Boleyn, de uma família de negociantes de tecidos (mercer), cujo o avô, Sir Geoffrey Boleyn, foi prefeito de Londres, Lord Mayor of London.
Sir Thomas foi Sheriff of Kent, embaixador dos Países Baixos, embaixador na França duas vezes, embaixador junto a Carlos V, embaixador especial para participar em uma reunião de Carlos V com o Papa Clemente VII, em busca de apoio para a anulação do casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão, e que por motivos óbvios foi elevado a Conde de Wiltshire e Visconde de Rochford (1° criação, ambos no Pariato da Inglaterra), a 1 ° Conde de Ormond (2°criação no Pariato da Irlanda. Título reconquistado por Piers Butler, que se tornou o oitavo Conde de Ormond e primeiro Conde de Ossory, ainda em vida de Sir Thomas, mas em desgraça por causa da filha decapitada), cavaleiro da Ordem da Jarreteira, Treasurer of the Household, Lord Privy Seal.
A mãe de Ana Bolena era Elizabeth, filha de Thomas Howard, 2° Duque de Norfolk (3 ° criação), Conde de Surrey (3 ° criação), Lord High Treasurer, Earl Marshal, Lord High Steward, cavaleiro da Ordem da Jarreteira, um cortesão, diplomata e soldado, e de Elizabeth Tilney, filha de Sir Frederick Tilney, Lord of Ashwellthorpe, Norfolk, and Boston, Lincolnshire.


Anne Boleyn
Copy of a portrait painted c. 1534

Especula-se que Ana Bolena nasceu entre 1501 e 1507, em Blickling Hall, Norfolk, e foi criada em Hever Castle, Kent, ao sudeste de Londres, 48 km da capital do Reino.
Ana Bolena havia passado uma grande temporada na França onde aprendeu os usos e costumes daquela Corte, e a arte de ser coquette.
Quando chegou de volta a Inglaterra foi convocada para ser Dama de Honra da Rainha Catarina e acabou chamando atenção do Rei por sua beleza e seu comportamento afrancesado.
Como sabemos, em 1532 o Rei a faz Marquesa de Pembroke e com Honras de Rainha, acompanha Henrique VIII a uma visita oficial o Rei de França.
Em 1° de junho de 1533 é coroada Rainha da Inglaterra.
Em 7 de setembro de 1533, a Rainha Anna dá a luz a uma Princesa, Elizabeth, a futura Elizabeth I, The Good Queen Bess “, o foco de nosso trabalho”.
Por coincidência a Rainha Bolena dá a Henrique dois filhos homens que também morrem prematuramente.
Por causa de suas superstições e da paixão que teve por Anna Bolena, Henrique VIII, toma as seguintes atitudes:
1-      Rompe o casamento de 18 anos com Catarina de Aragão, uma Infanta/Princesa espanhola de Aragão e Castela, hija de la Reina Isabel I de Castilla y del Rey Fernando II de Aragón, Los Reyes Católicos, título que les fue otorgado por el papa Alejandro VI mediante la bula Si convenit, el 19 de diciembre de 1496, soberanos da Dinastia de Trastámara, uma Dinastia católica por excelência, Rainha da Inglaterra Ungida e Coroada no dia 24 de junho de 1509, pelo o Arcebispo de Canterbury em uma cerimônia na Abadia de Westminster, o que levou parte da cristandade a ficar contra ele;
2-      Rompe com o Papa,
3-      Desafia o mais poderoso soberano do mundo, Carlos V,
4-      Declara uma filha legítima, a Princesa Maria, futura The Bloody Mary”, traduzindo Maria, a Sanguinária, com Catarina de Aragão, ilegítima com o de acordo do Parlamento e aceitação da Corte;
5-      Docemente constrangido aceita a fundação de uma nova Igreja, uma nova denominação, ou seja, a Igreja de Fé Anglicana, ou Igreja da Inglaterra, Church of England, tendo os Reis da Inglaterra como Supreme Head of the Church of England, Chefe Supremo da Igreja da Inglaterra, o Defensor da Fé, título outrora concedido e depois revogado pelo Papa, mas agora dado a ele e a seus herdeiros pelo Parlamento.
Chega ao ouvido do Soberano que Anna o está traindo.
Astuta ela dissimula e assim ninguém tem prova contra ela.
Mas não há barreiras morais para o Chanceler Cranmer e sob coação e tortura consegue testemunhas.
Chanceler Cranmer, que se sentia ameaçado por ela politicamente, acusa até o próprio irmão de Ana, George Bolena, Visconde de Rochford, e mais outros cortesãos - Mark Smeaton m um musico, Sir Henry Norris, Sir Francis Weston, Sir William Brereton e Mark Smeaton – de adultério com a Rainha.
Todos foram condenados por alta traição, adultério, e decapitados no dia 17 de Maio de 1536.  
Vejam que o patife do Cranmer, um pau pra toda obra, consegue além do crime de adultério, provar que Anna cometeu também incesto, pois teve relações carnais com seu irmão.
 Em 2 de maio de 1537 a Rainha é presa.
Em 17 de maio seu casamento é dissolvido e sua filha Elizabeth, a futura Elizabeth I, é considerada bastarda por Ato do Parlamento.
As 8 horas d’amanhã, do dia 19 de maio de 1537, Anna Bolena, a mulher que alvo de uma paixão mudou a História da Igreja e da Inglaterra, é decapitada na Tower Green, um espaço dentro da Torre de Londres.
Mais, o que a Historia nos provou é que Henrique VIII, uma verdadeira maquina sexual, já tinha uma substituta para a decapitada no Leito Real.
Seu nome:

Jane Seymour.

Continua....





Anne Boleyn in the Tower
Édouard Cibot - pintor francês.
Created: December 31, 1834

Musée Rolin, Autun, France